Life is a Cabaret

Life is a Cabaret Inspira-me a vida na sua simplicidade... A situação mais banal pode resultar numa inspiração brutal!

Quero rodear-me de mulheres que, noutros tempos, iriam para a fogueira comigo...Não quero mulheres que baixem a voz para...
05/09/2026

Quero rodear-me de mulheres que, noutros tempos, iriam para a fogueira comigo...

Não quero mulheres que baixem a voz para não incomodar.
Quero as que entram numa sala e fazem o patriarcado verif**ar se deixou o gás ligado.

Quero mulheres incómodas.
As que dizem “não” sem apresentar um PowerPoint a justif**ar.
As que mudam de ideias.
As que envelhecem sem pedir desculpa.
As que se divorciam, recomeçam, falham, levantam-se e ainda têm a lata de rir pelo caminho.

Quero mulheres que tenham histórias que não cabem numa conversa de elevador.

Mulheres que já tenham sido chamadas loucas, difíceis, histéricas, egoístas, arrogantes ou “demasiado”.

Principalmente “demasiado”!

Porque quase sempre “demasiado” signif**a apenas: não suficientemente domesticada.

Quero amigas com quem possa falar de tudo: s**o, dinheiro, menopausa, homens, filhos, fracassos, ambições, medo, morte e aquela vontade ocasional de mandar toda a gente para um sítio onde não haja Wi-Fi.

Quero mulheres que não estejam permanentemente a competir umas com as outras. Principalmente isso!

Que saibam que elogiar outra mulher não lhes rouba beleza, inteligência, dinheiro, espaço ou protagonismo.

Quero aquelas que, perante uma injustiça, não perguntam:

— “Mas tens a certeza?”

Perguntam:

— “Onde é que é a fogueira?”

E vão comigo! E eu vou com elas!

Porque a certa altura da vida percebemos que não precisamos de uma multidão.

Precisamos de uma tribo!

De mulheres que nos vejam inteiras — com as cicatrizes, as contradições, os disparates e a força — e pensem:

“É desta que eu gosto. Desta não me livro.”

E se tivermos de "arder"?

Que seja de calor humano, juntas numa fogueira, não para arder, mas para nos ver crescer!

O RITUAL SAGRADO DO HOMEM QUE LAVA O CARROHá homens que lavam o carro.E depois há homens que LAVAM O CARRO!São coisas co...
05/09/2026

O RITUAL SAGRADO DO HOMEM QUE LAVA O CARRO

Há homens que lavam o carro.

E depois há homens que LAVAM O CARRO!

São coisas completamente diferentes.

O primeiro pega numa mangueira, passa água, mete detergente, seca e vai à vida dele.

O segundo entra num estado de consciência alterado.

Naquele momento, o carro deixa de ser um meio de transporte e passa a ser a mulher da vida dele.

E ai de quem se atreva a tocar-lhe.

Tudo começa com a preparação.

O homem escolhe o dia.

Normalmente um sábado de manhã, quando a mulher está a tentar perceber porque é que a casa continua a parecer um campo de refugiados apesar de ter passado a semana inteira a arrumar.

Ele levanta-se cedo.

Não para levar os filhos a uma atividade.

Não para fazer o pequeno-almoço.

Não para arrumar a cozinha.

Para lavar o carro.

É uma emergência nacional.

Vai buscar os produtos.

E não são “produtos”.

São produtos específicos.

Champô para carro.

Cera.

Abrilhantador.

Produto para pneus.

Produto para jantes.

Produto para plásticos.

Produto para vidros.

Produto para uma coisa qualquer que nós nem sabíamos que existia.

Tem mais cosméticos para o carro do que a mulher para a cara.

Depois começa.

Primeiro, a água.

Com uma concentração que faria sentido se estivesse a lavar um cadáver encontrado no local de um crime.

Depois a esponja.

E aqui entramos numa zona proibida.

Não se usa qualquer esponja.

Há uma esponja para a carroçaria.

Outra para as jantes.

Outra para os pneus.

Provavelmente existe uma quarta para zonas que só o homem conhece e que, se perguntarmos, responde:

— “É para não riscar.”

Claro.

Porque aparentemente a pintura do carro é feita de porcelana Ming.

Depois vem a lavagem dos vidros.

Devagar.

Muito devagar.

Com movimentos circulares.

O homem olha para o reflexo no vidro e vê-se a si próprio.

E nesse instante percebe:

é feliz.

Não precisa de terapia.

Não precisa de férias.

Não precisa de conversar sobre sentimentos.

Precisa de um pano de microfibra.

Depois passa aos pneus.

Aqui já estamos perante uma operação estética.

Os pneus recebem mais atenção do que algumas mulheres recebem no casamento.

Produto.

Escova.

Enxaguamento.

Secagem.

Abrilhantador.

O homem agacha-se.

Observa.

Levanta-se.

Dá dois passos para trás.

Volta a agachar-se.

Porque há uma mancha.

UMA MANCHA.

E aquilo passa imediatamente a ser uma questão de honra.

— “Olha isto.”

Nós olhamos.

Não vemos absolutamente nada.

— “Estás a ver?”

— “Não.”

— “Aqui.”

Continua sem estar lá nada.

Mas já percebemos que não é suposto discordar.

Finalmente, chega a parte mais perigosa:

o interior.

O homem abre as portas e começa a aspirar.

Debaixo dos bancos.

Entre os bancos.

Dentro dos compartimentos.

No porta-luvas.

No porta-bagagens.

E, se for necessário, desmonta emocionalmente o veículo inteiro.

Encontra uma moeda de vinte cêntimos de 2018 e anuncia:

— “Olha o que encontrei.”

Como se tivesse descoberto petróleo.

Depois limpa o tablier.

E aí acontece uma coisa extraordinária.

O homem passa o pano por uma superfície que ninguém tinha reparado que estava suja e diz:

— “Estava cheio de pó.”

Estava.

Porque o pó é um problema gravíssimo quando está no tablier.

Na estante da sala?

Não.

Na mesa da cozinha?

Também não.

No carro?

Crime ambiental.

Quando termina, dá a volta ao veículo.

Contempla-o.

Não fala.

Está emocionado.

O carro brilha.

Os pneus estão pretos.

Os vidros parecem inexistentes.

O tablier está mais limpo do que a sala de operações de um hospital.

E então vem o momento final.

O homem pega nas chaves.

Abre a porta.

Senta-se.

Liga o motor.

E f**a ali.

Sem sair do lugar.

Durante cinco minutos.

Porque precisa de apreciar a obra.

A mulher aproxima-se:

— “Então, vamos?”

Ele responde, ofendido:

— “Não estás a ver que acabei agora?”

E é nesse momento que percebemos.

Não lavou um carro.

Construiu uma relação.

Uma relação baseada em confiança, dedicação, silêncio e produtos de limpeza.

Uma relação em que ele sabe exatamente quando mudar o óleo, a pressão dos pneus e o filtro do habitáculo.

Mas não faz ideia de quando foi a última vez que a mulher lhe disse:

— “Precisava que me ouvisses.”

Porque há homens que não sabem falar de sentimentos.

Mas sabem perfeitamente distinguir cera líquida de selante cerâmico.

E talvez seja essa a verdadeira masculinidade moderna:

não conseguir dizer “amo-te” sem engasgar,

mas conseguir passar quarenta minutos a limpar uma jante

que já estava limpa.

Life is a Cabaret.

E o carro está impecável!

Hoje o meu pai faria 76 anos...E há qualquer coisa de profundamente injusta nas datas.O calendário continua a fazer o se...
03/09/2026

Hoje o meu pai faria 76 anos...

E há qualquer coisa de profundamente injusta nas datas.

O calendário continua a fazer o seu trabalho, indiferente a quem ficou pelo caminho. Setembro chega, o dia chega, os 76 chegam… mas ele não.

Hoje não lhe posso ligar para dizer “Parabéns, pai”.

Não posso ouvir a voz dele do outro lado.
Não posso perguntar-lhe o que quer fazer para comemorar.
Não posso discutir com ele sobre qualquer coisa estúpida.
Não posso dar-lhe um abraço.

Posso apenas lembrar-me.

E lembro-me muito...

Há pessoas que, quando morrem, deixam um vazio.

Os pais deixam mais do que isso.

Deixam uma espécie de silêncio permanente dentro de nós. Um lugar onde continuamos a falar com eles, mesmo sabendo que já não vão responder.

O meu pai morreu há quatro anos.

E ainda há dias em que me esqueço disso durante alguns segundos.

Acontece qualquer coisa e penso: “Tenho de contar isto ao meu pai.”

Depois lembro-me.

E é nesse instante que a saudade bate outra vez.

Hoje não quero pensar nos 76 anos que ele não chegou a ter.

Quero pensar nos anos que teve.

Na vida que viveu.
Nas pessoas que amou.
Nas coisas que me ensinou.
Nas memórias que deixou.

Porque a morte pode levar uma pessoa.

Mas não consegue levar aquilo que essa pessoa deixou em nós.

E o meu pai deixou-me muito.

Hoje, onde quer que esteja, espero que haja festa.

Porque, se há coisa que a vida me ensinou, é que devemos celebrar enquanto podemos.

Por isso, hoje levanto o copo por ti.

Parabéns, pai!

Tinham de ser 76.

Mas, para mim, vais continuar a ter a idade que tinhas quando ainda podias atender o telefone.

E eu ainda vou continuar a ter vontade de te ligar.

Todos os anos.

Até ao fim dos meus. ❤️

Porque é que abrimos a boca quando estamos a maquilhar os olhos?Há perguntas que a humanidade devia ter respondido há sé...
02/09/2026

Porque é que abrimos a boca quando estamos a maquilhar os olhos?

Há perguntas que a humanidade devia ter respondido há séculos.

Como é que construímos pirâmides?

Como é que fomos à Lua?

Porque é que há homens que dizem “não tenho nada para vestir” enquanto têm 47 T-shirts pretas?

E, sobretudo:

PORQUE É QUE ABRIMOS A BOCA QUANDO ESTAMOS A MAQUILHAR OS OLHOS?

Ninguém sabe.

É um dos grandes mistérios da anatomia feminina.

Pegamos no rímel, aproximamos a escova do olho e a boca abre-se.

Automaticamente.

Sem autorização.

Sem aviso prévio.

A boca simplesmente abandona o posto.

E quanto mais concentração exigimos, mais aberta f**a.

Estamos a fazer um eyeliner com a precisão de um cirurgião cardíaco e temos a boca escancarada como se estivéssemos à espera que nos atirem uma maçã.

Olhamo-nos ao espelho e pensamos:

— Que raio estou eu a fazer?

Nada.

O cérebro está ocupado.

Porque, aparentemente, não é possível coordenar uma mão, um olho e uma boca fechada ao mesmo tempo.

É demasiada tecnologia para o sistema operativo feminino.

E depois começa o ritual.

Cabeça inclinada.

Pescoço esticado.

Um olho semicerrado.

A outra sobrancelha levantada até à linha do cabelo.

Boca aberta.

Respiração suspensa.

E aquela expressão facial de quem está a tentar desarmar uma bomba nuclear.

Tudo isto para pôr rímel.

RÍMEL.

Não estamos a operar um aneurisma.

Estamos a tentar fazer com que as pestanas pareçam ligeiramente mais interessantes.

E há sempre aquele momento em que a escova toca no olho.

— Fo***se!

Piscamos.

Borratamos tudo.

Parecemos uma viúva num velório debaixo de chuva.

Limpamos.

Tentamos novamente.

A boca abre.

Porque desistir não é opção.

Aos 20 anos, maquilhávamo-nos para f**ar bonitas.

Aos 30, para parecermos descansadas.

Aos 40, para ninguém perceber que já acordámos cansadas.

E agora estamos ali, às sete da manhã, de boca aberta diante do espelho, a tentar desenhar uma linha perfeitamente simétrica enquanto a nossa coluna pede reforma antecipada.

E o mais bonito é que fazemos isto diariamente.

Depois saímos de casa convencidas de que estamos fabulosas.

Até entrarmos no carro.

Ligarmos a câmara frontal.

E descobrirmos que um olho está maquilhado para um casamento e o outro para um assalto.

Mas continuamos.

Porque a mulher moderna é isto:

uma criatura biologicamente incapaz de fechar a boca enquanto pinta os olhos, mas perfeitamente capaz de dizer “estou ótima” enquanto a vida lhe está a arder por dentro.

E talvez seja essa a verdadeira explicação.

Abrimos a boca para maquilhar os olhos porque, algures na evolução, o nosso corpo percebeu:

se vais olhar para a tua vida de frente, mais vale teres pelo menos um bom eyeliner.

Life is a Cabaret. 💄🖤

28/08/2026

Bilhete para MEO Kalorama já oferecido!!!

Espero que se divirta tanto quanto eu faria! Enjoy!

Boa tarde gente gira!Tenho um bilhete Meo Kalorama, para HOJE, sexta-feira, no Parque da Bela Vista (LISBOA), mas outros...
28/08/2026

Boa tarde gente gira!

Tenho um bilhete Meo Kalorama, para HOJE, sexta-feira, no Parque da Bela Vista (LISBOA), mas outros eventos apareceram entretanto! 😎

Dia 28/08 (HOJE), conta entre outros, com Robbie Williams, Violent Femmes, Grace Jones, Interpol, and so on...

Aos interessados, o bilhete é OFERTA minha!!

Vou f**ar f******se não conseguir oferecer a alguém... Aos interessados, mandem mensagem privada, sff.

Fui verif**ar e ainda há bilhetes à venda, caso queiram ir a dois, a três, etc.😅

Há encontros na vida que não parecem acontecer por acaso.Acontecem.Sem aviso. Sem preparação. Sem sequer percebermos mui...
27/08/2026

Há encontros na vida que não parecem acontecer por acaso.

Acontecem.

Sem aviso. Sem preparação. Sem sequer percebermos muito bem porquê.

Duas pessoas cruzam-se, duas histórias diferentes encontram-se no mesmo lugar, no mesmo momento, e qualquer coisa muda. Pode ser uma conversa, um olhar, uma gargalhada, uma coincidência improvável ou simplesmente aquela sensação estranha de que já conhecemos alguém antes de realmente o conhecer.

Chamamos-lhe acaso porque é mais fácil.

Mas há coisas que sentimos antes de conseguirmos explicá-las.

As energias cruzam-se.

E quando isso acontece, nem sempre signif**a que aquela pessoa veio para f**ar. Às vezes veio para nos acordar. Para nos ensinar alguma coisa. Para nos devolver uma parte de nós que tínhamos perdido. Para nos mostrar que ainda conseguimos sentir. Ou simplesmente para nos fazer perceber aquilo que já não queremos.

Há pessoas que entram na nossa vida como uma tempestade.

Outras entram como silêncio.

E algumas chegam sem fazer barulho, mas f**am a ecoar dentro de nós durante muito tempo.

O mais curioso é que nunca sabemos, no momento do encontro, a importância que aquela pessoa vai ter na nossa história.

Só percebemos depois.

Depois de tudo acontecer.

Depois das conversas, das gargalhadas, das lágrimas, das desilusões, das escolhas e das despedidas.

Porque há encontros que duram anos e não signif**am nada.

E há encontros que duram pouco tempo e conseguem mudar uma vida inteira.

Talvez seja isso que torna a vida tão imprevisível.

Nós fazemos planos, estabelecemos limites, juramos que não vamos voltar a cometer os mesmos erros e convencemo-nos de que sabemos exatamente o que queremos.

E depois aparece alguém.

E baralha tudo.

Não necessariamente para destruir.

Às vezes, para reorganizar.

Porque nem todas as pessoas que cruzam o nosso caminho vêm para permanecer nele.

Algumas vêm para abrir uma porta.

Outras para nos ensinar a fechá-la.

E outras aparecem simplesmente para nos lembrar que, apesar de tudo o que já vivemos, ainda há partes de nós capazes de sentir coisas que julgávamos mortas.

As energias cruzam-se.

As pessoas encontram-se.

As histórias chocam umas com as outras.

E, no meio de tudo isso, vamos deixando pequenas partes de nós nos outros e trazendo pequenas partes dos outros connosco.

Talvez não seja destino.

Talvez seja apenas a vida a fazer aquilo que sabe fazer melhor:

Colocar pessoas certas nos momentos errados, pessoas erradas nos momentos certos e, de vez em quando, duas pessoas no mesmo lugar, à mesma hora, quando finalmente estão preparadas para se encontrar...

E há pessoas que passam por dentro dela...

Há quanto tempo não fazes algo pela primeira vez?Não estou a falar de comprar uma coisa nova, experimentar um restaurant...
25/08/2026

Há quanto tempo não fazes algo pela primeira vez?

Não estou a falar de comprar uma coisa nova, experimentar um restaurante diferente ou mudar o champô porque estava em promoção... 😅

Falo mesmo de fazer alguma coisa que nunca fizeste antes!

Aquela sensação estranha de não saber muito bem o que estás a fazer. De pareceres ligeiramente ridículo. De teres medo de falhar. De descobrires uma versão tua que ainda não conhecias.

Porque há uma certa idade em que a vida começa a f**ar perigosamente confortável.

Já sabemos onde estacionar.
Já sabemos o que pedir no restaurante.
Já sabemos quem nos irrita.
Já sabemos quais são as pessoas que não queremos voltar a ouvir.

E, sem darmos por isso, começamos a repetir a vida.

Os mesmos lugares.
As mesmas rotinas.
As mesmas conversas.
Os mesmos medos.
As mesmas desculpas.

E chamamos-lhe estabilidade.

Às vezes é, e está tudo certo!

Mas outras vezes é apenas medo com um nome mais bonito.

Fazer alguma coisa pela primeira vez obriga-nos a sair daquele território onde somos especialistas: a nossa própria rotina!

Na primeira vez, não sabemos.

Não sabemos se vamos gostar.
Não sabemos se vamos conseguir.
Não sabemos se vai correr bem.
Não sabemos sequer se vamos parecer completamente idiotas.

E é precisamente aí que está a graça!

Porque talvez tenhamos passado demasiado tempo a tentar parecer adultos competentes, equilibrados e perfeitamente seguros de nós próprios.

Quando, na verdade, também precisamos de ser principiantes.

Precisamos de experimentar.

De aprender uma coisa nova aos 40, aos 50, aos 60.

Precisamos de dizer "nunca fiz isto" sem sentir vergonha.

Precisamos de entrar numa sala onde não conhecemos ninguém.

De viajar sozinhos.

De aprender a dançar.

De fazer uma tatuagem, se nos apetecer.

De pegar numa guitarra e descobrir que talvez tenhamos sido injustamente privados de uma carreira brilhante no mundo da música.

Ou, mais provavelmente, descobrir que ainda bem que nunca tentámos.

Precisamos de aceitar convites que normalmente recusaríamos.

De mudar de opinião.

De conhecer pessoas diferentes.

De experimentar aquele prato estranho.

De fazer aquela viagem.

De começar aquele curso.

De escrever aquele livro.

De mandar aquela mensagem.

De dizer "sim" a qualquer coisa que não seja completamente irresponsável.

E também de dizer "não" a coisas que já não fazem sentido.

Porque fazer algo pela primeira vez não signif**a necessariamente acrescentar coisas à nossa vida.

Às vezes signif**a ter coragem para retirar.

O emprego que nos destrói.

A amizade que só existe quando somos nós a dar.

A relação que já acabou há anos, mas continua a ocupar espaço.

A necessidade de agradar a toda a gente.

A obrigação de sermos sempre a pessoa sensata, disponível e emocionalmente equilibrada enquanto por dentro estamos a pensar:

"Eu só queria desaparecer três dias e não falar com ninguém."

A primeira vez pode ser uma coisa enorme.

Mas também pode ser pequenina.

Tomar café sozinho.

Ir ao cinema sem companhia.

Vestir aquela roupa que guardamos para uma ocasião especial.

Telefonar a alguém de quem temos saudades.

Dizer "amo-te".

Dizer "não quero".

Dizer "não sei".

Dizer "quero tentar".

Porque talvez a vida não seja feita apenas das grandes decisões.

Talvez seja feita destas pequenas estreias que nos lembram que ainda estamos aqui.

Que ainda podemos surpreender-nos.

Que ainda conseguimos sentir aquele friozinho na barriga que não é ansiedade, nem paixão, nem colesterol...

É simplesmente a vida a acontecer.

Por isso, f**a a pergunta:

Há quanto tempo não fazes algo pela primeira vez?

Se a resposta demorar demasiado a aparecer, talvez esteja na hora.

Não precisas de mudar de vida amanhã!

Não precisas de saltar de um avião, comprar uma mota ou abandonar tudo para abrir um bar em Bali.

Começa pequeno...

Faz qualquer coisa que ainda não tenhas feito.

Porque envelhecer é inevitável.

Envelhecer sem experimentar é que é opcional.

E talvez a melhor forma de continuar jovem não seja parecer mais novo, mas sim, continuar a ter primeiras vezes.

Life is a Cabaret, e ainda há muita coisa que não experimentámos!

PS - a última coisa que fiz pela primeira vez na vida, foi este ano, desligar o telefone do trabalho durante as férias todas. É uma coisa pequena, mas para mim, foi gigante e necessária...

Gustavo Santos,Li as tuas declarações sobre o cancro, sobre a quimioterapia e sobre aquilo que, na tua opinião, pode lev...
25/08/2026

Gustavo Santos,

Li as tuas declarações sobre o cancro, sobre a quimioterapia e sobre aquilo que, na tua opinião, pode levar uma pessoa a desenvolver esta doença.

E desta vez não consegui f**ar calada.

Não te escrevo como médica. Não te escrevo como cientista. Não te escrevo sequer como alguém que pretende ter respostas para uma doença que continua a assustar milhões de pessoas.

Escrevo-te como filha.

A minha mãe teve dois cancros do pulmão.

Dois.

E continua viva.

E sabes uma coisa que talvez te surpreenda?

A minha mãe é pessimista. A pior que conheço!

Não passou os tratamentos a repetir frases positivas diante do espelho. Não acreditou que bastava mudar os pensamentos para mudar as células. Não acordou todos os dias convencida de que a força da mente iria resolver aquilo que o corpo estava a enfrentar.

Teve medo.

Teve dias maus.

Teve pensamentos negros.

Teve momentos em que provavelmente preferia estar em qualquer outro lugar do mundo que não numa sala de hospital.

E fez quimioterapia.

Foi a quimioterapia que a salvou.

Não uma suposta vibração positiva.

Não a ausência de pensamentos negativos.

Não uma fórmula espiritual.

Não uma alimentação cuidada (a minha mãe vive de iogurtes)

Não uma promessa de que, se acreditasse suficientemente, o cancro desapareceria.

Foi tratamento médico.

Foi ciência.

Foram médicos, enfermeiros, exames, medicamentos, efeitos secundários, sofrimento e uma enorme vontade de continuar viva.

Por isso, quando ouço alguém sugerir que uma doença como o cancro pode estar relacionada com a forma como uma pessoa pensa, ou que a quimioterapia pode ser vista quase como uma escolha menor perante alternativas baseadas na mente ou na atitude, confesso que me revolta...

Porque há uma diferença enorme entre dizer a alguém “não percas a esperança” e dizer-lhe, ainda que indiretamente, que a doença pode ser consequência daquilo que ela pensa ou sente.

A primeira frase pode dar força.

A segunda pode transformar uma doença numa culpa.

E um doente de cancro já tem medo suficiente sem precisar de carregar também a culpa de não ter sido suficientemente positivo.

A minha mãe não ficou viva porque teve os pensamentos certos.

Ficou viva apesar de ter medo.

Apesar de ser pessimista.

Apesar de haver dias em que provavelmente não acreditava em nada.

Ficou viva porque teve acesso a tratamento.

E porque esse tratamento funcionou.

É perfeitamente legítimo falar de esperança, de saúde mental, de coragem, de qualidade de vida e da importância de uma pessoa se sentir acompanhada durante uma doença.

Mas isso não nos dá o direito de misturar essas coisas com afirmações que podem levar alguém desesperado a desconfiar da medicina ou a acreditar que o tratamento científico é dispensável.

Há palavras que são bonitas quando ditas num palco ou no sofá.

Mas podem tornar-se perigosíssimas quando chegam aos ouvidos de alguém que acabou de ouvir: “Tem cancro.”

Nessa altura, essa pessoa não precisa de um guru que lhe explique que talvez tenha adoecido porque pensou mal.

Precisa de médicos.

Precisa de informação séria.

Precisa de tratamento.

Precisa de apoio.

E precisa, sobretudo, de não ser culpabilizada pela própria doença.

A minha mãe teve dois cancros.

Continua aqui.

E eu agradeço todos os dias à medicina por isso.

Por isso, Gustavo, podes acreditar no poder da mente, na espiritualidade, na energia, no pensamento positivo ou no que quiseres.

É um direito teu.

Mas quando falamos de cancro, convém não confundir crença pessoal com evidência científ**a.

Porque há pessoas que não estão a ouvir uma palestra.

Estão a lutar pela vida.

E quando alguém está a lutar pela vida, as palavras também podem matar.

E, felizmente, no caso da minha mãe, a quimioterapia fez precisamente o contrário.

Salvou-a...

PS - atenção: eu também acredito que uma atitude positiva ajude na cura de várias doenças, mas se fosse assim tão simples, não tínhamos crianças em camas de hospital...

Quando uma caminhada é, afinal, um pedido de ajudaHá pedidos de ajuda que não parecem pedidos de ajuda.Não vêm acompanha...
24/08/2026

Quando uma caminhada é, afinal, um pedido de ajuda

Há pedidos de ajuda que não parecem pedidos de ajuda.

Não vêm acompanhados de lágrimas, de grandes desabafos ou de um dramático “preciso de falar contigo”.

Às vezes chegam assim, quase disfarçados:

“Queres ir fazer uma caminhada comigo?”; "Queres ir dar uma volta?"

E nós, se estivermos atentos, percebemos que talvez a caminhada seja apenas o pretexto.

Porque há pessoas que não sabem pedir ajuda.

Foram ensinadas a aguentar. A resolver. A não incomodar. A engolir o que sentem e continuar.

Então, quando finalmente precisam de alguém, não dizem “não estou bem”.

Dizem:

“Queres ir dar uma volta?”

E talvez estejam a dizer muito mais do que aquilo que as palavras mostram.

Preciso de sair de casa.

Preciso de respirar.

Preciso de não estar sozinho.

Preciso de falar, mas ainda não sei como começar.

Preciso que alguém esteja comigo sem me obrigar a explicar tudo.

Foi isso que pensei quando uma das minhas melhores amigas me pediu para irmos fazer uma caminhada, quando nem é grande fã de caminhar...

À primeira vista, era apenas uma caminhada.

Duas pessoas, algum tempo livre, uns quilómetros pela frente.

Mas há pedidos que aprendemos a ouvir para lá das palavras.

E eu senti que talvez aquele convite não fosse sobre caminhar.

Era sobre estar. Era sobre presença. Era sobre amizade.

Estar perto de alguém que conhece os nossos silêncios. Alguém com quem não precisamos de construir uma versão bonita de nós próprios. Alguém diante de quem podemos dizer “está tudo bem” e, mesmo assim, sermos percebidos quando claramente não está.

Talvez ela não quisesse soluções.

Talvez nem soubesse ainda qual era o problema.

Talvez só precisasse de companhia suficiente para conseguir organizar aquilo que tinha dentro da cabeça.

E isso também é pedir ajuda.

Aliás, talvez seja uma das formas mais humanas de o fazer.

Porque nem sempre precisamos que alguém nos salve.

Às vezes precisamos apenas que alguém caminhe connosco enquanto tentamos descobrir como voltar para casa.

Por isso, quando alguém que amamos nos diz:

“Vamos fazer uma caminhada?”

Talvez valha a pena não responder apenas ao convite.

Talvez valha a pena ouvir o que está escondido por trás dele.

Porque pode ser apenas uma caminhada.

Mas também pode ser alguém a dizer, da maneira que consegue:

“Fica comigo um bocadinho.”

E, às vezes, isso é tudo o que uma pessoa precisa para não sentir que está a carregar o mundo inteiro sozinha...

PS - Fizemos literalmente a caminhada e saímos as duas a ganhar! Nem ela sabe o quanto também me fez bem... De coração cheio!

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