20/09/2026
A EXPOSIÇÃO “À SOMBRA DO PINHEIRO”, NA CASA-MUSEU JOÃO SOARES
Na tarde de 19 de Setembro de 2026, foi inaugurada na Casa-Museu João Soares, em Cortes (Leiria) uma exposição de fotografia designada “À Sombra do Pinheiro”, organizada pela Casa-Museu, com curadoria de Paula Marques. A abrir a exposição estiveram Filipe Guimarães da Silva, Diretor Executivo da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, e Paula Marques, designer.
Como indica o título da exposição, é o pinheiro, que marcava imponentemente o jardim da Casa-Museu e que a tempestade Kristin derrubou inapelavelmente, o pretexto para esta iniciativa e para a que se seguirá, com esculturas feitas a partir da sua madeira.
Se bem nos lembramos, como se pode ler à entrada da exposição, durante décadas, um pinheiro marcou a paisagem e a memória da Casa-Museu João Soares. À sua sombra passaram várias gerações, entrelaçando a história de uma casa e de uma família – João Lopes Soares, Mário Soares, Maria Barroso – com a vida da comunidade das Cortes.
Em janeiro de 2026, a tempestade Kristin devastou a região. Também o nosso pinheiro caiu.
À Sombra do Pinheiro surge desse acontecimento e da vontade de dar continuidade à memória da árvore. A sua queda é o ponto de partida para uma reflexão sobre a relação entre as pessoas, a paisagem e o património natural, mas também sobre a perda e a capacidade de regeneração.
Apresentada no âmbito das Jornadas Europeias do Património de 2026, esta exposição assinala o primeiro momento público de um projeto artístico e comunitário que se prolongará até 2027.
Entregue a artistas, escolas e instituições sociais, a madeira do pinheiro dará origem a novas criações. No final desse percurso, estas regressarão à Casa-Museu, numa nova exposição e numa obra destinada ao jardim.
Este é um gesto de responsabilidade perante um legado comum, que encontra eco nas palavras de Mário Soares, em 1990:
«O património natural, paisagístico e florestal é, também, e de pleno direito, património cultural. Pertence ao Povo que, ao longo de gerações, foi moldando a natureza e os contornos de um território que era e é o seu, humanizando-o, e assim merecendo que, hoje, esse legado, de que somos meros depositários – fiéis, esperemos – seja, com absoluta prioridade, preservado e valorizado.» - Mário Soares, 1990
A terminar a sessão de inauguração, houve um concerto no jardim, a que deu voz a artista Inês Bernardes, do projeto musical Catraia, apresentada por Lígia Norte e Rita Justino, encerrando com a bela intervenção da sua filha, Matilda, de apenas 9 anos.