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emootiva 🧠 Por uma sociedade mais empática
❤️ De emoções à flor-da-pele
✍🏻 Porque escrever é terapêutico

Pela minha tez alva não parece, mas tenho raízes bem fortes na Índia, na antiga Goa portuguesa, da parte do meu pai.Já v...
09/09/2026

Pela minha tez alva não parece, mas tenho raízes bem fortes na Índia, na antiga Goa portuguesa, da parte do meu pai.

Já vos falei algumas vezes sobre os meus avós maternos, já que foi com eles que cresci e ainda os tenho comigo. Mas, quando escrevi sobre as Mulheres da Minha Alma, pensei muito na minha Avó Nana (Armanda) e este desafio veio ao meu encontro.

Lembro-me pouco dela. Ainda assim, só tenho boas memórias. Desde o seu maravilhoso «arroz amarelo», às tardes de colo e brincadeiras nos tapetes da sala, ou na cadeira de baloiço do meu Avô Luís, a ser a princesa da minha avó e das minhas tias. Este «arroz amarelo» não era mais do que um arroz de frango com legumes, mas «encharcado» de curcuma, especiarias mágicas e amor, muito amor da Avó.

Não me recordo que idade tinha quando a perdi, mas sei que, desde então, a sinto como uma guia minha — não propriamente um anjo da guarda, mas uma ligação forte que vem do Universo para mim, do Universo em que acredito. Para me dar força e alento sempre que olho para as suas fotografias ou para o meu pai e para a minha tia do meio – dos quatro filhos, são quem mais herdou os seus traços.

É a partir das histórias que me são contadas que sei que a minha Avó era uma mulher extraordinária. Podia ser comum, mas não foi. Tornou-se comum quando pôde finalmente acalmar o seu coração e viver descansada em Lisboa, ainda que com apertos no peito porque, afinal, não foi nada fácil para nenhum deles abandonar a cidade e o país que sempre conheceram, em 1961. Sobretudo, pelo motivo que foi.

Quero acreditar que é da minha Avó Nana que vem boa parte da minha resiliência. Criar quatro filhos, tanto lá como cá, não foi propriamente fácil. Um deles foi mandado para a guerra na Guiné. O outro tinha amigos e companheiros de trabalho procurados pela PIDE e poderia ser igualmente apanhado. Uma filha que acabou por emigrar para Moçambique, antes de se estabelecer de vez em Lisboa, e a segunda filha que trabalhava e estudava para realizar os seus sonhos e ajudar em casa.

O meu Avô chegou a Lisboa depois deles e, com ele, veio também a depressão e uma tristeza profunda, uma perda de propósito, até que a minha Avó o pôs nos eixos para voltar a trabalhar, era preciso prover para a casa e para a família e só os seus trabalhos de costura não chegavam.

Foram vidas difíceis, mas não me lembro de ver a minha avó sem um sorriso, sem um mimo para a sua «Rosinha» e para o seu «Dôdô». Embora por pouco tempo, fui muito mimada pela Avó Nana.

Depois disso, foi sonhar acordada com eles. Como seria se ainda estivessem por cá? Estariam eles orgulhosos da mulher que sou? Que conselhos me dariam? Dar-me-iam força e apoio em todas as minhas decisões e abrir-me-iam os olhos quando algo pudesse correr mal?

Sei que, há uns anos, em conversa com o meu pai, ele me disse que eu sou muito parecida com o meu Avô. Posso f**ar calada durante horas, mas, quando a palavra certa me é dita, eu solto a língua e não me calo! E, ainda, que os meus silêncios são ensurdecedores. A ficha demorou a cair, mas acabei por entender e respondi-lhe que o mundo não iria aguentar dois nativos de Peixes como nós, que ele subiu para eu poder descer – o meu avô fazia anos a 1 de março e eu faço a 20 de março. O meu pai riu-se. Afinal, também tem curiosidade e gosta de astrologia, mas preferiu falar-me mais sobre a personalidade do seu pai, mais reservado no fim de vida, e de como se sentiu um filho indesejado – afinal, já havia um filho varão na família –, mas acabou por ser ele o grande companheiro do pai, de conversas e horas a ouvir música na rádio. E ter sido ele a compreender melhor os seus estados de espírito e a entender que as nuvens de fumo sobre a sua cabeça não eram só do tabaco.

Curiosamente, quando ia a casa dos meus Avós Faro, era na cadeira de baloiço que eu me sentia melhor a brincar com os meus peluches.

Também gosto de pensar que, se o tivesse conhecido e se eu tivesse passado mais tempo com a minha Avó, seria a neta mais mimada de sempre! Assim como sou uma sobrinha e filha igualmente mimada. Acredito que da sala para a cozinha se ouviria um silêncio enternecedor de Avô e neta e que, na cozinha, a minha Avó estaria a passar todas as suas receitas ao meu irmão. Tenho um primo mais velho, que foi igualmente mimado, até virem os primos pequenos, quase 20 anos depois, e também ele nos mimou muito.

Há algo que amo nesta família Souza e Faro. Temos todos traços muito parecidos. Se formos fotografados só dos olhos para cima, somos muito semelhantes, até mesmo os filhos e as netas do meu primo. Temos olhos grandes, amendoados, brilhantes, poderia, até, dizer «tipicamente indianos», com eyeliner f**am maravilhosos – modéstia à parte, é só verem as minhas fotografias.

Por outro lado, será que seria deserdada por não gostar de comida picante? Comida goesa, sim, gosto, mas pimentas, piripiris e semelhantes, socorro! E será que recuperaria essa herança por ter jeito para as línguas e saber «falar» konkaní? – uma das muitas línguas oficiais da Índia, falada em Goa, a par com o português, o inglês e o hindi. Tudo bem que só sei dizer disparates e «obrigada», mas tenho jeito. Se quisesse aprender e dedicar-me totalmente, falaria com mais facilidade do que falo inglês.

Por norma, sou muito reservada quanto a estas minhas raízes. Não por medos ou vergonhas. Jamais! Mas por sentir toda uma força mais espiritual – caras leitoras, tenho Budas um pouco por todo o meu quarto –, mais mística e que, se calhar, até me liga à astrologia e ao tarot. Afinal os hindus leem cartas astrais para tudo, sobretudo para os casamentos arranjados. Neste aspeto, ainda bem que a minha família é lusodescendente! Eu com um casamento arranjado?! Socorro, Paizinho! Adoro saris e roupas coloridas. Adoro a leveza de espírito. Podem estar carregados de problemas, mas há sempre sorrisos. A alegria será sempre mais forte.

E sinto essa força e resiliência que herdei das minhas raízes indianas. Sou mais reservada, mas imensamente orgulhosa e feliz por ter ritmos e cores diferentes no sangue, na história familiar, no peito!

Nunca fui à Índia, mas espero um dia conseguir ir. Quero ter a força emocional e psicológica necessárias para dar de caras com toda aquela realidade. Visitar a Goa onde a minha família cresceu, onde está esta metade das minhas raízes. Pôr os pés onde, um dia, os que me são tão caros puseram. Não me sinto incompleta, mas falta-me esta centelha física para completar a espiritual.

Mais do que Shiva, Ganesh, Lakshmi e todas as outras divindades que adoro, os meus maiores guias espirituais são os meus Avós Souza e Faro. Obrigada por terem tido a coragem de sair de Goa. Obrigada por terem vindo parar a Lisboa. Que eu saiba honrar-vos sempre e para sempre.

— Inês Biu Faro.

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Nunca peças desculpa por ocupares espaço no mundo. 🗣️ Ser mulher é um ato de resistência diária. Juntas, somos o eco de ...
05/09/2026

Nunca peças desculpa por ocupares espaço no mundo. 🗣️ Ser mulher é um ato de resistência diária. Juntas, somos o eco de quem veio antes e o grito de quem virá depois. Reivindica o teu lugar, a tua palavra e a tua autonomia. ✊

📌 Guarda este lembrete para quando o ruído for demasiado alto.

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Alguém disse: «Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e um dos capítulos mais difíceis na grande arte de viver.» E...
01/09/2026

Alguém disse: «Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e um dos capítulos mais difíceis na grande arte de viver.» E eis-nos perante algo que faz parte desta nossa caminhada: o envelhecimento!

Como cada um de nós vive este percurso da vida? Na verdade, como em todas as facetas da vida, encontramos as mais diversas situações…

Não sou detentora de grandes conhecimentos. Apenas me enriquecem o meu sentir e a minha experiência de setenta e nove anos de caminhada, anos que ainda não me pesam, mas que me levam a fazer algumas reflexões.

O meu saber vem do que vou observando, do que a vida me vai trazendo, do que me faz sorrir ou chorar, do que me dá forças ou me tira o alento, de tudo isso que é viver!

Olhando para trás, vejo que muita da força que me tem acompanhado veio nos momentos mais difíceis, aqueles em que troquei as lágrimas por resiliência. As lágrimas apareceram mais vezes quando f**aram vencidas as batalhas mais difíceis!

Olhando para trás, sinto-me grata. Se me foram aparecendo obstáculos, se tive de superar dificuldades, se passei algumas noites sem dormir na busca exaustiva de soluções perante dilemas, nunca fiquei caída. Segui sempre lutando para alcançar os meus objetivos.

Olhando para trás, vejo, sim, que cada passo dado ao longo dos anos vividos foi mais um degrau que subi, mais um cabelo que pintei de branco, mais uma ruga que se foi desenhando, mais um alerta a pedir o abrandamento da marcha. Foi, afinal, um constante envelhecimento.

Olhando para trás, vejo as boas sementeiras que fui preparando, os fortes alicerces que fui construindo.

Olhando para trás, fico com a convicção de que o bom ou mau envelhecimento resulta em grande parte das nossas escolhas, das nossas atitudes, dos nossos cuidados, da forma como vamos enfrentando a vida…

Será o envelhecimento uma fatalidade, como tantos o apregoam?

É meu entender que o envelhecimento é um privilégio que nem a todos é concedido!

Envelhecer é viver!

Envelhecer é saber aceitar tudo o que a vida, de bom ou menos bom, nos vai trazendo e nunca deixar de devolver o nosso sorriso, a nossa gratidão.

Envelhecer não pode ser um constante olhar para trás, lamentando «no meu tempo é que era bom…»

Envelhecer é, sim, assumir que o nosso tempo é sempre o agora!

Que o agora e o hoje sejam valorizados, sejamos nós capazes de agarrar as novas oportunidades que sempre vão surgindo.

Hoje, depois da caminhada por mim já percorrida, são mais visíveis os sinais de envelhecimento. Sim, mentiria se dissesse que é muito fácil sentir que o encanto e a leveza de outrora já se perderam. Todavia, não minto ao dizer que fui encontrando outros encantos, outros motivos que me levam a saborear a vida, que me continuam a proporcionar alegria de viver…

Acontece que vou ouvindo lamentos de quem tem dificuldade na aceitação deste acumular de anos vividos. Muitas vezes me dizem que, agora, estamos no inverno da vida…

Em boa verdade, ainda não necessitei de me lamentar e, ao invés de me sentir nesse apregoado inverno, tenho a sensação de estar a viver um aconchegante verão, onde posso ir colhendo saborosos frutos daquelas minhas sementeiras em que, com todo o carinho, me fui empenhando ao longo da vida. Sementeiras que, afinal, continuam a ser uma das minhas tarefas preferidas…

Sim, instalou-se em mim esse verão, já que me sinto aconchegada neste meu viver de boa harmonia e conforto, de coração quente.

Vivo este agora, este meu tempo com deleite!

Outrora entreguei-me com afinco a um trabalho exigente, contudo gratif**ante e necessário face às obrigações da vida e realização de objetivos. Hoje posso entregar-me a muito do que estava adormecido em mim e que sempre me acompanhou, embora f**ando continuamente em segundo plano…

Há, então, outros objetivos a atingir, outros sonhos ainda não realizados!

E, finalmente, sinto-me dona deste meu tempo e vivo com a liberdade de o poder gerir de acordo com a minha vontade.

Num certo dia, numa animada conversa, a minha filha comentou: «Reparem! Fazem uma pergunta à minha mãe e ela responde com uma história.»

Esta situação faz-me recordar algo que, um dia, li e que não mais esqueci: «Feliz é quem envelhece com histórias para contar e não com mágoas para guardar.»

Tanta história para contar! E, sim, há também uma bela história de amor!

Devo assumir, também, que esse amor tem sido uma grande força. Foi com essa força que tudo se tornou mais fácil, mais suportável, mais belo e mais possível!

Esse amor continua a ser vivido, acrescentando mais doçura, mais brilho, mais ânimo a esta caminhada.

E as mágoas? As mágoas são espinhos que, se os deixarmos f**ar cravados, nunca deixarão que a vida seja desfrutada na sua plenitude…

Não é fácil lidar com essa dor que nos aprisiona, nos limita e compromete consideravelmente a nossa alegria de viver.

Sim, sei como é estar aprisionada por esse pesadelo! Sim, sei como esse pesadelo faz sofrer!

E, sim, também sei o que me trouxe o delicioso sabor de uma ef**az libertação: O perdão!

Aprendi como saber perdoar é, afinal, uma arma tão poderosa…

Perdoar não nos faz esquecer. Perdoar cura deixando f**ar uma cicatriz indolor. Perdoar traz-nos paz.

Hoje posso dizer que «saber perdoar» foi uma das mais valiosas aprendizagens que a vida me proporcionou.

Acontece também que, com o passar do tempo, vamos percebendo melhor os erros cometidos. Sejamos corajosos aceitando esses erros, saibamos reconhecê-los e não deixemos que eles comprometam o nosso viver, provocando-nos a angústia da culpa.

E, sim, devo dizer que também encontrei no autoperdão um poderoso aliado para conseguir libertar-me dessas culpas, conquistar a minha liberdade emocional.

A nossa vida é, afinal, uma constante aprendizagem. Tenhamos bom aproveitamento nessas aprendizagens e poderemos conseguir uma vivência harmoniosa.

Em boa verdade, estar de bem com a vida é uma conquista que vamos fazendo no nosso dia a dia, através dos nossos comportamentos, das nossas decisões, da forma como olhamos em nosso redor…

Gosto de dizer que sou da colheita de mil novecentos e quarenta e sete…

Após ter vivido todos estes anos, sinto enorme gratidão pelo que consegui amealhar até hoje, não me referindo a bens materiais. Enriqueci mais com bens que o dinheiro não consegue comprar e, devo dizer, são bens que me trazem muita felicidade.

Como será daqui para a frente? Não me preocupam as previsões futuras… Continuarei, como até aqui, a saborear a vida que me é concedida!

Há sempre sonhos por realizar, projetos por concluir, sementeiras a preparar…

— Maria Reis.

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Nos dias em que a neblina parece não querer sair, lembra-te: tu não és a tua tristeza. 🌧️ O peso que sentes, hoje, não d...
29/08/2026

Nos dias em que a neblina parece não querer sair, lembra-te: tu não és a tua tristeza. 🌧️ O peso que sentes, hoje, não define quem tu és, nem o teu futuro. Dá pequenos passos. Um minuto de cada vez. Estamos juntas. 🩷🫂

📌 Guarda este lembrete para quando sentires que as tuas emoções ocupam todo o espaço da casa.

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Este ano, o concurso de professores, ao qual continuava a ter de concorrer anualmente, ditou que deixasse de trabalhar n...
25/08/2026

Este ano, o concurso de professores, ao qual continuava a ter de concorrer anualmente, ditou que deixasse de trabalhar naquela que foi a minha escola durante os últimos sete anos, tendo f**ado colocada numa escola bem mais perto de casa. Neste momento, estou a trabalhar a uns 25 quilómetros de casa. Desenganem-se aqueles que já estão a pensar dar-me os parabéns. Não foi essa a minha escolha. Não era essa a minha vontade.

Eu sei que trabalhar perto de casa é um luxo que poucos se podem oferecer, mas para mim esta não era uma questão primordial. Se a minha vontade se concretizasse, estaria definitivamente na minha «escola-casa», a minha querida Escola Básica de Silvares. Contudo, o que ouço de muita gente é que devia estar feliz, sobretudo pela questão da distância. Mas não estou. E a questão não se prende, essencialmente, com a nova escola. Prende-se, sobretudo, com o sentimento que tenho pela escola onde tenho trabalhado nos últimos anos. E esse sentimento é de pertença.

Ali, não sou apenas mais uma professora de Educação Especial. Não sou «a professora de apoio», como ainda gostam de nos chamar, «do aluno x ou y». Eu não sou um simples número de funcionário que serve para fazer pagamentos no bar ou para pedir fotocópias. Eu sou a Professora Estefânia. Não um número. Não uma função. Um nome. E isso é um luxo que nem todas as escolas conseguem oferecer.

A escola para onde vou é uma escola grande. E, por isso, a maioria das pessoas é pouco mais do que um funcionário que vem ali para cumprir as suas tarefas. Mais um. Um número. Para muitos, isso é ótimo. Cada um faz o seu trabalho e segue a vida. Mas eu não gosto de viver a escola desta forma. A seu tempo, poderei até ser conhecida. Mas duvido que algum dia seja reconhecida — isto em termos de saberem, de facto, quem eu sou, nas minhas múltiplas camadas.

Sermos reconhecidos signif**a que já pertencemos àquele local, somos mais que a função que nos leva ali. Pertencemos, somos parte daquela comunidade. É por isso que, na minha escola, na EB de Silvares, todos sabem um pouquinho da vida do outro. Todos reparam quando faltas e, se for preciso, telefonam para saberem o que se passa. É claro que muitos poderão pensar que isto é invasivo. Mas não é feito com essa intenção. É feito por genuína preocupação com quem ali trabalha. Porque cada colega é visto, antes de mais, como uma pessoa. Não é sentirmo-nos vigiados. É sentir que pertencemos.

É claro que esta minha preferência por escolas pequenas tem também a ver com o meu gosto pelas pequenas vilas e aldeias onde normalmente se inserem. Gosto de viver numa vila onde as pessoas me conhecem, onde as pessoas dizem «bom dia, Estefânia», onde as pessoas se preocupam porque percebem que nunca mais te viram passear o cão. Sou da província e gosto mesmo de viver em sítios mais pequenos. É um facto que muito nos falta nas pequenas vilas e nas pequenas cidades. Note-se, por exemplo, que para ver um bom espetáculo tenho de me deslocar, na maior parte das vezes, a uma grande cidade. Não há problema! Prefiro fazer o caminho de ida e volta as vezes que forem precisas e, no fim, regressar ao lugar onde as pessoas sabem quem eu sou.

Talvez, um dia, esta nova escola também se torne casa. Talvez, daqui a uns anos, esteja a entrar pelo portão e haja quem me pergunte pelo Baltasar, quem saiba que escrevo, quem conheça os meus silêncios e as minhas gargalhadas. As relações também precisam de tempo para criar raízes.

Mas, até lá, aprendi uma coisa sobre mim. Afinal, aquilo que procuro nunca foi uma escola perto de casa. O que procuro é uma escola onde me sinta em casa. Porque há uma diferença enorme entre trabalhar num lugar e pertencer-lhe. E esse sentimento, ao contrário dos quilómetros, não aparece em concurso nenhum.

— Estefânia Barroso.

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Transformar a dor em palavras escritas é um ato de coragem. Como te sentes quando decides partilhar a tua verdade?Este é...
22/08/2026

Transformar a dor em palavras escritas é um ato de coragem. Como te sentes quando decides partilhar a tua verdade?

Este é um convite para escreveres connosco e dares voz às tuas emoções — completa a frase nos comentários. 🩷 ⬇️

💃🏻 Sabias que este teu comentário pode ser o início de um texto na nossa plataforma? Se sentires o apelo das palavras, espreita o link na bio e/ou nos comentários para te tornares uma autora emootiva.

Quando entrei na emootiva, mal sabia ao que vinha. Vi o anúncio no Facebook algumas vezes e, se calhar, só à terceira ou...
18/08/2026

Quando entrei na emootiva, mal sabia ao que vinha. Vi o anúncio no Facebook algumas vezes e, se calhar, só à terceira ou quarta vez que o vi é que decidi abrir o link e inscrever-me. Acontecesse o que acontecesse, não seria um curso de escrita criativa, mas seria um espaço onde poderia melhorar, onde teria voz e onde podia publicar os meus textos e chegar mais longe. Aqui, posso ser eu mesma: sem medos, sem julgamentos, sem pressão e, mais importante ainda, sem comparação!

Olhando para trás, o meu primeiro texto foi um resgate de um texto antigo para ver como se fazia; o segundo foi, ainda, um bocado atabalhoado e, depois, com os desafios mensais e poder escrever, também, textos livres, foi largar as velas e navegar tranquilamente no oceano que eu melhor domino na minha vida: o da escrita.

Mergulho de cabeça em cada desafio. Às vezes, demoro mais. Noutras vezes, escrevo de rajada e deixo a marinar. Gosto que todos os meus textos ganhem maturidade, nem que seja numa noite. E eu desafio-me a mim mesma a entregar todos dentro dos prazos. A juntar aos quatro textos obrigatórios, a Laura ainda nos envia cartazes com prompts para que nunca nos falte assunto – como se isso fosse possível comigo – e, desde então, também aprendi a abrandar.

Não preciso de escrever cinco crónicas todas as manhãs e outras cinco à tarde. Também não preciso de f**ar a semana toda sem escrever. O que preciso é de respeitar o meu tempo e entender que, escreva muito ou escreva pouco, o importante é ir gerindo, deixar acontecer e escrever o que sinto, como sinto, e que nem sempre o que sinto tem de ser cor-de-rosa. A emootiva também me tem ajudado a conhecer e validar todas as minhas emoções (missão cumprida?), e poder escrever sobre elas, sobre as suas cores e como as identifico também faz parte do meu processo de escrita. E esta é, também, uma das coisas mais bonitas de estar aqui: cada uma das escritoras tem o seu processo, é único e impossível de copiar, apenas de respeitar.

Na emootiva tenho tido espaço não só para ser eu mesma, mas para cumprir o objetivo da plataforma: expor as minhas emoções. São poucas as coisas que me deixam sem palavras e dizer o bem que me tem feito estar nesta comunidade há dois anos não tem explicação possível. Melhorei imenso a minha escrita, melhorei a minha vontade de escrever, saí de várias zonas de conforto e continuo a f**ar maravilhada com cada nova publicação minha. É tão bonito ver o resultado de algo que escrevi, às vezes, no Word, outras no telemóvel ou numa folha de rascunho. Ver os cartazes escolhidos pela Laura, a frase destacada e todo o carinho e cuidado impressos em todas as nossas publicações. Se nós nos dedicamos à nossa escrita, temos da parte da Laura uma grande prova de amizade, profissionalismo e respeito por nós, pela escrita em geral e o que, para cada uma de nós, signif**a estarmos nesta comunidade. Uma comunidade que já transcende a escrita.

Quando entrei na emootiva estava numa fase algo complicada da minha vida e precisava de algo mais do que escrever no meu diário e conversar com as minhas pessoas-diário. Precisava de soltar, de ir ao fundo das minhas dores para as transformar em flores. Precisava de algo, ou alguém, que puxasse por mim para que tudo começasse a funcionar melhor no meu «sistema operativo».

Já perdi a conta às vezes que chorei nas nossas sessões de escrita; às vezes que me ri e partilhei a minha vida, o meu dia a dia e os abraços que chegam em forma de palavras das outras escritoras. Tenho ganho amigas para a vida e cada vez mais motivos para escrever, nem que seja – como escrevi noutra crónica –, para ganhar o ódiozinho de estimação da Steff. É que até isto me incentiva!

Também já chorei enquanto escrevia, já me esqueci do que escrevi e só reli quando foi publicado, já me perdi e tive de escrever duas ou três crónicas seguidas porque os temas se encadearam e cada um merecia o seu destaque. Já até criei uma personagem – duas, a Violetta não vive sem o seu Bruno, que seria! E, pela opinião geral, também ela merece um livro só seu e não apenas excertos/pequenos contos – será? Escrevi um conto erótico e tenho-me desafiado a tornar as crónicas cada vez mais pessoais, mais maduras e ainda mais vindas de mim, da minha essência – que não sai com água micelar!

Honestamente, sinto-me verdadeiramente em casa com estas amigas que estão do outro lado do ecrã – elas existem! Já estivemos juntas! São capazes de ser das poucas que já viram todos os meus estados e humores. Estão ao meu lado o tempo todo, para o que quer que eu precise, sempre à distância de uma mensagem – obrigada, Purpurina!

Formou-se um grupo tão forte que já nem me lembro quem é que sonhou que vivíamos todas numa mansão palaciana, cada uma com o seu espaço, mas a ver-nos sempre que quiséssemos. Um sonho muito bonito, porque eu imaginei logo um Palácio de Versalhes estilo Barbie, cheio de cor-de-rosa e purpurinas e cada uma de nós a decorar o seu cantinho à sua maneira.

E é disto mesmo que se trata. Aqui, resgato a minha Inês menina e sonho alto. Aqui, tudo é válido e nada é um disparate, nada é inferior. Somos todas iguais e sabe tão bem estar aqui. Tudo isto é algo mesmo muito bonito que a emootiva me trouxe: estas amigas, quase todas longe de mim, mas muito mais perto do que alguma vez podia sonhar. Amigas que me conhecem pela maneira como escrevo, pelos meus silêncios, pelas entrelinhas das crónicas. São amigas que são colo. Adotámos, até, uma avó, a nossa ’Vó Maria, a mais velha do grupo e que já vinha de outro projeto da Laura. Comecei eu a tratá-la por avó e ela, com toda a sua ternura, aceitou estas suas «cachopas» como netas escritoras. Muito embora já estejamos juntas há mais de um ano, recebemos quem vem de novo de braços abertos, damo-nos logo a conhecer e contamos as brincadeiras mais recorrentes no dia a dia. O resto, vivemo-lo todos os dias.

A emootiva também me tem ajudado, cada vez mais, com a minha escrita e não é só a escrever bem. Eu já sabia que escrevia bem, muito bem mesmo, praticamente desde sempre, mas faltava-me esta validação externa. Não deveria precisar, já o sentia e sabia, mas também sabe muito bem receber os elogios e os mimos, ser lida por quem nunca me viu e sentir-me incluída num grupo de mulheres onde todas, mas mesmo todas!, escrevemos tão bem… Somos fãs umas das outras, tocamos os corações e inspiramo-nos mutuamente. Somos as primeiras a opinar, a dar força, a aplaudir e abraçar o que nos chega umas das outras. Já até as habituei aos meus bons dias em italiano, a expressões que uso no meu dia a dia e f**aram fãs e aqui vai uma nova: L’emootiva è per me come l’amore è per te.

Um dia que o meu livro seja editado, garanto-vos que será maravilhoso e não será só por causa da minha escrita tão bonita. Será, sobretudo, por causa dos incentivos que aqui recebo todos os dias.

A emootiva é casa, uma casa bem grande e cheia de amor para dar, receber e distribuir. É uma comunidade feminina que cuida das suas mulheres, que cuidam umas das outras, a toda a hora — e onde todas as mulheres são bem-vindas. Se gostarem de escrever, de partilhar e de refúgio, atirem-se, atrevam-se!

A emootiva é escrita, é amor, é amizade. A emootiva é o melhor da vida.

— Inês Biu Faro.

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Todas as emoções têm o seu tempo e o seu clima. Que estação vives dentro de ti hoje?Este é um convite para escreveres co...
15/08/2026

Todas as emoções têm o seu tempo e o seu clima. Que estação vives dentro de ti hoje?

Este é um convite para escreveres connosco e dares voz às tuas emoções — completa a frase nos comentários. 🌸 ⬇️

Há lugares que não se constroem com paredes, mas com pessoas. A emootiva é um desses lugares. Um lugar onde as palavras ...
11/08/2026

Há lugares que não se constroem com paredes, mas com pessoas. A emootiva é um desses lugares. Um lugar onde as palavras encontram abrigo, onde as emoções têm espaço para existir e onde a vulnerabilidade nunca é vista como fraqueza, mas como um ato de coragem.

Escrevo-vos hoje de coração cheio. Porque, mais do que uma plataforma, vocês criaram uma comunidade. Um lugar onde sabemos que podemos chegar exatamente como estamos: felizes, cansadas, perdidas, confiantes ou simplesmente em silêncio. E isso, nos dias de hoje, é um presente raro.

Vivemos numa sociedade que tantas vezes nos ensina a competir umas com as outras. A compararmo-nos, a escondermos as nossas fragilidades e a acreditar que temos de dar conta de tudo sozinhas. Mas a emootiva mostrou-me que existe outra forma de caminhar: de mãos dadas, com empatia, respeito e uma sororiedade que se sente em cada palavra partilhada.

Saber que, do outro lado do ecrã, existem amigas prontas para me ler sem me julgar é um conforto difícil de explicar. Não importa se o texto nasce da alegria, da dúvida ou da dor. Sei que será recebido com um olhar generoso, porque quem lê também já viveu dias difíceis, também já precisou de colo, também já procurou respostas dentro de si.

A emootiva transformou a minha rotina de autocuidado. Escrever deixou de ser apenas um exercício de reflexão para se tornar um compromisso comigo mesma. É o momento em que paro o ritmo acelerado dos dias, escuto o que sinto e permito que as emoções encontrem voz. E, depois, leio-vos. E, em cada história, encontro um pedaço de mim. Descubro que aquilo que tantas vezes pensei viver sozinha também habita outras mulheres. E essa descoberta tem um poder imenso: faz-nos sentir menos sós.

E depois há o nosso grupo de WhatsApp. O nosso pequeno refúgio diário. Nem sempre há tempo para responder, nem sempre há disponibilidade para acompanhar todas as conversas. E está tudo bem. Porque a sororiedade que construímos não exige presença constante; vive da confiança. Da certeza de que, quando uma de nós estender a mão, haverá sempre outra pronta para a segurar. Sem julgamentos, sem cobranças, apenas com a generosidade de quem sabe que todas atravessamos dias mais leves e dias mais pesados. É reconfortante pertencer a um lugar onde não precisamos de estar presentes todos os dias para sabermos que nunca estamos verdadeiramente sozinhas.

Há uma palavra que resume aquilo que somos umas para as outras: manas. Não porque partilhamos o mesmo sangue, mas porque escolhemos partilhar o coração. Porque celebramos as conquistas umas das outras sem inveja, amparamos as quedas sem julgamento e lembramo-nos, todos os dias, de que a vida f**a mais leve quando sabemos que temos uma rede de amigas a caminhar ao nosso lado. Ser mana é isto: estar presente, mesmo na ausência; respeitar o tempo de cada uma; e nunca deixar que nenhuma de nós se sinta sozinha.

Por isso, esta carta é, acima de tudo, um profundo obrigada.

Obrigada às emootivas por terem criado um lugar onde nos sentimos vistas, ouvidas e acolhidas. Obrigada a cada autora e a cada leitora que, com coragem e generosidade, continua a escrever a sua história. Talvez nunca venham a saber o impacto que têm, mas acredito que cada palavra partilhada acende uma luz no caminho de outra mana. E, por vezes, é exatamente essa luz que faz toda a diferença.

Acredito profundamente que é assim que mudamos o mundo: não através de grandes gestos, mas através de pequenas presenças. De palavras que acolhem. De quem faz da empatia um modo de estar. De comunidades que nos lembram que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que cuidar de nós próprias é também um ato de amor por quem nos rodeia.

Obrigada por serem colo, inspiração e porto seguro. Obrigada por me lembrarem que a sororiedade não é apenas uma palavra bonita; é uma escolha diária. E obrigada por me fazerem sentir que, independentemente do caminho que cada uma percorra, haverá sempre um lugar onde podemos voltar para respirar, escrever e sermos exatamente quem somos.

Com carinho e gratidão,

Uma mana que encontrou, na emootiva, uma comunidade onde o coração se sente em casa.

— Sofia Pereira.

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