27/11/2025
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“COMO É QUE UM PRESIDENTE, UM TIO E UM SOBRINHO “FALSIFICARAM” UM GOLPE DE ESTADO?
Agora que já temos mais elementos, aliás, mais dados - vamos, finalmente, descrever o “passo a passo” deste falso “golpe de Estado”. Eis o guião de um “golpe de Estado” orquestrado por um presidente contra si próprio e que envolve um tio e um sobrinho:
1 – A Guiné-Bissau é um país fértil em golpes de Estado, isto é verdade. Desde 1974 já ocorreram 4 grandes golpes de Estado bem-sucedidos e 17 fracassados, mas nenhum golpe anterior foi orquestrado pelo presidente, pelo tio e pelo sobrinho.
2 – Na verdade, não há muito mais a dizer. O que aconteceu foi que faltavam menos de 24 horas para a CNE proclamar os resultados definitivos das eleições gerais do passado dia 23 de Novembro.
3 – Mas também é preciso lembrar que esta eleição já começou “torta”. Primeiro, porque o mandato de Sissoco terminou há muito tempo e ele não quis marcar eleições. Não se sabe como nem porquê, mas depois acabou por as marcar para o dia 23…
4 – Acontece que, como ele não quis realizar quaisquer eleições, antes de mais nada, à “moda africana”, o Supremo Tribunal decidiu desqualificar os dois maiores partidos: o PAIGC e o PRS ficaram de fora das legislativas e, consequentemente, o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, foi proibido de participar nas presidenciais.
5 – Ou seja, Embaló não queria os partidos históricos a disputar as legislativas, assim como afastou o candidato mais forte das presidenciais.
6 – Mas o PAIGC, numa jogada de mestre, mesmo tendo sido desqualificado e o seu candidato proibido de participar nas eleições, uniu-se ao candidato independente Fernando Dias e, juntos, venceram as presidenciais, cujos resultados seriam anunciados hoje.
7 – Tendo falhado em todas as jogadas anteriores, Embaló pôs em marcha a última jogada: o “golpe de Estado”. Mas a questão era: como é que um presidente em exercício pode dar um golpe de Estado contra si próprio?
9 – Então, dividiram o plano em duas partes, na verdade, em três: assaltar a CNE, sequestrar o candidato vencedor e, se tudo falhasse, “deter” o presidente, ou seja, um “auto-golpe”.
10 – Ocorre que o sequestro do candidato, que estava agendado para a manhã, durante o encontro com as comissões de observadores eleitorais, falhou. Apenas conseguiram sequestrar Domingos Pereira, do PAIGC — só que não era ele quem iria tomar posse; o candidato vencedor conseguiu escapar.
11 – Pelo azar do destino, o assalto à CNE também fracassou porque o povo decidiu enfrentar os militares. Então, restava apenas a última carta: “deter” o presidente — portanto, um auto-golpe.
12 – Mas como fariam isso? Bem, o tio do homem anunciou o golpe de estado, que é Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, tratou das questões burocráticas, garantindo que nenhum “rato” saltasse fora.
13 – Já o sobrinho do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o homem que anunciou o suposto “golpe”, actua como chefe da Casa Civil da Presidência da República, dá a cara na televisão e assume o poder, suspende a Constituição, suspende o processo eleitoral em curso e declara o estado de sítio.
14 – Finalmente, “muda-se” o gabinete do presidente para um quartel militar e anuncia-se a “detenção” do Presidente da República; instaura-se o caos, os militares tomam o poder e inicia-se um período de “transição” que deve durar mais ou menos 2 a 3 anos, ou seja, mais um mandato com Sissoco Embaló a governar às sombras dos militares e todos comem - é um acordo justo…
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“E até lá, estou-me nas tintas”.
César chiyaya “