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Punkto é um projecto indisciplinar e indisciplinado sobre a prática e sobre a teoria: da arquitectura, da crítica, da política, do comum.

A queda do Ocidente • Giorgio Agamben• A palavra «Ocidente», com a qual definimos a nossa cultura, deriva etimologicamen...
14/04/2026

A queda do Ocidente • Giorgio Agamben

• A palavra «Ocidente», com a qual definimos a nossa cultura, deriva etimologicamente do verbo cair [cadere] e significa, literalmente: «aquilo que está a cair, que não cessa de cair». Também estão ligados a este verbo os termos «acaso» e «casual». Aquilo que não cessa de cair e de se pôr — occasus significa, em latim, o pôr-do-sol — está, por isso, também à mercê do acaso, de uma incessante casualidade. Não surpreende, portanto, que o governo dos homens e das coisas assuma hoje a forma de protocolos de intervenção, independentes de resultados certos, sobre um mundo concebido como disponível e calculável precisamente por ser casual. O Ocidente existe e governa-se apenas no tempo do seu fim e da sua incessante queda [caduta] e, tal como o seu Deus, está ininterruptamente em vias de morrer. Mas é justamente nisto que reside a sua força: uma morte incessante é, por definição, sem fim; uma caducidade ou casualidade infinita é propriamente imparável •

A palavra «Ocidente», com a qual definimos a nossa cultura, deriva etimologicamente do verbo cair [ cadere ] e significa, literalmente: ...

• online • Notas sobre a caça e a vida ilegal • Ricardo Menezes• O novo fascismo é fruto do deslocamento estatal das fro...
18/03/2026

• online • Notas sobre a caça e a vida ilegal • Ricardo Menezes

• O novo fascismo é fruto do deslocamento estatal das fronteiras da soberania e da crise do trabalho, crise da substância do valor. É diferente do fascismo histórico lá onde é anárquico, não-arregimentador — trata-se menos de integrar as massas num grande projecto arquitectónico onde o trabalho expande-se até à indústria da morte dos campos de concentração, e mais na criação de técnicas de caça e expulsão dos elementos ilegais, excedentes. Se não só o Terceiro Reich, mas o próprio Welfare state, podem ser classificados enquanto momentos do socialismo do capital, isto é, hiper-estatismo, militarização do trabalho, fordismo político; a partir dos anos 70 e 80, naquilo em que começaria a ser descrito como “neoliberalismo”, o que se observou foi justamente a realização, pelo capital, do que prometia o comunismo (extinção do trabalho, do Estado, justaposição das esferas da sociedade que antes cumpriam funções “separadamente”): a vitória do comunismo do capital foi a realização catastrófica do horizonte comum •

“Ouça. Ouça. As crianças da noite fazem sua música. Meu jovem… Você é como os aldeões que não conseguem sentir a alma do caçador”. — Nos...

• Poesia, Publicidade ou sobrevivência • Hugo Miguel Santos •• «Pairing Portugal» é o nome de uma iniciativa do Turismo ...
13/02/2026

• Poesia, Publicidade ou sobrevivência • Hugo Miguel Santos •

• «Pairing Portugal» é o nome de uma iniciativa do Turismo de Portugal que convida 100 poetas portugueses a escrever sobre uma garrafa de vinho pertencente à sua «região». Num mundo onde já nada, nem mesmo a poesia, parece escapar ao regime total da publicidade e do consumo, mas tambem, da precariedade instalada, Hugo Miguel Santos sobrevoa esta iniciativa para interpelar a condição presente e futura de uma poesia cuja sobrevivência radica tanto na defesa da sua autonomia como na recusa da sua conversão em mero veículo de e para a comunicação. Como escreve Hugo, no final do texto: «um poema pensado na qualidade de veículo de comunicação publicitária é um mero oxímoro destituído de qualquer potencial lírico ou artístico. Defender a autonomia e a inoperância do discurso poético — ou seja, a sua necessidade — é a única forma de tornar possível a sua sobrevivência, não só enquanto domínio estético mas também político» •

https://www.revistapunkto.com/2026/02/poesia-publicidade-ou-sobrevivencia.html

• Poesia, publicidade ou sobrevivência • Hugo Miguel Santos •• «Pairing Portugal» é o nome de uma iniciativa do Turismo ...
11/02/2026

• Poesia, publicidade ou sobrevivência • Hugo Miguel Santos •

• «Pairing Portugal» é o nome de uma iniciativa do Turismo de Portugal que convida 100 poetas portugueses a escrever sobre uma garrafa de vinho pertencente à sua «região». Num mundo onde já nada, nem mesmo a poesia, parece escapar ao regime total da publicidade e do consumo, mas tambem, da precariedade instalada, Hugo Miguel Santos sobrevoa esta iniciativa para interpelar a condição presente e futura de uma poesia cuja sobrevivência radica tanto na defesa da sua autonomia como na recusa da sua conversão em mero veículo de e para a comunicação. Como escreve Hugo, no final do texto: «um poema pensado na qualidade de veículo de comunicação publicitária é um mero oxímoro destituído de qualquer potencial lírico ou artístico. Defender a autonomia e a inoperância do discurso poético — ou seja, a sua necessidade — é a única forma de tornar possível a sua sobrevivência, não só enquanto domínio estético mas também político».

Recentemente foi anunciada uma campanha publicitária da Visit Portugal, nomenclatura anglófila atribuída ao Turismo de Portugal , que lig...

• online • Tactear o vazio • Diogo Duarte •• Continuando o debate aqui iniciado após os resultados da primeira volta das...
11/02/2026

• online • Tactear o vazio • Diogo Duarte •

• Continuando o debate aqui iniciado após os resultados da primeira volta das presidenciais, Diogo Duarte relê os textos já aqui publicados de Pedro Levi Bismarck, Tomás Nery e Duarte Viana, trazendo mais um contributo para reconhecer os impasses, mas também as linhas de fuga capazes de superar a inevitável mas não insuperável situação em que a esquerda parece se encontrar actualmente •

• “Por difícil que seja de aceitar, até por parecer contraditório — e a esquerda não dá sequer o menor sinal de compreender essa possibilidade —, foi pela social-democracia, e pelos termos em que esta possibilitou a melhoria nas condições materiais de vida, que se deu essa totalização do capital. Aquilo que um dia foi, e ainda é, visto como uma vitória, foi, na verdade, a condição da nossa derrota. Resistir-lhe não se fará, certamente pela recuperação dessa social-democracia, como se pretende, mas sim pela ruptura, como aponta Pedro Levi Bismarck noutro desses textos. O deserto que habitamos, é, afinal, o resultado dessa totalização. O que essa reticularidade totalizante do capital torna possível, de resto, é que a resistência também possa surgir em todo o lado, em todas as dimensões da vida, alastrando quando menos se espera. E perante o esgotamento desse quadro e, portanto, das condições que permitiram essa expansão incessante e insidiosa do capital, as fissuras revelam-se. A multiplicação de lutas, até a sua dispersão, por vezes sem aparente relação entre si e quase sempre sem comunicarem, não é somente a expressão de uma certa desorientação, mas também do lugar onde se revelam essas fissuras que surgem com o esboroar do presente” •

https://www.revistapunkto.com/2026/02/poesia-publicidade-ou-sobrevivencia.html

• online • O vazio já tem nome • Duarte Viana • É a partir desse diagnóstico do vazio que reside a tese dominante dos re...
29/01/2026

• online • O vazio já tem nome • Duarte Viana

• É a partir desse diagnóstico do vazio que reside a tese dominante dos resultados eleitorais dessa esquerda onde assentam, para muitos, as possibilidades da organização de um novo corpo político enquanto fórmula de mobilização. É a partir das suas ruínas em decadência que se projectam novas alternativas e possibilidades de futuro. E é sobre o lugar que é atribuído a esse vazio que devemos deter a atenção, decalcando novas feições, para além do mero diagnóstico casuístico e intelectual que nos contamina de desencanto •

https://www.revistapunkto.com/2026/01/o-vazio-ja-tem-nome-duarte-viana.htm

• online • O vazio já tem nome • Duarte Viana • É a partir desse diagnóstico do vazio que reside a tese dominante dos re...
27/01/2026

• online • O vazio já tem nome • Duarte Viana

• É a partir desse diagnóstico do vazio que reside a tese dominante dos resultados eleitorais dessa esquerda onde assentam, para muitos, as possibilidades da organização de um novo corpo político enquanto fórmula de mobilização. É a partir das suas ruínas em decadência que se projectam novas alternativas e possibilidades de futuro. E é sobre o lugar que é atribuído a esse vazio que devemos deter a atenção, decalcando novas feições, para além do mero diagnóstico casuístico e intelectual que nos contamina de desencanto •

Passaram sete dias desde as eleições presidenciais. O tom latente é de um apelo já conhecido ao voto útil, reduzido a sondagens afectas à ...

• online • Esquerda: impasse e dissolução • Tomás Nery•  «Aquilo que a esquerda não pode senão fazer, é aquilo que ela n...
23/01/2026

• online • Esquerda: impasse e dissolução • Tomás Nery

• «Aquilo que a esquerda não pode senão fazer, é aquilo que ela não pode, de todo, fazer: romper. Não só com este mundo que temos de abandonar, mas, em primeiro lugar, consigo mesma, enquanto esquerda. Aqui reside, parece-me, o impasse insuperável da sua condição. O espectro de uma erosão eleitoral sempre-iminente — enquanto reflexo mediado do neoliberalismo como estratégia de adiamento da crise —, que tem vindo a pairar sobre os partidos de esquerda ao longo das últimas décadas, aqui como em qualquer canto do mundo, é essa impossibilidade ontológica de atravessar um espaço de inflexão a partir do qual cessa qualquer possibilidade de retorno: espaço esse que a esquerda não poderá cruzar sem se des-identificar consigo mesma. A única possibilidade de sobrevivência da esquerda habitará, portanto, na forma como escolher abraçar a sua dissolução •

https://www.revistapunkto.com/2026/01/esquerda-impasse-e-dissolucao-tomas-nery.html

• online • Esquerda: impasse e dissolução • Tomás Nery•  «Aquilo que a esquerda não pode senão fazer, é aquilo que ela n...
22/01/2026

• online • Esquerda: impasse e dissolução • Tomás Nery

• «Aquilo que a esquerda não pode senão fazer, é aquilo que ela não pode, de todo, fazer: romper. Não só com este mundo que temos de abandonar, mas, em primeiro lugar, consigo mesma, enquanto esquerda. Aqui reside, parece-me, o impasse insuperável da sua condição. O espectro de uma erosão eleitoral sempre-iminente — enquanto reflexo mediado do neoliberalismo como estratégia de adiamento da crise —, que tem vindo a pairar sobre os partidos de esquerda ao longo das últimas décadas, aqui como em qualquer canto do mundo, é essa impossibilidade ontológica de atravessar um espaço de inflexão a partir do qual cessa qualquer possibilidade de retorno: espaço esse que a esquerda não poderá cruzar sem se des-identificar consigo mesma. A única possibilidade de sobrevivência da esquerda habitará, portanto, na forma como escolher abraçar a sua dissolução» •

Aquilo que a esquerda não pode senão fazer, é aquilo que ela não pode, de todo , fazer: romper. Não só com este mundo que temos de aba...

• online • O Triunfo do Liberal-Fascismo • Pedro Levi Bismarck • «A aliança liberal-fascista é hoje o grande dispositivo...
21/01/2026

• online • O Triunfo do Liberal-Fascismo • Pedro Levi Bismarck

• «A aliança liberal-fascista é hoje o grande dispositivo que domina a política. Ventura, Cotrim e Montenegro não são adversários políticos mas parceiros de uma aliança cuja proeza maior foi transformar as vítimas directas das suas políticas nos seus maiores adeptos, foi ter convertido o descontentamento social provocado pelas suas próprias políticas numa ampla massa-amálgama eleitoral desideologizada, lutando por mitos e migalhas, atacando imigrantes e defendendo avidamente uma economia de mercado que longe de lhe conferir a sua tão preciosa «liberdade» a devora lentamente e a consigna à penúria» •

https://www.revistapunkto.com/2026/01/o-triunfo-do-liberal-fascismo-pedro.html

• online • O Triunfo do Liberal-Fascismo • Pedro Levi Bismarck «A aliança liberal-fascista é hoje o grande dispositivo q...
20/01/2026

• online • O Triunfo do Liberal-Fascismo • Pedro Levi Bismarck

«A aliança liberal-fascista é hoje o grande dispositivo que domina a política. Ventura, Cotrim e Montenegro não são adversários políticos mas parceiros de uma aliança cuja proeza maior foi transformar as vítimas directas das suas políticas nos seus maiores adeptos, foi ter convertido o descontentamento social provocado pelas suas próprias políticas numa ampla massa-amálgama eleitoral desideologizada, lutando por mitos e migalhas, atacando imigrantes e defendendo avidamente uma economia de mercado que longe de lhe conferir a sua tão preciosa «liberdade» a devora lentamente e a consigna à penúria»

No dia 18 de Janeiro, primeira volta das eleições presidenciais de 2026, o regime político neoliberal cumpriu o objectivo da estratégia qu...

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