27/11/2025
Vou parar.
(Respirem fundo, eu também já respirei.)
Acabei todas as histórias de Natal. Mais de uma centena. Feitas entre noites mal dormidas, cafés frios e filhas adormecidas à pressa porque “o pai ainda tem muito para fazer”.
Dei mais de mim do que devia — horas, energia e sanidade. O dinheiro paga o trabalho, mas não paga olheiras, costas tortas, nem uma filha a perguntar: “Pai, hoje também tens histórias para fazer?”
(Spoiler: tinha.)
Mas estou de consciência tranquila: todas as histórias vão chegar ao colo certo, no momento certo. E isso vale tudo.
Obrigado a quem confiou, a quem enviou palavras bonitas, a quem percebeu que eu não sou uma impressora 3D de emoções — sou só um pai a escrever à noite porque gosta disto.
Agora… a outra parte.
Sim, houve pedidos impossíveis: a pinta na bochecha esquerda, o cabelo igual ao de 2008, 17 personagens e um arco-íris em degradé. Houve quem pedisse para mudar a marca das sapatilhas porque eu desenhei Nike e afinal o filho usa New Balance. Houve quem quisesse franja atualizada em tempo real. E até quem pedisse para “tirar dois quilinhos na ilustração”.
Malta… são ilustrações, não retratos do FBI.
E sim, houve um dia em que perdi a paciência.
E soube-me pela vida.
Fiquei mais leve.
Era preciso.
Também houve quem ficasse com histórias por pagar — o que me obrigou a pedir adiantamento. Não gosto, mas aprendi. Faz parte.
Escrevi sobre tudo: autismo, diabetes, despedidas, casos extraconjugais (sim…), famílias, magia, aniversários e muito amor. Ri, emocionei-me e bebi muitos cafés, mas muitos mesmo.
Agora é a minha vez de parar. Não sei por quanto tempo.
Preciso de pôr a Netflix a justificar a mensalidade e, acima de tudo, deixar as minhas filhas adormecerem no meu colo sem ter de fugir para o computador.
Obrigado a todos.
Estes livros nunca foram sobre perfeição. Sempre foram sobre significado.
Vou descansar um bocadinho.
Se precisarem de mim… esperem mais um bocadinho. 😅