02/02/2026
A COBRA QUE ROUBAVA DINHEIRO EM MARROMEU
O distrito de Marromeu não é rico apenas em vegetação e história. É também um território de travessias humanas, onde muitos chegam vindos de Caia, de Morumbala e de outras paragens, atraídos por oportunidades, comércio e promessas de prosperidade. Mas em Marromeu, como dizem os mais velhos, nem toda a riqueza nasce limpa.
Foi assim que começou a circular, primeiro em murmúrios, depois em certezas sussurradas, a história de um agente económico oriundo do Distrito de Morrumbala. Um homem discreto, mas cuja prosperidade crescia depressa demais para ser ignorada. Diziam os vizinhos, em tom cauteloso, que ele não enriquecia sozinho.
— Há coisa ali…
— cochichavam nas esquinas.
— Dinheiro que anda não vem só de trabalho.
A história falava de uma cobra. Não uma cobra qualquer, mas uma cobra que roubava dinheiro.
No bairro do Mateus Sansão Mutemba, algo inquietante acontecia todas as madrugadas, por volta das três horas. Quando o distrito mergulhava no silêncio e até os cães se recolhiam, Os trabalhadores de corte de cana e sacha diziam que, Via o trabalhador do empresário no quintal, acordado, activo, como se o sono nunca lhe tocasse. Trabalhava em silêncio, falava sozinho, ria por instantes, e depois voltava a um estado estranho, ausente, quase vazio. Com a sua vassoura, A quem dizia, que ele estava para apagar as pegas da cobra.
— Esse homem não dorme,
— dizia um trabalhador de Sena Sugar que passava.
— Dorme, sim… mas noutro mundo, — respondia outro.
Havia quem jurasse que o trabalhador fora “tratado”. Que aquela postura, obediente, mecânica, sem vontade própria, era parte de um pacto: para guardar segredos que não podiam ser ditos nem em sonho.
O tempo passou. O negócio cresceu. A fama espalhou-se.
Mas todo o pacto tem regras. E regras, quando quebradas, cobram caro.
Dizia-se que o preço não era dinheiro, mas sangue. Ou a vida de alguém muito próximo.
Os filhos do empresário viviam como príncipes. Esbanjavam dinheiro,