08/05/2026
A Primitiva está a chegar.
A capa é de Vanuatu. António Avelar fotografou e escreveu sobre o Kastom — o sistema de crenças e práticas que os Ni-Vanuatu tentam preservar face à pressão de um mundo que chega de fora, depressa e sem pedir licença. Na imagem, um homem de Uripiv usa uma máscara que, nas suas palavras, "oculta a sua identidade ao mesmo tempo que a estende." É a dualidade em forma de fotografia: tradição oral de fermentação lenta contra novas crenças impostas em velocidade galopante.
Na contracapa, Manuel Correia fecha um ciclo — ou percebe que devia estar a começar um. As suas imagens do universo Luvale mostram máscaras que não são adereços: representam espíritos ancestrais, ensinam regras, impõem disciplina, celebram a continuidade de uma comunidade. "Quanto mais avanço a caminho do final, mais percebo que deveria estar agora a começar", escreveu a 3 de agosto de 2025, ao fechar o texto do seu livro Luvale.
De Vanuatu a Angola. O segundo volume leva-nos a territórios onde a memória, a tradição e a resistência se cruzam — e onde a identidade não é um dado adquirido, mas algo que se defende, se encarna, se transmite.
Está por dias.
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