09/09/2026
Joaquim Vital da Cunha Sargedas nasceu em Lisboa, em 28 de abril de 1812, e faleceu na mesma cidade, em 10 de outubro de 1878. Começou sua vida religiosa como membro da Congregação do Oratório, uma ordem de padres seculares. Após a extinção dessa congregação, em 1834, seguiu outros caminhos: serviu como oficial do exército, foi professor primário, ocupou cargos públicos, trabalhou como jornalista, tornou-se um ator de renome e, finalmente, foi ordenado sacerdote em 1856.
Ganhou fama como orador sacro (pregador) e como grande benemérito, ou seja, alguém que presta relevantes serviços à sociedade. Destacou-se especialmente no apoio espiritual que ofereceu às vítimas da epidemia de febre amarela que atingiu Lisboa em 1857, arriscando a própria vida para confortar doentes e moribundos. Por esse ato heroico, recebeu a comenda da "Torre e Espada". Além disso, exerceu a função de cantor na Sé (catedral) de Lisboa.
Na Maçonaria, foi iniciado em 1845 na Loja "27 de Julho", em Lisboa, filiada ao Grande Oriente Lusitano, adotando o nome simbólico de "Egas Moniz", que depois mudou para "Massillon". Participou também da Loja "União Independente", da qual foi um dos fundadores em 1860. Chegou ao grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito e foi membro efetivo do Supremo Conselho.
Curiosamente, Sargedas não é um caso isolado. Ao longo do século XIX, uma infinidade de clérigos importantes, padres, bispos, abades e até cardeais, envolveu-se ativamente com a Maçonaria, muitos deles fundando lojas e ocupando altos cargos na hierarquia maçônica. Tudo isso num período em que a Igreja Católica oficialmente perseguia os maçons, excomungava-os e os tratava como inimigos da fé. É, no mínimo, irônico que tantos homens de Deus tenham encontrado nas Lojas Maçônicas um espaço de convívio, reflexão e interação, enquanto a instituição que representavam os condenava. Talvez isso diga menos sobre esses clérigos e mais sobre o quanto a hierarquia eclesiástica, ainda hoje, insiste em manter uma postura anacrônica diante da História, negando, perseguindo ou silenciando aquilo que, na prática, sempre fez parte de seu próprio seio.
📐 CURIOSIDADES DA MAÇONARIA
Por Luciano J. A. Urpia