11/11/2025
A cada passo que eu dou, descubro que posso sonhar mais alto.
Quando eu era adolescente, viajar pro exterior parecia algo distante demais. Algumas amigas foram para a Disney nos seus 15 anos, mas nem cogitei pedir para meus pais porque ir para fora não era algo que tinha acontecido com ninguém da minha família.
Quando fui passar pela seleção “Estagiar”, da TV Globo, vi meus concorrentes contando experiências que incluíam muitos idiomas e intercâmbios fora. O que eu tinha? Experiências de estágio em uma cidade no interior de Minas Gerais e um inglês mediano… Depois disso, a aprovação parecia completamente improvável. Mas não é que eu passei?
De Minas fui pro Rio e, anos depois, vim para São Paulo.
Nos últimos dez anos, realizei muito mais do que eu sequer poderia imaginar. Em 2018, a minha primeira viagem internacional. Neste ano, a minha primeira viagem para Europa com a minha família, inclusive a minha avó, uma retirante nordestina que, orfã, mudou de estado em busca de uma vida melhor. Todas essas conquistas foram com o suor do nosso trabalho? Sim. Mas se não tivesse a primeira oportunidade, nada seria possível.
Cada vez mais vejo a IA sendo usada para recrutamentos e seleções e me vem uma preocupação. Será que o algoritmo consegue ser justo? O seu código tem clareza ou é opaco?
Prezados recrutadores, como apresentadora de um programa sobre tal tecnologia, sou mais do que a favor do uso dela para ganho de eficiência, porém não sem senso crítico. Não terceirizem completamente a decisão para a máquina. Caso contrário, veremos quem mora nas periferias, quem não estudou numa escola bilíngue ou não fez uma faculdade renomada sendo cada vez deixado mais à margem.
Uma simples contratação pode mudar a vida de muitas gerações.
Pensem nisso!