30/06/2026
• online • As duas mortes de Odair Moniz • Pedro Levi Bismarck
• E é aí que o caso de Odair Moniz é tão paradoxal, porque ele é o reflexo quase mimético de toda uma história colonial ra***ta de violência e de dissimulação da violência: da violência exercida sobre o negro e da permanente dissimulação dessa violência, plantando uma arma, isto é, imputando ao imigrante, ao negro, a culpa do seu próprio destino, a culpa da sua própria morte. É a história do colonialismo que a morte de Odair Moniz escreve, expõe, de forma tão paradoxal e evidente.
Odair Moniz foi assassinado por ser negro, mas não apenas porque ele é o corpo onde está inscrito todo esse conjunto de pré-conceitos que a sociedade no seu todo não cessa de traçar e impor: o negro violento, o negro traficante, o negro imoral, o negro inconfiável, o negro incivilizado. Odair Moniz foi assassinado pelo agente da PSP porque em Odair o agente Bruno Pinto viu a representação de si mesmo, porque aquilo que Bruno Pinto viu em Odair foi o horror da sua própria violência, com a qual é incapaz de lidar e que só pode lidar com mais e mais violência. Bruno Pinto não teve medo de Odair, nem poderia ter medo de um homem desarmado, teve medo de si mesmo, daquilo que viu de si em Odair.
E essa é também a história do Colonialismo e do Ocidente •
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