30/08/2026
EMPRESA CHINESA ACUSADA DE POLUIÇÃO DE SOLOS NO VALE DE INFULENE
MORADORES EXIGEM DECISÃO SOBRE EMPRESA DE RECICLAGEM
Reportagem: Filipe Cossa
Moradores e agricultores do Vale do Infulene, na cidade da Matola, reuniram-se para analisar o conflito que envolve uma empresa chinesa de reciclagem instalada nas proximidades de zonas residenciais e agrícolas.
Durante o encontro, os residentes apresentaram os documentos e as diligências já submetidos às autoridades, afirmando que aguardam uma decisão do Governo Provincial de Maputo sobre o futuro da actividade industrial no bairro.
O processo envolve alegações de poluição ambiental, emissão de fumos, descarga de águas residuais e possível afectação de solos utilizados para a agricultura.
Segundo representantes da comunidade, várias diligências administrativas e judiciais já foram realizadas, mas ainda não existe uma decisão final conhecida pelos moradores.
Os residentes afirmam ter submetido uma petição ao Presidente do Conselho Municipal da Matola, tendo o processo sido posteriormente encaminhado para o Governo Provincial de Maputo.
A comunidade diz aguardar o despacho ou relatório das equipas multissectoriais que terão sido mandatadas para avaliar a situação.
“Não podemos fazer nada sem conhecer a decisão. Assim que o despacho sair, vamos partilhar a informação e notificar a comunidade”, explicou um dos representantes dos moradores.
O representante acrescentou que, depois de conhecida a decisão, os moradores poderão organizar uma manifestação pública, seja para saudar uma eventual intervenção favorável das autoridades, seja para demonstrar a sua discordância, caso a decisão não corresponda às expectativas da comunidade.
Apesar da tensão, os residentes dizem pretender continuar a recorrer aos mecanismos legais e administrativos existentes.
“Se existem instituições governamentais, elas precisam de ser respeitadas. Confiamos nelas e esperamos uma solução que devolva a tranquilidade, a normalidade e a fertilidade dos solos aqui no Vale do Infulene”, afirmou.
Moradores denunciam fumos e águas residuais
Os moradores alegam que a actividade da empresa de reciclagem tem provocado fumos e descargas de águas residuais que, segundo afirmam, atingem áreas agrícolas e zonas habitacionais.
Um dos representantes da comunidade acusa a unidade de continuar a afectar os residentes mesmo depois do encerramento de uma unidade de fundição de alumínio que funcionava nas proximidades.
“O que ficou a operar é a reciclagem, mas tem-nos afectado com fumo e também tem descarregado águas negras para as machambas, que acabam por se espalhar pelas casas dos moradores”, afirmou.
Segundo os moradores, a situação tem provocado preocupação entre famílias que vivem nas proximidades da unidade industrial e agricultores que dependem dos solos do Vale do Infulene para a produção agrícola.
Comunidade questiona acompanhamento das autoridades
Os moradores dizem aguardar igualmente pelos pronunciamentos da Procuradoria Provincial, do Conselho Municipal da Matola e pela resposta definitiva aos documentos submetidos às autoridades.
A comunidade recorda que, numa fase anterior, técnicos municipais terão alegado dificuldades relacionadas com a disponibilidade de técnicos, combustível e pneus para a deslocação das equipas ao bairro, com vista à averiguação da situação denunciada pelos residentes.
No encontro realizado no Vale do Infulene, o representante da comunidade manifestou preocupação com a participação das estruturas locais.
Segundo os moradores, o problema abrange os quarteirões 13 a 19. Contudo, no encontro estiveram apenas dois chefes de quarteirão e dois agentes da 6.ª Esquadra, tendo sido igualmente registada a ausência do secretário do bairro e de outras estruturas locais.
A reduzida participação das autoridades e estruturas comunitárias presentes no encontro alimenta, entre os moradores, suspeitas sobre a forma como o processo está a ser acompanhado.
Até ao momento, porém, não foram apresentadas provas públicas que confirmem qualquer encobrimento do assunto por parte das autoridades ou de outras entidades.
Moradores contestam instalação da indústria
Questionado sobre a origem do conflito, o representante dos moradores afirma que o problema começou com a própria implantação da unidade industrial.
Segundo a comunidade, os moradores e agricultores não teriam sido devidamente auscultados antes da instalação da fábrica.
“Este problema partiu da génese, desde a implantação desta fábrica. Primeiro, violaram-se muitos direitos dos moradores. Não houve aquilo que é a auscultação popular. Não se chegou a auscultar os moradores nem os agricultores. Quando nos apercebemos, a empresa já estava instalada”, declarou.
Os residentes defendem que qualquer actividade industrial localizada nas proximidades de zonas habitacionais e agrícolas deve respeitar as normas ambientais, de saúde pública e de ordenamento territorial.
Comunidade pede encerramento da empresa
Perante as alegações de poluição e os impactos apontados sobre as áreas agrícolas e habitacionais, os moradores do Vale do Infulene defendem o encerramento da empresa de reciclagem.
A comunidade afirma que a sua principal preocupação é garantir a protecção dos solos agrícolas, do ambiente e das famílias que vivem nas proximidades da unidade industrial.
Enquanto aguardam pelo posicionamento das autoridades, os moradores dizem que continuarão a utilizar os mecanismos administrativos e legais disponíveis para pressionar por uma solução.
A comunidade espera que a decisão das autoridades seja conhecida publicamente e permita esclarecer as responsabilidades de cada interveniente, bem como definir o futuro da actividade industrial no Vale do Infulene.
Até ao fecho desta reportagem, não foi apresentado publicamente o posicionamento da empresa de reciclagem sobre as acusações feitas pelos moradores. A reportagem também aguarda esclarecimentos das autoridades competentes sobre as diligências realizadas e o estado actual do processo.