Vidas Alternativas

Vidas Alternativas O programa Vidas Alternativas visa levar informação da melhor qualidade a todos os seus ouvintes e leitores, de maneira objetiva e divertida.

Nossos programas de rádio podem ser sempre ouvidos novamente em nosso blog vidasalternativas.org. Somos uma revista eletrônica produzida gratuitamente por 20 colaboradores brasileiros e portugueses, que traz matérias diversas sobre o mundo LGBTI+, mas não limitado a ele.

Todos já sabemos que o modelo tradicional de família heterossexual, monogâmica e nuclear tem sofrido transformações imen...
20/12/2020

Todos já sabemos que o modelo tradicional de família heterossexual, monogâmica e nuclear tem sofrido transformações imensas nas últimas décadas. Já no século passado, o antropólogo Levi-Strauss dizia que a família não poderia ser considerada uma estrutura fixa (pai, mãe, filhos) e que ela iria além dos laços consanguíneos.
Hoje há famílias formadas por uma mãe solteira ou separada e seus filhos, casais homoafetivos e suas crianças, um casal sem filhos também é uma família. Mas e quando o casal resolve adotar um filhote de qualquer espécie, podemos considerar isto como uma família também? Uma família poderia então ser formada por seres de diferentes espécies?
Para o psicólogo Itamario Fernandes. tratar os animais por termos como ‘filho’ ou ‘filha’ não parece ser algo saudável, por demonstrar-se ali uma fuga da realidade. Ele reconhece, entretanto, que encontramos nestes animais o afeto de que tanto precisamos. Ainda para ele, nos casos onde temos um casal do mesmo s**o a cuidar de um animal como se fosse filho, este casal seria ‘a família’, mas o animal não faria parte dela. Já o psicanalista Marcelo Pombo vê de uma outra forma ao ressaltar que todos somos animais e lembra que o termo ‘animal’ vem de ‘ânimo’, ou seja, ‘vida’. Também afirma que “um núcleo familiar é formado por entes que se amam e se cuidam... chamemos isso de matilha ou de família multiespécie - se isso é fantasiar, é uma fantasia que não faz mal a ninguém”.
Bem, para os casais a seguir, esta discussão técnica do que pode ser família pouco importa: os pequenos (às vezes não tão pequenos assim) são parte real e importante do que eles chamam de família. Recebem não apenas amor, e cuidados mas até mesmo festas de aniversário e presentes de Natal. Podemos discordar de algumas coisas e de suas atitudes, mas não poderemos negar, de forma alguma, que não haja muito amor envolvido. ..............................
Thiago e Marcelo adotaram Panqueca há três anos. O casal nos conta que Panqueca é a alegria da casa, capaz de criar momentos de alegria e compreender o que signif**a tristeza. Marcelo nos contou que no dia da morte da sua mãe, Panqueca sentou ao seu lado e o lambeu por horas - em algum lugar do seu coração Panqueca percebeu que Marcelo precisava ser cuidado e ele estava ali para isso. Thiago e Marcelo pensam em adotar uma criança, Panqueca não teria entrado na vida deles para substituir este desejo. ..............................
Elizabeth e Giselle adotaram a gatinha Teresa Cristina há um ano. Elas moram juntas em Portugal e afirmam que Teresa Cristina é como uma criança esperta: sabe perceber a personalidade de cada uma das mães e se relaciona com cada uma delas diferentemente. Como a Elisabeth é mais reservada, é para ela que ela vai quando quer carinho e aconchego. Giselle, por ser mais extrovertida, é procurada para bagunça. Teresa Cristina também não veio substituir o desejo das meninas por terem filhos humanos.
Teresa Cristina participa de todas as atividades da família, até na montagem da árvore de Natal. Mesmo sem querer, a gatinha é também provedora de comida para a família: a dona de um restaurante japonês que f**a na frente da casa delas reconheceu a gatinha das redes sociais (sim, a gatinha tem uma página no Instagram) e ofereceu às três um jantar super especial!..............................
Leo já tinha a Yorkshire Sofia quando Thomas entrou para a família. Inicialmente a família era formada por Leo, sua mãe e a Sofia. Após o falecimento da mãe de Leo, Thomas se juntou a eles. Sofia é um ‘ser humaninho’ encantador e foi muito fácil que os três se tornassem mais uma família improvável.
Leo e Sofia ainda sentem a ausência da mãe de Leo e parece que Sofia entende exatamente quando são estes momentos. Ele diz que nestes momentos de tristeza, ela apenas se aproxima, lambe-o, deita junto e dorme ao seu lado.
Depois de longas discussões, o casal chegou a conclusão que vão adotar uma criança. O objetivo da família é futuramente viver em uma fazenda, rodeados de filhos e animais - ‘estilo Rita Lee’, em suas palavras. ..............................
Jhunior, Emerson e Billy estão junto há dois anos. O casal Jhunior e Emerson já estavam juntos há outros dois anos quando perderam Spaik. Billy ajudou a amenizar a dor. Para Jhunior, Spaik e agora o Billy o ajudaram a entender o que signif**a ser pai: ensinar, dar bronca, brincar, lidar com o constante medo de perder e cuidar dos pequenos nos momentos de doença - Billy tem crises epiléticas. Eles dizem sonhar com aquela foto de família, onde o casal esteja rodeado por seus filhos humanos e Billy.
Billy nasceu no dia 25 de dezembro e está com o casal em todos os lugares, todos os momentos. Natal sem Billy não seria Natal, afinal é aniversário de Jesus mas do Billy também. ..............................
Airton e Victor consideram realmente o Omar como filho. Como os demais casais, eles também pensam em ter um filho humano, mas que jamais tomará o espaço que o Omar possui. Eles contam que o início da adaptação de Omar com eles não foi dos mais fáceis - Omar levou um tempo para perceber que estava seguro nesta nova família. Hoje, é o centro da casa, senta à mesa com seus pais e... não haverá Natal sem Omar. ..............................
Luiz e Leury tem dois pets-gêmeos: Nick e Capuccino. Estão juntos desde 2016. Foi através dos ‘meninos’ (como Leury os chama) que eles aprenderam o real signif**ado de ‘amor incondicional’. E este amor incondicional vem dos dois lados: da amor eterno dos meninos pelos pais e da superação da raiva e frustação quando Luiz e Leury descobrem móveis roídos, sofás destruídos e chinelos comidos.
Já se vão 5 Natais e sempre juntos. Se forem convidados para irem à casa de alguém, os meninos vão sempre junto. E para eles o que sempre mais chama a atenção é que recebem tanto deles, dando tão pouco de volta. “O que é água e ração em comparação a todo o amor que recebemos destes dois?”, Leury se questiona.

Então é Natal!E nossos colunistas de 'Juventude e Artes' discutem o tema, cada um de sua forma e de acordo com sua área ...
17/12/2020

Então é Natal!
E nossos colunistas de 'Juventude e Artes' discutem o tema, cada um de sua forma e de acordo com sua área de atuação.
Ho Ho Ho Ho

Então é Natal!E nosso colunista de 'Identidade LGBT' discute o tema, cada da sua forma e de acordo com sua área de atuaç...
17/12/2020

Então é Natal!
E nosso colunista de 'Identidade LGBT' discute o tema, cada da sua forma e de acordo com sua área de atuação.
Ho Ho Ho Ho
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Uma Ode à Libertação

Ao se vivenciar uma identidade de gênero e/ou orientação sexual distinta da cisheteronormatividade, torna-se extremamente complexo vivenciar as tais festas de final de ano, que remetem à ideia de convivência harmônica entre familiares e amigos, pelo fato de que esse cenário idealizado em um comercial desses de margarina não é o vivido pela maioria de tr****tis e transe***is que são expulsas e expulsos de casa em sua tenra idade e tem que lidar com o abandono.

Quando se pensa em amor entre familiares co-sanguineos, se remete ao conceito de incondicionalidade do afeto, pela crença de que o sangue fala mais alto. Porém, essas famílias estão inseridas em contextos sociais, políticos, econômicos e culturais muito demarcados pelo machismo, misoginia, lgbtfobia, racismo e aporofobia (fobia aos pobres ou desfavorecidos) e, por estas questões, um número considerável de famílias expulsam seus filhos ou suas filhas de casa, propõem curas com objetivo de reverter sexualidade e gênero e/ou simplesmente os (as) matam de forma hedionda visando aplacar a vergonha que aquela pessoa cometeu contra a honra da família.

As alternativas que tr****tis e transe***is possuem nessas datas festivas é reunirem-se em busca de alento, na busca de aplacar a solidão que sofrem. Quando isso não é possível, muitas vezes se sujeitam a estarem com seus familiares, quando ainda resta algum tipo de relação familiar. Havendo impossibilidades desses contextos as pessoas trans f**am solitárias, podendo aumentar o índice de suicídio em virtude do sentimento de não pertencimento e de abandono que se evidencia nesses momentos de celebrações familiares.

No meu caso como homem trans gay prefiro me recolher nessas épocas e encarar o fato de que sempre serei um estranho no ninho nas ditas confraternizações e mesmo que compareça a algumas para buscar algum tipo de contato, as conversas sempre f**am relembrando o meu passado e nessa tentativa de criar uma espécie com estes indivíduos me perco um pouco do que sou e, por isso, escolhi esses dias para me refugiar e expressar minha verdade sem nenhum tipo de preocupação com passado, presente ou futuro.

Neste Natal e final de ano me libertarei dessas convenções e serei meu próprio refúgio para recarregar as energias para as árduas batalhas de 2021, sem nenhum tipo de plano nacional de vacinação, programas sociais voltados à retomada da economia e sem nenhum tipo de empatia por aqueles que se foram em decorrência da pandemia.

Então é Natal!E nossos colunistas de 'Saúde Integral' discutem o tema, cada um de sua forma e de acordo com sua área de ...
17/12/2020

Então é Natal!
E nossos colunistas de 'Saúde Integral' discutem o tema, cada um de sua forma e de acordo com sua área de atuação.
Ho Ho Ho Ho

Ser colunista do “Vidas Alternativas” é....Comecei a escrever neste projeto de vivências d'além mar em maio deste ano e ...
06/12/2020

Ser colunista do “Vidas Alternativas” é....

Comecei a escrever neste projeto de vivências d'além mar em maio deste ano e pude abordar várias temáticas que perpassam desde os impactos da pandemia até segredos, reconhecimento, dores, política, fake news, alegrias, dinheiro, reflexões e preconceitos entre outras.

Destaco que neste projeto alcancei diferentes públicos, e com isso ampliei meu número de leitores e disseminei perspectivas acerca da transmasculinidade e das diversidades existentes nos quesitos se***is e de gêneros sob o viés político-social, visando promover discussões a partir dos pontos em que se originam os ditos pré-conceitos ou preconceitos acerca da transexualidade, para assim mostrar a ideia construcionista histórica vigente na humanidade e, com isso, criar estratégias de superação destes conceitos.

A cada quinzena me preparo para tecer considerações acerca de temáticas que me desafiam. Por viver o dilema entre o afastamento e aproximação com cada uma delas sou capaz de expressar ao público que apesar da minha transmasculinidade e homossexualidade, sou um indivíduo com aspirações, sonhos, desejos, inquietudes e subjetividades como qualquer outro e, que a minha existência não está ligada a determinadas linhas do saber e sim à pluralidade.

Participei de outras ações nas quais objetivava difundir a transmasculinidade e a diversidade vigente nesta identidade de gênero para questionar o binarismo de gênero. Mas, nesta iniciativa fui desafiado a me perceber não só como um homem trans gay, mas também acadêmico, militante, ativista e um futuro filósofo, objetivando assim expressar ao mundo minhas habilidades jornalísticas por um viés literário, pelo qual possa contribuir na ampliação do repertório cultural, social e intelectual de leitores acerca da realidade de pessoas trans, promovendo a reflexão sob a objetif**ação, fetichização e deslegitimação vivenciadas por homens trans, mulheres transe***is e tr****tis numa sociedade que não publiciza a epistemologia e a história deste grupo social.

Meu desafio no “Vidas Alternativas” é estar num estado de auto-reflexão constante para superar minhas limitações e vivenciar minhas inquietudes de forma intensa, visando apresentar através da perspectiva de uma vivência trans, novos horizontes a todes sobre fenômenos sociais, culturais, políticos e econômicos.

Nesta semana, os nossos colunistas de 'Juventude e Artes' falam sobre O AMOR. Em nome dele fizeram guerras, em nome dele...
03/12/2020

Nesta semana, os nossos colunistas de 'Juventude e Artes' falam sobre O AMOR. Em nome dele fizeram guerras, em nome dele declarou-se a paz.
Veja o que cada um deles tem a dizer sobre o assunto.

Nesta semana, o nosso colunista de 'Identidade LGBTI+' fala sobre O AMOR. Em nome dele fizeram guerras, em nome dele dec...
03/12/2020

Nesta semana, o nosso colunista de 'Identidade LGBTI+' fala sobre O AMOR. Em nome dele fizeram guerras, em nome dele declarou-se a paz.
Veja o que ele tem a dizer sobre o assunto.

Amor: Um privilégio ser cis-heteronormativo

Paquerar, fazer s**o, amor, namorar e casar, para alguém que está num gênero determinado como padrão é algo corriqueiro. Mas, para um homem trans é viver tendo que se explicar para a pessoa com quem se relaciona acerca de sua transição de gênero, pelo fato das pessoas encararem a transexualidade como um tabu.

A sociedade em geral não compreende pessoas transe***is como humanas e sim como seres raros e dignos de curiosidades extremas acerca de seus genitais e de sua vida sexual. Isso é algo incômodo porque pessoas trans tem subjetividades como qualquer outro indivíduo. Se um homem cisgênero gay ou bi*****al passa a se relacionar com um homem trans a sua orientação sexual passa a ser questionada socialmente e, por esta razão, relacionamentos entre homens trans, mulheres cis e/ou homens cis são permeados por situações constrangedoras.

Com o objetivo de evitar estes contratempos e vivenciar afetos, pessoas trans passam a se relacionar entre si buscando apoio mútuo e o reconhecimento de dores e alegrias, mas ainda assim enfrentam preconceitos nos quais a sua identidade de gênero, afetividade e sexualidade passam a ser vistas com desconfiança. Acontece se um homem trans se relaciona com uma tr****ti ou mulher transexual, e caso um homem trans tenha uma relação com outro homem trans, na visão social está tendo uma relação lé***ca e não homossexual e isto também ocorre no caso de mulheres transe***is ou tr****tis que se relacionam entre si devido à ideia hegemônica da construção de gênero estar atrelada a genitais, características corpóreas e cromossômicas.

Os modelos afetivos, se***is e familiares tidos como normais e aceitos não dão conta da diversidade humana e, num modelo social no qual os dogmas religiosos servem para corrobar preconceitos e estigmas com relação à transexualidade, tornam a vivência de homens e mulheres trans ou tr****tis extremamente complexa em razão da exigência da passabilidade, ou seja, que as pessoas trans devem ter características consideradas visíveis do gênero ao qual reivindicam socialmente e, além disso, não expressarem a sua identidade de gênero de forma andrógina ou expor uma orientação sexual distinta da heterossexualidade visando adotar um padrão cisgênero na vivência transexual. Por estas razões, as pessoas transe***is estão condenadas a uma solidão compulsória por serem vistas com piedade, como diversão, como objetos para satisfação sexual. Nesses termos, f**a a reflexão para homens e mulheres cisgêneros de todas as orientações afetivas-se***is que sentem atração afetivo-sexual por pessoas transe***is e tr****tis, a reflexão de que amá-las é uma responsabilidade que jamais pode ser encarada sob uma perspectiva heroica.

* Cisgênero - definição para pessoas que cuja identidade de gênero corresponde ao gênero que lhe foi atribuído no nascimento.

Nesta semana, os nossos colunistas de 'Saúde Integral' falam sobre O AMOR. Em nome dele fizeram guerras, em nome dele de...
03/12/2020

Nesta semana, os nossos colunistas de 'Saúde Integral' falam sobre O AMOR. Em nome dele fizeram guerras, em nome dele declarou-se a paz.
Veja o que cada um deles tem a dizer sobre o assunto.

LGBTI+ e saúde mentalNossos colunistas se debruçam sobre o assunto... porque os LGBTI+ sofrem mais de ansiedade, pânico,...
30/11/2020

LGBTI+ e saúde mental

Nossos colunistas se debruçam sobre o assunto... porque os LGBTI+ sofrem mais de ansiedade, pânico, stress, depressão e cometem mais suicídio que os heterosse***is cisgêneros? O que fazer quando percebo que há algo de errado comigo ou com alguém próximo a mim?
Um psicanalista clínico, uma psicóloga cognitiva comportamental e um psicólogo da linha Gestalt falam sobre o assunto.
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Porque decidiste ser profissional da área da saúde mental?

Marcelo: Trabalhei como missionário evangélico dos 18 aos 25 anos. Dos 25 aos 33, fui pastor. Em minha prática pastoral pude perceber que havia uma série de problemas emocionais que não podia ser resolvido com oração. Simplesmente não acontecia, não havia progresso, pouco importava quanto o fiel havia orado, jejuado, clamado, feito quebra de maldições ou o que quer que a igreja recomendasse. Por não querer cair no erro de justif**ar fracassos na obtenção de resultados colocando a culpa numa suposta falta de fé do crente, eu resolvi estudar.

Luisa: Eu venho de uma família de Psicólogos, então sempre admirei a profissão em si e o bem que ela traz para a sociedade. Minha decisão, no entanto, foi muito baseada na formação do Curso de Psicologia, eu me identifiquei com o campo de estudo. Psicólogos são profissionais versados em várias áreas do conhecimento, Filosofia, Sociologia, Antropologia, Biologia, Anatomia, Direito, e até em linguística. O Campo de atuação também é bastante diverso e abre boas possibilidades em termos de crescimento profissional.

Pedro: Pois fui criado em uma religião que pregava muito a caridade. Eu sempre gostei de ajudar e tenho casos de pessoas com transtornos psiquiátricos na família. Sempre quis entender os comportamentos e o ser humano. lembro que desde criança eu já atuava apartando brigas dos meus irmãos. Fazia e faço uma espécie de diplomacia entre eles. Também queria muito me entender, minha sexualidade e tal. já sou formado há quase 19 anos.

Dentre as várias linhas de atendimento psicoterápico qual é a que segues e o porquê?

Marcelo: Minha intenção nunca foi tornar-me um teórico, um psicólogo de balcão. Queria algo prático que pudesse ir ao âmago dos problemas das pessoas. Como lidar com traumas, baixa auto-estima, fobias, medos, alguns tipos de ansiedades diversas, depressão, pânico... achei a psicanálise a mais profunda de todas as abordagens por lidar com o inconsciente. E aí entrou também a minha curiosidade pessoal de compreender como este mistério funciona, a linguagem não verbal, os impulsos... me envolvendo com Psicanálise Freudiana me ajudou em muito a ter empatia e compaixão das pessoas e a compreender as suas realidades: coisas que andam em falta dentro do ambiente pastoral.

Luisa: Minha primeira abordagem de formação é a Linha Cognitiva Comportamental. Porém hoje eu atuo contemplando uma abordagem Humanista Existencial. É importante destacar que e mesmo que um psicólogo siga uma abordagem especif**a, isso não o impede de estudar e conhecer técnicas de outras abordagens. E foi isso que aconteceu comigo. Eu estudei Psicanálise, Comportamental, Sistêmica. Mas foram os meus estudos que me levaram até a abordagem Humanista Existencial. Eu entendo que a Humanista oferece uma concepção de Ser Humano e de Sujeito com a qual eu me sinto mais alinhada. E o meu gosto por estudar Filosofia, em especial os existencialistas, me levaram até aqui.

Pedro: Psicologia Fenomenológico Existencial. Tornei me voluntário do CVV há 22 anos. estava no segundo ano de psicologia. O CVV tem como visão de homem a psicologia humanista de Carl Rogers. A partir daí, conheci a gestalt, fenomenologia e o existencialismo. Identifiquei me com a abordagem, fiz e ainda faço especializações e formações e tais abordagens.

Os LGBTI+ estão mais propensos a sofrer problemas psicológicos do que o resto da população?

Marcelo: Em um estudo que desenvolvi para meu Mestrado em Antropologia, debrucei-me sobre o aumento no número de suicídios entre jovens g**s. Um jovem gay no Brasil tem 6 vezes mais chances de cometer suicídio do que um jovem heterossexual cisgênero. 40% deles já pensou em suicídio. Mas ponha-se no local destes meninos: você não é considerado normal na escola, muitas vezes rejeitado no ambiente de trabalho, a sua religião te condena, sua família não te aceita... há de ser muito macho para sobreviver a tanta rejeição! Considero que a homofobia possa ser mais cruel do que o crime de racismo, porque o jovem LGBTI+ não encontra o local último de aceitação e conforto, que seria o lar. Na maioria das vezes é de dentro de casa que são disparados os gatilhos para os problemas psicológicos que os mesmos virão a sofrer.

Luisa: Para responder a essa questão primeiro precisamos entender do que se trata o termos “problemas psicológicos”. Em termos de prevalência de transtornos mentais, a população LGBTI+ não possui maior propensão em termos médicos. Porém, assim como toda população marginalizada, essa população está mais vulnerável ao sofrimento. E sofrimento pode ser um desencadeador de problemas com certeza. Eu sempre digo aos meus pacientes LGBTI+ que a questão do existir, o ser e o estar, para um LGBTI+ é mais signif**ativa e difícil de compor do que para uma pessoa Heterossexual cis gênero. Então esse meu paciente vai ter mais trabalho pra dar conta da própria existência. Porém essa existência quando autêntica pode signif**ar liberdade e um fortalecimento das estruturas emocionais.

Pedro: Sim, pois sofrem desde cedo o preceito e hostilizações na família e escola. O LGBTQIAP + acaba internalizando o preconceito que ele sofre. No meu doutorado escrevi exatamente sobre isso. Aliás, todas as minorias acabam internalizando o preconceito que sofrem, em geral. O preconceito internalizado atua como um vírus que destrói a auto estima do sujeito, trazendo consequências sérias para ele. Caso desejar, posso disponibilizar para quem quiser este trabalho.

Quais os problemas mentais mais comuns entre os LGBTI+?

Marcelo: Todos os estudos aos quais eu tive acesso afirmar quem estes tem mais probabilidade de desenvolver problemas mentais, principalmente depressão, bipolaridade e ansiedade patológica (que é um passo para o pânico). 25% dos LGBTI+ sofrem de angústia severa ou moderada. Homens e mulheres homosse***is, transe***is e bisse***is bebem mais, usam mais dr**as e fumam mais (o dobro de fumantes entre lé***cas se compararmos com mulheres heterosse***is cis). Isso que nem começamos a falar sobre a solidão que sofrem durante a velhice e no peso que é viver sendo portador de HIV (18,4% dos homens que fazem s**o com homens e 40% entre tr****tis e transe***is). Estas coisas geradas pelo estresse de viver sob estigmas, provenientes principalmente de dentro da família e da religião. O resultado desta tragédia f**a claro nos números de suicídio.

Luisa: É importante destacar que a população LGBTI+ não possui “problemas mentais” por ser LGBTI+, mas em virtude da representação social e de como são marginalizados pela sociedade. É em virtude dessa relação social que temos altas taxas de depressão, suicídio, angustia, e comportamentos anti sociais na população LGBTI+. A Psicologia Humanista entende que o Homem nasce com potencialidade e tendência para o Bem, porém as Instituições sociais podem não exercer forças positivas sobre este sujeito. E é isso que acontece. Quando chega um paciente LGBTI+ no consultório buscando alterar a sua sexualidade normalmente é porque ele não se sente a vontade em ser quem é no contexto social em que esta inserido. Pacientes com apoio familiar por exemplo, possuem menos tendência a desenvolverem transtornos como o de depressão maior.

Pedro: Depressão, ansiedade, compulsões, ideações suicídas, uso e abuso de dr**as, embotamento afetivo, vulnerabilidade emocional, auto estima baixa, carência, rejeições, enfim...

O que pode ser feito quando percebemos estes problemas em nós ou naqueles que nos rodeiam?

Marcelo: Não melhora aquele que não percebe que precisa de ajuda. Se consegue perceber que precisa de ajuda para lidar com as situações com as quais você não tem aparentemente controle algum, já tens um bom caminho andado. Próximo passo é procurar ajuda profissional (se não tens condições financeiras, podes procurar ONGs que fornecem este serviço gratuitamente. Alguns institutos universitários também). Se não é para você, nada melhor do que uma conversa sincera onde procura-se desmistif**ar a ideia de que só louco precisa de ajuda psicológica (conte para ele que Madonna e Ivete Sangalo fazem psicoterapia deste sempre. Também Michele Obama, Príncipe Harry, Elton John, Grazi Mazzafera, Ariana Grande, Demi Lovato e até o homem de ferro Robert D Junior tem suas fraquezas - seu/sua amigo/a vai estar em ótima companhia). Sessões on-line são muito boas para quebrar a resistência daqueles que tem aversão a consultório. Dias melhores virão.

Luisa: Buscar ajuda. Eu gosto de pensar que funciona como um tripé : família, amigos, e terapia. Ou seja, buscar um profissional para trabalhar em si mesmo e se sentir a vontade consigo. Trabalhar em uma relação mais autentica e saudável com a família desse paciente, movimento este que começa na medida em que o sujeito está terapeutizado e amparado psicologicamente e emocionalmente pelo terapeuta. E também é importante encontrar seus pares, buscar outras pessoas LGBTI+ para que o seu ciclo social também seja composto por pessoas que se parecem com você.

Pedro: Psicoterapia, demais processos de auto conhecimento, acolhimento, empatia, amizade, doação de amor para si e para o outro.

Nossos colunistas de Juventude e Artes falam novamente algo que não deveria, mas que faz parte do nosso dia a dia: as fa...
19/11/2020

Nossos colunistas de Juventude e Artes falam novamente algo que não deveria, mas que faz parte do nosso dia a dia: as fake news. Quais são as que mais incomodam?

Nosso colunista de "Identidade LGBTI+" falam novamente algo que não deveria, mas que faz parte do nosso dia a dia: as fa...
19/11/2020

Nosso colunista de "Identidade LGBTI+" falam novamente algo que não deveria, mas que faz parte do nosso dia a dia: as fake news. Quais são as que mais incomodam?

A proliferação do falso real

Sou responsável há aproximadamente um ano e meio por realizar atividades socioeducacionais e acompanhar o rendimento escolar de tr****tis, mulheres transe***is e homens trans atendidos e atendidas pelo programa Transcidadania, criado na gestão de Fernando Haddad (PT), em 2015, no município de São Paulo, com o objetivo de elevar a escolaridade e possibilitar a prática da cidadania deste segmento populacional marginalizado e vítima de tantos preconceitos.

Em meu cotidiano profissional uma das dificuldades é ter que combater a falácia do tal “bolsa tr****ti”, supostamente criado pelo Governo Federal, o que faz com que as pessoas preconceituosas e mal intencionadas desvirtuem a verdadeira premissa do surgimento do Transcidadania e da razão de sua existência, comprometendo todo o trabalho em prol da reparação social realizada por essa iniciativa a tr****tis e transe***is paulistas.

Faz parte do meu trabalho visitar escolas, universidades e outros espaços educacionais e sociais, para sensibilizar a todes sobre a importância desse Programa Social e do acolhimento a essa parcela da população. Nessas visitas acabo enfrentando comentários maldosos proferidos por profissionais e público desses locais, que falam explicitamente que “se qualquer pessoa que se veste de mulher ou de homem pode ganhar dinheiro do poder público para viver em promiscuidade, é muito fácil ser TRAVESTI”. Porém, quem faz esse discurso não tem a dimensão da exclusão vivida por este grupo social, comumente abandonado por suas famílias, expulso de casa na tenra infância e dessa forma, o que resta a essas pessoas é uma vida marginalizada sem nenhum tipo de suporte, e com isso são empurradas compulsoriamente para a prostituição, como aponta a Associação Nacional de Travestis e Transe***is (ANTRA), ou para a criminalidade.

Dados da União Nacional LGBT apontam que o tempo médio de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos, enquanto a expectativa de vida da população em geral é de 75,5 anos, de acordo com informações divulgadas em dezembro de 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por esta razão, afirmo que se faz necessária a existência de uma iniciativa social como o Transcidadania, para possibilitar a tr****tis, mulheres transe***is e homens trans oportunidades, seja no mercado de trabalho formal ou no desenvolvimento de seu próprio negócio, ampliando as perspectivas econômicas e sociais desses sujeitos.

Nossos colunistas de Saúde Integral falam novamente algo que não deveria, mas que faz parte do nosso dia a dia: as fake ...
19/11/2020

Nossos colunistas de Saúde Integral falam novamente algo que não deveria, mas que faz parte do nosso dia a dia: as fake news. Quais são as que mais incomodam?

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