09/06/2026
Mundial 2026 poderá gerar até 945 milhões de euros em Portugal
Estudo do IPAM revela que o impacto económico do Campeonato do Mundo já não depende da geografia, mas da capacidade dos adeptos, marcas e media amplificarem o evento antes, durante e depois dos jogos.
O Campeonato do Mundo FIFA 2026 poderá gerar em Portugal um impacto económico entre 378 milhões e 945 milhões de euros, dependendo da performance da Seleção Nacional, conclui o estudo Campeonato do Mundo FIFA 2026: análise do impacto económico em Portugal do IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing.
A análise, desenvolvida pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM, revela que o Mundial de 2026 poderá representar o maior impacto económico de sempre em Portugal associado a uma competição que o país não organiza. O valor mínimo estimado, correspondente à fase de grupos, é de 378 milhões de euros. Num cenário intermédio, com chegada aos oitavos de final, o impacto poderá atingir 561 milhões de euros. Em caso de vitória, poderá chegar aos 945 milhões de euros.
Segundo o estudo, este crescimento resulta de quatro fatores principais: aumento do poder de compra, organização da competição em mercados de elevada capacidade económica, Estados Unidos, Canadá e México, alargamento do Mundial para 48 seleções e 104 jogos, e consolidação da economia digital como nova fonte de valor.
"Portugal não precisa de organizar o Mundial para gerar impacto económico relevante. O que este estudo demonstra é que o valor do futebol deixou de estar concentrado no estádio ou no país anfitrião. Hoje, o impacto é criado através do consumo, da atenção, da interação digital e da capacidade dos adeptos amplificarem o evento", afirma Daniel Sá, diretor Executivo do IPAM.
O estudo identifica uma transformação estrutural no modelo económico do futebol. Embora o consumo tradicional continue a representar a maioria do impacto, cerca de 77%, a componente digital já representa 23% do valor estimado, através de plataformas de streaming, redes sociais, engagement e criação de conteúdos por utilizadores.
O consumo doméstico surge como a principal categoria de impacto, representando 26% do total, seguido da restauração, com 15%, e da publicidade e media, com 14%. Já no bloco digital, as plataformas de streaming e OTT representam 10%, o engagement nas redes sociais 7% e a chamada content economy 6%. Cartas e cromos, 5%, e merchandising, 4%, indicam que o Mundial ativa economias emocionais e colecionáveis, com forte tração em segmentos específicos e em ciclos de compra por impulso. As apostas, 6%, surgem como componente relevante, mas já integrada numa lógica de entretenimento e conveniência.
"O futebol continua a gerar consumo, mas o crescimento está cada vez mais na forma como esse consumo é partilhado, comentado, transformado em conteúdo e amplificado. Quase um em cada quatro euros gerados pelo Mundial já vem do digital", acrescenta ainda Daniel Sá.
A investigação destaca ainda o papel do adepto como novo ativo económico. De acordo com o estudo, um adepto casual poderá gerar entre 40 e 70 euros durante a competição, enquanto adeptos intensivos e digitais podem atingir valores muito superiores, devido à combinação entre consumo recorrente, presença multi-plataforma, interação social e influência sobre outros consumidores.
Para o IPAM, o Mundial 2026 antecipa também desafios estratégicos relevantes para marcas, media e entidades públicas. As marcas terão de abandonar modelos rígidos de planeamento e apostar em ativações em tempo real. Os media terão de combinar televisão, streaming e conteúdos digitais. Já o setor económico poderá beneficiar não apenas através da restauração, retalho e turismo, mas também através de novas receitas associadas a plataformas, criadores de conteúdo e economia da atenção.
O estudo deixa ainda uma reflexão para o Mundial 2030, que terá Portugal como um dos países organizadores: organizar um evento desta dimensão não garante, por si só, impacto económico. O verdadeiro valor dependerá da capacidade de ativação estratégica antes, durante e depois da competição.
"Quem souber interpretar o Mundial 2026 ganha mais do que quem apenas o transmite. Esta é talvez a principal conclusão do estudo: o valor do Mundial já não está apenas no evento, está na forma como é ativado", conclui Daniel Sá.
O estudo Campeonato do Mundo FIFA 2026: análise do impacto económico em Portugal foi desenvolvido pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM, com base no modelo de previsão de impacto económico desenvolvido pelo UK Sport e aplicado pelo IPAM desde 2012. A análise considera quatro momentos de impacto – estágio, fase de grupos, eliminatórias e vitória – e integra variáveis tradicionais e digitais, incluindo consumo doméstico, restauração, publicidade, media, apostas, merchandising, viagens, streaming, redes sociais e produção de conteúdos.