07/11/2017
É com enorme desgosto que a Caminhada pela Vida recusou pelo 5º ano consecutivo ser patrocinada pela César Editoras. Já tínhamos comprado as camisas axadrezadas e estivemos à distância de uma unha de nos submeter colectivamente a uma Lobotomia. Felizmente abortámos este último plano a tempo.
Lenocínio Baptista, Advogado Estagiário
1. Dia 4 de Novembro, sábado, realizou-se a 7ª Caminhada Pela Vida. Este evento é organizado pela Federação Portuguesa Pela Vida e tem como objectivo defender publicamente o Valor da Vida Humana desde o momento da concepção até à morte natural. A Caminhada Pela Vida tem sido momento de lançamento de grandes iniciativas, como a petição “One of Us”, para o reconhecimento jurídico do embrião que recolheu mais de um milhão de assinaturas a nível europeu, da Iniciativa Legislativa de Cidadãos “Pelo Direito a Nascer” que recolheu quase cinquenta mil assinaturas e que deu origem à aprovação no parlamento português da “Lei de Apoio à Maternidade e Paternidade e pelo Direito a Nascer” e à petição “Toda a Vida tem Dignidade”, contra a eutanásia, que recolheu mais de 14 mil assinaturas e está neste momento em apreciação na Assembleia da República para posterior discussão em plenário.
2. A edição deste ano da Caminhada Pela Vida realizou-se em Lisboa, Porto e Aveiro. Em Lisboa foram mais de 6 mil as pessoas que caminharam do Largo Camões ao Largo de São Bento. No Porto foram mais de 600 as pessoas que percorreram o caminho entre o Largo da Sé e os Aliados. Em Aveiro mais 500 pessoas caminharam pelas principais artérias da cidade. Este Sábado quase 8 mil portugueses saíram à rua para se manifestar a favor da vida, contra a eutanásia e o ab**to e todas as formas de violação da vida humana.
3. O silêncio da comunicação social sobre a Caminhada Pela Vida foi quase total. Num tempo onde ser fazem directos nas filas para os concertos de músicas da moda e onde se fazem reportagens especiais sobre a vida privada dos jogadores de futebol não é compreensível como é que milhares de pessoas se manifestam por uma causa sem que a comunicação social dê qualquer notícia.
4. Mais grave ainda se verificarmos a cobertura que é feita, sobre estes mesmos assuntos, a quem defende o contrário da Caminhada Pela Vida. Basta relembrar a vasta cobertura mediática concedida aos movimento pró-eutanásia, especialmente à petição que foi entregue na Assembleia da República com sensivelmente o mesmo de número de assinaturas que o número de participantes na Caminhada Pela Vida.
5. Não podemos também deixar de assinalar que a pouca cobertura que houve da Caminhada Pela Vida, para além de quase só referir Lisboa, falava em “centenas” de participantes. Como se pode ver pela fotografias disponíveis em www.caminhadapelavida.org é impossível não reparar que foram milhares de cidadãos que participaram na Caminhada em Lisboa. E que somam bem mais do que um milhar os participantes nas Caminhadas de Porto e Aveiro.
6. A comunicação social tem um papel essencial na construção da democracia. Sabemos que os profissionais da comunicação social têm uma tarefa difícil e admitimos que, da nossa parte, poderá haver falhas de comunicação. Contudo, o constante silêncio sobre as actividades políticas da Federação Portuguesa pela Vida, assim como dos vários movimentos pró-vida, desvirtua o debate sobre estes temas e cria, junto do grande público, uma sensação, falsa, de aparente unanimidade. É urgente dar também voz aqueles, que apesar de não terem apoio partidários, dos sindicatos ou de quaisquer lóbis, estão dispostos a dar o seu tempo para exercer os seus direitos cívicos. Só assim é possível uma verdadeira democracia.
José Maria Seabra Duque
Coordenador Geral da Caminhada Pela Vida
Lisboa, 6 de Novembro de 2017.