17/12/2018
Um Programa previsto para 90 minutos que praticamente duplicou o tempo, sem que se tenha dado por isso, com intervenções de excelência e público interessado e interventivo que não arredou pé, encheu a alma e fez valer a pena cada minuto.
Que este se torne um ponto de encontro, em que uma vez por mês, juntos (convidados, comentadores, público - seja via rádio ou web) partilhemos opiniões, ideias, sugestões sobre a Terra que amamos, pensando o presente, para preparar o futuro.
Transcrevo parte da minha intervenção, convidando-os a ouvirem o podcast do programa disponível no FB da Rádio Sines e do Programa Pontos nos IS ,
"Depois de décadas de um modelo assente na indústria dos hidrocarbonetos, o novo ciclo de desenvolvimento de Sines e da Região, tem o Porto de Sines como motor.
O crescimento do Porto de Sines, seja através da ampliação do terminal XXI e/ou construção do novo Terminal Vasco da Gama, são uma realidade inevitável (na sua intervenção, o Dr. Pedro do Ó deixou algumas inquietantes questões que lançam pertinentes dúvidas sobre a realidade deste crescimento, que tarda a ser concretizado, assim como as acessibilidades rodo-ferroviárias).
Uma expectativa de 1500 postos de trabalho directos, mais 500 em empresas satélites, e suas famílias, arriscaria um potencial de 5000 a 6000 novos habitantes.
Mesmo considerando que parte deste crescimento será orgânico – moradores actuais e outros de localidades contíguas que regressam a casa no fim do dia de trabalho, estamos perante um crescimento considerável da população residente e da população flutuante.
Mas se ao longo dos anos tivemos um grande Complexo Industrial, próximo de uma pequena cidade, corremos o risco de ter agora um Grande Porto, junto de uma cidade pequena.
Era intenção deste programa mais que discutir o crescimento do Porto, assumi-lo como uma realidade e entender como se deve preparar a Cidade.
E esta preparação envolve vários planos:
Do ponto de vista urbanístico e do planeamento nem me arrisco a ter opinião, remetendo para as doutas palavras do Prof. Nunes da Silva (que fantástica intervenção). Apenas referir que folguei em saber que desde 2008 Sines dispõem de planos urbanísticos e instrumentos de planeamento que permitem acolher cerca de 7.000 novos habitantes.
Do ponto de vista social. Sines terra de pescadores e turismo, desenvolveu competências sociais de acolhimento e de aceitação da diferença, que parecem inscritas no nosso ADN, que propiciou uma sociedade com mente aberta no acolhimento de novas realidade – não por acaso o FMM é um caso de sucesso e só em Sines, se poderia realizar e crescer da forma que conhecemos.
Portanto do ponto de vista Social, Sines estamos preparado para receber e acolher.
No plano das respostas culturais, desportivas, sociais, etc.
Sines tem uma excelente rede de Colectividades e Associações que oferecem uma boa capacidade de resposta. Um crescimento da população terá de ser acompanhado de uma aposta no crescimento orgânico destas instituições (falo dos BVS, da Santa Casa, Clubes desportivos, Associações, etc, etc, etc).
Quanto aos equipamentos municipais, se é unânime a qualidade de parte dos equipamentos que possuímos em áreas como a educação, a cultura e o desporto, teremos de recuperar espaços como o Estádio Municipal e o Parque de Jogos João Martins (ex IOS). Tenho, igualmente duvidas da capacidade de resposta dos equipamento actuais ao crescimento previsto.
Depois temos respostas, nomeadamente na área da saúde, cuja concretização a pesar de depender do Poder Central, a sua exigência tem de partir da sua sociedade civil e do poder local.
Do ponto de vista económico
O Terminal de Mercadoria assente no Transhipment ( ou transbordo - Transferir mercadorias/produtos de um para outro meio de transporte ou veículo, no decorrer do percurso da operação de entrega), terá de evoluir para um modelo de importação/exportação, de modo a representar um factor diferenciador para o desenvolvimento de uma rede de PMEs.
Empresas que importem ou exportem através do porto de Sines, acrescentando valor aos produtos, criando postos de trabalho e diversificando o tecido empresarial. Reduzindo a elevada dependência que existe hoje do Complexo Industrial.
As empresas agem sobre um racional de resultados, instalando-se onde tenham vantagens competitivas, nomeadamente os custos sejam mais reduzidos. Aqui reside uma questão fundamental – a política fiscal.
Sines tem contribuído como mais nenhuma região para a criação de riqueza nacional, colocando os seus recursos (ar, mar, terrenos, etc) à disposição do país, no natural “mecanismo de solidariedade nacional” que tem de existir. Mas é igualmente legítimo que exigamos uma discriminação positiva.
Sines deverá ser Zona Franca (área de um país onde, por decisão das autoridades governamentais, são permitidas reduções alfandegárias e concedidos incentivos ou benefícios fiscais, por um determinado período de tempo, às empresas aí instaladas. O objetivo é o estímulo às trocas comerciais, a fixação de empresas e criação de postos de trabalho e o desenvolvimento económico regional) durante 20/30 anos de modo a desenvolver uma forte e diversificada rede de PMEs.
É um processo de decisão política que levará o seu tempo e necessita da intervenção e influência de diversos actores.
A Zona Franca de Sines, é parte fundamental do modelo de desenvolvimento que preconizo para Sines e para a região.
Por fim, tudo isto carece de visão política.
É preciso arregaçar as mangas e ser proactivo, antecipar o futuro, correr riscos calculados, porque os problemas que temos hoje numa cidade de 15.000 habitante, terão um crescimento exponencial à medida que crescer a cidade.
O mais que previsível crescimento económico alavancará o crescimento populacional, podemos encará-lo como uma ameaça ou uma oportunidade.
É altura de voltarmos a acreditar em nós, sermos gente de acção e iniciar o futuro."
A. Braz