03/07/2026
T3. E8. Erotismo em Tempo de Swipes
Onde f**a o erotismo no meio dos swipes? Estaremos mais próximos do prazer ou apenas mais distraídos dele? Neste episódio mergulhamos numa das dimensões mais íntimas e mais transformadas pelo online dating: o desejo.
Os números mostram que o corpo entrou mais cedo em cena. Entre 2022 e 2023, 52% das pessoas entre os 20 e os 39 anos conheceram o parceiro através de apps, e 38% tiveram s**o no primeiro encontro (Choosi Swipe Right Modern Dating Report, 2023), uma percentagem muito acima dos encontros offline. Em França, mais de metade dos casais que se conhecem online iniciam relações se***is antes de um mês (Bergström, 2022). O tempo do desejo acelerou. Mas será que aprofundou… ou apenas encurtou o caminho?
Falamos do chamado online dating effect: relações que começam mais rápido, mais intensas, mas também mais instáveis. Ainda assim, as apps abriram portas a novas formas de explorar o erotismo, especialmente para quem sempre esteve fora dos espaços tradicionais. Mas, no meio de nudes, emojis sugestivos e validação constante, perguntamos: o corpo está mais presente… ou mais ausente?
O nosso convidado, ajuda-nos a revisitar os primórdios do online dating — do mIRC ao teletexto — e explora connosco como o desejo se adaptou ao digital. Entre Instagram, LinkedIn e Tinder, percebemos que tudo pode ser um espaço de encontro desde que haja intenção! Mas também refletimos sobre a pressão de “ir à caça”, as estratégias artificiais, os jogos emocionais e a forma como transformámos o dating num verdadeiro campo de minas e armadilhas. Num mundo onde vemos mais corpos do que nunca, na maior parte das vezes antes sequer de os tocar, será que estamos a perder o mistério? E quando a imagem substitui a experiência, o que acontece ao desejo? Falamos de comparação, de expectativas irreais, da influência da IA e da dificuldade crescente em habitar o corpo real. Discutimos ainda consentimento no digital, dick pics, s**o falocêntrico, propostas diretas e a linha ténue entre desejo e saturação. Será isto liberdade… ou simplif**ação? Estaremos mais focados em sermos desejados do que em desejar?