Jornal O Ponney

Jornal O Ponney Desde 1929 a ser sempre um jornal inconformista.

COIMBRA ÀS POSTAS, MAS COM A BUROCRACIA NO PONTOEscrever sobre Coimbra em pleno mês de Junho, com um sol a entrar pelas ...
12/06/2026

COIMBRA ÀS POSTAS, MAS COM A BUROCRACIA NO PONTO

Escrever sobre Coimbra em pleno mês de Junho, com um sol a entrar pelas janelas da nossa redação, é o equivalente a tentar fazer um exame de Época Especial depois de três noites seguidas na borga. O que exige óculos de sol, paciência e uma capacidade sobre-humana para rir do próprio absurdo, mas é a nossa função.

Na edição desta semana, O Ponney decidiu fazer o papel de espelho de uma cidade onde o bom senso parece ter ido de férias para fora do nosso Concelho, deixando os comandos entregues à mítica máquina burocrática de assinar despachos em duplicado. À medida que o calor aperta, por aqui, e as esplanadas se enchem, as contradições locais começam a vir à superfície com a mesma força com que as latas de cerveja do desfile invadem o Mondego.

Para percebermos o cerne de toda esta paralisia que afeta a nossa comunidade, o leitor de O Ponney, precisa, antes de mais, de se munir de um bom par de óculos que desmontem o ilusionismo que se passa nos bastidores partidários, de uma forma geral. Apesar de os partidos da oposição ao PS usarem esta arma de arremesso a verdade é que a arma é mesmo um bumerangue. Pois não é sequer exclusivo do PS, do PSD, do quase morto CDS/PP, do Chega, do Bloco de Esquerda ou da CDU. A verdade é que as asneiras que nascem pequenas nos aparelhos partidários, como uma bola de neve, rolam e aumentam na descida para a gestão da nossa região e do país.
«PARA PERCEBER COMO FUNCIONAM OS PARTIDOS» - o artigo para ler mais.

Com o artigo «FOGO NA MATA DE COIMBRA E PAPEL NA GAVETA» abordamos o assunto mais quente da atualidade — e não estamos a falar do termómetro. Fomos tentar perceber por onde andam os Sapadores Florestais do Município neste arranque de 2026. O resultado da nossa investigação é digno de um apontamento cómico dos Monty Python. Descobrimos que, para o executivo, estes homens que defendem as matas eram apenas "cantoneiros" arrumados na secção do Ambiente. Enquanto o sindicato SinFAP se cansa de esperar por fardamentos e avança para tribunal para exigir o cumprimento da lei. Mas fiquem descansados, porque a Câmara Municipal de Coimbra acabou de aprovar a aquisição por ajuste direto de sete novas viaturas por quase um milhão de euros. Temos camiões novos a brilhar na garagem, só não temos é gente com o estatuto profissional correto para os conduzir. Uma lógica infalível.

Assim como também não tem lógica o centralismo de secretaria, que não é um mal puramente conimbricense, alargámos o horizonte até às comemorações nacionais do 10 de Junho deste ano. Com o artigo « O PERIGO DE DAR O MICROFONE AO INTERIOR » recordámos o aviso deixado em 2024 pelo ex-bombeiro Rui Rosinha, que teve a audácia de usar o microfone oficial em Pedrógão para denunciar o abandono estrutural do interior, a falta de médicos e as estradas perigosas. A lição foi de tal forma dolorosa para o poder político que, desde então, as festas do Dia de Portugal andam a fugir do centro do país para sítios mais calmos. Este ano, o Presidente António José Seguro estreou-se nos discursos na Ilha Terceira, nos Açores, a filosofar sobre a "justiça territorial" e o fim da distinção entre portugueses. Belas palavras que, infelizmente, não dão rede de telemóvel às "zonas sombra" das nossas serras. Falta a vontade política ou os milhões?

Como está muito calor, como não podia deixar de ser, a nossa redação foi até à beira-rio, no nosso artigo sobre a «BANDEIRA AZUL EM COIMBRA, ONDE O MONDEGO DIVIDE E A BUROCRACIA COMANDA». O município hasteou com orgulho o galardão em Palheiros e Zorro e no Rebolim. Mas enquanto a primeira praia tem direito a tratamento VIP, com nadadores-salvadores e areia fresca repostas após as tempestades, a praia urbana do Rebolim continua a rebolar na sua própria natureza selvagem. Parece que não há mais tostões na CMC.

Por falar em tostões, fomos também espreitar a tômbola dos contratos interadministrativos que o executivo analisou na reunião desta semana, mas descobrimos que «O MILHÃO DA CMC PERDEU-SE NA PONTE» onde há mais de um milhão de euros para distribuir por obras nas freguesias.

Há ossários novos em Ceira e Antanhol, armazéns de 500 metros quadrados na Pedrulha e até um jackpot de 316 mil euros para a Junta de Santo António dos Olivais criar parques infantis e de lazer. Nós batemos palmas à iniciativa, mas não contivemos a rampa do jornalístico ao perceber que a União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas foi completamente varrida do mapa dos subsídios. Pelos vistos, o milhão perdeu-se algures na ponte e ninguém se deu ao trabalho de levar um tostão que fosse para a margem esquerda. Em Coimbra, todas as freguesias são iguais, mas os Olivais continuam a ser visivelmente mais iguais do que os outros.

Entre truques dentro de partidos, para decisores políticos, sobra a má continuada má gestão das florestas sem sapadores, pontes sem milhões, discursos sem território e praias sem nadadores, Coimbra finge que planeia enquanto o cidadão se desenrasca. Se a cidade arder, não se esqueçam de enviar o requerimento em duplicado à caneta azul. Nós, por cá, mantemos a caneta afiada.

Os artigos de opinião abrem com o meu grande amigo, e excelente advogado, João Maria Antunes, com o título: «LOSANGO AO PEITO - É CERTIDÃO DE NOBREZA FUTEBOLÍSTICA». A Briosa está melhor?

A nossa querida amiga Manuela Jones já recuperou da intervenção médica e, ainda em recuperação escreveu-nos um artigo, a testemunhar como «O CANTO DA ESPERANÇA: O DIA EM QUE A MEDICINA DESARMOU O DESTINO». Um artigo repleto de esperança.

O amigo Adriano Ferreira (dr. para que não haja confusão com outro qualquer Adriano) traz-nos «CLOSE ENCOUNTERS VS DISCLOSURE DAY - TERCEIRO ATO: "O ESTILHAÇAR DO SOM"».

Contamos com a sua colaboração para nos publicitar nas redes sociais.

Bom fim de semana.

José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney



LOSANGO AO PEITO - É CERTIDÃO DE NOBREZA FUTEBOLÍSTICAMeus caros confrades, o amigo Diretor deste nosso O Ponney, José A...
12/06/2026

LOSANGO AO PEITO - É CERTIDÃO DE NOBREZA FUTEBOLÍSTICA

Meus caros confrades, o amigo Diretor deste nosso O Ponney, José Augusto Gomes, voltou a lembrar-me do artigo e é com todo o gosto que vos escrevo mais uma crónica da nossa querida Briosa.

Desde a última vez que escrevi o artigo «AS RATAZANAS QUE ROERAM A BRIOSA!» muitas foram as pessoas que enfiaram o barrete. A realidade é que o tamanho era para cabeças maiores, mas as cabeças mais pequenas acusaram o toque. O que me fez rir a bom rir - confesso-me irónico!

Porém a maior gargalhada de satisfação e de verdadeira alegria é a quem vem depois de quatro anos de um purgatório futebolístico na Liga 3 onde fomos obrigados a jogar em campos cujo relvado parecia mais o tapete da minha querida t**i Gertrudes (se leres este artigo envio-te um beijinho), pois a nossa Briosa está de regresso ao futebol profissional.

Volto ao assunto porque não foi uma subida qualquer, não senhor. Foi um acórdão transitado em julgado, com três golos sem direito a recurso contra o Trofense, perante 26 mil almas no Estádio Cidade de Coimbra. Até a Estátua do D. Dinis verteu uma lágrima de contentamento.

- Será? - Alguém foi testemunha ocular?

De qualquer maneira como velho causídico que já viu mais reestruturações de SAD do que golos do FCP, confesso que o meu velho coração quase pedia a reforma antecipada. Foram anos difíceis. Ver a Briosa a jogar contra equipas que têm mais letras no nome do que orçamento anual foi um teste à minha resiliência jurídica e hepática.

Acreditem que o meu consumo de Licor Beirão disparou 400%, tudo justificado como "ajuda humanitária" para aguentar as dores de alma. Mas, finalmente, o Meritíssimo Juiz do Destino deu-nos razão!

O mister António Barbosa — que agora tem imunidade diplomática em toda a região de Coimbra — renovou o contrato. O nosso capitão Marcos Paulo e o guardião Nuno Macedo também assinaram a renovação.

Meus caros, querem melhor prova de que é a Justiça Superior a ser feita?

Dizem os analistas que vamos fazer mais de 6.500 quilómetros na Segunda Liga. Que a logística vai ser um pesadelo...e mais um par de botas!

Meus senhores, por Amor de Deus! Nós somos eternos estudantes!

Se aguentamos noites inteiras na Queima das Fitas a beber misturas que violam a Convenção de Genebra, também aguentamos uma viagem de autocarro até ao Algarve para ir ganhar ao Farense!

Aos nossos futuros adversários da Liga 2, deixo este aviso: preparem os vossos argumentos de defesa. A Briosa vai entrar em campo de toga, batina e de caneleiras reluzentes. Lembrem-se que o losango ao peito não é um símbolo, é uma certidão de nobreza futebolística.

Tirem as capas do naftalina, afinem as gargantas para o "Frazão" e comprem o calmante na farmácia, porque a Segunda Liga acabou de ficar muito mais culta. E ai de quem disser o contrário, que lhe ponho um processo por difamação!

É nestas alturas que devemos gritar ainda mais alto: BRIOOOOSSSSSAAAA!

João Maria Antunes

O CANTO DA ESPERANÇA: O DIA EM QUE A MEDICINA DESARMOU O DESTINOEscrevo estas linhas a partir da minha cama de hospital....
12/06/2026

O CANTO DA ESPERANÇA: O DIA EM QUE A MEDICINA DESARMOU O DESTINO

Escrevo estas linhas a partir da minha cama de hospital. Daqui, onde o mundo se recolhe e o tempo ganha outra densidade, olho em redor.

Estou, mais uma vez, nos Hospitais da Universidade de Coimbra. No meio da fragilidade que nos traz a este lugar, sou acolhida pelo mesmo abraço de sempre: sou tratada com um carinho imenso e com a dignidade profunda que todo o ser humano merece receber nos momentos de maior vulnerabilidade.

Ao meu lado, o quarto é partilhado com duas outras senhoras.

Duas companheiras de silêncios e de suspiros. Uma tem a minha idade; a outra é mais jovem, com tanta vida ainda por desenhar. Infelizmente, uma delas carrega o peso avassalador do cancro. Olhar para ela faz-me regressar no tempo, a este mesmo hospital, há precisamente cinco anos.

Naquela altura, partilhei os dias com a Andreia. Tinha apenas 32 anos e duas crianças pequeninas a esperá-la em casa. Quando tive alta, o meu coração ficou apertado; eu saí e ela ficou ali, naquela batalha. Antes de ir embora, deixei um livro como um abraço em forma de páginas e uma mensagem de profunda esperança. Voltámos a falar algum tempo depois, mas já era tarde. A doença tinha vencido e já não havia esperança. A memória do seu rosto e da sua partida precoce acompanha-me sempre. O cancro, sabemos todos, mata. E, antes de apagar a luz da vida, impõe um sofrimento terrível, roubando as forças e desgastando a alma de quem ama. Hoje, ao olhar para esta senhora aqui ao meu lado, o meu coração aperta-se num desejo profundo: espero, do fundo da minha alma, que para ela o desfecho seja diferente e que haja muito mais esperança.

No entanto, mesmo no epicentro dessa dor e sabendo da nossa finitude, a humanidade recusa-se a desistir. É profundamente tocante perceber que, enquanto nós aqui travamos batalhas individuais, há um exército silencioso de cientistas que não cruza os braços. Recentemente, uma lufada de esperança invadiu a comunidade médica: a chegada de uma nova injeção inovadora para o cancro da cabeça e do pescoço, um tratamento promissor que começou agora a ser testado em hospitais portugueses com resultados impressionantes na redução e eliminação de tumores.

Ao mesmo tempo, assistimos a um avanço histórico no combate ao cancro do pâncreas, consensualmente um dos tumores mais agressivos e letais que conhecemos. A descoberta de novas terapias que conseguem bloquear mutações genéticas específicas e duplicar o tempo de sobrevivência traz uma luz inteiramente nova à oncologia. Saber que a ciência avança traz um alento indescritível. É a certeza de que há uma pequena luz na medicina que se recusa a apagar.

Ao longo da história, a nossa espécie foi severamente castigada por doenças devastadoras, pestes e epidemias que dizimaram milhões de vidas humanas. Aprendemos a temer o invisível. Mas se fomos capazes de vencer flagelos antigos com o conhecimento, hoje sentimos que já é tempo de salvar vidas em definitivo. O cancro provoca uma dor atroz, mas há outros cancros sociais criados pelas nossas próprias mãos.

Já é tempo de acabar, também, com as guerras e com a fome. Todo este conjunto mata de forma cruel. Mata a bomba, mata a escassez, mata a negligência. É doloroso pensar que, enquanto a ciência se desdobra para prolongar a vida humana, o egoísmo e o conflito se apressam a destruí-la. Precisamos da cura para os corpos, mas também de uma cura urgente para a alma do mundo.

Viver com uma doença grave é um exercício diário de dualidade: é ter a consciência plena de que vamos morrer, mas, mesmo assim, escolher a esperança. É olhar para a dor que nos rodeia e, ainda assim, sorrir perante a promessa de um amanhã melhor.

Que a luz descoberta hoje nos laboratórios se estenda aos corações dos homens. Da minha cama de hospital, entre a gratidão pelo cuidado que recebo e a compaixão pelas minhas vizinhas de enfermaria, continuo a acreditar. Já é tempo de celebrar a vida.

MANUELA JONES

CLOSE ENCOUNTERS VS DISCLOSURE DAY - TERCEIRO ATO: "O ESTILHAÇAR DO SOM"Já alguma vez ouviram falar sobre o 'Método Kodá...
12/06/2026

CLOSE ENCOUNTERS VS DISCLOSURE DAY - TERCEIRO ATO: "O ESTILHAÇAR DO SOM"

Já alguma vez ouviram falar sobre o 'Método Kodály'?

Terá sido uma abordagem filosófico-pedagógica criada e desenvolvida pelo educador e compositor húngaro Zoltán Kodály. Com este método, iniciava-se melodias simples, de apenas duas a três notas, muito fáceis de captar e permanecerem no ouvido (à escala pentatónica), depois seguir-se-ia a introdução progressiva de novos elementos, utilizando-se sílabas rítmicas que associariam fonemas específicos ao valor das notas em questão.

Mas, nada disto surtiria efeito sem a utilização da 'quiromia', ou seja, comunicar através de 'gestos com as mãos' em representação de cada 'nota musical' entoada. Estávamos assim, no limiar da materialização física do "Som", que poderia ser processado até à ínfima parte; e com a ajuda de material sonoro profissional complementar e conjugado com um bom e específico software para o efeito pretendido, providenciado e aplicado no local de "Contacto" pela NASA (National Aeronautics and Space Administration), seria "ouro refinado sobre um azul multicolor"!!

Mas, seria mesmo... se a Realidade se manifestasse nesta história de ficção?!

Voltando aos "Encontros Imediatos do Terceiro Grau" e evocando os 'sinais indianos', que se referem a uma tão conhecida sequência gravada na região de Dharamshala (norte da Índia). Nela, o cientista-sociólogo francês Claude Lacombe junto dos moradores locais, constatara que eles entoavam um padrão musical de cinco notas, e note-se bem, captado dos céus!!

Estaria encontrada a chave de comunicação eficaz a ser utilizada num possível contacto extraterrestre junto à tão apregoada "Torre do Diabo" (esculpida pela natureza na rocha, estado norte-americano de Wyoming); reparem bem, lá: uma multidão gigantesca daqueles indianos entoam em uníssono um 'cântico' (um possível 'mantra'), e quando são questionados sobre a proveniência daqueles 'sons', milhares de mãos apontam em simultâneo para o céu... Estaria encontrada toda a validade de pesquisa antropológica sócio-cultural das etnias, raças, povos e línguas?!

Até que ponto, as palavras fariam sentido em determinados contextos e até que ponto não seremos nós também extraterrestres encaixados neste Planeta Terra tão singular e ao mesmo tempo tão complexo, onde a ambiguidade da espiritualidade coabita connosco?!!

Só mesmo para terminar este terceiro ato de um total de 'seis', vejam o Roy juntamente com aqueles transportados (ou deportados?! A história repete-se?!!), onde também se encontra a companheira de 'avistamentos' Jillian, todos com máscaras anti-tóxicos... mas a teimosia de Roy leva-o a retirá-la, expondo uma 'cilada' ou uma 'emboscada' ou será uma mesmo uma 'encruzilhada' (em jeito de colete de forças) que os levará em desobediência até à tão suspeita torre ou monte rochoso 'diabolizado' pela atribuição de um nome que expõe tudo o que há de negativo no procedimento coletivo da 'vida humana' neste planeta... afinal de contas, o ar é respirável!! E todo aquele 'gado' espalhado pelo caminho, afinal teria morrido de outras causas... "Projet Blue Book"?!!

Entretanto, estava estabelecido o 'cartão de visitas' para facilitar a comunicação dita 'universal' com uma presumível 'nave-mãe'; porque os 'cientistas' intervenientes nesta grande operação 'ocultada' dos demais, traduziram esses sons/tons musicais para o formato de sinais gestuais (método Kodály), para o efeito desejado, pretendido ou conclusivo.

Até ao próximo Quarto Ato de transição "Close Encounters of The Third Kind" para o "Disclosure Day", a este último já há quem lhe chame "Encontros Imediatos do Terceiro Grau 2"

Dr. Adriano J. M. Ferreira - Sócio da Associação de Astronomia "Alpha Centauri"

1969 - O SUSTO DO REGIME AO VER ESTUDANTES A FALARTudo corria lindamente na inauguração do novo Departamento de Matemáti...
09/06/2026

1969 - O SUSTO DO REGIME AO VER ESTUDANTES A FALAR

Tudo corria lindamente na inauguração do novo Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra. Estava lá o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, o Ministro da Educação e o das Obras Públicas, todos prontos para cortar fitas a fingir que o país não estava nas lonas.

À porta, os estudantes protestavam de capa aos ombros e cartazes na mão, exigindo democracia e liberdade de expressão. Contudo, a elite fechou-se na Sala 17 de Abril para uma cerimónia sem um único representante dos alunos. Foi aí que o impensável aconteceu.

Terminado o rotineiro e sonolento discurso de Américo Tomás, o atrevido presidente da Associação Académica de Coimbra, Alberto Martins, que estava no meio dos estudantes saltou para cima de uma cadeira. Envergando capa e batina, soltou a frase mais perigosa de toda e qualquer ditadura, que é: "Em representação dos estudantes da Universidade, peço licença para falar".

Ver mais aqui: https://www.oponney.pt/coimbra/1969-o-susto-do-regime-ao-ver-estudantes-a-falar/

O BANQUETE ONDE SE PAGOU A CONTA DA PRÓPRIA FOMERecuamos até ao ano da fundação de O Ponney: 1929. Que também é o ano em...
08/06/2026

O BANQUETE ONDE SE PAGOU A CONTA DA PRÓPRIA FOME

Recuamos até ao ano da fundação de O Ponney: 1929.
Que também é o ano em que as Câmaras Municipais do país decidiram organizar a maior e mais masoquista homenagem da história pátria, formalizado com um banquete gigantesco em Lisboa, na Sala do Conselho de Estado, inteiramente dedicado ao Ministro das Finanças, António de Oliveira Salazar

https://www.oponney.pt/coimbra/1929-o-banquete-onde-se-pagou-a-conta-da-propria-fome/



97 ANOS A DAR COICES NAS ASNEIRAS CONTRA COIMBRAEsta semana, mais exatamente no dia 2 de Junho de 2026, O Ponney complet...
05/06/2026

97 ANOS A DAR COICES NAS ASNEIRAS CONTRA COIMBRA

Esta semana, mais exatamente no dia 2 de Junho de 2026, O Ponney completou 97 anos de existência. Noventa e sete anos a chutar na canela das asneiras cometidas contra Coimbra e a sobreviver por conta do milagre da santa vontade de trabalhar para a camisola. É uma marca histórica.

E para celebrar, em vez de ficarmos a soprar velas estáticas, decidimos partilhar o "bolo" com os nossos leitores através de uma viagem vertiginosa pelo tempo.

Manter o espírito inconformista e a espinha ereta durante quase um século não é para todos, muito menos para os jornais da atualidade. Mas fazemos questão de manter a bitola alta pois aqui, os nossos leitores não são bombardeados com anúncios em janelas “pop-up” insuportáveis, nem irão ser aborrecidos com a obrigatoriedade de fazer assinaturas para aceder à verdade.

Nada pedimos em troca a quem nos lê, a não ser que faça um favor a si próprio: pense pela sua própria cabeça, munido da informação independente que só O Ponney se atreve a dar.

Fundado pelo audacioso e irreverente Castelão de Almeida, o nosso jornal nasceu com um defeito de fabrico absolutamente maravilhoso para a época, a total ausência de vénia. Simplesmente não conseguimos vergar a coluna perante os poderes instituídos.

Por isso, nesta nossa semana de aniversário, entendemos levar os nossos leitores numa viagem pelo tempo através de cinco épocas marcantes.

Iniciamos com o ano de «1929 - O BANQUETE ONDE SE PAGOU A CONTA DA PRÓPRIA FOME» - pois recuamos ao ano de fundação de O Ponney e à infame homenagem organizada por aquele que foi estudante na Universidade de Coimbra. Sim, porque Coimbra também dá conhecimento a gente com a mente deformada e espírito de maldade.

«1969 - O SUSTO DO REGIME AO VER ESTUDANTES A FALAR» onde a nossa máquina do tempo avança para mostrar como a união dos estudantes de Coimbra conseguiu rachar o sistema totalitário do Estado Novo. F**a a lição de que, quando nos unimos, o Futuro começa a ser mais humanista.

«1974 — O ANO EM QUE AS CADEIRAS DEIXARAM DE REPROVAR E PASSARAM A MANDAR» passamos pelo ano da revolução dos cravos, onde a partilha das decisões obrigava a um maior envolvimento por parte das pessoas. Porém, neste ano de 2026, voltou a ser retirada a palavra aos estudantes. Leia para perceber como e quando isto aconteceu.

«2004 — O ESTÁDIO MILIONÁRIO DOS DOIS JOGOS E DAS PISCINAS DO MONDEGO», neste artigo saltamos para o século XXI, onde O Ponney dá mais um coice valente a tantas asneiras perpetuadas contra o tesouro municipal de Coimbra.

«2026 — O ILUSIONISMO CULTURAL E O METRO DOS TRINTA ANOS DE ESPERA», assim finalizamos a nossa viagem histórica regressando ao presente onde a tentativa de suspender a Liberdade espreita e consegue ganhar terreno.

Necessitamos de perceber que os erros do passado continuam a repetir-se em “loop”, mas que O Ponney se mantém atento e vigilante.

A par desta viagem cronológica, a nossa edição comemorativa traz muito mais conteúdo de leitura obrigatória:

>Cinema Local: Divulgamos um bom filme que deve ir ver hoje: «Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar», em exibição na Casa do Cinema de Coimbra.

>Opinião com Humor: O nosso amigo Otávio Ferreira traz-nos um artigo de opinião que fala de uma medida nacional perfeitamente absurda, mas onde o humor e a ironia imperam.

>Força, Manuela! A nossa colaboradora Manuela Jones, que vai ser internada e a quem desejamos desde já uma rápida e total recuperação, não se esqueceu de nos enviar um artigo importantíssimo que traz à memória o Tarrafal. Um texto de leitura fundamental.

>Crónicas de Relevo: Adriano Ferreira brinda-nos com mais um artigo de grande interesse, enquanto Isabel Vilão assina um texto sobre o aniversário d'O Ponney para ajudar a perceber como a atual direção não esquece o passado mais recente do jornal.

>Outros artigos nesta edição podem levar a que cada leitor descubra o que realmente anda a acontecer na nossa região e no país — com uma visão nítida de 360 graus e longe de qualquer ângulo obtuso.

Se tem alguma denúncia, assunto relevante ou história que queira partilhar connosco, agradecemos que nos envie para o endereço de e-mail da nossa redação: [email protected].

Saudações conimbricenses;
José Augusto Gomes
Diretor do Jornal O Ponney


«PAI NOSSO: OS ÚLTIMOS DIAS DE SALAZAR» NA CASA DO CINEMA DE COIMBRAA Casa do Cinema de Coimbra (situada no Estúdio 2 da...
05/06/2026

«PAI NOSSO: OS ÚLTIMOS DIAS DE SALAZAR» NA CASA DO CINEMA DE COIMBRA

A Casa do Cinema de Coimbra (situada no Estúdio 2 das Galerias Avenida) apresenta, hoje, sexta-feira, 5 de junho, às 21h30, uma sessão especial de «Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar», o mais recente filme de José Filipe Costa. A sessão conta com a presença do realizador e de José Manuel Mendes, Professor Catedrático de Sociologia e Diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, investigador do Centro de Estudos Sociais, para uma conversa após a projeção.

«Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar» parte de um episódio verídico e pouco conhecido: em 1968, Salazar sofre um AVC após uma queda e, quando regressa ao Palacete de São Bento para se recuperar, já não exerce o cargo de Presidente do Conselho. Ninguém lhe diz a verdade. A governanta Maria de Jesus, as criadas e o médico pessoal, mantêm durante dois anos a ilusão de que o ditador ainda governa o país, até à sua morte em 1970. O filme apresenta-se, desde o seu título, como uma sátira ao paternalismo inerente aos líderes populistas.

O filme de José Filipe Costa transforma este episódio notável numa obra que navega entre a política, a sociedade de elite e as frágeis ilusões que sustentam o poder. Momentos de absurdo e ironia recortam este retrato de um homem agarrado a uma autoridade que o mundo já não reconhece. Esta é a primeira longa-metragem de ficção de José Filipe Costa, e teve estreia internacional no Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR), em fevereiro de 2025, tendo obtido reconhecimento pela International Cinephile Societycomo um retrato bem construído dos últimos dias de um regime fascista, destacando o design de produção e a interpretação de Catarina Avelar.

Em Portugal, o filme participou nos festivais Indie Lisboa e nos Caminhos do Cinema Português onde, na sua 32.ª edição, recebeu o prémio de Melhor Ficção no Festival Caminhos do Cinema Português. O júri descreveu o filme como “um ato político fundamental para podermos compreender como a história se constitui a partir da farsa”, acrescentando que “é um filme sobre um país que ajudou a alimentar a mentira, perguntando que mentiras estamos hoje dispostos a aceitar”.

A sessão especial, hoje, dia 5 de Junho permitirá confrontar o filme com uma perspectiva académica sobre o salazarismo e os seus ecos contemporâneos. José Manuel Mendes é investigador nas áreas das políticas públicas, cidadania e risco social, e é actualmente Director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

«Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar»(José Filipe Costa, Portugal, 2025, Drama/Comédia, 113 min, M/12) continuará em exibição na Casa do Cinema de Coimbra no sábado 6 de Junho às 14h30 e na segunda-feira 8 de Junho às 18h30. As sessões têm legendas em inglês.

Os bilhetes estão disponíveis em casacinemacoimbra.bol.pt e na bilheteira física, que abre 30 minutos antes de cada sessão.

Comunicado de Imprensa

O VERÃO EM QUE A APA DESCOBRIU O “GUARDA- SOL”Há decisões políticas que mudam o rumo de uma nação. Outras mudam o rumo d...
05/06/2026

O VERÃO EM QUE A APA DESCOBRIU O “GUARDA- SOL”

Há decisões políticas que mudam o rumo de uma nação. Outras mudam o rumo de uma toalha de praia. E depois há esta: a brilhante ideia de reabrir a discussão sobre o uso de guarda-sol na frente das zonas concessionadas.

Até ontem, Portugal vivia em paz balnear. O guarda-sol era um símbolo de
estabilidade nacional, tão consensual como o “bom dia” dito sem convicção. Mas eis
que a APA, numa súbita epifania regulatória, decidiu transformar um objeto inofensivo num detonador social digno de laboratório militar.

A Agência Portuguesa do Ambiente (em teoria, deveria preocupar-se com dunas, ecossistemas e a sobrevivência das gaivotas que nos roubam o croissant) resolveu agora preocupar-se com a sombra do cidadão comum. E assim, aquilo que estava resolvido, pacificado e arquivado no museu das não-questões, tornou-se um conflito nacional com potencial para reality show.

Qual vai ser o resultado? Irá ser um verão 2026 digno de tragédia cómica!

De um lado, os concessionários, que já tinham de lidar com toalhas que se multiplicam como coelhos e famílias que ocupam 12 metros quadrados para duas pessoas.
Do outro, os veraneantes, que só querem evitar transformar-se em frango de churrasco. No meio, a APA, a acenar regulamentos como quem abana um fósforo numa refinaria.

A decisão foi, no mínimo, um tiro no pé. E como somos portugueses, o pé estava
descalço, cheio de areia e com uma bolha do chinelo. Agora, cada praia será um campo de batalha, onde se discute: “Posso pôr o chapéu aqui?” — “Não pode, está na frente da concessão.” — “Mas está vento.” — “Problema seu.”

E assim nasce a nova tradição portuguesa: o conflito balnear como atividade recreativa. Esqueçam o voleibol, o surf ou as bolas de Berlim. Em 2026, o desporto oficial será discutir com estranhos sobre a inclinação de um simples guarda-sol.

Porque somos latinos, inflamáveis e especialistas em transformar burocracia
em ópera. A famosa “chique expertice” nacional, essa arte ancestral de complicar o que antes era simples, encontrou aqui o seu palco dourado. O ambiente das praias, que deveria ser leve, solar e salgado, passa a ser explosivo, graças a uma agência que confundiu “ambiente” com “ambiente social”.

E assim, por obra e graça de um regulamento que ninguém pediu, o guarda-sol —
símbolo de descanso — transforma-se em bandeira política, arma de resistência e motivo de guerra civil à beira-mar.

Se isto não é Portugal no seu melhor, não sei o que será.

“A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.”
Herbert Spencer

Otávio Ferreira

Endereço

Rua João De Deus Ramos. 130 1º Dt
Coimbra
3030-328

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