03/01/2026
Há países a viver em opressão há décadas.
Países onde as pessoas não votam.
Países onde mulheres não têm direitos.
Países onde minorias são perseguidas, presas ou mortas.
Países onde não há imprensa livre, nem oposição, nem futuro.
Onde estavam estas “urgências morais” todos estes anos?
Porque não esses países?
Porque não todos?
Ou então sejamos honestos: não é sobre liberdade.
É impossível não notar o contraste brutal:
Os imigrantes desses mesmos países são tratados como problema.
Como ameaça.
Como peso.
Fecham-se fronteiras.
Erguem-se muros.
Endurecem-se discursos.
Mas, de repente, lembramo-nos deles… quando convém.
Coitadinhas das pessoas que vivem oprimidas dizem.
E eu concordo.
Mas há milhões de pessoas oprimidas no mundo inteiro.
Sempre houve.
Então não nos enganemos a nós próprios.
Claro que tem de se fazer alguma coisa.
Claro que não podemos normalizar ditaduras, miséria e abuso de poder.
Claro que alguém tem de agir.
Mas pelas razões certas.
Com critérios claros.
Com coerência.
Com humanidade.
Não à bomba seletiva.
Não à indignação conveniente.
Não à liberdade usada como slogan enquanto se fecham os olhos a tudo o resto.
Porque quando a ajuda só chega onde há interesse…não é ajuda.
É negócio.
E o povo mais uma vez f**a no meio, esmagado entre discursos bonitos e consequências reais.
E isso não é democracia.
Não é justiça.
Nem é liberdade.
É só mais uma jogada de poder disfarçada de boa intenção.
E talvez o mais assustador seja isto:
já vimos este filme antes.
E nunca acaba bem.