Contos sem rosto

Contos sem rosto histórias que o povo conta .

30/07/2026

Helena não pensou duas vezes. O som dos passos estava a segundos de dobrar a curva. A adrenalina pulsava, transformando o medo em uma ação puramente instintiva.

Ela estendeu a mão trêmula sobre o pedestal e encaixou o relógio de pulso no compartimento secreto vazio na base da caixa metálica. O encaixe foi perfeito, um clique suave e satisfatório ressoou na câmara.

Por um segundo, nada aconteceu. O silêncio na sala circular era absoluto, apenas quebrado pelo som da água gotejando e o barulho das botas do perseguidor chegando à entrada da câmara.

A luz da lanterna do homem invadiu o ambiente, revelando sua silhueta alta na entrada do túnel. Ele parou, observando Helena e o pedestal. Um sorriso frio e vitorioso cruzou seu rosto ao notar o relógio encaixado.

— Tola... — ele murmurou, dando um passo à frente.

Nesse exato momento, um mecanismo profundo na rocha começou a gemer. A caixa metálica no pedestal emitiu um brilho azulado e intenso, e o chão da câmara estremeceu.

A grelha de ferro que bloqueava o canal de água começou a subir lentamente, liberando um volume maior de água que inundou rapidamente os pés de Helena e do homem. Mas não foi apenas a água que se moveu.

Uma seção da parede de pedra atrás do pedestal deslizou para o lado, revelando uma passagem estreita e seca que subia em caracol.

E algo mais caiu do teto, bem na entrada do túnel onde o homem estava: uma grade de ferro pesada e enferrujada desceu com um estrondo, prendendo-o dentro da câmara junto com Helena, mas bloqueando sua saída original.

— O que você fez? — ele gritou, a voz misturando raiva e um toque de pânico genuíno pela primeira vez, enquanto a água subia até os tornozelos.

Helena olhou para a nova passagem aberta atrás do pedestal e depois para o homem preso pela grade.

Helena deu um passo à frente, com a água fria já batendo no meio de suas canelas, mas mantendo o foco da lanterna firme, direto nos olhos do homem. A grade pesada tinha despenchado entre ele e o túnel de onde viera, cortando sua fuga.

A atitude dela mudou de presa para quem agora tinha as cartas na mão.

— Quem é você? — a voz dela soou surpreendentemente firme, ecoando nas paredes de pedra da câmara. — E por que o seu nome, a sua foto e a sua jaqueta estão ligados a um segredo de trinta anos da minha família?

O homem piscou contra a luz forte da lanterna, levando a mão ao rosto. Por um momento, a postura fria e calculista dele ruiu. Ele olhou para a água que subia rapidamente em direção aos joelhos e depois encarou Helena através das barras da grade.

— Meu nome é Gabriel — ele disse, com a respiração um pouco acelerada. — E aquela foto na mesa não é de trinta anos atrás, Helena. É de quarenta. O homem no canto... aquele que não sorria... era meu pai.

Ele tateou o bolso do sobretudo, mas Helena deu um passo para trás em alerta. Gabriel levantou as mãos, mostrando as palmas vazias.

— Seu avô não fugiu daqui por medo do que estava no subsolo — Gabriel continuou, o tom agora desprovido de ameaça, quase em tom de apelo. — Eles trabalhavam juntos. Descobriram essa galeria e o que o mapa no diário protegia. Mas quando os sócios deles tentaram tomar o controle de tudo, seu avô selou a passagem e levou a chave. Meu pai ficou para trás para garantir que a localização continuasse em segredo.

A água continuava a subir de nível, tornando o ar na câmara mais denso e gélido.

— Esse relógio que você encaixou... ele não era do meu pai. Era do seu avô — Gabriel apontou com a cabeça para o pedestal. — A trava acionou um ciclo de escoamento. Se não sairmos por essa passagem em caracol nos próximos dois minutos, a câmara inteira vai inundar até o teto.

Helena olhou para o diário de couro sobre o pedestal, para a água que agora cobria seus joelhos e para a passagem secreta em caracol.

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— Se você quer sair daqui vivo, vai ter que provar que posso confiar em você — disse Helena, sem mover o foco da lanterna do rosto de Gabriel. — Passe pela grade primeiro. Se tentar qualquer graça, a passagem em caracol fecha e nós dois afundamos aqui.

Gabriel olhou para a água, que agora batia na cintura e avançava rápido. Ele não discutiu. Com esforço, deslizou pelo vão mais largo entre as barras enferrujadas da grade, submergindo metade do corpo na água escura antes de emergir do mesmo lado de Helena, tossindo e congelado.

Ele manteve as mãos erguidas, dando dois passos para trás em direção à parede, mostrando que não tentaria nada.

— O diário — disse ele, dentes tiritando pelo frio da água. — Pegue o diário, Helena. É o trabalho da vida deles.

Helena avançou até o pedestal. A água já pesava em suas roupas. Ela agarrou o diário de capa de couro surrado, sentindo a textura gasta e o peso dos papéis antigos. Ao puxá-lo, o mecanismo do pedestal deu um último estalo: o compartimento do relógio se trancou para sempre, e a passagem em caracol começou a se estreitar lentamente, como uma boca de pedra se fechando.

— Agora! — gritou Helena.

Os dois se lançaram para dentro do túnel em caracol no exato segundo em que as pedras da entrada se chocaram com um estrondo abafado. O som da água inundando a câmara ficou para trás, transformando-se em um eco distante.

A escadaria em caracol subia em uma espiral apertada, tão inclinada que parecia não ter fim. Depois de minutos que pareceram horas de subida no escuro, o ar foi f**ando gradativamente mais quente e seco.

No topo da escada, uma pequena porta de madeira ripanada, mal ajustada, revelava frestas de luz natural.

Helena empurrou a porta com o ombro. Ela cedeu com um rangido seco.

Ao saírem, viram-se no interior de um antigo mirante de pedra abandonado, coberto por trepadeiras, localizado no ponto mais alto da propriedade. Lá embaixo, o casarão parecia minúsculo, cercado pelas árvores da propriedade.

Helena sentou-se no chão de pedra, arfando, com a lanterna fraca ao lado e o diário seguro no colo. Gabriel encostou-se na parede oposta, exausto, observando-a.

Ela finalmente abriu a capa do diário. Na primeira página, escrita à mão com a mesma caligrafia firme do bilhete que encontrara no espelho, estava a dedicatória:

*“Para Helena. Se este livro chegou até você, signif**a que o tempo da esperança acabou e o tempo da verdade começou.”*

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Helena fechou o diário com um estalo seco, mantendo-a firme sob o braço, e encarou Gabriel. A brisa do mirante era fria, mas ela mal sentia.

— Meu avô deixou este diário para mim — disse ela, cortando o silêncio. — Mas você veio até aqui sabendo exatamente o que procurava. Chega de meias verdades, Gabriel. O que o seu pai e o meu avô escondiam afinal? O que está escrito nestas páginas que valia a pena selar uma galeria e arriscar a vida de vocês dois?

Gabriel soltou um suspiro pesado, os ombros caindo enquanto a adrenalina da fuga finalmente baixava. Ele olhou para o casarão lá embaixo e depois de volta para Helena.

— Eles não eram arqueólogos, nem caçadores de tesouros, Helena. Eram cartógrafos do subsolo — explicou ele, com a voz rouca. — Nos anos 80, a empresa para a qual trabalhavam usava essa propriedade como fachada para mapear uma rede de galerias subterrâneas que corta toda a região. Mas não era para preservação. Era para descarte ilegal de resíduos pesados de uma grande corporação química.

Helena franziu o cenho, o olhar fixo nele.

— Quando eles descobriram o que realmente estavam ajudando a construir, tentaram denunciar — continuou Gabriel. — Mas foram ameaçados. Seu avô conseguiu pegar o registro completo dos depósitos — o diário que está no seu colo — e selou o acesso principal pela adega. Meu pai ficou para garantir que os relatórios originais da empresa fossem destruídos antes de desaparecer. O relógio era o sinal entre eles de que a verdade só seria revelada quando estivessem seguros... ou quando a próxima geração pudesse terminar o serviço.

Ele deu um passo à frente, sem tom de ameaça, apenas gravidade no olhar.

— Aquela empresa ainda opera hoje, Helena. Sob outro nome, mas com o mesmo grupo por trás. Eles souberam da reforma do casarão e sabiam que o acesso poderia ser encontrado. É por isso que os "pedreiros" trabalhando no seu segundo andar pareciam pressurosos demais. Eles não estão lá para reformar nada. Estão lá para encontrar o diário antes de você.

Um barulho de passos apressados e vozes vindas da trilha abaixo do mirante cortou a fala de Gabriel. A equipe do casarão estava subindo.

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As vozes na trilha f**avam mais altas a cada segundo. O som de galhos se partindo indicava que pelo menos três homens subiam rápido em direção ao mirante.

— Pela vegetação nos fundos — sussurrou Helena, pegando o diário com firmeza e indicando a fenda entre as pedras antigas da parede do mirante. — Eles acham que estamos encurralados lá embaixo na adega. Não sabem que já saímos aqui em cima.

Gabriel assentiu sem hesitation. Os dois deslizaram pela abertura estreita, descendo por um declive coberto de trepadeiras e folhagem densa que dava para a estrada secundária, fora dos limites visíveis da propriedade.

Enquanto caminhavam acelerados sob a copa das árvores, longe da vista dos homens, Helena tirou o telefone do bolso. A tela estava rachada e molhada, mas a câmera e a rede móvel ainda funcionavam. Ela abriu o diário de seu avô. Nas páginas amareladas, desenhados com precisão cirúrgica, estavam os mapas completos das galerias subterrâneas, com datas, coordenadas exatas dos depósitos tóxicos e os nomes e assinaturas dos executivos que autorizaram o esquema — inclusive as firmas antigas do conglomerado que hoje dominava a região.

Ela não ia guardar aquele segredo por mais 30 anos.

Ao chegar à estrada pavimentada, com as roupas encharcadas e o corpo exausto, Helena usou o sinal de dados para enviar fotos em alta resolução de todas as páginas do diário para três grandes veículos de imprensa de investigação e para o Ministério Público Federal. Na mensagem, incluiu a localização exata do casarão e o alerta sobre os homens manipulando a reforma.

Duas horas depois, instalados em uma lanchonete de posto na rodovia, Helena e Gabriel assistiram, na televisão suspensa do salão, à transmissão ao vivo de um telejornal. Várias viaturas da Polícia Federal e agentes ambientais cercavam o casarão da família. Os supostos "pedreiros" haviam sido detidos enquanto tentavam fugir do local, e as buscas nas galerias indicadas no diário já tinham começado.

Gabriel olhou para a tela e depois para Helena, deixando escapar o primeiro sorriso aliviado desde que se conheceram na escuridão do subsolo.

— Seu avô estaria orgulhoso — disse ele, levantando xícara de café num brinde silencioso. — A história finalmente acabou.

Helena olhou para o diário sobre a mesa, agora com as páginas abertas ao lado da velha fotografia em preto e branco. O rosto do homem no canto da mesa não parecia mais tão sombrio; parecia apenas alguém que esperava pacientemente que a justiça fosse feita.
— Não acabou, Gabriel — disse ela, ajustando a jaqueta e sorrindo de volta. — Está só começando. Mas agora, os papéis se inverteram.
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30/07/2026

O som da madeira se partindo ecoou pelo hall do casarão. Quando a pesada moldura do espelho de nogueira cedeu, revelou um pequeno nicho na parede de alvenaria que ninguém sabia que existia.

Lá dentro, protegido por uma camada espessa de poeira e pelo tempo, estava um envelope de papel encorpado, amarelado nas bordas. Sem remetente, sem selo. Apenas um nome escrito em caligrafia firme na frente e um lacre de cera escura no verso, intacto.

Quando os dedos finalmente quebraram o lacre, duas coisas caíram de dentro: uma fotografia em preto e branco e um bilhete dobrado em três.

A foto mostrava um grupo de pessoas em um jantar, todas sorrindo para a câmera — exceto uma, no canto da mesa, que olhava diretamente para onde a foto estava sendo tirada, com uma expressão de aviso. No bilhete, apenas uma frase escrita à mão:

*“Se você encontrou isso, o espelho cumpriu o seu papel. Não procure o que ficou atrás da parede da adega.”*

Helena passou o polegar pelo contorno do envelope amarelado. O pó grosso da alvenaria ainda flutuava na luz da tarde que entrava pelas janelas altas do casarão.

Lá fora, os pedreiros continuavam o trabalho no segundo andar, alheios ao silêncio denso que se instalou no hall. Helena observou a fotografia em preto e branco mais uma vez. O rosto no canto da mesa — a única pessoa que não sorria na imagem — tinha olhos incrivelmente expressivos, quase familiares.

Ela virou o bilhete. A caligrafia era antiga, mas firme, desenhada com tinta caneta-tinteiro que desbotara para um tom sépia.

*“Não procure o que ficou atrás da parede da adega.”*

Qualquer pessoa sensata guardaria o papel, chamaria os arquitetos ou simplesmente ignoraria o aviso de um morto. Mas Helena não estava ali apenas para reformar a casa da família; estava ali para entender por que seu avô abandonara a propriedade de uma hora para outra, trinta anos atrás, sem nunca mais pronunciar o nome da cidade.

Ela guardou a foto e o bilhete no bolso do casaco, pegou a lanterna sobre a mesa de ferramentas e seguiu em direção ao corredor dos fundos, onde f**ava a descida para o subsolo.

A porta da adega estava emperrada pela umidade. Quando Helena finalmente forçou a maçaneta de ferro, o ar frio e com cheiro de m**o a atingiu de imediato. Os degraus de pedra desciam para uma penumbra quase absoluta.

Ela acendeu a lanterna. O facho de luz cortou a escuridão, passando pelas prateleiras de madeira podre e garrafas vazias cobertas de teias de ar**ha.

Lá no fundo da adega, o feixe de luz encontrou a parede principal. Diferente do restante do subsolo, feito de tijolos aparentes, aquele trecho específico parecia ter sido rebocado às pressas há décadas.

E, bem no centro daquela parede, Helena notou algo que fez sua respiração travar: uma marca recente de arranhão, onde o reboco velho tinha sido lascado há pouco tempo.

Ela não era a primeira pessoa a descer ali naquela semana.

-
Helena deu alguns passos para trás, contendo o impulso de avançar direto até a marca no reboco. O instinto falava mais alto: se alguém esteve ali recentemente, podia ter deixado vestígios.

Abaixando o facho da lanterna para o chão, ela começou a escanear a poeira acumulada nos paralelepípedos do piso. A camada de sujeira era espessa, mas havia marcas claras. Não eram pegadas inteiras — o invasor fora cuidadoso —, mas sim pequenos rastros circulares e arranhões paralelos no chão, a poucos centímetros da base da parede.

Ela se ajoelhou para observar de perto.

As marcas no chão não vinham de botas, mas de algo pesado que fora arrastado. Uma caixa de metal? Uma ferramenta?

Ao lado dessas marcas, metade coberto por detritos de cimento seco, algo brilhou sob a luz LED. Helena estendeu a mão e puxou o objeto: era um pequeno botão de madrepérola, com um pedaço de linha escura ainda preso a ele. Não parecia antigo. A linha era sintética, moderna.

Ela guardou o botão junto com a foto e voltou a erguer a lanterna, desta vez mirando nas prateleiras laterais de vinho. A maioria das garrafas estava coberta por uma crosta uniforme de sujeira, mas três delas, na prateleira mais baixa, perto da parede rebocada, estavam limpas de poeira nos gargalos. Alguém as tinha manuseado há pouco tempo.

Helena aproximou-se e segurou uma das garrafas pelo gargalo. Ao tentar puxá-la, percebeu que ela não saía. Estava presa.

Ela aplicou um pouco mais de força e inclinou a garrafa para a direita.

Um estalo metálico ressoou por todo o subsolo, seguido pelo som abafado de engrenagens enferrujadas se movendo por trás da alvenaria. A parede de reboco não precisava ser quebrada.

Lentamente, uma fresta vertical se abriu na alvenaria, liberando uma corrente de ar incrivelmente gelada e o som distante de água gotejando.

Helena prendeu a respiração, deu um passo à frente e aproximou o rosto da fresta na parede. O ar que saía de lá era surpreendentemente frio, carregado de um cheiro mineral, como terra úmida e metal oxidado.

Ela ergueu a lanterna e alinhou o feixe de luz com a abertura.

A passagem não dava para uma sala comum, mas para uma escadaria estreita de pedra esculpida na própria rocha, descendo ainda mais fundo abaixo do casarão. As paredes daquele corredor secreto eram rústicas, sem reboco, cobrindo-se de limo e umidade.

Enquanto movia o feixe de luz pelos primeiros degraus, algo refletiu o brilho no chão, a poucos metros para dentro.

Era um relógio de pulso masculino, com pulseira de couro escuro, jogado de lado como se tivesse se soltado durante uma pressa súbita. O vidro do visor estava rachado, mas o ponteiro dos segundos ainda se movia em um ritmo constante, clicando em silêncio.

Antes que Helena pudesse decidir se entrava na passagem para pegar o relógio, o som de passos pesados ressoou no andar de cima — não a passos lentos de pedreiros trabalhando, mas alguém caminhando apressadamente pelo hall de entrada, indo direto na direção da porta da adega.

E, no mesmo instante, o botão de madrepérola no bolso do seu casaco parecia pesar uma tonelada
O pânico gelou o sangue de Helena por um segundo, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto. Ela se espremeu pela fresta estreita, deslizando para dentro do corredor escuro de pedra, e segurou a borda da parede falsa com os dedos.

Usando o peso do próprio corpo, ela puxou a estrutura de volta. O mecanismo de engrenagens rangeu bem fraco e a parede se encaixou no lugar com um clique seco, deixando apenas uma fresta milimétrica de onde ela podia espiar.

Helena apaga a lanterna. A escuridão ao seu redor f**a absoluta, interrompida apenas pelo filete de luz que vem da adega.

Lá em cima, a porta rangeria ao ser aberta. Passos firmes e ritmados começaram a descer a escada de madeira. Pela fresta, Helena viu a luz amarelada de uma lanterna varrer o subsolo.

O homem que apareceu na adega não parecia em nada com os pedreiros da obra. Ele vestia um sobretudo escuro, bem cortado, mas que estava faltando um botão na parte frontal da barra — exatamente o botão de madrepérola que estava no bolso do casaco dela.

Ele foi direto até a prateleira de vinhos. Passou a lanterna pelo chão, percebendo imediatamente as marcas na poeira, e praguejou baixinho.

Em seguida, o homem estendeu a mão para a garrafa de vinho que ativava o mecanismo.

Helena deu dois passos silenciosos para trás, descendo a escada de pedra no escuro completo, o coração martelando contra as costelas. O som do estalo metálico ressoou novamente na adega.

A parede falsa começou a se abrir.Helena virou-se na escuridão total e desceu os degraus de pedra o mais rápido que a prudência permitia. Seus dedos roçavam na parede áspera e coberta de limo para manter o equilíbrio, enquanto o som do reboco se movendo e da parede falsa se abrindo ressoava logo atrás.

No meio do caminho, o pé de Helena bateu no relógio de pulso jogado no chão. Ela se abaixou em um reflexo rápido, agarrou o objeto e continuou a descida sem olhar para trás.

O feixe de luz da lanterna do homem invadiu o corredor de pedra, projetando sombras longas e distorcidas nos degraus.

— Eu sei que você está aí embaixo! — a voz dele ecoou pelas paredes rústicas, fria e controlada, sem nenhum traço de hesitação. — Você não sabe no que está se metendo, Helena.

O som do nome dela saindo da boca de um estranho fez um calafrio percorrer a espinha de Helena. Como ele a conhecia?

A escadaria terminou abruptamente em uma grande galeria subterrânea. O som de água gotejando era mais forte ali, acompanhado pelo eco suave de uma correnteza subterranean. Helena acendeu a lanterna no modo mais fraco, cobrindo o foco com a palma da mão para não denunciar sua posição.

A galeria se dividia em dois caminhos:

À esquerda, um túnel estreito segui no nível do chão, acompanhado por um canal raso de água escura que fluía rápido.

À direita, uma estrutura de madeira antiga — uma espécie de passadiço suspenso que contornava uma fenda profunda na rocha — levava a uma porta de ferro enferrujada com um grande símbolo gravado na superfície.

Lá em cima, o som de passos pesados descendo a escada de pedra f**ava cada vez mais perto.

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Helena seguiu para a esquerda, entrando no túnel estreito. O ar ali era ainda mais pesado, carregado com o cheiro de minerais e a umidade do canal de água escura que corria rápido ao seu lado.

Ela manteve a lanterna quase toda coberta pela mão, projetando apenas um filete fino de luz para guiar seus passos nos paralelepípedos escorregadios. A água batia na canela em alguns trechos mais fundos, congelando suas pernas, mas ela não diminuiu o ritmo.

Atrás dela, o som de botas pesadas batendo na pedra ecoou na galeria principal. O homem havia chegado ao fim da escadaria.

— Helena! — a voz dele ressoou, amplified pelas paredes do túnel. — Você acha que seu avô construiu isso aqui para proteger a casa? Ele construiu isso para proteger a *família* do que estava do outro lado!

Helena ignorou a voz e continuou avançando, até que o túnel fez uma curva acentuada para a direita e abriu-se em uma pequena câmara circular de pedra. Não havia saída aparente à frente — o canal de água desaparecia sob uma grelha de ferro trancada na parede oposta.

Era um beco sem saída.

Desesperada, ela passou o facho da lanterna pelas paredes da câmara. No centro da sala, sobre um pedestal de pedra carcomido pela umidade, havia uma caixa metálica de tamanho médio, com a tampa aberta.

Dentro dela, não havia ouro ou jóias. Apenas um diário antigo com capa de couro surrado e um compartimento secreto vazio no fundo — do exato formato e tamanho do relógio de pulso que Helena trazia preso na mão.

O som das botas no túnel agora estava a poucos metros de distância, logo após a curva.

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CONTINUA....

Gostaria de agradecer aos meus mais novos seguidores! Estou muito feliz por ter vocês a bordo! Isaac Wanyonyi Simiyu, Na...
01/07/2026

Gostaria de agradecer aos meus mais novos seguidores! Estou muito feliz por ter vocês a bordo! Isaac Wanyonyi Simiyu, Naseem Khan, Keshav Rajput, Rehmat Ullah, خليل فتوح, भगत वरमा, Md Tusif, Muhammad Khan, Maaz Aziz, Salih Zaxo, Abdul Rahman Palal, Tįbø Åbdõũ, Rabeel Shah, Malik Ramzan Malik Ramzan, আরিফ বেপারী, Mansoor Khan

21/06/2026

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Milan
20121

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