31/05/2026
Eu não sou uma pessoa de extremismos, mas acho que precisamos todos de falar abertamente sobre a maior ameaça à paz pública desde a invenção do despertador: as trotinetes elétricas.
Houve um dia em que alguém olhou para um brinquedo de crianças de sete anos e pensou: "E se lhe pusermos um motor elétrico, uma bateria chinesa e o mandarmos para o meio do trânsito a 25 km/h, conduzido por alguém que bebeu três imperiais?". E o pior é que a sociedade disse: "Força nisso, parece-me um excelente plano comercial"...
Andar na estrada hoje em dia tornou-se um desporto de alto risco! E o problema não é o veículo em si — é a audácia de quem vai lá em cima. Existem, essencialmente, três tipos de condutores de trotinete, e todos eles me causam palpitações:
O Executivo Radical: Vai de fato, gravata ao vento, pasta a tiracolo, com uma cara de quem está a fechar uma fusão de empresas enquanto ultrapassa um autocarro pela direita. Não tem amor à vida, só ao PIB.
O Turista Deslumbrado: Este é o mais perigoso. Vai a conduzir com uma mão, enquanto com a outra filma os Jerónimos para o Instagram. Não sabe onde f**a o travão, não sabe o que é um sinal de STOP e, honestamente, acho que nem sabe bem em que país está.
O Casal Romântico: Duas pessoas espremidas numa base que mal serve para dois pés de tamanho 38. Vão ali, abraçados, a partilhar o mesmo centro de gravidade instável e a desafiar todas as leis da física de Newton. Se caírem, não é um acidente, é um divórcio instantâneo.
E depois há a questão do estacionamento. As trotinetes têm a capacidade mágica de ser deixadas exatamente onde causam mais caos. No meio da passadeira? Sim. Atravessadas na entrada de uma garagem? Com certeza. Plantadas na vertical dentro de um caixote do lixo? Já vi acontecer. Parece que sempre que alguém chega ao destino, simplesmente desliga o cérebro, larga o guiador e deixa o veículo cair para onde o destino quiser. É o "desapego material" levado ao extremo.
Eu própria já tentei andar numa... Mas a verdade é que, no momento em que os meus dois pés saíram do chão, percebi que a minha dignidade tinha f**ado no passeio. Senti-me um pinguim em cima de um aspirador de pó com rodas. Apanhei um buraco na estrada — daqueles que a Câmara Municipal jura que não existem — e quase que me saltaram as obturações dos dentes.
Por isso, meus amigos, quando andarem na rua, mantenham os olhos bem abertos, ok?
Se ouvirem um silvo elétrico muito subtil atrás de vós, não olhem para trás: protejam a cabeça e rezem. 🙏 Porque o perigo não tem duas rodas... tem duas rodas e nenhuma noção...
PS - Andámos nós a estudar o código e a frequentar aulas para agora vermos todo o tipo de gente a andar no meio da estrada com zero noção do perigo. Contra! Sou totalmente contra!