Páscoa Buque

Páscoa Buque Aqui conversamos sobre ética e integridade.

Páscoa Buque é uma moçambicana dedicada à promoção da ética e integridade na administração pública e sector privado em Moçambique.

"Feliz Dia da Criança para a criança que reside em vós."Que nunca percamos a curiosidade de aprender, a alegria de desco...
01/06/2026

"Feliz Dia da Criança para a criança que reside em vós."
Que nunca percamos a curiosidade de aprender, a alegria de descobrir novas ideias, a capacidade de imaginar mundos melhores e a vontade de ajudar quem procura conhecimento, orientação e inspiração.
Que a ternura, a esperança e a criatividade continuem a iluminar os nossos caminhos, tal como a criança que vive em cada coração humano.
Com carinho,
Páscoa Buque 💖
fans

Mais saúde, paz e amor nas famílias, no país e no Mundo.
27/05/2026

Mais saúde, paz e amor nas famílias, no país e no Mundo.

As Estradas Que Escolhemos: Quando a Pressa Se Torna Uma Ameaça à Vida AlheiaPor: Páscoa Themba Buque, ETICAndoHá um per...
27/05/2026

As Estradas Que Escolhemos: Quando a Pressa Se Torna Uma Ameaça à Vida Alheia

Por: Páscoa Themba Buque, ETICAndo

Há um perigo, que se repete todos os dias nas nossas estradas, e que já deixámos de ver com a seriedade que merece: o condutor que decide que a sua pressa vale mais do que a vida dos outros.

Esta semana, um vídeo circulou amplamente nas redes sociais. Nele, um condutor de uma empresa de transporte colectivo tentava efectuar uma ultrapassagem irregular, criando momentos de terror para mais de 40 passageiros dentro do autocarro — e para todos os outros utentes que partilhavam aquela via. O condutor, com mais de oito anos de experiência ao volante, foi sancionado com a retirada da carta de condução por cinco anos e uma multa de 13 mil meticais. Hoje, diz-se arrependido. Mas o arrependimento, como sempre, chegou depois do risco. Depois do perigo. Depois de quarenta vidas terem sido colocadas à beira do abismo por uma decisão de segundos.

E este não é um caso isolado. Quem percorre as estradas de Moçambique sabe do que se fala. Vemos todos os dias: ultrapassagens em curvas, velocidade excessiva, avanços de sinal vermelho, carros a circular com os pneus carecas, chapas com lotação ultrapassada, condutores ao telemóvel a 120 quilómetros por hora. Comportamentos que já normalizámos de tal forma que só nos surpreendem quando resultam em tragédia — e mesmo assim, por pouco tempo.

Já me peguei a pensar: o que passa pela cabeça de alguém que conduz com 40 pessoas sob a sua responsabilidade e decide, mesmo assim, arriscar? Será desatenção? Será pressão para cumprir horários? Será uma cultura de impunidade tão enraizada que o perigo já não parece real? Porque há uma diferença enorme entre um erro humano genuíno — que acontece, e que todos podemos cometer — e uma decisão consciente de arriscar a vida alheia em nome da conveniência própria.

E nisto tudo, o grande problema não está apenas no condutor. Está num sistema que, durante anos, tolerou o intolerável. Está nas empresas de transporte que fecham os olhos às condições dos seus veículos e ao comportamento dos seus motoristas, desde que as rotas sejam cumpridas e o dinheiro entre. Está numa fiscalização que aparece depois do vídeo viral — e não antes. Está numa cultura de estrada onde o mais agressivo passa à frente, literalmente, e onde o respeito pelas regras é visto como fraqueza ou ingenuidade.

A verdade incómoda é esta: cada vez que um condutor arrisca irresponsavelmente, está a fazer uma escolha ética — e está a escolher mal. Está a dizer, com os seus actos, que o seu tempo, o seu itinerário ou a sua impaciência valem mais do que a segurança de quem está dentro do seu veículo e de quem está fora dele. E essa escolha, quando corre mal, não tem retrocesso. Os mortos nas estradas moçambicanas não voltam. As famílias destruídas por acidentes evitáveis não se reconstroem facilmente. E o arrependimento, por mais genuíno que seja, não ressuscita ninguém.

Sendo rigorosos, precisamos de ir além da sanção individual. Precisamos de perguntar: Que cultura estamos a construir nas nossas estradas? As empresas de transporte têm mecanismos reais de controlo do comportamento dos seus condutores — ou apenas de controlo das receitas? Os passageiros sabem que têm o direito — e a responsabilidade ética — de recusar entrar num veículo que circula em condições de risco? E nós, enquanto sociedade, estamos dispostos a exigir mais — ou vamos continuar a partilhar o vídeo, comentar por dois dias e voltar ao silêncio?

Porque o problema das nossas estradas não é apenas técnico. É ético. É a manifestação, em asfalto e velocidade, de uma sociedade que ainda não aprendeu a colocar a vida humana no centro das suas decisões. Que ainda negocia a segurança alheia em função da conveniência própria. Que ainda trata as regras como obstáculos a contornar — e não como acordos colectivos para nos protegermos uns aos outros.

Uma estrada não é apenas uma via de circulação. É um espaço partilhado, onde cada condutor carrega nas mãos a responsabilidade por vidas que não são as suas. E essa responsabilidade não se suspende quando há pressa. Não se negocia quando há pressão. Não se esquece quando ninguém está a filmar.

Que este caso sirva de espelho. Não apenas para os condutores — mas para todos nós. Porque a ética não escolhe onde se pratica. E uma sociedade que não respeita a vida nas estradas, dificilmente a respeitará em qualquer outro lugar.

ETICAndo sempre 🚦

Feliz Dia de África!Por: Páscoa Themba Buque, _ETICAndo_Nesta celebração ocorre-me que devo celebrar a Mãe África, consc...
25/05/2026

Feliz Dia de África!

Por: Páscoa Themba Buque, _ETICAndo_

Nesta celebração ocorre-me que devo celebrar a Mãe África, consciente da necessidade de se assumir, com honestidade e coragem, a responsabilidade de reflectir sobre o Continente que somos e, sobretudo, sobre o Continente que ouvimos ser o que se desejava construir.

Falo, por exemplo, de ouvir e ler sobre alguns precursores de África como Kwame Nkrumah, Léopold Sédar Senghor, Haile Selassie, Julius Nyerere, Agostinho Neto, Eduardo Mondlane, entre outras figuras históricas e intelectuais do Continente, cuja direcção das suas lutas visava revalorizar a cultura, promover a integração económica e política, a história e, principalmente, reconhecer e valorizar a dignidade do Povo de cada um dos países do Continente africano. E não se separa dignidade de um Povo da sua integridade, porque ambas são a base moral de uma sociedade.

A nossa África é frequentemente descrita pelas suas vastas riquezas minerais, pela juventude vibrante da sua população, pelo seu potencial agrícola, energético e económico. Porém, o verdadeiro destino do Continente não deve ser determinado apenas pelos recursos que possui, nem exclusivamente pelas promessas do crescimento económico, ou ainda pelas guerras e desastres que ocorrem. Muitos, como eu, almejam uma África definida, acima de tudo, pela integridade e qualidade ética das suas escolhas colectivas. Porque é possível, e vemos outros quadrantes do Mundo a demonstrarem que nenhuma sociedade alcança desenvolvimento verdadeiramente justo e sustentável, quando a integridade e a ética são negligenciados, quando o poder se distancia da responsabilidade moral e quando as instituições deixam de servir o interesse público.

A integridade e a ética não são nenhum luxo intelectual; são a fundação sobre a qual se ergue a confiança entre cidadãos e instituições. São os princípios que orientam o exercício responsável do poder e o compromisso com o bem comum. E também vamos aprendendo com o tempo e práticas existentes que: sem integridade, o poder transforma-se em privilégio; sem responsabilidade, a liderança perde o seu propósito; e sem justiça, o desenvolvimento deixa de servir o Povo.

Pelo que me parece, o futuro africano não pode ser construído apenas com infraestruturas, investimentos ou programas económicos. É crucial que seja construído, principalmente, pela força moral das decisões que são tomadas, pela credibilidade das instituições e pela integridade das nossas acções.

Enfim… comemoremos o Dia da Mãe África! Celebremos a sua rica história, a sua resistência, a sua diversidade e a extraordinária riqueza humana, cultural e natural que a define.
Celebremos uma África robusta e digna, de justiça e integridade.

_ETICando Sempre ✊🌍_

🌍

25/05/2026
*Pais Presentes, Filhos Seguros: O Assunto Que Ninguém Quer Discutir*Por: Páscoa Themba Buque, _ETICAndo_Há ausências, q...
23/05/2026

*Pais Presentes, Filhos Seguros: O Assunto Que Ninguém Quer Discutir*

Por: Páscoa Themba Buque,
_ETICAndo_

Há ausências, que raramente aparecem nas estatísticas mas que se sentem em cada esquina da nossa sociedade: a do pai, educador, que está em casa; mas que nunca está de verdade.

Não falo apenas do pais que abandonam. Esses, a sociedade já aprendeu a condenar, ainda que timidamente. Falo dos pais que dormem debaixo do mesmo tecto, sentam-se à mesma mesa, mas cujos filhos não sabem o som da sua voz quando fala com ternura. Falo dos pais que provêm financeiramente mas que nunca perguntou ao filho como foi o dia. Que estão fisicamente presentes mas emocionalmente a quilómetros de distância. Esses pais, esses são os que ninguém quer discutir.

Por aqui, crescemos com a ideia de que o papel dos pais é garantir o pão, o tecto e a escola. E sim, isso importa; e muito. Mas uma criança não precisa apenas de ser alimentada no corpo; precisa de ser alimentada na alma. Precisa de ouvir os pais dizer "estou aqui" e sentir que é verdade.

Vemos os efeitos desta ausência todos os dias. No jovem que busca validação em todo o lado menos em casa. Na rapariga que confunde atenção com amor porque nunca aprendeu a diferença. No adolescente que encontra na rua a pertença que a família não soube dar. Em tantos adultos que ainda carregam, em silêncio, a ferida de pais que nunca os viu de verdade.

Vezes me questiono: quando foi que decidimos que ser pai era apenas uma função logística? Quando normalizámos a ideia de que basta pagar as propinas para cumprir o papel? Será que os nossos filhos nos recordarão como pais, ou apenas como alguém que vivia na mesma casa?

Porque há uma diferença enorme entre um pai ou educador que sustenta e aquele que forma. Entre pais que aparecem nas fotografias e osi que aparecem nas memórias. Entre pai e educadores que exigem respeito e os que inspiram amor.

Lamentavelmente, quando a paternidade se reduz à provisão material, os filhos crescem; mas crescem com deformação. E essa deformação corrige-se com o que aparecer primeiro: às vezes amizades erradas, às vezes escolhas perigosas, às vezes uma dor que dura uma vida inteira.

Em bom rigor, a paternidade presente não exige perfeição. Exige intenção, exige a decisão consciente de estar sempre presente; não apenas em corpo, mas atentos e oferecendo afecto aos seus educandos.

_ETICAndo sempre_

A Inveja Disfarçada de Crítica: Quando Não Suportamos Ver o Outro CrescerPor: Páscoa Themba Buque, _ETICAndo_A cada dia ...
22/05/2026

A Inveja Disfarçada de Crítica: Quando Não Suportamos Ver o Outro Crescer

Por: Páscoa Themba Buque,

_ETICAndo_

A cada dia que passa, torna-se mais visível um mal, silencioso e traiçoeiro, que circula nas nossas conversas, nos nossos grupos de WhatsApp, nas nossas reuniões de família e até nos nossos locais de trabalho: a inveja que nunca se assume como inveja.

Não vem com esse nome, claro; vem disfarçada. Vem como preocupação: "estou só a dizer porque me preocupo com ela." Vem como experiência: "eu conheço esse tipo de pessoa, vai acabar mal." Vem como bom senso: "não estou a criticar, estou a ser realista."
Mas por baixo de toda essa roupa emprestada, o que existe é uma coisa só: a dificuldade de suportar ver o outro crescer.

E nessa embrulhada toda, sabemos do que se fala. Sentimos nas reuniões de família, onde o sucesso de alguém gera mais suspeitas do que celebrações. Vemos nos círculos profissionais, onde quem sobe é imediatamente alvo de comentários sobre como subiu. Sentimos nas amizades, onde a boa notícia de um provoca o silêncio desconfortável do outro. E o que é mais perturbador não é a inveja em si; é a recusa em reconhecê-la.

Vezes me questiono: por que nos custa tanto celebrar o outro de forma genuína? Porque é que o crescimento de quem está ao nosso lado nos parece, tantas vezes, uma ameaça em vez de uma inspiração? Será que confundimos o sucesso alheio com a prova da nossa insuficiência?

Porque há uma diferença enorme entre uma crítica construtiva, que edifica, que aponta com amor, que quer genuinamente o bem do outro, e uma crítica que nasce da ferida, que procura falhas para se sentir melhor, que torce, no fundo, para que o outro tropece.

E nisto tudo, o grande problema não está apenas em quem inveja; está no silêncio de quem assiste e não nomeia. Está nas famílias onde se ensina a desconfiar de quem prospera. Está nas comunidades onde "subir demais" é visto como traição. Está numa cultura que, por vezes, pune o mérito com o isolamento e recompensa a mediocridade com a aceitação.

Lamentavelmente, quando a inveja disfarçada de crítica se normaliza, ela não destrói apenas quem é alvo; destrói também quem a carrega. Porque ninguém cresce genuinamente enquanto está ocupado a contar os passos do vizinho.

Em bom rigor, precisamos de nos sentar e fazer perguntas difíceis: Quando foi a última vez que celebrei o sucesso de alguém sem reservas? Quando critico, estou a fazê-lo para ajudar ou para me sentir superior? O que sinto quando alguém que conheço alcança algo que eu ainda não alcancei?

Essas perguntas desconfortam. E é exactamente por isso que precisam de ser feitas.

Porque o antídoto para a inveja não é fingir que ela não existe; é ter a coragem de a olhar de frente, reconhecê-la pelo nome verdadeiro e escolher, conscientemente, transformá-la em motivação em vez de veneno.

_ETICAndo sempre_

Endereço

Maputo/
Maputo

Website

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Páscoa Buque publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Compartilhar

Categoria