08/06/2026
As histórias que compõem este livro, como quase sempre acontece na inventiva escrita de Clarice Lispector, partem de circunstâncias comuns e desembocam no plano do extraordinário. Falam de pão com manteiga, beijos de mãe e primeiros beijos, um livro aberto, um macaco de saia curta, Deus nas acácias. Falam de desejo, inveja, perdão, esperança, amor e descoberta. A protagonista da história que dá título à coletânea vive consumida pela cobiça do tesouro de outra rapariga: os livros a que ela, filha de um livreiro, tem acesso. Mote para uma narrativa de desejo intenso a partir do imaginário da juventude, este conto dá o tom para todo o livro, publicado pela primeira vez em 1971. Da apologia da leitura à tristeza do Carnaval ou às audácias de uma galinha, passando, sempre, pela interrogação do que define o humano, estas são histórias íntimas, de alcance literário intemporal.
Como temos feito com todas as novas edições da obra de Clarice, também este tem um texto de apresentação. Desta vez, por Luísa Costa Gomes.
Já nas livrarias.