08/06/2026
SECTOR PRIVADO TEM DE SER ARQUITECTO DO DESENVOLVIMENTO
- FÉLIX MACHADO, EM POSSE DO 2º MANDATO NA PRESIDÊNCIA DA ACB, DESAFIA FRAGMENTAÇÃO, COBRA TRANSPARÊNCIA NO PORTO SECO DO DONDO E LANÇA FÓRUM REGIONAL CENTRO-NORTE
Beira, 08 de Junho de 2026 (O Autarca) – “Assumo este segundo mandato não como mero acto administrativo, mas como afirmação histórica do sector privado de Sofala”. Com essa frase, Félix Machado tomou posse, última sexta-feira, na Presidência da Associação Comercial da Beira (ACB) e lançou o tom do novo ciclo: menos discurso, mais arquitectura económica.
ACB TEM 130 ANOS, MAS NÃO VIVE DE MEMÓRIA
Com mais de 130 anos e membro fundador da CTA, a ACB é das instituições económicas mais antigas de Moçambique e de alto prestígio a nível nacional e internacional. Para Machado, tradição sem responsabilidade histórica não serve.
“Instituições com esta história têm de viver da responsabilidade histórica. Têm de interpretar o presente e influenciar o futuro”, disse aos associados e convidados.
Antes de projectar o futuro, houve minuto de silêncio. Homenagem aos membros já falecidos que construíram o legado da ACB na Beira.
DESAFIOS QUE VÃO MARCAR O MANDATO
O discurso foi cirúrgico. Machado apontou o dedo na ferida e trouxe soluções:
1. Fim da fragmentação
“O maior desafio é a fragmentação do sector privado”. Por isso, este mandato aposta numa federação empresarial provincial efectiva e funcional. Objectivo: alinhar interesses, consolidar posições e dar mais força de intervenção económica à classe empresarial.
2. Beira como eixo nacional
Para ele, a Beira não é só cidade. É “eixo logístico e económico estratégico, ligado ao hinterland regional”. Mas só funciona com eficiência institucional e previsibilidade. Reconheceu CFM e Cornelder, mas fez alerta directo sobre o Porto Seco do Dondo: “Infraestruturas estratégicas são activos de soberania económica. Exigem transparência”. Projecto que, segundo ele, a ACB iniciou, trouxe ideias e acompanhou desde a génese.
3. Novo papel do sector privado
Acabou a era do sector privado reactivo. “O sector privado não pode ser apenas beneficiário do crescimento por acidente. Tem de ser arquitecto do desenvolvimento”. Pra isso, lança a criação do Fórum Regional do Sector Privado do Centro e Norte. Não será espaço de foto. Será “espaço de produção de soluções” pra transformar diagnósticos em políticas públicas.
AO GOVERNO E À CTA: PARCERIA, NÃO SUBORDINAÇÃO
A mensagem ao Estado foi directa: “Parceria não é subordinação. Parceria não é silêncio. Parceria é responsabilidade partilhada”.
À CTA, da qual a ACB é fundadora, pediu liderança agregadora: “Precisamos de uma CTA forte, porque Moçambique precisa de um sector privado forte”.
A PROMESSA FINAL
Machado encerrou citando Desmond Tutu: “There is only one way to eat an elephant: a bite at a time”/ (Só existe uma maneira de comer um elefante: uma mordida de cada vez). E deixou 5 promessas:
- Aos trabalhadores: respeito
- Aos associados: dedicação
- Aos parceiros: seriedade
- À CTA: colaboração
- Ao Governo: diálogo franco e construtivo
“A ACB não chega pra reclamar protagonismo. Chega pra assumir responsabilidades”, concluiu.
Com mais de 130 anos de existência r Membro fundador da CTA, a Associação Comercial da Beira é a principal voz do sector privado de Sofala, representando centenas de empresas e milhares de empregos na região Centro.■ (Redacção)