18/01/2026
O Governo espanhol iniciou o processo para declarar o Templo Maçônico de Santa Cruz de Tenerife como um lugar de memória democrática, um ato que visa reparar a distorção histórica e a repressão sofrida durante o Franquismo. O Diário Oficial do Estado (BOE) registrou o decreto que reconhece o edifício, inaugurado em 1920 para a Loja Añaza e outrora o maior centro maçônico de Espanha. Nas primeiras horas do golpe de 1936, paramilitares franquistas invadiram o Templo, apreenderam arquivos e, posteriormente, usaram-no para uma campanha de propaganda, chegando a afixar um aviso que convidava a população a visitá-lo para "alertar sobre os supostos objetivos obscuros da Maçonaria". O texto oficial lamenta que estas ações tenham difundido na cidade crenças falsas e infundadas, como a de que no local se realizavam "sacrifícios de crianças e rituais de bruxaria".
Este reconhecimento sublinha que a repressão franquista se estendeu muito além da perseguição política tradicional, atingindo tudo o que fosse considerado fora dos padrões católicos e do regime. "As pessoas tendem a limitar a repressão de Franco à esquerda ou ao nacionalismo, mas ela afetou tudo o que não era exclusivamente católico", afirma o historiador Gutmaro Gómez Bravo, da Universidade Complutense de Madrid. Para o especialista, a Lei contra a Maçonaria e o Comunismo foi a "espinha dorsal" de uma repressão que teve uma "peculiaridade clara" em Espanha. Após a invasão, o templo foi transformado em quartel-general da Falange até 1939, servindo depois como armazém e farmácia militar, antes de décadas de abandono.
O protocolo para classificar o edifício foi assinado pelo ministro da Política Territorial e da Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, em colaboração com a câmara municipal de Santa Cruz de Tenerife. O emblemático edifício de estilo neoegípcio, com suas colunas em forma de palmeira e esfinges na entrada, deverá receber em breve uma placa que oficializa o seu novo estatuto de lugar de memória histórica.
Fonte: elpais.com (9 de janeiro de 2026)
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Por Luciano J. A. Urpia