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Punkto é um projecto indisciplinar e indisciplinado sobre a prática e sobre a teoria: da arquitectura, da crítica, da política, do comum.

• online • As duas mortes de Odair Moniz • Pedro Levi Bismarck  • E é aí que o caso de Odair Moniz é tão paradoxal, porq...
30/06/2026

• online • As duas mortes de Odair Moniz • Pedro Levi Bismarck

• E é aí que o caso de Odair Moniz é tão paradoxal, porque ele é o reflexo quase mimético de toda uma história colonial ra***ta de violência e de dissimulação da violência: da violência exercida sobre o negro e da permanente dissimulação dessa violência, plantando uma arma, isto é, imputando ao imigrante, ao negro, a culpa do seu próprio destino, a culpa da sua própria morte. É a história do colonialismo que a morte de Odair Moniz escreve, expõe, de forma tão paradoxal e evidente.

Odair Moniz foi assassinado por ser negro, mas não apenas porque ele é o corpo onde está inscrito todo esse conjunto de pré-conceitos que a sociedade no seu todo não cessa de traçar e impor: o negro violento, o negro traficante, o negro imoral, o negro inconfiável, o negro incivilizado. Odair Moniz foi assassinado pelo agente da PSP porque em Odair o agente Bruno Pinto viu a representação de si mesmo, porque aquilo que Bruno Pinto viu em Odair foi o horror da sua própria violência, com a qual é incapaz de lidar e que só pode lidar com mais e mais violência. Bruno Pinto não teve medo de Odair, nem poderia ter medo de um homem desarmado, teve medo de si mesmo, daquilo que viu de si em Odair.

E essa é também a história do Colonialismo e do Ocidente •

https://www.revistapunkto.com/2026/06/as-duas-mortes-de-odair-moniz-pedro.html

• As duas mortes de Odair Moniz • Pedro Levi Bismarck • E é aí que o caso de Odair Moniz é tão paradoxal, porque ele é o...
26/06/2026

• As duas mortes de Odair Moniz • Pedro Levi Bismarck

• E é aí que o caso de Odair Moniz é tão paradoxal, porque ele é o reflexo quase mimético de toda uma história colonial ra***ta de violência e de dissimulação da violência: da violência exercida sobre o negro e da permanente dissimulação dessa violência, plantando uma arma, isto é, imputando ao imigrante, ao negro, a culpa do seu próprio destino, a culpa da sua própria morte. É a história do colonialismo que a morte de Odair Moniz escreve, expõe, de forma tão paradoxal e evidente.

Odair Moniz foi assassinado por ser negro, mas não apenas porque ele é o corpo onde está inscrito todo esse conjunto de pré-conceitos que a sociedade no seu todo não cessa de traçar e impor: o negro violento, o negro traficante, o negro imoral, o negro inconfiável, o negro incivilizado. Odair Moniz foi assassinado pelo agente da PSP porque em Odair o agente Bruno Pinto viu a representação de si mesmo, porque aquilo que Bruno Pinto viu em Odair foi o horror da sua própria violência, com a qual é incapaz de lidar e que só pode lidar com mais e mais violência. Bruno Pinto não teve medo de Odair, nem poderia ter medo de um homem desarmado, teve medo de si mesmo, daquilo que viu de si em Odair.

E essa é também a história do Colonialismo e do Ocidente •

Ao longo dos últimos anos, temos assistido a vários casos de violência policial: as agressões a Cláudia Simões, o homicídio de Odair Moniz...

• Contra a servidão ambiental • Godofredo Enes Pereira & Francisco Calafate-Faria • • «Podíamos ter falado de muito mais...
25/06/2026

• Contra a servidão ambiental • Godofredo Enes Pereira & Francisco Calafate-Faria •

• «Podíamos ter falado de muito mais, da longa história de corrupção associada aos negócios do lítio e de data centers; dos processos da Mina da Borralha e da Mina do Romano; das pressões constantes sobre a população; da dimensão especulativa destes projectos ou da recente investigação do Fumaça sobre a contratação da GNR pela Savannah, mas não há espaço para tudo. O importante neste momento é trazer o tema dos conflitos em torno da mineração de lítio em Portugal para o centro do debate político a partir dos seus aspectos realmente relevantes para a democracia, a soberania, os projectos de futuro e mesmo a sobrevivência planetária.

Para concluir, arguimos que se podem depreender duas coisas deste acúmulo de casos em torno da exploração de lítio em Portugal: em primeiro lugar, que sucessivos governos teimam em ignorar as populações que habitam no interior do país. E, em segundo lugar, que a actual política de «soberania energética» de Portugal e da UE se limita a dizer que «também temos lítio», a todo o custo, independentemente de quaisquer consequências. Da desculpa esfarrapada da contribuição da mineração no Barroso para o European Green Deal, passou-se, nos últimos anos, à justificação da sua necessidade para a soberania energética da UE através do REPowerEU, do Clean Industrial Deal e do Critical Raw Materials Act. Claro que não há nenhum cálculo que permita justificar isto: a quantidade de reservas de lítio na UE é pouca, e o atraso face à China, ou mesmo aos EUA, é demasiado grande. Soberania seria apostar em caminhos alternativos. Mas as justificações também parecem interessar cada vez menos» •

https://www.revistapunkto.com/2026/06/contra-servidao-ambiental-godofredo.html

Uma sombra nas barricadas. Três notas sobre os confrontos na greve geral • Tiago F. Duarte«Não se trata apenas da altera...
18/06/2026

Uma sombra nas barricadas. Três notas sobre os confrontos na greve geral • Tiago F. Duarte

«Não se trata apenas da alteração de um paradigma de manutenção e mediatização da ordem pública, mas da alteração de um paradigma de governo. Doravante, o governo, qualquer governo, não governará uma “sociedade” mas sim uma “crise”. As crises não se governam gerindo a paz mas instrumentalizando os conflitos, um exercício mais arriscado e volátil, mas eventualmente mais proveitoso. A carga foi um teste. O governo perguntou-se o que aconteceria se carregasse sobre manifestantes “de classe média”, sem filiações partidárias ou sindicais óbvias. Não estava muita gente, se corresse mal não seria grave. Teve a resposta que queria: não aconteceria nada.

Assinalou-se ali a criação de um novo sujeito, que é, na verdade, uma nova abjecção: a partir de agora, a classe excedentária não será apenas composta por populações imigrantes e racializadas mas também por um elemento “interno” à decomposição do tecido social. A proletarização das “classes médias” encontrou uma significação política até agora omissa, ela juntou-se aos corpos dispensáveis, sobre os quais o estado pode exercer a sua violência sem consequências»

https://www.revistapunkto.com/2026/06/uma-sombra-nas-barricadas-tres-notas.html

• Ben Morea (1941-2026). O Homem Menos Cínico do Mundo • Luhuna Carvalho •• Ante a morte de Ben Morea, a minha primeira ...
13/05/2026

• Ben Morea (1941-2026). O Homem Menos Cínico do Mundo • Luhuna Carvalho •

• Ante a morte de Ben Morea, a minha primeira tentação foi a de narrar a sua lenda, uma sucessão cinematográfica e quase inverosímil de aventuras, uma contra-história do pós-guerra americano, um longo canto à irredutibilidade de alguns espíritos. A primeira versão deste texto ensaiava essa canção, escrita de memória, um arrebato eufórico que exigiria ao leitor uma comoção conforme. Parei a meio, a elegia devida era outra, não totalmente ofuscada pela sua própria narrativa •

Ante a morte de Ben Morea, a minha primeira tentação foi a de narrar a sua lenda, uma sucessão cinematográfica e quase inverosímil de aven...

• Ben Morea (1941-2026). O Homem Menos Cínico do Mundo • Luhuna Carvalho• Ante a morte de Ben Morea, a minha primeira te...
13/05/2026

• Ben Morea (1941-2026). O Homem Menos Cínico do Mundo • Luhuna Carvalho

• Ante a morte de Ben Morea, a minha primeira tentação foi a de narrar a sua lenda, uma sucessão cinematográfica e quase inverosímil de aventuras, uma contra-história do pós-guerra americano, um longo canto à irredutibilidade de alguns espíritos. A primeira versão deste texto ensaiava essa canção, escrita de memória, um arrebato eufórico que exigiria ao leitor uma comoção conforme. Parei a meio, a elegia devida era outra, não totalmente ofuscada pela sua própria narrativa •

Ante a morte de Ben Morea, a minha primeira tentação foi a de narrar a sua lenda, uma sucessão cinematográfica e quase inverosímil de aven...

A queda do Ocidente • Giorgio Agamben• A palavra «Ocidente», com a qual definimos a nossa cultura, deriva etimologicamen...
14/04/2026

A queda do Ocidente • Giorgio Agamben

• A palavra «Ocidente», com a qual definimos a nossa cultura, deriva etimologicamente do verbo cair [cadere] e significa, literalmente: «aquilo que está a cair, que não cessa de cair». Também estão ligados a este verbo os termos «acaso» e «casual». Aquilo que não cessa de cair e de se pôr — occasus significa, em latim, o pôr-do-sol — está, por isso, também à mercê do acaso, de uma incessante casualidade. Não surpreende, portanto, que o governo dos homens e das coisas assuma hoje a forma de protocolos de intervenção, independentes de resultados certos, sobre um mundo concebido como disponível e calculável precisamente por ser casual. O Ocidente existe e governa-se apenas no tempo do seu fim e da sua incessante queda [caduta] e, tal como o seu Deus, está ininterruptamente em vias de morrer. Mas é justamente nisto que reside a sua força: uma morte incessante é, por definição, sem fim; uma caducidade ou casualidade infinita é propriamente imparável •

A palavra «Ocidente», com a qual definimos a nossa cultura, deriva etimologicamente do verbo cair [ cadere ] e significa, literalmente: ...

• online • Notas sobre a caça e a vida ilegal • Ricardo Menezes• O novo fascismo é fruto do deslocamento estatal das fro...
18/03/2026

• online • Notas sobre a caça e a vida ilegal • Ricardo Menezes

• O novo fascismo é fruto do deslocamento estatal das fronteiras da soberania e da crise do trabalho, crise da substância do valor. É diferente do fascismo histórico lá onde é anárquico, não-arregimentador — trata-se menos de integrar as massas num grande projecto arquitectónico onde o trabalho expande-se até à indústria da morte dos campos de concentração, e mais na criação de técnicas de caça e expulsão dos elementos ilegais, excedentes. Se não só o Terceiro Reich, mas o próprio Welfare state, podem ser classificados enquanto momentos do socialismo do capital, isto é, hiper-estatismo, militarização do trabalho, fordismo político; a partir dos anos 70 e 80, naquilo em que começaria a ser descrito como “neoliberalismo”, o que se observou foi justamente a realização, pelo capital, do que prometia o comunismo (extinção do trabalho, do Estado, justaposição das esferas da sociedade que antes cumpriam funções “separadamente”): a vitória do comunismo do capital foi a realização catastrófica do horizonte comum •

“Ouça. Ouça. As crianças da noite fazem sua música. Meu jovem… Você é como os aldeões que não conseguem sentir a alma do caçador”. — Nos...

• Poesia, Publicidade ou sobrevivência • Hugo Miguel Santos •• «Pairing Portugal» é o nome de uma iniciativa do Turismo ...
13/02/2026

• Poesia, Publicidade ou sobrevivência • Hugo Miguel Santos •

• «Pairing Portugal» é o nome de uma iniciativa do Turismo de Portugal que convida 100 poetas portugueses a escrever sobre uma garrafa de vinho pertencente à sua «região». Num mundo onde já nada, nem mesmo a poesia, parece escapar ao regime total da publicidade e do consumo, mas tambem, da precariedade instalada, Hugo Miguel Santos sobrevoa esta iniciativa para interpelar a condição presente e futura de uma poesia cuja sobrevivência radica tanto na defesa da sua autonomia como na recusa da sua conversão em mero veículo de e para a comunicação. Como escreve Hugo, no final do texto: «um poema pensado na qualidade de veículo de comunicação publicitária é um mero oxímoro destituído de qualquer potencial lírico ou artístico. Defender a autonomia e a inoperância do discurso poético — ou seja, a sua necessidade — é a única forma de tornar possível a sua sobrevivência, não só enquanto domínio estético mas também político» •

https://www.revistapunkto.com/2026/02/poesia-publicidade-ou-sobrevivencia.html

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