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Algures, num momento que eu não sei identificar exatamente quando foi, perdi-me do meu caminho e da importância de me am...
03/06/2026

Algures, num momento que eu não sei identificar exatamente quando foi, perdi-me do meu caminho e da importância de me amar a mim em primeiro lugar. É cliché, mas é mais importante do que tudo. Não perder o meu amor-próprio, seja qual for o momento, a circunstância, as pessoas que tenha à minha volta.

Tenho-me sentido verdadeiramente desconectada de mim própria. Sinto isto há alguns meses e noto que, em alguns dias em especial, está particularmente evidente. Uma das coisas que mais aprecio em mim, e que me diziam também apreciar, é a minha forma de estar, totalmente presente, alheia do ruído e da multidão à volta, a ouvir o outro em pleno. Ultimamente, sinto que, até quando estou sozinha, estou desconectada de mim e daquilo que estou a sentir. E isto preocupa-me. Em primeiro lugar, importa ter clareza sobre isso e essa eu tenho. Mas o passo seguinte é identificar que essa situação está a ocorrer e contrariá-la, mas aí é que tem sido o grande desafio.

A minha desconexão comigo mesma e com o que está à minha volta levou-me a regredir no caminho bonito que eu iniciei em 2022, após o diagnóstico da minha doença, e mais intensamente em 2023, quando comecei a ser acompanhada pela minha Patrícia, pessoa que desde essa altura é presença, luz e orientação na minha vida.

Em todo o processo que desenvolvi com a sua ajuda, aprendi tantas coisas, mas destaco o gostar de estar sozinha, de fazer atividades sozinha, desfrutar da minha companhia e do silêncio da minha casa. Aprendi, ainda, a lidar melhor com as pessoas que me rodeiam, afastando as que nada mais me acrescentavam, e a estar, com maior respeito por mim própria, na relação com as que desejo ter à minha volta.

Mas, conforme referia, sem me aperceber de como e quando, voltei a esquecer-me destas premissas que procurei implementar no meu dia a dia; voltei a deixar de viver em função da minha vontade e daquilo que era realmente importante para mim; voltei a permitir que me falassem e tratassem sem o respeito que eu mereço; esqueci-me dos meus princípios, dos meus valores e dos meus limites e coloquei em primeiro lugar uma outra pessoa, centralizando os meus dias e os meus pensamentos nela, encolhendo-me para lhe agradar.

Confundi tudo novamente. Confundi o que é o amor. Confundi o que é o amor-próprio. Banalizei-me, humilhei-me, tornei-me pequena. Desvalorizei o que é ser mulher e como uma mulher deve agir. Tomei consciência, é verdade, mas escrevo num momento em que me sinto em dor, em que assimilar toda esta informação é muito recente, o que ainda não me permite agir de acordo com aquilo que me vai levar à vida que eu desejo e que eu sei que mereço.

Terminei esta ligação. Afastei-me! Isso é bom, em primeira linha. Mas todos os dias me pergunto: por quanto tempo? Quanto tempo vou aguentar não cair novamente na tentação de enviar uma mensagem, fazer um telefonema, passar no local de trabalho para o abraçar por minutos, enviar uma música, verbalizar que tenho saudades? Voltei a viver dependente da mensagem, do beijo de bom dia, da chamada, do calor daquela pessoa. Esqueci-me da Sofia que tinha conquistado e assumi, muito rapidamente, o papel daquela Sofia que durante muitos anos viveu assim, desta forma dependente e, diria até, humilhante. Vivo com medo de cair novamente na tentação, porque, como em tudo na minha vida, vivi este amor de uma forma muito intensa. Também me afastei de uma forma muito intensa, repentina e decidida, mas o medo de voltar atrás é grande.

Sei que não quero, Tenho a certeza de que não quero voltar porque, nesta história, vivemos tudo de forma muito díspar. A minha realidade era muito distinta da realidade desta pessoa, que eu acredito que amei e, na verdade, talvez ainda ame. Ou talvez seja só o efeito da dependência que me faz acreditar que era amor. Tal como disse uma amiga que eu adoro e que me fez rir: «Eu dava a padaria inteira a este homem e, em troca, ele dava-me as migalhinhas do pão que comia e eu julgava-me feliz com isso.»

Quando verbalizava que as migalhas não me satisfaziam e que não era essa a realidade que eu queria viver, a conduta deste homem era tão perigosa que me levava a acreditar que eu estava errada, que a culpa era minha. Por um lado, esta pessoa tinha-me como sua, sua mulher, seu amor, em todos os aspetos da palavra. Mas, ao contrário daquilo que me queria fazer acreditar, a verdade é que eu não o tinha, nunca o tive, nem nunca foi meu. Os momentos mais intensos e prazerosos que tivemos, associados à troca de amor e prazer que demos um ao outro, para mim representaram toda a entrega, todo o amor, intensidade e vontade de corresponder e ser correspondida. Mas, do outro lado, aquela pessoa, face à minha fragilidade, conseguia-me fazer acreditar, por momentos, que gostava verdadeiramente de mim, mas deixava-me na ansiedade de não saber o que esperar nos minutos, horas e dias seguintes.

Como já escrevi numa outra crónica, não sei amar pela metade e também não quero ser amada dessa forma. Não quero ter um horário para manifestar e receber amor. Quero viver um amor pleno. Quero ser escolhida todos os dias, sem dúvidas, sem incertezas, em privado e em público. Quero ter o privilégio de receber esse amor e o desejo de honrar o homem que me complete e me dê tudo aquilo que eu quero alcançar em plenitude. Amor é muito mais do que s**o, muito mais do que horas de prazer e or****os. É muito mais do que uma troca de fluídos e de corpos. A verdade é que existiu uma conexão, entre mim e este homem, que me fazia acreditar que transcendia o físico, que a nossa ligação era tão forte que transcendia o corpo, que os nossos corações se tocavam e se sentiam verdadeiramente. E eu posso estar errada, mas ainda acredito que isto aconteceu, ou, então, é só a minha ingenuidade e dificuldade de reconhecer o que é o amor verdadeiro. E é isso que dói, que custa muito ultrapassar: o aprender a viver de novo na calmaria, sem o sistema nervoso sempre em alerta que me provoca dependência e sofrimento.

Uma vez mais, os sinais estavam lá todos, os comportamentos diziam tudo aquilo que as palavras não diziam, ou tentavam inverter, mas a atenção plena no comportamento fez-me perceber que não era o caminho. Tentava negar, porque a imensidão das palavras fazia-me acreditar que era desejada, amada. Mas o amor fora das quatro paredes e fora daqueles momentos era escasso, inconstante, inexistente, cronometrado, partilhado e nunca, mas nunca, foi isso que eu quis para mim, mas o que é certo é que foi assim que eu vivi os últimos meses.

Ainda dói. Vai continuar a doer. Mas, como toda a tempestade, vai passar e o sol vai voltar a nascer.

— Sofia Reis Cardoso

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Escrever não é apenas sobre talento. É sobre sobrevivência. É sobre não deixar que a nossa história seja contada por out...
02/06/2026

Escrever não é apenas sobre talento. É sobre sobrevivência. É sobre não deixar que a nossa história seja contada por outros. ✨

✍️ Se a escrita é a tua ferramenta de liberdade e a tua forma de respirar, o teu lugar é aqui. Inscreve-te como autora emootiva e deixa as tuas emoções ganharem asas.

Revisitei este desafio no dia a seguir ao Dia da Mãe, num dia em que, provavelmente pela primeira vez, não escrevi uma g...
01/06/2026

Revisitei este desafio no dia a seguir ao Dia da Mãe, num dia em que, provavelmente pela primeira vez, não escrevi uma grande declaração de amor às minhas mãe e avós — e aproveitando também o título de um livro de Isabel Allende.

Nesta revisita, os primeiros pensamentos que se me chegaram foram os dos traumas, das coisas menos boas e dos padrões — tudo situações que tenho estado a tratar na psicoterapia e que, por isso mesmo, chegaram primeiro à minha mente.

Ainda assim, se as considero como «Mulheres da minha Alma», é porque também me transmitiram coisas muito, muito boas. Sejam elas do lado materno ou paterno da família, todas me ensinaram que a resiliência pode ser a minha melhor amiga e que ninguém mais do que eu lutará para conseguir aquilo que quero em cada fase da minha vida.

Avós, mãe, tias, primas. Todas elas têm um lugar especial na minha vida, no meu ser, na minha personalidade e, quanto mais as conheço, mais acho que não escolhemos as famílias, mas ainda assim eu tenho sido muito sortuda. Em todas elas, encontro colo, encontro afeto, abraços, conselhos, gargalhadas, lágrimas partilhadas, dores parecidas, características, defeitos e traços fisionómicos semelhantes.

Dizem-me que do nariz para cima sou igual ao meu pai, mas que também tenho lábios grossos como ele. Logo depois, dizem-me que estou muito parecida com a minha mãe, com o seu sorriso largo ou, até, o revirar de olhos. Desmaquilhada, sou a cara do meu pai. Com «as tintas» na cara, sou igual à minha mãe. Mas, no fundo, sou apenas e só igual a mim mesma.

De tudo o que aprendi com as mulheres da minha alma, o que guardo melhor são sempre as lições. Quer venham de bons ou maus momentos, há sempre algo para retirar e guardar, aprender para a próxima vez, e, como sempre fui muito observadora, há lições que, muito embora não tenham sido direcionadas para mim, não deixaram de ser bem aprendidas.

Quais? Honestamente, não consigo enumerá-las ou pô-las nas palavras certas. São já 37 anos de vida a aprender com tantas mulheres que me rodeiam, estejam elas ligadas a mim pelo sangue, pela afinidade ou pela amizade. Sim, ao longo destes anos considerei, como mulheres da minha alma, todas as mulheres que me marcaram, fosse de que maneira fosse — amigas mais ou menos próximas, mas que se tornaram raízes minhas. Todas elas mulheres que fizeram, fazem e farão morada em mim.

Tenho sido muito bem rodeada de mulheres maravilhosas — outras nem tanto, mas isso serão outras histórias —, mulheres que me criam, educam, cuidam, amam e inspiram! E não, não me faz sentido usar o pretérito perfeito, porque continuo a ser influenciada por todas elas, mesmo aquelas que já não têm lugar na minha plateia, apenas no meu sótão. Continuo a aprender e a reaprender todas e quaisquer lições, conselhos e exemplos.

Ainda que não tenha escrito uma grande declaração no dia em que todas o fizemos, não quero deixar passar a oportunidade de voltar a deixar a minha mãe a chorar de alegria. Porque ela merece ser exaltada por mim, pelo meu irmão, por todos os que a conhecem e ao seu coração.

A minha mãe é a minha maior inspiração! Por mais desentendimentos, por mais birras matinais, mau feitio, quebra de padrões ou «chaticinhas» diárias que haja, vai ser sempre o meu melhor refúgio, vai ser sempre a mulher que me ensinou a maquilhar-me, a vestir-me para qualquer ocasião — sobretudo as chiques! —, que me ensinou a usar e andar de saltos altos, que ainda hoje me ajuda a escolher roupa nova e a quem peço aprovação quando vou sozinha às compras. Mais do que coisas diárias, a minha mãe merece muito ser exaltada pela profissional incrível que é! Canta com tanta emoção e expressão que é impossível não sorrir, ou chorar, ao ouvi-la. Ensina os seus alunos a superar medos, a aventurarem-se, a conhecerem mais das suas vozes e as dos seus colegas, e, sem qualquer dúvida, a realizarem sonhos.

Eu sou uma dessas alunas sortudas. Se hoje canto ópera com paixão, foi por ter sido incentivada, pelo meu pai — que me educou a voz —, a ter aulas com ela para educar o ouvido e voar mais, trabalhar o meu diamante em bruto e descobrir que tenho uma voz quase tão poderosa quanto a sua.

A minha mãe é a mulher mais inspiradora da minha alma, aquela que sobe ao palco comigo, deixando-me a tomar conta dos bastidores, ou a dar-me asas para cantar, quer sozinha, quer em duetos ou conjuntos. Com ela, permiti-me falhar no canto, algo que levei sempre tão a sério — experimentem ser filhos de dois cantores e depois falamos sobre pressão imposta em nós mesmas! Com ela, permiti-me arriscar e, mesmo considerando que não sei ler música, cantar mais do que aquilo que está escrito nas partituras, entender as emoções e, até mesmo, aprender com estas mulheres que são personagens de ficção. A minha mãe inspirou-me a conhecer uma «Ave Maria» que se tornou a mais bonita que alguma vez cantei e cantarei — a de Pietro Mascagni —, deu-me força e confiança para que eu mesma confiasse em mim: «Estudaste tanto… Tu sabes de cor. Canta… Deixa-te ir!» E fui!

A minha mãe merece ser exaltada por todo o amor que dá, por tudo o que faz pelos seus sem esperar nada em troca, apenas para ficar em paz com a sua consciência. Ao longo da vida, abdicou de sonhos para conquistar outros e também isso ela me tem ensinado: o meu caminho não é o seu, mas posso aprender todos os dias que há várias hipóteses pela estrada e que posso — e devo! — escolher os passos que dou, aceitando as derrotas tanto quanto celebro as vitórias, que ela estará ao meu lado, quer para o colo e os conselhos, quer para as gargalhadas e as celebrações.

Até posso dizer (quase) todos os dias que a minha mãe é chata, melga, está sempre a «mandar vir» comigo, mas esse é o verdadeiro sentido de ser mãe. No dia em que ela deixar de o fazer, das duas uma: ou já cá não está — bate na madeira! —, ou já não se interessa. Por isso, espero que seja chata por muitos mais anos!

Ainda assim, olho para o outro lado do que esta mulher é e significa para mim — além do imenso amor e orgulho que lhe tenho — e costumo dizer que a minha mãe enche o nosso prédio de música, o meu quarto de perfume e o meu coração de amor. Por mais mulheres que me sejam raízes, que façam parte da minha alma, é com esta grande mulher que tenho sido imensamente feliz a partilhar o palco, a casa, até o local de trabalho, e a vida.

De todas as raízes e abraços que tenho na vida, é a minha mãe a mulher mais incrível da minha alma!

— Inês Biu Faro

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Ser forte também significa saber quando pedir ajuda. Como as árvores, que dançam com o vento, a tua flexibilidade é a tu...
31/05/2026

Ser forte também significa saber quando pedir ajuda. Como as árvores, que dançam com o vento, a tua flexibilidade é a tua maior força. Não te culpes pelos dias em que te sentes mais frágil: é também nessa vulnerabilidade que a coragem nasce. 💪

📌 Guarda este lembrete para quando o ruído for demasiado alto.

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A jornada do autoconhecimento é feita de pequenos grandes "encontros". Qual foi a tua maior descoberta?Este é um convite...
30/05/2026

A jornada do autoconhecimento é feita de pequenos grandes "encontros". Qual foi a tua maior descoberta?

Este é um convite para escreveres connosco e dares voz às tuas emoções — completa a frase nos comentários. 🤍 ⬇️

💃🏻 Sabias que este teu comentário pode ser o início de um texto na nossa plataforma? Se sentires o apelo das palavras, espreita o link na bio e/ou nos comentários para te tornares uma autora emootiva.

Quando a idade nos dá o tempo para fazer balanços, para rever percursos, não só os nossos, mas daqueles que nasceram de ...
29/05/2026

Quando a idade nos dá o tempo para fazer balanços, para rever percursos, não só os nossos, mas daqueles que nasceram de nós. É aqui que me encontro, perdida entre pensamentos, nas linhas da vida formadas pelas gerações que de mim nasceram. Posso parecer velha por fora, posso já não ter a energia que tinha em outros anos, mas tenho ainda a visão que sempre me acompanhou, a astúcia que me fez viver até hoje.

Comemoro mais um aniversário. Talvez porque já não sou uma criança, tenho a certeza que a minha vida não terá muitos mais. Mas sei que a minha memória, a minha herança, vai continuar a fazer parte da vida destas que me rodeiam hoje. Nasci em tempos longínquos. Daqui a não muito tempo, terei um século de vida.

Nasci naquilo que para muitos seria uma espécie de berço de ouro. Tive criadas ao longo da minha infância, vivi confortavelmente protegida durante alguns anos, mas, como a vida tem o poder de tudo mudar, um simples acidente, normal hoje, tornou-se fatal naquela época. Era a única filha de uma família de cinco irmãos. Cresci protegida por uma mãe leoa, pode-se assim dizer. Ela era a parte quase esquecida da família, uma filha sem pai, que aprendeu desde cedo a proteger-se da maldade do mundo no longínquo século XIX, e talvez por isso sempre me protegeu dentro do que era possível.

Mesmo assim, desde cedo senti a discriminação de nascer mulher. Os meus irmãos estudaram, aprenderam a ler e a escrever; eu nunca tive esse direito. Por ser mulher, naqueles anos as mulheres aprendiam as lides domésticas, coisa que sempre odiei. Aprendiam a costurar, a bordar, a ser recatadas. Talvez pela minha rebeldia, eu aprendi muito mais a lidar com os animais, com a terra.

Mas, quando a minha mãe faleceu prematuramente, eu passei a ser a «mulher da casa». Deixei as brincadeiras e transformei-me naquilo que era esperado na época: tratar dos homens da casa, cozinhar, limpar, enfim, tornar-me uma criada, sem o ser, porque nestes anos já não tínhamos criadas, a vida já não era tão confortável. Fi-lo durante anos.

Vi os meus irmãos partirem para outros destinos. Correrem atrás de uma vida melhor. Poderia ter-me tornado uma pessoa amarga por ser deixada para trás, mas não o fiz, porque nunca fui esquecida. Continuei a viver na ilusão que a minha mente sempre me permitiu.

Casei tardiamente, mas, como o destino tem sempre caminhos que não compreendemos, casei com um homem dez anos mais velho e experiente nas relações entre adultos. Apesar da idade, tinha 28 anos, a inocência ainda me era muito próxima. Talvez por ter crescido tão depressa. Mas o destino, como já falei, trouxe-me um homem compreensivo, inteligente, intelectualmente superior a muitos de nós na época. Eu sempre fui analfabeta para as letras, mas tinha a certeza de que a geração que me ia seguir não o seria, porque o homem que tinha ao meu lado não o iria permitir, tal como eu.

Criámos uma família cheia de apêndices, porque eu tinha o dom de trazer todos para dentro de casa, de alimentar os que não tinham, e por atos que todos se lembram de mim. Tive três filhos: um homem e duas mulheres. As meninas cresceram e tornaram-se mulheres cheias de vida. Nem sempre conseguiram o que desejavam, mas criei duas mulheres cheias de garra e sem nunca conhecerem o verdadeiro significado da palavra desistir. Empurraram a vida. Viveram a vida sem que os fardos do dia a dia as fizessem andar em círculos.

Elas casaram, tiveram filhos. Mas a minha herança genética só produziu duas meninas. Cada uma delas teve uma filha e alguns filhos. Curiosamente, nenhuma delas, filhas e netas, herdou as minhas características físicas, mas o caráter todas o levaram.

Agora, chega a terceira geração que ainda aprende a gatinhar, e pouco ou nada irão conhecer de mim. Todas têm a certeza da liberdade das escolhas que podem fazer. Vivem de acordo com o que são, sem as prisões que me limitaram. Mas, acima de tudo, todas sabem distinguir o bem e o mal, o certo e o errado, mesmo que, por vezes, tenham decisões que vão em contramão com o que penso.

As minhas vivências também me limitam, com a chegada do novo, com as mudanças gritantes que estes longos anos me mostraram. Mas sei, hoje, que todas elas têm o seu dinheiro, a sua independência financeira. Todas têm a educação pela qual sempre lutei para terem. Todas sabem o básico da vida, aquilo que mais tarde lhes vai dar a força para recordar como eu faço hoje. Todas vão ter oportunidade de se olharem e de olharem o futuro que se encontra ainda por descobrir.

Este é o meu legado: deixar ao mundo mulheres livres, em pensamento e em vida. Todas sabem quem sou, todas sabem a minha história e todas a vão recordar com a certeza de que a vivi da forma que vivi para, hoje, elas poderem estar nos lugares que estão. A respeitar a herança que lhes deixei.

Nota: Este relato é da minha avó, uma mulher que nos ensinou a todos a bondade, a dar a mão a quem precisa. Por vezes, a pensar mais nos outros do que nela. Apesar de todas as fases menos boas da sua vida, nunca se tornou uma mulher amarga. Tinha sempre um sorriso no rosto e um brilho bondoso nos belos olhos azuis. Apesar de já ter partido, hoje continuam a falar-me dela com sorriso e saudade no rosto e a elogiar a bondade que sempre teve para com o outro.. Todos sabiam que, em sua casa, havia um prato de comida para quem não tinha, e uma palavra bondosa.

— Sónia Brandão

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Tenho procurado ouvir o som do meu coração: os batimentos, aquilo que ele me diz, como me guia/orienta, de acordo com os...
28/05/2026

Tenho procurado ouvir o som do meu coração: os batimentos, aquilo que ele me diz, como me guia/orienta, de acordo com os meus valores.

A música que vive dentro de mim tem notas de carinho, empatia, verdade, leveza, ponderação, humildade, mas também de receio, dúvida e impulsividade.

A música que procuro pôr a tocar todos os dias da minha vida é aquela que demonstre totalmente aquilo que eu sou, com a maior transparência possível — primeiro, a mim e, depois, a todos aqueles que convivem comigo e que me rodeiam!

Não sou uma pessoa que goste de cantar, apenas de cantarolar, mas a verdade é que sei muitas músicas de cor. Aquelas que têm mais significado para mim e que ouvi tantas, mas tantas vezes, que as letras não saíram da minha memória.

Ao longo dos anos, o meu gosto musical também se foi alterando, conforme a fase de vida em que me encontrava. Já gostei de ouvir música mais pop e comercial, como hoje em dia é um gosto para mim ouvir apenas música instrumental, muitas vezes jazz, apenas para me fazer companhia, ou em momentos em que preciso de me acalmar, ou até concentrar.

Também oiço outro tipo de música totalmente diferente quando quero dançar — principalmente, dançar no âmbito das aulas de dança que tenho frequentado ao longo do último ano e meio. Para além da salsa e da bachata, que têm muitas músicas muito alegres, a minha grande paixão reside nos ritmos africanos, com maior realce na kizomba e no semba, que têm músicas e batidas que fazem cada bocadinho do meu corpo vibrar.

Com tudo o que referi, apercebo-me de que, realmente, a música está sempre presente na minha vida, em várias circunstâncias e, em determinadas fases, com mais vigor do que noutras. Muitas das vezes como companhia. Outras como calmante, em momentos de diversão ou até mesmo de pura tristeza e sofrimento.

Ainda a propósito da dança, desde pequenina que este hobby faz parte da minha vida, mais uma vez com maior ou menor intensidade, dependendo da fase em que me encontrava. Mas desde, pelo menos, os 4 anos, se não estou em erro, que fiz parte, durante muitos anos, do rancho da minha aldeia. O meu avô materno foi um dos fundadores deste rancho e, inclusive, faleceu em 1999 como presidente do mesmo. Para além de o rancho ser uma grande paixão minha, este fator de sangue sempre teve um grande impacto em mim, para nunca me ter conseguido afastar totalmente, ainda que, hoje em dia, não participe nas atividades, mas idealizo sempre que ainda vou voltar a fazê-lo.

Durante os 50 dias em que estive internada no Hospital de Santa Maria, em 2022, realizei muitos exames auxiliares de diagnóstico. Um dos que me deixou bastante preocupada, pois não sabia se iria conseguir controlar a minha ansiedade, foi uma ressonância magnética que realizei, a determinada altura, à coluna e a uma outra parte do corpo que, sinceramente, já não me recordo qual foi.

Sabia que fazer este tipo de exame me fazia sentir de alguma forma claustrofóbica e estava numa fase em que estar num sítio fechado, para além do quarto a que já me tinha minimamente habituado, me fazia sentir, ainda mais, que não tinha controlo sobre nada.

Como, durante muitos anos, pedi ao meu pai para gravar as atuações do rancho que ele assistia, a determinada altura decidi colocá-las no YouTube. Esses vídeos fizeram-me muita companhia na fase do internamento em que já suportava o telemóvel de alguma maneira e vi esses mesmos vídeos, vezes e vezes sem conta, pois as redes sociais eram um lugar do qual eu fugia.

Então, dei por mim, quando me encontrava a fazer a tal RMN, que demorou mais de uma hora, a rever na minha memória uma das atuações do rancho. Repetia as imagens na minha cabeça, de olhos fechados, enquanto ouvia um zumbido horrível e me sentia gelada. Quando terminou o exame, chorei. Pensava que iria ser bastante mais «doloroso» aguentar estar aquele tempo deitada naquelas condições. Senti um alívio imenso e, hoje, reconheço como aquele vídeo me ajudou a encarar um momento tão difícil para mim.

O poder da música na minha vida reflete-se ainda, muitas vezes, quando parece que as letras foram escritas por mim ou a pensar exatamente na minha vida, ou naquilo que estou a sentir. Neste momento, ocorrem-me duas músicas que, para mim, são muito especiais e, ao mesmo tempo, muito diferentes. Ouvi-as com mais regularidade do que agora, em momentos distintos da minha vida, mas lembro-me de que foram músicas que ouvi e cantei, maioritariamente, quando estava a conduzir.

A canção «Como Antes», de Matias Damásio, é uma dessas músicas que me fez correr muitas lágrimas nas várias vezes que fiz a viagem entre o Cadaval e Lisboa, na fase inicial da minha recuperação, quando necessitava de fazer uma injeção diária, que só podia ser administrada em contexto hospitalar.

A letra:

«Olha nós, às vezes, tropeçamos
E há dias, quase caímos
Olha nós, somos humanos
Sorrimos, mas também choramos
Quero que tudo seja como antes
Nossas mãos no mesmo volante
Em direção à lua
Em direção à lua
Quero que tudo seja como antes
Nossas mãos no mesmo volante
Em direção à lua
Em direção à lua
E viva o nosso amor
E viva o nosso amor
E viva o nosso amor
E viva o nosso amor»

Nunca a letra daquela música fez tanto sentido como naquela altura, quando me sentia incapaz de tantas formas e com muitas saudades daquela que era a minha vida, quando era autónoma, funcional e me sentia útil. Como é óbvio, todas essas alterações também tiveram muito impacto na relação amorosa que vivia e esta música era ouvida e cantada também em conjunto, com melancolia, mas também com muita esperança.

A música «Renasci das Cinzas» é outra das canções que me toca profundamente no coração, principalmente por este excerto:

«Eu renasci das cinzas pronto pra vencer
Nenhum lugar é alto pra quem quer voar
Não há montanha que Deus não possa mover
E as portas que ele abriu, ninguém mais vai fechar»

Assim também eu me sentia, a partir de 2023, como uma fénix que tinha renascido das cinzas.

— Sofia Reis Cardoso

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Na grande maioria das vezes, não és positiva, incomodas, revolves todo o sistema nervoso, chegando a dar náuseas e a vol...
27/05/2026

Na grande maioria das vezes, não és positiva, incomodas, revolves todo o sistema nervoso, chegando a dar náuseas e a volta ao estômago. Noutras raras vezes, não és bonita, mas também não és má. Ajudas a aumentar e a suportar o entusiasmo. Eu mesma já te confundi muitas vezes com entusiasmo, quando esperamos muito por algo — ou alguém — que nos faz bem, que queremos muito, com que tanto sonhámos.

Já fiquei viciada em ti e correu tão mal… É que, quando estás em excesso e não és controlada, dão-se os burnouts e as adições ao cortisol — que foi o meu caso — e não és nada, nada, nada fácil de lidar. Ou, quando és crónica e a todo o momento estás a bombar numa mente que já é recheada de dúvidas, tu amplias essas mesmas dúvidas.

Querida ansiedade, se tivesses outro trabalho, o que gostarias de fazer? Gostarias de ser mais bondosa com os seres vivos? «Sim, os nossos amigos de quatro patinhas também te têm.» Gostarias de não ser regulada, até mesmo com químicos? Já alguém te ouviu como ouvem as pessoas? Por que é que apareces? Por que é que permaneces? Por que é que nos fazes tão mal? É que, para mim, tu trazes dores de cabeça, inquietação, desconcentração, tristeza, confusão, medo, angústia. Parece que vejo pior. Não cheiro nada a não ser o teu perfume intenso de «quem manda agora sou eu» e perco-me dentro de mim mesma — não sei o que digo, muito menos o que faço.

A nossa relação nunca foi a melhor, tanto que cheguei àquele extremo há dois anos. Giravas na minha mente como aquele bonequinho laranja que te representa tão bem. Giravas tanto, tanto, tanto, que me mandaste abaixo e tive mesmo de parar para me restabelecer. E não foi bom, não foi nada bom! Não soube controlar-te, dominar-te ou, pelo menos, ser mais forte do que tu. Deste cabo da minha memória. Todas as outras emoções se desequilibraram e ficaram à flor da pele. Reagia a todos os estímulos e nem sempre da melhor maneira. E não, a culpa não foi só tua. Deixei-me levar por tantos fatores externos que não soube gerir os internos, logo, pus o quartel-general nas tuas mãos e geriste conforme o que eu te dava para fazeres. Felizmente, já estava a ser acompanhada e continuo a ser. Aprendi truques e técnicas para te controlar, para te amansar e eu ser mais importante do que tu, permitir-te apareceres, perceber de onde vens e mandar-te embora. Já não te dou o controlo e, quando acho que vais tomá-lo, respiro fundo, volto ao início, até que te vais embora.

Dentro de todas estas coisas más que provocas — e que até nos fazes confundir com o entusiasmo —, quero acreditar que há algo de bom em ti. Isto é que, quando apareces, sejas um sinal de aviso de perigo ou desconforto, um sinal de alerta. Nem que seja para dizeres «olha, estás com demónios a mais nesta mente. Vamos quebrá-los?» Sou sempre otimista e quero mesmo acreditar que há algo de bom em ti. Talvez um dia acredite.

Sabes, tu não és fácil com ninguém, não és apreciada por ninguém que eu conheça e, mesmo não trazendo desgraças, não trazes propriamente coisas boas.

Espero que nunca faças morada permanente comigo. Não quero tratar-te com químicos. Quero-te ou fora de mim, ou equilibrada com tudo o resto que aqui está dentro. E, quando digo «equilibrada», é mesmo «diminuída»! Não podes voltar a reinar em mim. Não deixarei.

Coragem para ti, para lidares com quem, como eu, faz de tudo para te vencer.

— Inês Biu Faro

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Ser mãe é viver num "e" constante: amor e cansaço, doação e perda de identidade. Qual é a parte da tua maternidade que n...
26/05/2026

Ser mãe é viver num "e" constante: amor e cansaço, doação e perda de identidade. Qual é a parte da tua maternidade que ninguém costuma validar? Conta-nos. 👇

💬 Tens uma história real sobre os desafios e belezas da maternidade? Queremos ouvir-te. Torna-te autora e dá voz à tua experiência materna, de forma livre e sem julgamentos.

Há lugares que, ao longo da sua existência, serão sempre testemunhos. Lugares que obrigam a que quem entra, pelas suas p...
25/05/2026

Há lugares que, ao longo da sua existência, serão sempre testemunhos. Lugares que obrigam a que quem entra, pelas suas portas, sinta a presença de outras vidas, compreenda a evolução ao longo dos tempos, recorde episódios noticiados e vividos por aqueles que aí sentiram o aconchego de um lar e aí sofreram ou foram felizes. Podemos sentir que, no seu seio, estão guardados muitos dos sentires de quem aí habitou, as suas virtudes ou imperfeições como o amor e o desamor; a solidariedade e o egoísmo; a prudência e a leviandade; a avareza e a generosidade…

Assim eu sinto sempre que entro em casa da avó, a casa a que foi dado o nome de «Vila Homera».

Hoje, olho a casa e vejo nela a imponência do passado, mas também o desgaste e a fragilidade que o passar dos anos foi provocando.

Há um elo de ligação que se vai mantendo inquebrável. Há o sentir o respeito pelos que nos antecederam. Há lições de vida que não se esquecem. Podemos sentir muito do que ela guarda, contudo não se sente já a alegria de felizes e festivos encontros familiares que outrora iam acontecendo!

Há, no entanto, algo que se pode manter inalterável. Há a nossa capacidade de reter intactos aqueles momentos felizes vividos e tão saboreados em cada um daqueles espaços que ainda estão na nossa memória…

Sim, é a casa da avó! A avó de quem recebi mimos. A avó que me sentava ao piano onde eu descobri que podia ouvir os mais variados sons quando carregava naquelas teclas. A avó que, em dias de inverno, me aconchegava naquela salinha onde estava sempre a braseira ostentando as brasas que nos aqueciam. A avó que me adoçava com aquele pão quentinho salpicado de açúcar. A avó que nos deixou quando eu ainda senti tanta falta destes carinhos. A avó que, ainda hoje, recordo com tanta saudade e amor!

Sim, perdi a avó muito cedo, mas continuei a poder usufruir da casa, embora apenas em períodos de férias, já que nunca foi minha habitação permanente. Cresci podendo ver crescer também o usufruir de uma casa de que guardo tão vivas e gratificantes memórias.

Agora, as suas portas não se abrem de uma forma tão acolhedora como outrora acontecia, todavia eu não preciso de portas abertas para a visitar…

Assim, acontece que muitas vezes me deixo conduzir pela minha mente, subo aquelas escadas que me levam ao «chalé» e embalo-me naquele baloiço que fez as delícias de tantos de nós!

Vou também à cozinha, sento-me naquele escano onde ainda sinto o calor daquela lareira e, mais uma vez, como que posso usufruir daquele aconchego, o refúgio dos dias em que o frio mais apertava. Na verdade, vou lá sempre que me apetece, como acontece neste momento.

Também entro sempre na sala de jantar e sento-me à mesa! Uma mesa como nunca vi outra igual, uma mesa redonda ocupando um grande espaço, que a todos nos acolheu. À volta dela nos sentámos inúmeras vezes! Ali, saboreámos deliciosas refeições em dias comuns e em dias festivos, em dias que ficaram marcados para sempre! Ali, aconteceram felizes reencontros, conversas animadas, se ouviram histórias que encantaram…

Sinto uma emoção única sempre que vou à salinha da braseira, como que continuo a sentir o mesmo aconchego, a mesma serenidade, o mesmo deleite de, aí, encontrar respostas aos meus anseios e atividades que sempre tanto me cativaram:

O espaço de repouso onde em dias de verão encontro a frescura e as almofadas que convidam a um tranquilo momento relaxante.

O espaço biblioteca porque é rico o seu recheio em livros e porque também foi aqui que o meu gosto pela leitura se desenvolveu.

O espaço costura e bordado porque também aquela máquina de costura despertou a minha curiosidade e nela fiz trabalhos (nomeadamente bordados) que ainda hoje guardo e deles me orgulho.

O espaço quente de conforto para os dias frios de inverno.

E, agora, como que a cereja no topo do bolo, eis-me no salão do piano, da grafonola, das cadeiras vindas de África que ofereciam momentos deliciosos de relaxe e de boas sonecas, o canapé, as várias mesinhas ostentando fotografias, e tantas preciosas recordações africanas. Aqui, mantém-se viva essa realidade de um avô que nunca regressou de África, de alguns dos seus filhos que lá viveram grande parte das suas vidas e que trouxeram os seus testemunhos, as suas histórias de uma realidade que, sendo conhecida por muitos de nós, poderá ajudar-nos a compreender muito do que foi a África para os nossos antepassados.

Tanto que este salão nos podia contar!

Para mim, este salão começou por ser lugar de brincadeiras, também aqui me fartei de dar corda àquela grafonola, algo que me encantava quer pelas músicas guardadas naqueles discos enormes que giravam a 78 rotações por minuto, quer pelo manuseamento daquele aparelho para mim algo estranho, a grafonola.

E foi ao som dessa grafonola que, na minha transição para a adolescência, aqui vivi os meus primeiros bailes!

Bailes das férias de verão. Bailes que deixaram a doce recordação de um saudável convívio, boas amizades que ainda hoje perduram.

Aqui, aprendi a dançar valsas e tangos; marchas e pasodobles.

Recordo ainda o fascínio das descobertas…

Sempre que entrava num quarto tudo que aquelas gavetas guardavam era motivo da minha curiosidade infantil e tudo me encantava, me surpreendia, me transportava a realidades que eu não conhecia.

E os forros? Quem se aventurava a caminhar no que nos parecia ser o assustador desconhecido? Era ali que, entre nós, mostrávamos quem tinha mais coragem! Era nos forros que nos sentíamos verdadeiros espiões, pois, a cada passo, encontrávamos fendas e, deliciados, espreitávamos…

Sim, nesta casa pude usufruir de vivências inesquecíveis, felizes, de liberdade, enriquecedoras…

Aqui, trouxe os meus filhos. Aqui, eles puderam sentir muito do que, em tempos idos, tanto me encantou. Aqui, os meus filhos se puderam encontrar com um passado que, embora distante, se tornou mais próximo, mais elucidativo, mais amado!

E, num dia de férias com os netos, aconteceu também o passeio à aldeia em que a avó nasceu e, como era imprescindível, aconteceu a visita à casa da sua trisavó. Não foi preciso subirem aquelas escadas para mostrarem o seu fascínio. Mal entraram aquela porta pararam e o seu encantamento assim se manifestou:

«Avó! Parece uma casa das que só vemos nos filmes…»

Hoje, não posso dizer que esta casa é minha. Contudo ela pertence-me. Guardo-a num lugar de onde ninguém ma pode roubar: o meu coração!✍️ VEM ESCREVER CONNOSCO! Inscreve-te aqui: emootiva.pt/inscreve-te

— Maria Reis

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