Mar da Palavra

Mar da Palavra Uma proposta de leitura...

O BARÃO E O CAPITÃO– artigo de opinião de José Afonso Baptista, no âmbito das rubricas “Escola agrilhoada” e “Olhares”A ...
18/06/2026

O BARÃO E O CAPITÃO
– artigo de opinião de José Afonso Baptista, no âmbito das rubricas “Escola agrilhoada” e “Olhares”

A ESTÁTUA QUE NÃO QUERDESCER DO PEDESTAL

Há livros que nos ficam na memória como certas paisagens vistas da janela de um comboio antigo: não sabemos se as recordamos ou se as inventámos, mas continuam a acenar-nos ao longe. “Viagens na Minha Terra” é um desses livros. Da infância, guardo sobretudo duas figuras: Joaninha, a menina dos rouxinóis, e Carlos, o rapaz que partiu pobre, regressou barão e perdeu pelo caminho o encanto que o povo lhe tinha oferecido sem pedir nada em troca.
Joaninha era a pureza que não se compra; Carlos, a grandeza que se paga caro. E, talvez por isso, quando penso no romance, não me lembro tanto da intriga, mas dessa sensação amarga de ver alguém regressar maior – e, no entanto, menor.
E é aqui que a literatura, sempre generosa, me oferece uma ponte para o presente. Porque também, no nosso futebol, há um Carlos moderno, um herói que partiu pobre, conquistou mundos, ergueu troféus, acumulou glória e ouro. E que agora regressa sempre – não à terra, mas ao relvado – com a mesma aura de barão, embora já sem o fulgor que o fez príncipe. [...]


Créditos fotográficos: christophpeters_net – Pixabay
https://sinalaberto.pt/o-barao-e-o-capitao/

NA ÉPOCA DA “CLAREZA DO AÇO INOXIDÁVEL”– crónica da autoria de Vitalino José Santos, no âmbito das rubricas “Editorias” ...
16/06/2026

NA ÉPOCA DA “CLAREZA DO AÇO INOXIDÁVEL”
– crónica da autoria de Vitalino José Santos, no âmbito das rubricas “Editorias” e “Olhares”

Que mundo é este em que vivemos? É o que queremos? É o que desejamos para os nossos filhos, netos e sucessores? Se pararmos um pouco e observarmos atentamente, o que vemos? Sejamos francos, alegramo-nos com os sorrisos espontâneos e expansivos que não descobrimos nas pessoas que encontramos nas ruas, nos mercados com produtos de primeira necessidade que se tornam inacessíveis e no trânsito sempre impaciente e com gente irritada e pronta a maltratar-nos, sobretudo quando não avançamos logo ou porque a nossa viatura falha por algum motivo?
Não é só hoje que me mostro apreensivo ou desassossegado com as minhas e as nossas circunstâncias. O que me preocupa, verdadeiramente, é que não tenhamos tempo para contrariar este ciclo de sofreguidão e de desespero. E que continuemos sem vontade de cumprir e de fazer cumprir os objectivos de sustentabilidade – que os há, se nos lembrarmos, por exemplo, da colecção de 17 metas globais estabelecidas pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). [...]


Créditos de imagem: Galina Nelyubova– Unsplash
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F**amos à sua espera na Feira do Livro de Coimbra. Apareça, gostamos de conversar consigo, enquanto folheia um livro!
16/06/2026

F**amos à sua espera na Feira do Livro de Coimbra. Apareça, gostamos de conversar consigo, enquanto folheia um livro!

AS MARCAS DE UM REGIME AUTORITÁRIO– crónica de Vitalino José SantosMuita gente da minha geração lembra-se da canção “Tás...
02/06/2026

AS MARCAS DE UM REGIME AUTORITÁRIO
– crónica de Vitalino José Santos

Muita gente da minha geração lembra-se da canção “Tás Quietinho ou Levas no Focinho” (“Taquetinho ou Lebas nu Fucinho”, na grafia fonética portuense). Na banda de “rock irreverente” Trabalhadores do Comércio, que vingou na década de 80, destacava-se o então catraio João Luís Médicis, que, como muita rapaziada do Porto e de outras geografias, “[j]á num qu’ria mais cumer / Estava fartu dir pa escola / Só gustaba de currer / E dandar ò xuto à bola” (sic).
Não eram de estranhar os ralhetes familiares: “Calessa boca / Num digas isso qu’é pecado / Olha cu pai e u jesus / F**a zangadu / Numcusta nada pur ser quem sou ser delicado” (assim registo, seguindo à letra o original da banda que, quebrando convenções, continua a cantar “Chamem a Polícia”). Mesmo depois da Revolução dos Cravos, que supostamente afastaria o cheiro a naftalina deixado por quase meio século de ditadura, manteve-se a ideia de que “o respeitinho é muito bonito”. Mas a vivência prolongada no regime do Estado Novo, sob a repressão da polícia política e o desconforto dos bufos ou espreitadores de conversas de café e dos espaços públicos, fez enraizar nas várias gerações a imposição de limites e a autocensura. […]


LEGENDA: O olhar crítico de João Abel Manta. (ensina.rtp.pt)

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LER OU NÃO LER SARAMAGO? (2)– artigo de reflexão cultural e literária de José Vieira LourençoRegresso ao tema que anteri...
02/06/2026

LER OU NÃO LER SARAMAGO? (2)
– artigo de reflexão cultural e literária de José Vieira Lourenço

Regresso ao tema que anteriormente (na edição de 18/05/2026) abordei, porque muito ficou por dizer. Claro que não tenho pretensões de esgotar o assunto. Faltará certamente dizer muito mais, porque o tema é extenso.
Relembro, para começar, que algumas vozes críticas falaram no “coro das virgens ofendidas”, dizendo que o facto de ser ou não ser Prémio Nobel não é critério de inclusão nem de exclusão. E referiram, com razão, diga-se, que a história do Prémio Nobel da Literatura está cheia de escolhas cuja grandeza literária é discutível. E evocaram os casos de Bob Dylan (Robert Allen Zimmerman), de Dario Fo e de Patrick Modiano. Não quero discutir aqui estes exemplos, direi apenas que os compreendo, porque me recordo da polémica que causaram.
Posso admitir, como adequados, os desabafos de quem diz que literatura não é catecismo nem doutrinamento. E aceito também que um país culturalmente adulto não pode transformar os escritores ou as escritoras em relíquias intocáveis. Contudo, é bom recordar que esta polémica teve antecedentes muito discretos e que que fizeram alguns estragos.
Tudo começou com as sucessivas alterações curriculares e as revisões do Plano Nacional de Leitura e das Metas de Português. […]

LEGENDA: Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, na Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922. (revistacomunidades.pt)

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AS CASAS COM POESIA DO POETA– crónica de viagem e sobre literatura, da autoria de Lúcio Marques FerreiraO poeta criava t...
28/05/2026

AS CASAS COM POESIA DO POETA
– crónica de viagem e sobre literatura, da autoria de Lúcio Marques Ferreira

O poeta criava também as suas casas com poesia, poesias aparentemente nunca terminadas. Casas personagens sempre por dentro de uma narrativa onírica. Uma vez que eu me encontrava no Chile, decidi que havia de conhecer as três casas do maior poeta chileno: nascido Ricardo Eliézer Neftali Reyes Basoalto elegeu o pseudónimo Pablo Neruda, para estar a ocultar do pai os pendores literários nele presentes já no início da adolescência.
O pai, ferroviário, tinha outros planos para o filho, órfão de mãe; havia de puni-lo viesse ele a sair dos trilhos. Neruda, aparentemente, inspirou-se no poeta checo Jan Neruda para criar o nome com o qual seria conhecido. Há quem aponte que ele teria retirado o nome de um livro de Sir Conan Doyle que tinha um personagem chamado Neruda. É difícil precisar a origem do pseudónimo, posto que ele lia muito, colecionava livros desde cedo. […]


FOTO: O caso amoroso com Matilde fez Pablo Neruda comprar casa em Santiago. (bbc.com)
https://sinalaberto.pt/as-casas-com-poesia-do-poeta/

FITEI 49 / EU, ESPECTADOR…– Artigo sobre a actualidade cultural e dos espectáculos por Roberto MerinoDas muitas represen...
28/05/2026

FITEI 49 / EU, ESPECTADOR…
– Artigo sobre a actualidade cultural e dos espectáculos por Roberto Merino

Das muitas representações que integraram a 49.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), falo, num breve acto confessionário, daqueles espectáculos aos quais tive a oportunidade de assistir.
Começo pelo espectáculo de estreia. O FITEI arrancou com uma versão actualizada de “As Suplicantes”, reescrita contemporânea da tragédia de Ésquilo feita pelas mãos de Sara Barros Leitão, uma reflexão sobre o próprio projecto Europeu, sobre fronteiras, sobre pactos de hospitalidade, acolhimento e integração. […]



LEGENDA DA FOTO: A edição 49 do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, iniciada a 13 de maio e que decorreu até ao dia 24 deste mês, voltou a trazer aos palcos um programa pensado em torno de um tema central: “Colapso e Esperança” A fotografia refere-se ao novo espectáculo a solo de Tita Maravilha. (teatromunicipaldoporto.pt)

https://sinalaberto.pt/fitei-49-eu-espectador/

SUÁSTICAS E VANDALISMO CULTURAL EM LISBOA E POLÍTICA SIMILAR NOS EUA– artigo de releitura da actualidade social e políti...
26/05/2026

SUÁSTICAS E VANDALISMO CULTURAL EM LISBOA E POLÍTICA SIMILAR NOS EUA
– artigo de releitura da actualidade social e política assinado por Louro Carvalho

Em artigo intitulado “Suásticas em Lisboa: PS critica ‘desvalorização’, Câmara também vê perigos na extrema-esquerda”, publicado, a 18 de maio, pela Euronews, João Azevedo aborda a vandalização da estátua da escritora Natália Correia, na Graça, que levou o Partido Socialista (PS) a alertar para difusão “preocupante” de mensagens de ódio.
Alexandra Leitão, vereadora do PS na Câmara Municipal de Lisboa (CML) quer mais empenho no combate à intolerância, ao que o presidente do município, Carlos Moedas, responde que não há “extremismos virtuosos”, acusando a vereadora de “visão maniqueísta”.
Refere o jornalista que, poucos dias antes da celebração dos 52 anos do 25 de Abril (aliás, no dia 16), um ato de vandalismo, em Lisboa, contra a estátua de Natália Correia, ícone da luta pela liberdade, inflamou “o já muito entrincheirado debate político no país”. […]


(Créditos de imagem: página oficial, no Instagram, de André Gorba Biveti, presidente da Junta de Freguesia de São Vicente – pt.euronews.com)

https://sinalaberto.pt/suasticas-e-vandalismo-cultural-em-lisboa-e-politica-similar-nos-eua/

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