Jornal Domingo

Jornal Domingo Um semanário que se tornou referência obrigatória na Comunicação Social Moçambicana, mercê de

EXPULSOS POR TRATO A CORPOS NA MORGUE DE CHIMOIOBERNARDO JEQUETETrês funcionários do Conselho Municipal de Chimoio (CMC)...
03/09/2026

EXPULSOS POR TRATO A CORPOS NA MORGUE DE CHIMOIO

BERNARDO JEQUETE

Três funcionários do Conselho Municipal de Chimoio (CMC) foram suspensos e outros dois viram os seus vínculos contratuais rescindidos na sequência de um alegado mau trato de um corpo na morgue do Hospital Provincial de Chimoio (HPC), ocorrido há cerca de um mês.

As medidas foram anunciadas pelo edil de Chimoio, João Ferreira, após a visita de solidariedade à família de uma cidadã falecida, cujo corpo foi encontrado com mutilações numa orelha e com parte da testa raspada.

Segundo a família, a mulher esteve internada no HPC devido a complicações de saúde e, após a confirmação do óbito, o cadáver foi depositado na morgue e, dias depois, ao prepararem o corpo para as exéquias, os familiares constataram que se encontrava incompleto.

Na ocasião, Fernando João, marido da falecida, apelou à intervenção imediata do município para apurar as reais causas do incidente e, hoje, o presidente do município confirmou a tomada de medidas disciplinares enquanto decorrem as investigações criminais.

João Ferreira explicou que os contratos dos dois trabalhadores foram rescindidos por anomalias que aconteceram, enquanto os três funcionários do quadro do CMC aguardam pelo desfecho do inquérito que as autoridades judiciais estão a efectuar.

Além das medidas impostas sobre os funcionários e trabalhadores, Ferreira anunciou um pacote de medidas operacionais para reforçar a segurança e evitar a repetição de incidentes semelhantes, nomeadamente, a articulação com a direcção do HPC nos procedimentos de transferência e recepção de cadáveres, instalação de aparelhos de videovigilância, aumento do número de trabalhadores e fiscalização.

XIDIMINGUANA, O DRAMATURGO DO QUOTIDIANOTEXTO DE ELÍSIO MACAMOAos 90 anos, um aniversário tem qualquer coisa de paradoxa...
03/09/2026

XIDIMINGUANA, O DRAMATURGO DO QUOTIDIANO

TEXTO DE ELÍSIO MACAMO

Aos 90 anos, um aniversário tem qualquer coisa de paradoxal. Cada ano acrescentado à vida é também um ano que nos aproxima do seu fim. Mas quem chega aos 90 desmente, pela sua própria presença, a aritmética sombria da idade. O número diz que o tempo passou, mas o aniversariante responde que continua aqui. Xidiminguana continua aqui e continua a fazer-nos rir.
É tentador chamar-lhe “crítico social” como, aliás, gostamos de chamar a qualquer pessoa que aponte para algum problema. Também já ouvi dizer que Xidiminguana é uma espécie de sociólogo. A segunda designação agrada-me mais, talvez por razões profissionais, mas nenhuma das duas lhe faz inteira justiça. A primeira sugere que o valor da sua música estaria nas coisas que denuncia. A segunda quase parece dizer que, depois de uma carreira extraordinária como músico, o prémio seria finalmente admiti-lo na nossa profissão.
Prefiro chamar-lhe dramaturgo do quotidiano porque Xidiminguana constrói situações. Um homem vai trabalhar para Djohni, lá na África do Sul. Regressa. O dinheiro que deixou já não está onde devia estar. A mulher tem uma explicação. O marido tem outra. Começa a discussão. Aparecem parentes, vizinhos, polícia, curandeiros, espíritos. A certa altura já ninguém sabe muito bem quem tinha razão no princípio, incluindo, provavelmente, quem está a ouvir a música.
É aí que está o génio. Durante décadas, Xidiminguana cantou migração, casamento, dinheiro, ciúmes, autoridade, feitiçaria e infortúnio. Mas estes são os temas que nós encontramos depois. Ele oferece-nos primeiro situações. E numa situação aparentemente insignificante, por exemplo, uma mulher que gastou dinheiro, um marido enganado, uma suspeita de infidelidade, pode caber uma sociedade inteira. Xidiminguana faz Moçambique com a fertilidade da sua imaginação.
Há muitos anos usei uma das suas canções, “Djohni”, num texto sobre a sociologia das sociedades africanas que, para o meu agrado, é muito usado no Brasil. Um trabalhador regressa das minas da África do Sul, entra em conflito com a mulher por causa do dinheiro e a história acaba por envolver polícia, violência e uma explicação do infortúnio que vem do mundo dos espíritos. O interessante é que nenhum destes mundos anula os outros. Todos cabem na mesma vida.
Deve ser por isso que o humor de Xidiminguana é tão especial. Eu chamaria a isso humor epistemológico, expressão assustadora para uma coisa bastante simples, pois o que quer dizer é que Xidiminguana nos faz rir da nossa certeza de que sabemos o que se passa. O homem que parecia mandar descobre que não manda. A mulher que parecia personagem secundária toma conta da história. Quem parecia ter razão se torna ridículo. E o próprio narrador não está necessariamente protegido da gargalhada. Xidiminguana não observa as suas personagens do alto da superioridade moral. Mete-se no meio delas e, às vezes, é ele quem apanha.
É por isso que “crítica social” me parece pouco. A crítica normalmente sabe onde está o problema. Xidiminguana é mais perigoso, pois ele cria uma situação e deixa-nos descobrir que não sabemos tão bem quanto pensávamos sobre onde estava o problema.
Aos 90 anos, ele é também mais velho do que o Moçambique independente. E há nisso uma bela diferença entre a idade das pessoas e a idade dos países. Uma pessoa envelhece aproximando-se inevitavelmente do fim. Um país envelhece, ou deveria envelhecer, consolidando-se, acumulando experiência, memória e alguma sabedoria. Xidiminguana pode, aos 90 anos, repetir histórias. Tem idade para isso. Nós, como país, temos menos desculpas para repetir os mesmos erros.
Suspeito até que esta seja mais uma lição do nosso velho dramaturgo do quotidiano. Ele diz-nos que envelhecer é inevitável, mas amadurecer dá muito mais trabalho.

FELISBERTO NAVALHA NOVO GOVERNADOR DO BANCO DE MOÇAMBIQUE O Presidente da República,  Daniel Chapo, acaba de revogar as ...
01/09/2026

FELISBERTO NAVALHA NOVO GOVERNADOR DO BANCO DE MOÇAMBIQUE

O Presidente da República, Daniel Chapo, acaba de revogar as nomeações de Waldemar de Sousa e Felisberto Dinis Navalha aos cargos de governador e vice-governador do Banco de Moçambique anunciadas na noite de ontem pot motivos supervenientes.
Na sequência, o Chefe do Estado nomeou Felisberto Navalha para governador do BdM e Benedita Guimimo para vice-governador.
Felisberto Navalha era administrador do BdM e toma posse amanhã, enquanto Benedita Guimimo será empossada em data a anunciar.

WALDEMAR DE SOUSA NOMEADO NOVO GOVERNADOR DO BANCO DE MOÇAMBIQUE O Presidente da República, Daniel Chapo, nomeou, ontem,...
01/09/2026

WALDEMAR DE SOUSA NOMEADO NOVO GOVERNADOR DO BANCO DE MOÇAMBIQUE

O Presidente da República, Daniel Chapo, nomeou, ontem, Waldemar Fernando de Sousa para o cargo de governador do Banco de Moçambique e Felisberto Dinis Navalha, vice-governador desta instituição.
De Sousa substitui Rogério Zandamela. O governador e seu “vice” tomam posse amanhã, numa cerimónia a ser dirigida pelo Chefe do Estado, no seu gabinete de trabalho.

DETIDA POR ABORTAR E ESCONDER O NADO DEBAIXO DA CAMAUma cidadã  de 26 anos de idade, foi detida no distrito de Bilene, p...
31/08/2026

DETIDA POR ABORTAR E ESCONDER O NADO DEBAIXO DA CAMA

Uma cidadã de 26 anos de idade, foi detida no distrito de Bilene, província de Gaza, pela Polícia da República de Moçambique (PRM), por interromper a gravidez, de aparentemente oito meses, tendo posteriormente colocado o nado-morto numa pasta e escondido debaixo da cama.
Segundo explicou a PRM, para lograr o ab**to, a indiciada tera ingerido medicamentos tradicionais.
O caso chegou ao conhecimento das autoridades através da ligação Polícia/ comunidade, tendo a cidadã sido detida e o nado-morto sido entregue aos familiares, para devidos procedimentos.

De acordo com o chefe de Relações Públicas, no Comando Provincial da PRM, em Gaza, Carlos Macuacua, este caso faz parte de um total de oito actos criminais registados na última semana, nesta parcela do país, contra três havido na semana anterior e cinco em igual período do ano passado.

Dos oito casos registados, cinco foram totalmente esclarecidos, o que corresponde a uma operatividade policial de 87,5 por cento, tendo sido detidos dois indivíduos na sequência das investigações.

No distrito de Massingir, a Polícia desmantelou uma quadrilha suspeita de envolvimento no abate ilegal de um elefante, depois de receber informação de fiscais do Parque Nacional do Limpopo e de outros intervenientes ligados à fiscalização da fauna bravia.
Na sequência da operação, um indivíduo foi detido e quatro armas de fogo do tipo Ma**er foram apreendidas.

Outros três suspeitos encontram-se foragidos, havendo já mandados de captura emitidos contra os mesmos.

No âmbito das operações de prevenção e fiscalização, a PRM deteve ainda 42 pessoas indiciadas de diversas transgressões às regras de condução.
Do total, 27 conduziam viaturas sem as respectivas cartas de condução, cinco foram detidas por desobediência, seis por corrupção activa e quatro por condução sob efeito de álcool.

As operações resultaram igualmente na detenção de seis indivíduos encontrados na posse de 12 cabeças de gado bovino, bem como de sete pessoas na posse de diversos bens presumivelmente furtados em diferentes residências.
Entre os meios apreendidos pela Polícia destacam-se duas pistolas, 11 munições, três viaturas, nove motorizadas, quatro armas de fogo do tipo Ma**er e diversas quantidades de droga.
No domínio da segurança rodoviária, a corporação registou um acidente de viação na cidade de Xai-Xai, do tipo atropelamento, que resultou na morte de uma pessoa.
Carlos Macuacua manifestou preocupação com o sinistro e apelou aos cidadãos, particularmente aos utentes das vias públicas, para redobrarem os cuidados durante a circulação, como forma de evitar a ocorrência de mais acidentes.

“A situação da semana esteve sob controlo”, assegurou o chefe de Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Gaza.

MEMÓRIAS: DUZENTOS MORTOS NO ACIDENTE FERROVIÁRIO DE TENGATEXTO DE BENJAMIM WILSONQuando tudo indicava que aquele se tor...
31/08/2026

MEMÓRIAS: DUZENTOS MORTOS NO ACIDENTE FERROVIÁRIO DE TENGA

TEXTO DE BENJAMIM WILSON

Quando tudo indicava que aquele se tornaria um sábado tranquilo, transformou-se num dia de pesadelo e de comovente choque para o país. A notícia da ocorrência de um grave acidente ferroviário, na Linha de Ressano, a cerca de 31 quilómetros da cidade capital, espalhara-se como o estalido que sofre uma parede ao ser embatida por um objecto de grande dimensão.
Recuamos até 25 de Maio, de 2002, no período entre às cinco e às seis horas, quando duas composições ferroviárias colidiram, próximo da Estação de Tenga, no posto administrativo de Pessene, distrito da Moamba, província de Maputo.
O sinistro envolveu duas carruagens de passageiros e um vagão de carga, como resultado de uma composição mista que partira de Ressano Garcia com destino a Maputo, que começou a apresentar problemas técnicos.
A uma distância de sensivelmente cinco quilómetros, numa zona de declive, seis carruagens de passageiros que seguiam na retaguarda da composição haviam sido desligadas dos vagões de carga. A separação deveu-se ao facto de a tripulação ter detectado que a máquina “D-40”, do comboio número 110, apresentava dificuldades de puxar a composição completa.
Ainda no percurso para Tenga, as carruagens deslizaram pelo declive, percorrendo uma distância de aproxidamente cinco quilómetros, tendo embatido nos vagões de carga, originando o sinistro.

ROMARIA
De imediato, após a notícia do sinistro, assistiu-se a uma incomum romaria de pessoas e de veículos, a partir de diferentes quadrantes da província e cidade de Maputo, dirigindo-se em direcção à Tenga, local do trágico acidente.
Nas unidades sanitárias foram mobilizadas a maior parte das ambulâncias, as quais circulavam a alta velocidade, espalhando ruidosamente o peculiar som das sirenes. Umas a irem, outras a regressar de Tenga, transportando feridos até aos hospitais.
A maior parte das viaturas não conseguiu alcançar a zona da Estação de Tenga, local escolhido para improvisar uma espécie de hospital de campanha, devido às limitações das vias de acesso, caracterizadas por muito areal e troços intransitáveis por força da presença de charcos de águas pluviais estagnadas.

SALVAMENTO
O cenário não podia ser mais aterrador e, de forma inabalável, roçava a um panorama dantesco. O trágico acidente ferroviário havia causado de uma única vez tantas mortes sobre a linha férrea.
Até ao início da tarde, elementos do Serviço Nacional de Salvação Pública, apoiados por equipas da Cruz Vermelha de Moçambique, da Direcção Provincial de Saúde e das Forças Armadas de Moçambique, trabalhavam para retirar corpos de vítimas por baixo dos escombros.
O então ministro dos Transportes e Comunicações, Tomaz Salomão, fez-se de imediato ao local, tendo dirigido durante todo o dia as operações de socorro dos feridos e retiradas das vítimas mortais.
No rescaldo preliminar, viam-se corpos de passageiros desfeitos em pedaços, alguns bocados de carne entalados no meio de rodados de vagões de mercadorias e de carruagens, componentes que ficariam quebrados em pequenas peças metálicas.
Muitas viaturas foram forçadas a ficar estacionadas a uma distância considerável do local do acidente, tendo sido necessário, de modo alternativo, percorrer distâncias equivalentes a mais de um quilômetro com os corpos de passageiros mortos ou de feridos envolvidos em lençóis, capulanas e mantas, com vista a realizar os resgates.
No local, as equipas de socorro movimentavam-se na recolha de corpos de vítimas mortais e pedaços de pessoas que se dividiram entre a amontoada quantidade de metal desfeito, como consequência do embate frontal de duas composições de comboios.
Na morgue do Hospital Central de Maputo (HCM), desde o sucedido e nos dias subsequentes, registaram-se enchentes de pessoas tentando localizar os familiares perecidos no acidente.
MORTES
O balanço preliminar apontava para cerca de 200 mortes no local, mais de 160 feridos que permaneceram sob cuidados sanitários para recuperar das lesões sofridas.
O Governo decretou a observância de luto nacional de três dias, com efeitos a partir da zero hora do dia 26 de Maio.
O então Presidente da República, Joaquim Chissano, expressou a sua solidariedade para com as vítimas do acidente. Falando a partir de Malehice, onde se encontrava a participar numa cerimónia familiar, disse ter ficado chocado com a tragédia que causou luto a toda a nação moçambicana. Chissano exortou todo o povo a solidarizar-se de diversas formas com as vítimas e respectivos familiares.
Pouco depois, Chissano encurtou a sua estada em Gaza, tendo de imediato regressado à capital, onde visitou os feridos internados no Hospital Central de Maputo. No dia seguinte, efectuou uma deslocação ao local do sinistro.
Em conclusão, o Governo reconheceu que o sinistro se deveu à negligência, com base no relatório do inquérito da comissão de peritos nomeada pela empresa Caminhos de Ferro de Moçambique.
Tal como foi salientado, a não observância do regulamento de circulação de comboios pela tripulação e pelo chefe da estação ferroviária de Tenga contribuíram para a ocorrência do acidente.
Entretanto, a Procuradoria-Geral da República liderou um comissão conjunta de investigadores, tendo sido ouvidas mais de 200 pessoas para reunir fundamentos necessários para a constituição de um processo-crime, cujo relatório teve acima de 800 páginas.
SOLIDARIEDADE
Apontado como tendo sido “sábado negro”, o sinistro foi considerado o maior de que há memória na história da família ferroviária nacional, superando o ocorrido, em 1990, na linha de Nacala, o qual resultou na morte de 106 pessoas.
As autoridades da saúde lançaram imediatamente insistentes apelos para os cidadãos doarem sangue, tendo um dos bancos de recolha sido montado na Escola Secundária Francisco Manyanga, e mobilizaram pessoal médico no activo ou em regime de apostenação para se dirigir às unidades sanitárias de referência para prestar assistência aos feridos.
Desencadeou-se uma resposta positiva de doação de sangue, visto que, em menos de 48 depois, perto de 1500 unidades daquele líquido vital haviam sido recolhidas em diferentes pontos, facto que permitiu ao HCM responder cabalmente a assistência aos sinistrados.
De diferentes quadrantes do mundo chegaram ao país mensagens de solidariedade para com o povo moçambicano, tendo o Papa João Paulo II pedido a “Deus Pai misericórdia” para acolher os perecidos.
O então Presidente da República Federal da Alemanha, Johannes Rau, enviou uma mensagem de condolências ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, na qual manifestou consternação, e as sentidas condolências. Mensagens também foram recebidas do então estadista português, Jorge Sampaio, da China, Jiang Zemin, e dos primeiros-ministros britânico, Tony Blaiir, e de Portugal, Durão Barroso.
O antigo presidente da Assembleia da República Eduardo Mulémbwè manifestou, através de mensagem, a sua solidariedade, pedindo aos deputados para fazerem o que estivesse ao seu alcance para minimizar o sofrimento dos sobreviventes e prestar apoio às famílias enlutadas.
Destacar o facto de o então presidente da RENAMO, Afonso Dlakama, também se ter feito ao local do sinistro para prestar solidariedade e confortar os familiares das vítimas.
Mensagens também foram endereçadas por diversos líderes dos partidos da oposição em Moçambique, os quais pediam a sociedade para mobilizar apoios necessários.
A CFM, com base em recursos próprios, passou a prestar a assistência necessária às famílias das vítimas, nomeadamente a realização dos funerais, alimentação e aquisição de roupa de luto, apoio logístico para as despesas de tratamento de doentes, entre outros. Em relação às crianças que perderam os pais, a empresa anunciou que iria encontrar formas de apoiar em termos escolares e garantia de sustento.
Vai daí, dias depois, as autoridades governamentais viraram as suas atenções para a assistência psicossocial aos familiares das vítimas.

INQUÉRITO
Embora desde se colocava a hipótese do acidente ter ocorrido a partir de erro humano, uma comissão de inquérito ouviu a versão do maquinista sobre os factos.
Uma equipa da Procuradoria-Geral da República ouviu várias pessoas, entre membros da tripulação, sobreviventes do acidente e entidades que estiveram envolvidas nas operações de socorro das vítimas.
No final da 19.ª Sessão Ordinária, após apreciar os relatórios da comissão de inquérito e dos peritos ferroviários, o Conselho de Ministros concluiu que a não observância dos regulamentos de circulação de comboios por parte da tripulação e do chefe da Estação Ferroviária de Tenga contribuiu para a ocorrência do acidente.
O processo relativo ao acidente elaborado pela PGR foi enviado para o Tribunal Judicial da Província de Maputo para efeitos de julgamento e correspondente responsabilização.

FUNERAIS EM MASSA
Dois dias depois, foram a enterrar cinquenta e três vítimas, em cerimónias separadas, tanto na Moamba, como em Maputo, após um velório colectivo realizado na capela do HCM. As cerimónias contaram com a presença do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano.
Dos funerais realizados, 29 foram no Cemitério de Lhanguene, quatro na localidade de Pessene, 14 na vila da Moamba e sete em Ressano Garcia.
De recordar que 97 vítimas foram a enterrar no dia seguinte em diversos pontos do distrito da Moamba, depois de terem sido prontamente identificados e recolhidos pelos respectivos familiares no local do sinistro.
Entretanto, ao longo da semana, o fluxo de pessoas junto da morgue do HCM continuava a ser registado. O processo não se afigurava fácil, sobretudo no que dizia respeito à identificação das vítimas, sendo certo que duas ou mais famílias chegavam a reclamar o mesmo corpo, outras nem sequer conseguiam localizar.
No local do sisnistro, suspeitava-se da existêncoa de bocados de carne humana espalhados entre os haveres deixados pelas vítimas.
No final de semana seguinte ao sinistro, tiveram lugar cerimónias religiosas conjuntas e deposição de flores, actos destinados a assinalar o oitavo dia.

HOSPITAL PROVINCIAL EM MAPUTO

Numa espécie de há males que vêm por bem, o acidente de Tenga veio dar origem ao Hospital Provincial da Matola, conforme ficou provado aquando da logística para o socorro das vítimas.
Conforme advogaram as autoridades da saúde na altura do sinistro, com um hospital provincial ter-se-ia encurtado distâncias e evitar congestionar a maior unidade sanitária do país.
O debate foi lançado e, a 30 de Junho de 2014, foi inaugurado o Hospital Provincial da Matola, cuja construção teve início em 2008.

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30/08/2026

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JUÍZ AUGUSTO PAULINO É NOVO DIRECTOR-GERAL DO CFJJO antigo procurador-geral da República, juiz Augusto Paulino, tomou po...
28/08/2026

JUÍZ AUGUSTO PAULINO É NOVO DIRECTOR-GERAL DO CFJJ

O antigo procurador-geral da República, juiz Augusto Paulino, tomou posse esta tarde, no Gabinete do Primeiro-Ministro, como novo director-geral do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ).
Paulino, que substitui Elisa Boerekamp, foi instruído a consolidar as reformas em curso e a preparar o CFJJ para uma nova fase de crescimento.
Conforme a Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, que falava momentos depois de conferir posse a Augusto Paulino e o novo director-geral do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), Emílio Tostão, a missão do juíz exige visão, rigor e capacidade de mobilizar pessoas em torno de um propósito comum.
“A primeira prioridade é tornar efectiva a expansão territorial do CFJJ. Queremos aproximar a formação dos profissionais de justiça de todas as regiões do país, reduzir custos e promover maior equilíbrio territorial”, disse, a Primeira-Ministra que também destacou que prevê-se a construção das delegações Sul, Centro e Norte até 2029.

LUÍS TEVE AVC E FOI ABANDONADO PELA MULHER TEXTO DE LUÍSA JORGENa rua da Resistência, dentro do bairro da Maxaquene “C”,...
28/08/2026

LUÍS TEVE AVC E FOI ABANDONADO PELA MULHER

TEXTO DE LUÍSA JORGE

Na rua da Resistência, dentro do bairro da Maxaquene “C”, está a Associação de Pessoas Vivendo com Sequelas Pós-AVC (PSAVC). Uma agremiação que conta, actualmente, com cerca de 60 membros.
Luís Guirrugo, 52 anos, residente no bairro Magoanine, é um dos membros.
Do acidente vascular cerebral que teve em 2013, quando tinha 38 anos, a maior sequela que guarda é emocional. Foi abandonado pela companheira numa altura em que dependia dela para fazer absolutamente tudo. Comer, dormir, fazer o banho e outras necessidades, até ver seus familiares. Sofreu o ataque às 10.00 horas, quando “mata-bichava” e caiu imobilizado no soalho, e só foi acudido às 20.00 horas, quando a sua companheira regressou à casa. Ainda assim, esta tirou-o do chão para a cama, higienizou-o e permaneceu por duas semanas sem ir ao hospital. A sua ausência na igreja despertou a atenção dos companheiros da congregação que ao visitá-lo ficaram a par do sucedido, contactaram sua família e esta levou-o ao Centro de Saúde 1.° de Maio. Na altura decorria a greve dos médicos. Conta que, provavelmente, por este facto não fora devidamente atendido e regressou à casa. No entanto, três meses depois foi abandonado pela companheira. “Ela disse que já não podia permanecer num lar onde já não havia nada e que ainda era jovem para vestir luto. Não avisou a minha família. Fiquei dias na cama sem banho, sem nada e só dependia dos vizinhos de boa vontade que me davam soupa”, partilha. De tudo o que passou, Luís diz que agradece pelo facto de ela lhe ter abandonado, e explica-se. “É que se ela tivesse ficado, talvez aí é que eu morria. Estava abandonado. Minha família levou-me a fisioterapia em Mavalane e dalí com a melhora passei a fazer sozinho em casa e até hoje, melhorei sozinho”, recorda.
Actualmente, é independente e tem nova companheira com quem casou em Janeiro do presente ano. Mas, uma lição diz ter aprendido. “A nossa vida depende de nós. Esta doença tira-nos tudo e se não tens força interior, vais embora”, sentencia.

EX-CHEFE DE TESOURARIA DA LAM ACUSADO DE PAGAR 500 MIL A  INVESTIGADORES DO COMBATE À CORRUPÇÃOTEXTO DE BENJAMIM WILSONE...
27/08/2026

EX-CHEFE DE TESOURARIA DA LAM ACUSADO DE PAGAR 500 MIL A INVESTIGADORES DO COMBATE À CORRUPÇÃO

TEXTO DE BENJAMIM WILSON

Eugénio Mulungo era chefe da tesouraria empresa Linhas Aéreas de Moçambique., de 2021 a 2023. Estava vinculado à LAM desde 2009. Tinha como prerrogativa de iniciativa no processo de pagamentos e era um dos assinantes das contas da empresa.
Teria estado envolvido na contratação da empresa de “catering” mais mencionada nos autos, com base na qual vem imputado de ter dado início aos pagamentos fraudulentos, que culminou com a instrução do pagamento e, por via disso, recebeu envelopes e benefícios financeiros.
É acusado do crime de corrupção activa, por ter pago 500 mil meticais a investigadores do Gabinete Central de Combate à Corrupção através do seu advogado, com vista evitar mandados de captura.
É-lhe imputado um crime de corrupção activa, 12 de participação económica em negócio, outros tantos de administração danosa e de peculato, bem como um de abuso de cargo e função.

PASCOAL BERNARDO

À data dos factos, era director das operações, tendo emanado requisições de refeições. Foi responsável pela validação de facturas e também era responsável por assinar uma das contas da LAM.
No processo da empresa de “catering”, teria orquestrado um esquema e assinou instruções de dois pagamentos fraudulentos, que consistiram no adiantamento de três e sete milhões de meticais, respectivamente.
Sobre si pesam condutas criminais, sendo três de participação económica em negócio, outros três de administração danosa, três de peculato e um de abuso de cargo ou função.

Endereço

Avenida Joe Slovo
Maputo

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