17/09/2026
Há uma pergunta que, mais cedo ou mais tarde, pode surgir no coração de cada cristão: se Deus conhece o meu coração e pode perdoar-me diretamente, porque hei de confessar os meus pecados a um homem igual a mim?
O Evangelho de hoje ajuda-nos a perceber que Deus não nos salva à distância. Jesus deixa-Se aproximar, deixa-Se tocar e entra concretamente na vida daquela mulher. O Seu perdão não f**a numa ideia bonita, mas torna-se encontro, palavra, presença e transformação.
É verdade a afirmação que muitas vezes utilizamos de que o sacerdote é um homem como nós. Também ele precisa da misericórdia de Deus. Mas é precisamente através dessa humanidade que Cristo escolheu oferecer-nos o Seu perdão. Na confissão, não vamos simplesmente contar os nossos pecados a um homem; vamos ao encontro de Cristo que, através do ministério do sacerdote, nos diz: «Os teus pecados estão perdoados. Vai em paz.»
A mulher de que nos fala o Evangelho não esconde as suas feridas. Aproxima-se de Jesus com tudo aquilo que é. E Jesus não a humilha. Pelo contrário, restitui-lhe a dignidade. O amor que ela recebe transforma-se numa resposta de amor.
É aqui que podemos também olhar para São Francisco de Assis, no contexto deste 8.º centenário da sua morte. Francisco não quis apenas falar de Cristo. Quis conformar a sua vida com Cristo. E, no monte Alverne, recebeu no próprio corpo a impressão das chagas do Senhor.
As chagas de Francisco recordam-nos que o amor de Deus não é uma teoria. Este deixa deixa marcas. O perdão recebido também deve deixar marcas em nós: uma vida mais humilde, mais reconciliada, mais capaz de perdoar e de amar. Uma vida de paz e bem. Diante disto, talvez seja esta a pergunta que hoje o Senhor nos faz: deixo que a misericórdia de Deus toque realmente as minhas feridas?
Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
XXIV Semana do Tempo Comum