16/07/2026
Quem me conhece há mais tempo sabe o quanto eu gosto de viajar sozinha.
Eu aprendi a gostar da minha própria companhia a ponto de precisar desses momentos. Para mim, é como respirar.
Sei que muita gente acha isso estranho. E tudo bem. Ninguém é igual a ninguém. E essa é a beleza da vida.
Eu gosto de fazer as coisas no meu tempo.
No meu ritmo. Tomar um café sem pressa, lendo um livro ou simplesmente observando o movimento, as pessoas, a cultura, a vida daquele lugar.
Mas o que mais me conquistou nas viagens solo foi o silêncio. Foi aprender a me escutar.
Entre tantas viagens, houve uma que marcou minha vida de um jeito diferente: fui sozinha para a Índia fazer um retiro de silêncio.
Foram 10 dias sem falar.
Yoga. Meditação. Alimentação consciente. Solitude.
E foi ali que entendi uma coisa:
Quando a gente faz silêncio por fora, algo começa a gritar por dentro.
Grita pelos “nãos” que você nunca teve coragem de dizer.
Grita pela vida que sua alma pede, mas que você insiste em adiar.
Às vezes, tudo o que precisamos é parar para nos ouvir.
Os últimos meses foram intensos.
Maternidade. Mudanças. Decisões. Perdas.
E, desta vez, existe um desafio que nunca existiu antes: deixar meu pitoquinho em casa.
Confesso que meu coração aperta.
Mas também quero ensinar ao Ravi que, antes de sermos pais, mães, profissionais ou parceiros, continuamos sendo pessoas.
Seres individuais, com necessidades próprias. E cuidar delas não nos afasta de quem amamos.
Nos torna mais inteiros.
Mais presentes.
Mais vivos.
Porque cuidar de mim também é uma forma de cuidar dele.
Essa será minha primeira viagem solo depois de me tornar mãe. E eu também não sei como vai ser.
Também tive medo.
Também chorei.
Também pensei em desistir.
Mas estou indo. Mais uma vez. Mesmo com medo.
Por mim. Por ele.
Por nós.
(Arrasta pro lado que tem um da Índia)