23/07/2026
SIPAIOS GEOPOLÍTICOS
Macky Sall e Umaro Sissoco Embaló representam hoje um exemplo claro de oportunismo político. Ambos perderam legitimidade interna nos seus respectivos países. Sall saiu do poder em meio a protestos e acusações de repressão; Embaló, após dissoluções sucessivas do Parlamento e denúncias de autoritarismo, perdeu eleições, recusou-se a entregar o poder, inventou um autogolpe e acabou deposto. Sem respaldo sólido das suas próprias sociedades, procuram manter relevância através de apoios externos, oferecendo-se como peças úteis nos jogos das grandes potências.
Sall, ao candidatar-se ao cargo de Secretário-Geral da ONU, não responde a uma exigência popular senegalesa, mas sim a uma estratégia pessoal de projeção internacional. Embaló, ao apoiar essa candidatura, tenta recuperar espaço político perdido após a sua queda, posicionando-se como aliado de uma “causa africana” que, na prática, serve mais aos interesses externos do que aos povos da região. Os dois estão em busca de sobrevivência política.
França, EUA, Rússia e China veem em Sall e Embaló líderes previsíveis, dispostos a alinhar-se com agendas externas em troca de prestígio. A retórica de “África falar a uma só voz” é instrumentalizada como fachada, enquanto os verdadeiros beneficiários são os países predadores que mantêm o continente como zona de influência. Em vez de desafiar a ordem internacional desigual, Sall e Embaló reforçam-na, atuando como intermediários submissos, autênticos “sipaios geopolíticos” que tentam negociar o continente africano em troca de relevância.
PATÉTICOS NÃO VÃO CONSEGUIR.
Editorial Povo Atento