07/11/2025
Hoje ouvi: "Durante toda a minha vida aprendi a chorar para dentro." Esta frase foi um murro no estômago. Não por nunca ter imaginado ou ser novo para mim, mas porque acredito que foi a primeira vez que a pessoa o disse em voz alta. O seu olhar tremia tal como as palavras e quando o disse abraçou-me e baixinho agradeceu. Confidenciou-me, baixinho, que só com a sua mãe havia chorado enquanto criança.
Toda a partilha andou a girar na minha mente o dia todo, assim como, a apertar o coração.
Porquê? Porque é exatamente isso que muita gente faz a vida inteira. Vive-se segurando a dor no peito, engolindo o choro, escondendo muito atrás de um sorriso automático, daqueles que ninguém questiona.
Como se em algum momento da vida se tivesse aprendido que não dá para parar, que não se pode mostrar sentimentos de dor e/ou fragilidade, que não há espaço para cair, que se tem de aguentar por si ou por outros ou que ninguém quer ou pode saber.
Todos os dias acabo por conhecer verdadeiros heróis de carne e osso, aqueles que me fazem entender o seu presente pois viveram muito passado. E é com eles que entendo a enorme construção de fortalezas humanas. Não foram forjadas no fogo tal como o aço e muito menos feitas de pedras, as suas muralhas são feitas de pérolas de tanto chorar para dentro.
Há tanta gente forte entre nós que se julga fraco E não tem ideia que é enorme.
Foi forte a vida inteira, não porque escolheu, foi por não ter escolha, porque precisou ser.
Forte porque ninguém perguntou se aguentava. Forte porque não teve opção.
Forte porque teve que seguir.
Forte porque assim era suposto.
Forte porque era a forma de estar ao lado e apoiar.
Forte porque era a única forma que lhe ensinaram a amar.
Forte porque assim aprendeu.....tantas, tantas razões e vidas...
.. Uns descarrilaram no caminho, outros mantiveram a rotina com perfeição, trabalhando, cuidando dos outros, resolvendo tudo... Mas por dentro f**aram exaustos. E estão e creio ser difícil deixarem de estar ou permitirem-se deixar o carrasco. Mas assim ainda têm a generosidade de ser os primeiros a olhar nos olhos, sentir o que conhecem tão bem e dizer: "Estou aqui para o que precisar".
Mesmo machucados, continuam a ser abrigo. E isso parte-me o coração embora entenda perfeitamente... Como entendo, mas dói-me.
Porque às vezes, tudo o que essas pessoas precisavam era de alguém que dissesse: "Sente-se aqui comigo não precisa dizer nada, apenas estar ao lado." Mas quase ninguém pergunta, quase ninguém vê, quase ninguém olha, quase ninguém se importa.
Numa altura onde existem tantas pessoas cheias de gratidão, cheias de empatia, de espiritualidade, de fé, de especialistas e cotching onde está a simples humanidade e gentileza?
Porquê?
Porque nunca se sabe quando a sua/nossa palavra vai ser a única coisa boa no dia de alguém. Nunca se sabe quem está a sorrir mas a implorar por ajuda por dentro.
Seja presença.
Seja abrigo.
Seja amor.
Porque quem aprendeu a chorar por dentro... Só queria, pela primeira vez, poder chorar pra fora. Nos braços de alguém que f**asse. De alguém que realmente se importasse.
Só! Nada mais.
❣️