03/01/2026
NAPARAMAS - A SUCATA POLÍTICA
Era mês de abril, do ano 2023, eu saia de Montepuez com destino a Pemba, cheguei no cruzamento Metoro 21 horas, esperei carro que pudesse levar-me ao destino, era imperioso que eu chegasse em Pemba naquela noite pois tinha bilhete de vôo marcado para as 07:45 do dia seguinte.
Quando deu 23 horas, surgiu um Canter velho, carregado de lenha e carvão, um farol fundido, andava torto e rangendo como sucata. Pedi para seguir viagem e entrei. No lugar do passageiro, só uma tábua escondia arames.
Era mais lento que lesma, com a mão na testa perguntei ao condutor que estava sozinho, "que horas estimas a nossa chegada em Pemba?" Em jeito de resposta ele apenas disse: " você é único passageiro que aceitou entrar no meu carro"
Permaneci em silêncio durante varias horas, as vezes parecia que o motor ia gripar, pensei... "e se avariar no caminho? Será que ele tem ferramentas? Não serei obrigado a servir de ajudante?"
Parece que ele percebeu que algo me perturbava ao me ver com a mão na testa. Eis que ele decide abrir uma conversa para não esquentar o clima.
Então falou:
— Este carro é meu… (eu em silêncio, carambas, nem lhe perguntei) mas não o comprei. Era ou é do meu vizinho não sei como dizer, ... Disse ele e continuou -- Era muito novo, eu vi quando ele trouxe na banda no primeiro dia, ele adorava este carro, vivia elogiando muito, ... nessa altura, ele só levava para oficinas grandes lá na cidade, mas quando o carro começou a ter problemas, ele passou a trazer na minha oficina já que somos vizinhos, depois de varias vezes reparando ele ja não pagava, só acumulava dívidas. Um dia, cansei-me e me recusei de reparar. No dia seguinte, ele e seus filhos empurraram o carro para o meu quintal: sairam correndo e gritando “esse carro já é teu vizinho, esse carro já é teu vizinho"
Foi assim que se tornou meu, não por mérito, mas porque o dono empurrou para minha oficina e abandonou, hoje, tornou-se meu problema, embora não tenha sido eu a criar.
Talvez você se pergunte, se pergunte, o que tem a ver Naparamas com esse carro avariado? Pense comigo:
Alguns projetos, como carros para família ou negócios, são idênticos dos projectos ou iniciativas políticas criadas pelo governo, funcionam bem enquanto novos, são ovacionados e recebem todo tipo de elogios, mas se perdem a utilidade, são abandonados, e quando reativados mal e não derem certo são empurrados para a oficina do outro. tornando-se sucata do outro que não criou e nem participou na criação da ideia.
Algo similar acontece hoje com os Naparamas, que foram criados nos anos 1980 como a força invisível, mágica e feiticeira para combater a Renamo, não sei se tiveram sucesso esperado, mas com o fim da guerra foram descartados, como grupo dissipou-se. O governo da Frelimo voltou a reativa-los entre 2021 e 2022, para uma nova guerra em Cabo Delgado, os prognósticos falharam e o grupo não teve sucessos.
Hoje a Frelimo tenta empurrar a culpa para Venâncio — atribuindo-lhe o título "O BOSS DOS NAPARAMAS" querem a todo custo empurrarem a sucata para a oficina do ANAMOLA, mas ele não é engenheiro mecânico, é ambiental e florestal, não esperem consertar este carro avariado.
Criar, abandonar, empurrar para os outros, não faz deles culpados. Está novo? É seu, desfrute! já não serve? Contínua seu, elogie, valorize e reconheça como ontem, não empurre para os outros. Só espero que no futuro não venham dizer que FORÇA LOCAL pertence ao VM7
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