31/12/2025
OS SUBCOMUNS, de Stefano Harney e Fred Moten, em boa companhia na seleção de 2025 do Fernando Ramalho.
"A partir de onde e de que concepção do poder dominante se produz a resistência é certamente uma questão de que sempre se tem ocupado a crítica radical. Stefano Harney e Fred Moten, neste conjunto de ensaios, invertem o ponto de partida: a resistência existe e produz-se previamente ao poder dominante. Partindo da experiência histórica da negritude, o poder dominante – europeu, colonial e capitalista –, a branquitude, constitui-se por referência e em oposição à resistência que lhe pré-existe como ser e como método. Não um ser essencial, mas um ser material em movimento, em relação, um convite a ser e estar-com; não um método fixo, mas uma forma indisciplinada, incaptável, de habitar um espaço cuja força está na invisibilidade, no «arredor», para usar a expressão feliz que p. feijó desenvolve num dos excelentes textos de abertura do volume. Os subcomuns são uma potência contra o tempo, uma força da sabotagem. Por exemplo, na universidade: «Face a estas condições, resta-nos entrar à socapa na universidade e roubar tanto quanto pudermos. Abusar da sua hospitalidade, sabotar a sua missão, juntarmo-nos à sua colónia de refugiados, ao seu acampamento cigano, estar nela sem lhe pertencer.» FR
Numa época que parece doente de si mesma, sintomaticamente as listas de itens culturais prescindem de qualquer balanço sobre o que caracteriza o momento que estamos a viver. Eis a nossa tentativa de destacar livros que, mais do que um balanço, parecem estar contra 2025