13/07/2026
NOVO TESTAMENTO TEXTUAL HEBRAICO
Introdução
A imensa maioria daqueles que levaram ao mundo, em seus idiomas nacionais, o conteúdo da história de Yeshua (em hebraico: יֵשׁוּעַ), o Rabino de Nazaré, conforme aparece nos documentos conhecidos popularmente como Novo Testamento, realizou uma das obras mais nobres e extraordinárias já prestadas à humanidade.
Entretanto, por razões que hoje podemos compreender, nesse importante trabalho foi negligenciado o seu contexto hebraico, elemento vital para uma compreensão correta das palavras do nosso Mestre e de seus Emissários.
Ao analisar esse contexto, devemos lembrar dois fatos centrais: primeiro, a realidade histórica, religiosa e política de Israel no tempo em que nosso Rabino apareceu; segundo, os acontecimentos posteriores relacionados ao ministério que o Eterno realizou por meio de Yeshua.
Quais foram esses acontecimentos? Especificamente, e como Ele mesmo havia previsto, a destruição do Estado de Israel, incluindo a cidade de Yerushaláyim (Jerusalém) e o Templo; e, mais tarde, como advertiram seus Emissários, a triste e desnecessária separação dos crentes de origem não judaica de suas raízes hebraicas.
Em relação ao primeiro ponto, é importante destacar os fatos que situam o leitor do Novo Testamento Textual Hebraico no tempo e no espaço apropriados para compreender corretamente as palavras e os ensinamentos do Mestre.
Compreender o que aconteceu entre Malaquias e Mateus como um período de transição entre certas promessas e o seu cumprimento nos introduz em um mundo que precisa ser bem conhecido para interpretar corretamente tanto Yeshua quanto Ya'akov (Tiago), Shaul (Paulo) e os demais escritores sagrados, filhos das circunstâncias em que viveram e com as quais interagiram.
O professor Avraham documentou nove realidades que giram em torno desse princípio.
1. O Helenismo Grego
O mundo da bacia do Mediterrâneo estabeleceu o helenismo como a cultura que deveria ser imposta a todos os povos conquistados pelos gregos, sob a liderança de Alexandre, o Grande (333 a.C.), que fundou 37 cidades em Israel.
O helenismo, ou cultura grega, representava a religião da Grécia e de Alexandre. Seu ideal, seu sonho e seu desejo eram impor ao mundo inteiro a língua grega, seu sistema educacional e sua religião politeísta. Seu objetivo era a aquisição da sophia (sabedoria filosófica), uma vida confortável, entretenimento, pluralismo e globalização.
Se você pensa que a ideia de globalização ou de um "mundo único" (one world) é algo moderno, pode estar enganado. Trata-se, na verdade, do renascimento do antigo projeto helenista, com seus mesmos objetivos e propósitos.
Por meio da filosofia, do esporte, da política, da música, da religião, da arquitetura e de outros aspectos culturais, Alexandre procurou espalhar pelo mundo seu sonho e seu ideal.
Duas coisas tornariam possível alcançar esse objetivo, tanto entre os gregos quanto entre os chamados bárbaros (os demais povos): expandir as fronteiras de sua nação e elevá-la à categoria de um império internacional, uma Grécia mundial. As conquistas de Alexandre tinham justamente esse propósito: conduzir o mundo inteiro a aceitar, ou até mesmo impor, a participação nesse "sonho grego".
Naturalmente, o sonho do povo judeu era completamente diferente. O objetivo do judaísmo não podia ser separado de sua responsabilidade como povo da aliança, depositário da revelação divina. Esse propósito estava intimamente ligado à importância do trabalho honesto, da educação religiosa dos filhos, do estudo diário da Torá e do desenvolvimento de uma vida pessoal, familiar e social em santidade e justiça. Também era marcado pela expectativa da manifestação do Mashiach (Messias), que cumpriria todas as promessas feitas aos patriarcas.
A morte de Alexandre destruiu seu sonho e dividiu seu império. Em Israel surgiram duas famílias influentes: a de Onias II (240 a.C.) e a de Tobias. A primeira, representando a nação, opôs-se aos selêucidas. Os selêucidas, juntamente com os ptolomeus, eram dinastias gregas surgidas após a morte de Alexandre. Os selêucidas dominaram a região greco-síria do antigo império grego e promoveram intensamente o helenismo, enquanto muitos judeus resistiram com todas as suas forças à influência da cultura grega.
A segunda, infelizmente, optou pelo helenismo como uma alternativa de sobrevivência política, diante da superioridade militar dos helenistas. O confronto foi inevitável e, a partir do ano 201 a.C., os selêucidas assumiram o controle de Israel, provocando uma enorme luta interna na Terra Santa.
A partir desse acontecimento, o judaísmo, longe de permanecer monolítico, tornou-se pluralista e expandiu-se intelectualmente. Alguns pensadores judeus apoiavam o helenismo e acreditavam que seria possível encontrar um caminho intermediário entre a cultura grega e o judaísmo.
Outros, que constituíam a maioria, entendiam que a sobrevivência de Israel dependia de permanecer fiel ao Eterno, a Moshê (Moisés) e aos profetas. Por isso, rejeitavam qualquer tipo de negociação com os helenistas.
Essa situação acabou provocando uma grande guerra civil em Israel, conhecida como a Guerra dos Macabeus.
Os Macabeus, associados à família Hasmoneia, eram liderados por Judá Macabeu, filho de Matatias, e desempenharam um papel decisivo na expulsão dos greco-sírios de Israel no século II a.C. Alguns estudiosos consideram que o nome Macabeu é um acrônimo da expressão hebraica "Mi Kamocha Ba'elim Adonai" ("Quem é como Tu, ó Adonai, entre os deuses?"). Outros entendem que significa "martelo", simbolizando a força com que derrotaram os exércitos greco-sírios.
Juntamente com os hasmoneus, os macabeus fizeram parte da liderança de Israel nesse período (aproximadamente entre 166 e 162 a.C.).
Como sabemos, os macabeus conseguiram expulsar os greco-sírios, purificaram o Templo e o dedicaram novamente ao serviço sagrado. Esse acontecimento deu origem à instituição e consagração da Festa de Chanucá (Hanucá), também conhecida como Festa da Dedicação.
Algumas autoridades judaicas consideram que essa festa de oito dias é, na verdade, uma celebração tardia da Festa de Sucot (Tabernáculos), também de oito dias, que não pôde ser celebrada na época devido à guerra.
Na realidade, Chanucá tem origem nacional, e não foi instituída na Torá. Entretanto, por causa de suas implicações proféticas, tornou-se uma das celebrações mais importantes para a fé de Israel. Além disso, suas relações proféticas com a interrupção violenta do sacrifício contínuo lhe conferem grande importância escatológica. O próprio Yeshua participou dessa festa todos os anos, como judeu, conforme registrado em Yochanan (João) 10:22–23.
No ano 152 a.C., a família Hasmoneia, que passou a ocupar um lugar central na liderança política e cultural de Israel após a vitória sobre os greco-sírios, assumiu o controle de Yerushaláyim (Jerusalém). Embora o trono de Davi nunca tenha sido restaurado, surgiu uma grande expectativa messiânica, pois o quarto milênio estava chegando ao fim e acreditava-se que o quinto milênio marcaria o início da Era Messiânica.
Devemos lembrar, contudo, que, embora os greco-sírios tenham sido expulsos de Israel, sua forma de pensar permaneceu. Havia muitos judeus helenizados espalhados pelo país, conhecidos como "gregos". Esse termo não se referia aos habitantes da Grécia, mas aos judeus assimilados pela cultura helenista, isto é, pessoas cujo estilo de vida era mais grego do que judaico.
DISCIPULO YESHUA O NAZARENO