XVI pelo Contador Martim Vaz, casado com Isabel Botelho, (sobrinha em segundo grau de Gonçalo Velho Cabral), fidalgo que viveu aqui com a sua gente, nomeado por El-rei D. Afonso V no referido cargo, o primeiro a exercê-lo em todas as ilhas deste arquipélago. Seria já paróquia instituída no ano 1514? e em 1526, era vigário nesta paroquial Álvaro Annes, que segundo Gaspar Frutuoso teria sido o prime
iro a servir nesta freguesia, embora outros documentos evidenciam que houve outro ou outros a servir antes. De início tinha planta e estilo da época com as suas capelas e altares de invocações que o seu fundador e demais benfeitores tinham por devoção, ou sejam: as Capelas de Nossa Senhora das Neves, Nossa Senhora do Rosário e a de S. Diogo; e os Altares de S. Cristóvão, Benditas Almas do Purgatório, Senhor Bom Jesus e Santo Antão. Entre finais do século XVI e início do XVII foram efctuadas obras de restauro na Capela-mor e sacristia. Por volta do ano de 1649 este templo encontrava-se muito danificado, pelo que os seus paroquianos solicitaram a El-rei D. João IV que o reedificasse. Não tendo obtido do monarca ordem favorável para o efeito continuou a sua degradação até que viria a cair por terra no início do século XVIII. Resolvendo-se a sua reedificação, construiu-se metade das obras e solicitou-se a sua majestade para a terminar, o que se veio a verificar por provisão régia de 18 de Agosto de 1732, D. João V mandava o provedor da Fazenda Real nas ilhas dos Açores proceder à arrematação das restantes obras, que terão terminado no ano de 1748. Na década de 1880, foi alvo de obras no frontispício principal ao nível dos portais, advindo destas a alteração do acesso principal com o arco da porta abatido, e a abertura das portadas que o ladeiam, em modesta interpretação de revivalismo gótico. A sua planta é retangular dividida em três naves compostas por altos pilares, espaço de elementar organização caligráfica, modelo de formulação erudita maneirista de tradição recuperada na segunda metade do século XVI. O seu interior é belo e imponente, onde se nota o barroco da primeira metade do século XVIII nos altos pilares das naves e nos belos exemplares das talhas dos Altares da Capela-mor, Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora do Rosário, sendo os do Sagrado Coração de Jesus (antigo altar de S. Diogo), S. José (antigo altar do Senhor Bom Jesus), o das Benditas Almas do Purgatório da segunda metade de setecentos e o de Santo Antão e S. Cristóvão do inicio de oitocentos. Importa no entanto sublinhar que após a sua reedificação se mantiveram as mesmas invocações. Merecem ainda destaque duas pias de água benta em pedra dos séculos XV e XVI, a pintura sobre tábua de S. Cristóvão século (XVI / XVII), a escultura de Nossa Senhora das Neves, um painel de azulejos da parede exterior da Capela-mor, o imponente arcaz em madeira de pau-santo, com três magnificas telas, e um bufete existente na sacristia, exemplares também da primeira metade do século XVIII. Mais recentemente durante a segunda metade do século XX, foram efetuadas grandes obras de restauro. Mas tendo-se sempre evidenciado o maior esforço para não alterar a sua traça que no seu todo constitui um importante testemunho do património artístico religioso dos Açores. Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves
Esta igreja foi considerada Matriz, durante os anos de 1674 a 1737, em vários, encontrando-se vários registos em legados pios, como por exemplo no de Gaspar Gonçalves Simões e sua mulher Maria Álvares e nos termos de óbitos assentados pelo Vigário José de Castro dos anos de 1673 – 1695, é sempre registada esta Igreja Paroquial como Matriz de Nossa Senhora das Neves .
É ainda referenciada como Matriz, no testamento de António do Rego Baldaia feito em Minas Novas no Brasil aos 28 dias do mês de Dezembro de 1737, na doação de 50$000 reis para as obras da Matriz de Nossa Senhora das Neves, decorria então a sua reedificação . Criação da Paróquia de Nossa Senhora das Neves
Não se sabe ao certo a data, da criação da Freguesia de Paróquia de Nossa Senhora das Neves da Relva, sendo uma das mais antigas da ilha de S. Miguel, pode-se no entanto admitir que teria sido antes do ano de 1507, porque na renovação do foral de Vila e Concelho a Ponta Delgada, é referido o seu limite além da Relva. A Confraria do Santíssimo Sacramento no seu início pertenceu à Ordem de Cristo , o que se supões ter sido criada antes do ano de 1514, ordem à qual esteve sob jurisdição espiritual as ilhas dos Açores até à criação da Diocese do Funchal a 12 de Junho do referido ano , com a instituição do Bispado Madeirense ficaram estas ilhas sujeitas à nova diocese . Já no ano de 1526, no livro do Almoxarife de S. Miguel onde estão registadas as ordinárias pagas pela Fazenda Real nessa ilha do ano de 1526, está registado (A f. 22 vº) “A Álvaro Annes, Capelão de Nossa Senhora das Neves, (Relva)” , (A f. 47 “Nossa Senhora das Neves (Relva) das Terras do Contador” – o pagamento da congrua a Alvares Anes capelão de Nossa Senhora das Neves (Relva), com a congrua de 7$000 reis mas que recebeu 2$500 reis porque começou a servir do primeiro dia de Setembro do ano de 1526 , (A f. 13), estão mencionadas as ordinárias novas para o dito ano de 1526, não fazendo referência à de Nossa Senhora das Neves , pelo que se entende que esta já existia (A f. 55 vº) no recibo “Igreja do Contador desconhecendo-se qual terá sido o antecessor ou antecessores de Álvaro Annes, (neste tempo os diversos párocos desta ilha eram conhecidos pelos títulos de Curas ou Capelães, excepto o Vila Franca que tinha o de Vigário). Sendo a ordem hiárquica 1º Vigário, 2º Capelão e 3º Cura. No tempo do ouvidor Marcos de Sampaio nos anos de 1526 e 1527 , em que se enumeram as quinze freguesias que apenas existiam em S. Miguel está Nossa Senhora das Neves da Relva e Alvares Anes (segundo Gaspar Frutuoso) como primeiro padre que houve nesta igreja e freguesia com a congrua de 7$000 reis e que ainda estava nos anos de 1526 e 1527, levando-nos a supor que a sua colocação aqui foi anterior a esta data. Por outra este não terá sido o primeiro, pois o autor das Saudades da Terra não terá sabido se qual o padre ou padres que terão servido nesta paróquia, nem o seu nome , como em outras igrejas em que este historiador também não refere os primeiros vigários, e mesmo nesta igreja em época contemporânea ao Dr. Frutuoso, este não lhe fez referência ao oitavo e nono vigários .