01/08/2026
ONDE ESTÁ A VERDADEIRA ESSÊNCIA DA UMBANDA?
Onde está aquela Umbanda em que, antes de entrar na corrente, era necessário participar em determinadas giras, e em que a vestimenta branca era obrigatória, respeitando os padrões definidos pela Doutrina da Casa?
Onde está aquela Umbanda em que o médium confeccionava as suas guias apenas com autorização do Guia Chefe da Casa, depois de cumprir um determinado tempo de desenvolvimento?
Onde está aquela Umbanda em que o médium só podia entrar para a gira depois de tomar o seu banho de ervas?
Onde está aquela Umbanda em que se respeitava todos, independentemente de terem Camarinha ou de terem mais ou menos tempo de desenvolvimento naquela Casa?
Onde está aquela Umbanda em que a Doutrina era transmitida pelas entidades, quando chegavam ao Terreiro, e os filhos ouviam com amor, devoção e reverência, baixando-se em sinal de respeito?
Onde está aquela Umbanda em que se aprendiam os pontos quando os Guias puxavam o seu Ponto de Raiz diante dos atabaques?
Onde está aquela Umbanda em que existiam giras de desenvolvimento, onde o Guia podia riscar o seu ponto, explicar o seu fundamento e este era posteriormente confirmado pelo Guia Chefe?
Onde está aquela Umbanda em que as Comadres bebiam no coité, sem questionar a ausência de uma taça personalizada com o seu nome?
Onde está aquela Umbanda em que o único brilho era o rosto do médium, feliz por cumprir a sua missão, e não o brilho de vestes espalhafatosas?
Onde está aquela Umbanda em que se cultuava o Caboclo, o Preto-Velho e a Ibeijada com devoção e respeito, sem que Exu ocupasse todo o protagonismo?
Onde está aquela Umbanda que pregava a fé genuína e na qual tantos problemas eram entregues à espiritualidade através de algumas baforadas de um charuto, um copo de água, uma vela e alguns galhos de ervas?
A Umbanda de hoje está a adaptar-se à modernidade. E adaptar-se não é, por si só, errado. O problema surge quando essa adaptação acontece sem equilíbrio, sem fundamento e sem respeito por aquilo que nos foi ensinado.
No meio de tanta modernidade, tanta aparência e tanta necessidade de mostrar, corremos o risco de deixar para trás aquilo que verdadeiramente nos sustenta.
A sua essência.
Talvez a verdadeira pergunta não seja apenas:
“Onde ficou a Umbanda de antigamente?”
Talvez devêssemos perguntar:
O que estamos a fazer para que a essência da Umbanda não se perca pelo caminho?
Porque a Umbanda pode acompanhar os tempos, pode evoluir, pode transformar-se… mas nunca deveria deixar de ser Umbanda.
E talvez, no meio de tantos brilhos, adereços e aparências, precisemos apenas de voltar a olhar para dentro.
Para a fé.
Para o respeito.
Para a humildade.
Para a caridade.
Para a disciplina.
Para a ancestralidade.
Para o silêncio.
Para o fundamento.
Para aquilo que não precisa de ser mostrado para ser verdadeiro.
Porque a Umbanda não precisa de parecer mais bonita.
Precisa apenas de continuar a ser verdadeira.