11/08/2026
Fonte: Eccotv
“DESCANSE EM PAZ”: MOTOTÁXI GANHA APELIDO MACABRO EM MAPUTO À MEDIDA QUE ACIDENTES DISPARAM E HOSPITAIS ENTRAM EM RUTURA
O mototáxi, que surgiu como solução rápida e barata para milhares de moçambicanos, está a transformar-se num dos rostos mais visíveis da crise de segurança rodoviária no País. Nas ruas de Maputo, muitos cidadãos já lhe chamam, com ironia e medo, “Descanse em Paz”, um apelido macabro que reflete o aumento alarmante de acidentes envolvendo motorizadas.
Segundo o mais recente Informe Anual do Ministério Público, Moçambique registou 611 acidentes de viação em 2025, dos quais resultaram 830 mortos. Organizações de segurança rodoviária, como a AMVIRO, apontam a expansão desordenada da atividade de mototáxi, associada à condução perigosa e à fraca fiscalização, como um dos fatores centrais para estes números preocupantes.
A sinistralidade continua concentrada sobretudo no sul do País.
A Província de Maputo lidera com 152 mortos, seguida da Cidade de Maputo, com 139, e da Província de Gaza, com 88 vítimas mortais. O impacto já é sentido diretamente no sistema nacional de saúde. Na Cidade de Maputo, o Hospital Geral José Macamo recebeu 101 mototaxistas feridos em apenas uma semana, enquanto o Hospital Central de Maputo (HCM) viu os casos de acidentes com motorizadas aumentarem de 10 para 98 num período recente de cinco meses.
Na Beira, o Hospital Central passou de uma média de 3 a 5 casos diários para cerca de 20 feridos por dia relacionados com acidentes de mota. Em Chimoio, na Província de Manica, um único fim de semana resultou em 4 mortos e 23 feridos assistidos no Hospital Provincial.
Profissionais de saúde alertam para enfermarias de ortopedia lotadas, escassez de camas e aumento das cirurgias traumáticas, numa pressão que ameaça comprometer o atendimento de outros doentes. As autoridades identificam como principais causas o excesso de velocidade, as ultrapassagens perigosas, as manobras irregulares em vias congestionadas, como a Avenida Marginal, e a crescente tensão entre automobilistas e motociclistas.
O problema é agravado pelo facto de muitos operadores circularem sem carta de condução, sem livrete e sem seguro obrigatório, tornando difícil responsabilizar os envolvidos após os acidentes. Perante o agravamento da situação, a Polícia de Trânsito e a Polícia Municipal intensificaram as operações de fiscalização, realizando apreensões massivas de motorizadas ilegais em várias cidades.