14/09/2026
Com licença 🕊️
Recarregámos a serotonina nas férias para continuar a transmitir-vos a nossa paixão por textos que espicaçam mentes e que torcem o nariz ao desalinho do mundo. Um 𝘣𝘰𝘶𝘲𝘶𝘦𝘵 de celulose indómita para fecharmos o ano em grande.
Depois de 𝘈 𝘐𝘯𝘴𝘶𝘣𝘮𝘪𝘴𝘴𝘢, prosseguimos a publicação das obras de Cristina Peri Rossi com um livro fundamental da narrativa breve da autora.
Segundo os arquivos de um museu peculiar, ao longo dos tempos, crianças quiseram voar, pessoas viajaram em busca de lugares inexistentes, um homem tentou durante dez anos ensinar o cão a falar. É esta galeria de desfechos inglórios, e não de grandezas passadas, que dá o mote à trintena de contos invulgares reunidos neste livro.
De ala em ala, sem saída fácil pela loja de 𝘴𝘰𝘶𝘷𝘦𝘯𝘪𝘳𝘴, ergue-se, segundo a crítica, com ironia e humor corrosivo, o «fracasso como acto de resistência poética», tão belo como o do atleta que se detém a um passo da meta para contemplar o céu («O corredor tropeça») ou o caos provocado por quem, numa escada lotada do metro, de repente se esquece se pretende subir ou descer («A fenda»).
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De regresso às livrarias, poesia com a língua de fora, uma relíquia da nossa praça e um artefacto da luta pela liberdade em ditadura. Edição especialmente patriótica, com capa dupla, à escolha do freguês.
Publicada em 1965, a 𝗔𝗻𝘁𝗼𝗹𝗼𝗴𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗣𝗼𝗲𝘀𝗶𝗮 𝗣𝗼𝗿𝘁𝘂𝗴𝘂𝗲𝘀𝗮 𝗘𝗿𝗼́𝘁𝗶𝗰𝗮 𝗲 𝗦𝗮𝘁í𝗿𝗶𝗰𝗮 é um repositório da melhor tradição licenciosa — tantas vezes sonegada ou vilipendiada — na literatura nacional, destrinçando nesta uma luminosa e desbragada alegria de viver que faz murchar a posteridade.
Aliando à mais jocosa crítica de costumes a vasta erudição de Natália Correia, e estendendo—se dos cancioneiros medievais a poemas dos anos 60, reúne nomes célebres e inesperados, como Camilo, Antero ou Pessoa, bem como poetas ignotos, surpreendentes pela ousadia e fértil arte literária que revelam.
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𝗢 𝗠𝗲𝗶𝗼 𝗲́ 𝗮 𝗠𝗮𝘀𝘀𝗮𝗴𝗲𝗺 (1967), de Marshall McLuhan, pai dos 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘢 𝘴𝘵𝘶𝘥𝘪𝘦𝘴 e pensador visionário, é um clássico da teoria da comunicação e aborda a forma como a tecnologia molda os esquemas cognitivos e gera novos modelos de interacção social e política. Combinando palavra e imagem — experiências gráficas, citações e colagens —, é uma síntese estimulante das ideias de Marshall McLuhan, que assumiu o erro tipográfico no título idealizado — «o meio é a mensagem» — por realçar a capacidade de manipulação sensorial dos 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘢.
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Enciclopédia da subversão e da revolta, um livro no qual se cruzam os S*x Pistols, Debord e os situacionistas, dadaístas e gnósticos da Idade Média. Inclui uma nota prévia e bibliografia actualizada pelo autor.
𝗠𝗮𝗿𝗰𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗕𝗮𝘁𝗼𝗺 (1989) é uma viagem alucinante e imparável em busca da rebeldia e do inconformismo que em vários tempos e lugares desafiaram o 𝘴𝘵𝘢𝘵𝘶 𝘲𝘶𝘰. Uma aventura que começou quando, ao ouvir pela primeira vez «Anarchy in the UK», dos S*x Pistols, Greil Marcus — crítico musical e ex-colunista icónico — sentiu a urgência de descobrir de onde vinha a força e o NÃO rotundo do 𝘱𝘶𝘯𝘬 gritado ao mundo. Porque, ao longo da História, sempre se fizeram ouvir vozes subversivas e marginais, na música, na arte e nas ruas, que formaram uma corrente demasiado vital e coerente para ser travada.
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Desde que o mundo é mundo, a humanidade dançou em festividades e momentos de êxtase colectivo: da Roma Antiga, banquetes e bailes na Europa Medieval a festejos de Carnaval e 𝘳𝘢𝘷𝘦𝘴. 𝗗𝗮𝗻𝗰̧𝗮𝗿 𝗻𝗮𝘀 𝗥𝘂𝗮𝘀 (2006) explora a história dos ritos de libertação pela música, pela dança e pelo transe, a persistência destas demonstrações de alegria comunal que inspiraram ideias de revolução e irmandade, bem como as tentativas de repressão deste júbilo colectivo, operadas ao longo dos tempos por hierarquias e elites ou convertidas em lazer passivo.
Barbara Ehrenreich (1941—2022), jornalista, socióloga e activista, denunciou injustiças sociais, o «complexo médico-industrial» e a precariedade do sistema de saúde nos EUA, bem como a vulnerabilidade de uma vasta camada da população norte-americana. Foi professora universitária, recebeu em 2018 o Prémio Erasmus e publicou ensaios e artigos no 𝘕𝘦𝘸 𝘠𝘰𝘳𝘬 𝘛𝘪𝘮𝘦𝘴 e no 𝘞𝘢𝘴𝘩𝘪𝘯𝘨𝘵𝘰𝘯 𝘗𝘰𝘴𝘵.
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Depois de 𝘑𝘢𝘳𝘥𝘪𝘯𝘴 𝘗𝘦𝘳𝘧𝘶𝘮𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘰𝘴 𝘊𝘦𝘨𝘰𝘴, prosseguimos a publicação das obras de Janet Frame com os melhores contos da autora.
Colectânea de fôlego que reúne o melhor da narrativa breve de Janet Frame, retirados de quatro livros publicados em vida da autora — 𝘛𝘩𝘦 𝘓𝘢𝘨𝘰𝘰𝘯 𝘢𝘯𝘥 𝘖𝘵𝘩𝘦𝘳 𝘚𝘵𝘰𝘳𝘪𝘦𝘴 (1951), 𝘚𝘯𝘰𝘸𝘮𝘢𝘯, 𝘚𝘯𝘰𝘸𝘮𝘢𝘯 (1963), 𝘛𝘩𝘦 𝘙𝘦𝘴𝘦𝘳𝘷𝘰𝘪𝘳 (1966) e 𝘠𝘰𝘶 𝘈𝘳𝘦 𝘕𝘰𝘸 𝘌𝘯𝘵𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘏𝘶𝘮𝘢𝘯 𝘏𝘦𝘢𝘳𝘵 (1983) —, e que abarca toda a sua carreira literária. Da infância na Nova Zelândia, e da visão do mundo das crianças, a fábulas e narrativas alegóricas, à exploração de temas como a loucura e a identidade, Janet Frame domina como ninguém a respiração do conto enquanto género nos textos magistrais aqui coligidos.
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«Um livro importante que é, ao mesmo tempo, um relato sobre o luto, um policial, um ensaio feminista e uma reflexão sobre a escrita.» 𝘓𝘦𝘴 𝘐𝘯𝘳𝘰𝘤𝘬𝘶𝘱𝘵𝘪𝘣𝘭𝘦𝘴
«Cristina Rivera Garza escreveu algo quase milagroso: [...] uma tentativa de recuperar a vida de Liliana, a sua chama, a sua juventude, apagadas com tanta crueldade. Este livro é uma revelação.» Mariana Enriquez
Prémio Pulitzer de Não-Ficção 2024
Em Julho de 1990, uma jovem é assassinada no México pelo ex-namorado em fuga, nunca condenado. Trinta anos depois, Cristina Rivera Garza regressa ao país para reabrir o caso arquivado de Liliana, a sua irmã mais nova, e reúne a coragem para, a partir dos textos, cartas e notas deixadas por ela, um «arquivo meticuloso» em caixas de cartão, compreender um crime e, sobretudo, reconstruir uma vida. 𝘖 𝘐𝘯𝘷𝘦𝘯𝘤í𝘷𝘦𝘭 𝘝𝘦𝘳𝘢̃𝘰 𝘥𝘦 𝘓𝘪𝘭𝘪𝘢𝘯𝘢 (2021) é simultaneamente um livro íntimo de memórias com uma imensa força literária, uma obra de luto e revolta, uma denúncia do feminicídio, da misoginia e da impunidade.
Cristina Rivera Garza (n. 1964) é uma das escritoras mexicanas mais destacadas e premiadas da sua geração. Voz incisiva, reflecte na sua obra sobre questões de migração, fronteiras e violência contra as mulheres, memória e desigualdade. Fez da linguagem e da literatura ferramentas que conferem visibilidade a histórias marginalizadas e silenciadas. É autora de 𝘕𝘪𝘯𝘨𝘶𝘦́𝘮 𝘮𝘦 𝘝𝘦𝘳𝘢́ 𝘊𝘩𝘰𝘳𝘢𝘳 (1999) e 𝘈𝘶𝘵𝘰𝘣𝘪𝘰𝘨𝘳𝘢𝘧𝘪́𝘢 𝘥𝘦𝘭 𝘢𝘭𝘨𝘰𝘥𝘰́𝘯 (2020), entre vários outros livros aclamados.