06/02/2026
Conheça História da Textáfrica (Grupo Soalpo)
A Textáfrica, pertencente ao grupo Soalpo – Sociedade Algodoeira de Portugal, foi uma das maiores fábricas têxteis de Moçambique. A Soalpo foi constituída em 1944 e iniciou suas atividades na então Vila Pery (atual Chimoio) por volta de 1945.
O presidente da administração da Soalpo foi o carismático Eng. Manuel Magalhães, considerado o "pai da Textáfrica".
Como a fábrica demandava grande quantidade de energia, foi fundada quase simultaneamente, em 1946, a SHER – Sociedade Hidro Elétrica do Revué, dedicada essencialmente à produção de energia para a região e para abastecer a grandiosa fábrica da Textáfrica. A central de Mavuzi começou a produzir energia por volta de 1953, e a de Chicamba Real, em 1959.
A fábrica Textáfrica iniciou suas operações em 1950, e a tecelagem funcionou plenamente a partir de 1955. Em 1970, a linha de produção contava com 673 teares.
O grupo Soalpo possuía ainda:
Um Centro Comercial, com agência bancária do BNU, inaugurado por volta de 1973;
A empresa moçambicana de malhas Emma, que empregava cerca de 400 trabalhadores;
Uma quinta com gado leiteiro, distribuindo leite fresco às casas do bairro da Soalpo, que abrigava os empregados;
Um clube desportivo, o Textáfrica, com uma equipe de futebol que militou na primeira divisão e conquistou vários campeonatos de Moçambique.
O grupo chegou a empregar mais de 4.000 pessoas. A informação disponível indica que todo o complexo terá encerrado nos primeiros anos dos anos 2000, possivelmente devido à falência, embora esta informação esteja sob reserva.
Esta foto histórica, estimada do início dos anos 50, permite observar detalhes da grandiosidade do complexo fabril.
Reflexão:
A Textáfrica foi um marco do desenvolvimento industrial de Chimoio e deixou um legado que ainda é lembrado por muitos. Quando fechou, cerca de 4.000 pessoas ficaram desempregadas. Se reabrisse, mais de 4.000 voltariam a ter emprego — é o lógico.
Se existissem mais fábricas na região, os jovens não estariam a reclamar de desemprego ou a se ver obrigados a escolher apenas carreiras como polícia, professor, enfermeiro ou militar.