19/05/2017
Steins;Gate*
Um dos temas mais recorrentes das obras de ficção científica contemporânea é viagens no tempo. O conceito de nos encontrarmos a nós próprios ou a outras pessoas que conhecemos no passado e de alterar para sempre o fluxo do tempo é fascinante.�
Steins;Gate, série animada baseada no videojogo com o mesmo nome, enfrenta a viagem no tempo exatamente de um ângulo diferente. E, se em vez de viajarmos fisicamente para o passado, pudéssemos enviar um SMS, ou um “D-Mail” como é apelidado?
Apesar de não ser uma preocupação de Steins;Gate, muitas destas narrativas explicam as regras das viagens com base na relatividade geral de Einstein, que propõe a dependência mútua do espaço e do tempo. As suas equações sugerem a existência de fenómenos extremos como buracos negros (os quais nunca conseguimos observar diretamente, mas temos a certeza que existem devido aos seus efeitos) ou de wormholes (buracos de minhoca), objetos cuja existência se desconhece.
Estes seriam atalhos muito instáveis entre dois pontos do espaço-tempo, que permitiriam enviar massa ou informação para o futuro ou para o passado. Tal instabilidade torna a tarefa de criá-los bastante complicada dado que requerem mais energia quanto maior for a massa ou informação que se quer transportar.
Por esse motivo, os D-Mail, com o seu limite de caracteres bastante baixo, são uma solução muito elegante, dado que são enviados com o auxílio de um aparelho com base num micro-ondas. Também se alinham com a teoria dado que, quanto mais longe para o passado for enviado o D-Mail, mais tempo o micro-ondas alterado precisa de estar ligado para fornecer mais energia ao sistema.
Outro conceito muitas vezes explorado nestas história são as linhas temporais e o multiverso. Esta ideia, baseada na natureza probabilística da mecânica quântica, sugere que existem um número infinito de universos paralelos que obedecem às mesmas regras físicas, mas todos diferentes.�
Steins;Gate propõe então que, ao enviar uma mensagem para o passado, a linha temporal onde Okabe Rintarou (personagem principal do anime) se encontra muda. O quanto os diferentes universos deste multiverso diferem uns dos outros é traduzido pelo número de divergência: quanto mais diferentes, maior o número de divergência, tal que linhas temporais que partilhem acontecimentos importantes dizem-se pertencer ao mesmo campo atrator.
Quem sabe se talvez a realidade do nosso mundo não seja muito diferente desta. Por enquanto, temos que continuar a apenas sonhar e filosofar com as consequências de conseguir manipular o tempo.
* por Tomás Cabrito, aluno do 1º ano de MEFT