25/08/2026
Em 1993, o fotógrafo sul-africano Kevin Carter viajou ao Sudão, país do nordeste da África, para documentar a fome que destruía a região. Milhões de pessoas não tinham comida. Crianças morriam antes de chegar aos centros de distribuição de alimentos da ONU — a organização internacional criada para manter a paz e coordenar ajuda humanitária entre os países.
Foi numa dessas viagens que Carter encontrou essa cena. Uma criança desnutrida se arrastava pelo chão em direção ao posto de alimentação. A poucos metros, um abutre esperava. Abutres não atacam vivos — apenas aguardam. Carter tirou a foto e afugentou o pássaro.
A imagem foi publicada no New York Times em março de 1993 e se espalhou pelo mundo inteiro. Em 1994, ganhou o Prêmio Pulitzer — o reconhecimento mais importante do jornalismo americano e um dos mais prestigiados do mundo.
A reação do público não foi só de comoção. Foi de raiva. Cartas chegaram aos jornais perguntando por que o fotógrafo não tinha largado a câmera e carregado a criança. Carter respondeu que havia afugentado o abutre e que a criança retomou o caminho. Mas a pressão não parou.
Décadas depois, a identidade da criança foi confirmada: era um menino chamado Kong Nyong. Ele sobreviveu à fome de 1993 e morreu em 2007 por outras causas.
Kevin Carter suicidou-se em julho de 1994 — quatro meses após receber o Pulitzer. Na nota que deixou, escreveu sobre o peso das imagens que havia testemunhado ao longo da carreira.
O prêmio chegou. Mas ele não aguentou carregar o que viu para ganhar.
FONTES:
Carter, Kevin. Arquivo pessoal — Sudan, 1993. Distribuído pela Associated Press.
Marinovich, Greg; Silva, João. The Bang-Bang Club. Basic Books, 2000.