09/07/2021
Canábis Medicinal
A finalidade terapêutica da canábis surgiu apenas na segunda metade do século XIX, onde foi primeiramente listada na Farmacopeia Americana. No entanto, já antes disso, possuía um vasto interesse pela sua diversidade de utilizações tendo sido disseminada por todo o globo como fonte de alimento, de fabrico de tecidos e até mesmo para fins religiosos.
O enquadramento legal em Portugal é ainda bastante complexo devido à abrangente aplicação da planta e restrições de controlo de qualidade e segurança, desde o seu cultivo à embalagem. É importante distinguir os medicamentos à base da planta e as preparações, relembrando que qualquer medicamento está sujeito à Autorização de Introdução no Mercado e uma preparação distingue-se por ser obtida através de métodos físicos, como processos de extração ou destilação, ou métodos químicos.
A canábis medicinal pode encontrar-se em diferentes proporções de THC e CBD e atualmente, as formas farmacêuticas disponíveis são dispositivos inaladores, cápsulas de gelatina mole e soluções orais. Seguindo a legislação europeia, a dispensa terá requisitos importantes sendo eles, a dispensa exclusiva na farmácia e mediante prescrição eletrónica sob o princípio off-label, o que signif**a que só poderá ser dispensada a doentes refratários a outros tratamentos.
A necessidade de colmatar falhas terapêuticas de patologias clínicas que se revelam de grande preocupação para os cuidados de saúde, permitiu ao INFARMED aprovar a dispensa em Portugal do medicamento Sativex, na forma de pulverização bucal com indicação para a esclerose múltipla e espasticidade muscular e a substância à base de planta Tilray, inalador para tratamento sintomático do glaucoma e dor crónica, que é dispensado juntamente com um dispositivo vaporizador nas farmácias.
O farmacêutico ocupa um lugar de grande responsabilidade, não só enquanto especialista em indústria no qual deve obedecer a exigentes guidelines, mas também em registo oficinal, onde deve informar o doente das várias precauções que ele deverá ter em mente na administração do medicamento.
De salientar a importância do profissional na demonstração de uma correta técnica de inalação, uma vez que esta pode influenciar a biodisponibilidade do fármaco. Também dar destaque aos possíveis riscos envolvidos tais como, a redução da eficácia de contracetivos hormonais sistémicos pelo que mulheres com maior potencial de engravidar devem recorrer a cuidados extra.
Por Vera Martins, Colaboradora do Núcleo Redatorial da REFlexus.