Os putos do jazz

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🇵🇹BôJAZZ! Silva - "Mt.

Vicente de Sousa FEST🏰
(Teatro Municipal de Bragança) Certo dia uns putos transmontanos e alto durienses lembraram-se de disseminar a cultura Jazz em Portugal e assim nasceu esta página;
Jazz retangular, à beira mar plantado mas como os socalcos do Douro: livre, espontâneo e improvisado. Músicos já abordados/propagados/homenageados pelos Putos:

Bernardo Sassetti - Pianista (1970 - 2012)
João Barr

adas - Acordeonista (1992)
André Fernandes - Guitarrista (1982)
Carlos Bica - Contrabaixista (1958)

Críticas de álbuns, por ordem cronológica:

João Barradas - "Directions" (Inner Circle Music / Nischo - 2017)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/1285156681552483

SongBird - "SongBird Vol.II" (2017)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/1310951528972998:0

Vítor Rua & The Metaphysical Angels - "Do Androids Dream of Electric Guitars" (Clean Feed - 2017)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/1350538645014286

João Mortágua - "Axes" (Carimbo Porta Jazz - 2017)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/1375599459174871

Dan Costa - "Suite Três Rios" (Hypnote Records - 2017)
(Brasil)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/1417888458279304

André B. Meru" (Clean Feed - 2022)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/photos/a.1281242245277260/4806168266117956/

Mário Costa - "Chromosome" (Clean Feed - 2023)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/pfbid02YLVxqCej5eJZHTtfQPt1J7vMibZqUurukH9QakHmoMciW9dKahhxrPX2aeMtBqpKl

Resenhas filosóficas/ounão/sobre concertos/festivais/eventos avulsos:

04/10/2017 - João Paulo Esteves da Silva e Ricardo Toscano (CCB, Lisboa)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/1405967782804705

22,24 e 25/11/2017 - Creative Sources Fest XI (O'culto da Ajuda, Lisboa)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/photos/a.1277514055650079.1073741826.1277204775681007/1457002227701260/?type=1&theater

07/05/2022 - Salvador Sobral (Teatro de Vila Real)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/photos/a.1281242245277260/4892414014160047/

04/02/2023 - 13ºFestival Porta-Jazz (Teatro Rivoli, Porto)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/pfbid0ZeNpgQMKCAqvMnWXhzNfAoSkMRrNoiLKa3EFq1SGXc3QBE7Zjh7A1UPBdpNPFcFgl

02/03/2023 - Pedro Melo Alves+Luís Vicente (Café Concerto Maus Hábitos, Teatro de Vila Real)
https://www.facebook.com/osputosdojazz/posts/pfbid02HcUbs6z3PWEhZmCwaEhmCv3nNdzjeZAVFEPxPRfNGePdJLvLFV7MGXwZGMZgwcv3l

"Candura, Enigmas e o Êxtase do Ar" na abertura da 23ªEdição da Festa do JazzO Pequeno Auditório do Centro Cultural de B...
21/12/2025

"Candura, Enigmas e o Êxtase do Ar" na abertura da
23ªEdição da Festa do Jazz

O Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém foi mais uma vez o porto de arranque da Festa do Jazz, uma produção Sons da Lusofonia e logo com uma estreia numa sinergia criativa entre os instrumentistas e compositores João Barradas (JB) e Sara Serpa (SS), acompanhados por André Rosinha (AR) e João Pereira (JP) na secção rítmica.
A verdade é que já tinham existido algumas colaborações pontuais entre os dois músicos, nomeadamente a participação de SS no incrível disco de estreia do acordeonista - "Directions" (Inner Circle Music, 2017), no tema "Amalgamat (Outro)" - disco este alvo de grande destaque nesta plataforma.
Assim sendo o interesse nesta colaboração já vinha sendo maturado e podemos afirmar que o concerto apresentado não desiludiu os presentes.

Na 1ª peça apresentada, da autoria de JB, o acordeonista abre as portas para a entrada da voz cândida de SS num crescendo em pianíssimo. Os motores dos 3 instrumentistas ainda estavam a aquecer quando a voz da cantora e compositora já ia espelhando a sua magia com a sua habitual técnica s**t minimalista sem recurso a palavras, antes fonemas contidos mas precisos na forma de vogais abertas de larga variabilidade melódica. Solo mais expansivo de JB, fazendo usufruto de toda a sua variabilidade harmónica e um final em "reverse" com o quarteto a reencontrar-se no tema.
Sem direito a silêncio AR toma as rédeas do palco para, com a colaboração dos pratos bem abertos da bateria de JP, iniciar uma galopada bem "haideniana". Para quem anda minimamente atento ao fenómeno do jazz editado em Portugal, foi impossível ter passado ao lado de "Raiz" (Nischo, 2025) - um dos grandes registos do ano, saídos da pena do contrabaixista.

Seguiu-se "Ground Zero", onde JB dá a o mote para um tema muito mais vivo, onde a secção rítmica (de um modo um tanto ou quanto irregular) abriu caminho para as melodias de SS. Solos no contrabaixo/acordeão, seguidos de um momento de recriação de JP para um tutti final depois de uma longa e densa viagem.
Primeiras palavras de SS e apresentação de um tema para sintonizar "os sinais dos tempos" ("News Cicle"), abrindo num contraciclo rítmico onde os músicos pareciam conscientemente desencontrados. A voz de Serpa a certa altura quase que emula algo como um fliscorne e cada músico parece viver no seu mundo, até que a cantora evoca alguma serenidade e convida o restante trio a abrandar. Belo uníssono final entre a voz/acordeão.

Em "Language", tema presente no álbum "Encounters & Collisions" (Biophilia Records, 2024), a cantora apresentou-nos uma metáfora musical ao seu modo de vida nos EUA.
"The 1st story is about language" vai exclamando SS num labirinto pontuado por um "statement" de AR e onde o trio instrumental foi explorando novas formas e caminhos. Regresso ao tema sem que antes houvesse uma desfragmentação rítmica. No auge do mesmo, e com SS a elevar os agudos de forma mais exponencial, por momentos passou-me pelos pensamentos o saudoso Chick Corea e os seus "Return to Forever", nomeadamente no seu épico registo de estreia em 1972 pela ECM Records - onde a mítica Flora Purim deixou uma marca indelével na história do jazz vocal contemporâneo. O tema finaliza em de uma forma quebrada, como que em prestações.
No tema seguinte, JB introduz-nos o seu já célebre acordeão eletrónico (MIDI para ser mais preciso), permitindo ao quarteto apresentar uma palete harmónica mais ampla e com a voz de SS a mergulhar mais fundo no jazz de fusão. Solo uptempo do acordeonista numa janela de oportunidade bem assegurada pela precisão da secção rítmica, contrabaixo+bateria.

Entrada dada por SS em "Time Stop", para um registo de maior exploração vocal e a convidar JP a uma maior exposição - um tema muito bem oleado numa partilha entre pares onde todos os músicos se envolveram no processo criativo num momento final "sem espinhas". Momento de maior acalmia com um novo tema mais lento, à semelhança daquele que abriu o concerto: SS encarregou-se de produzir um murmúrio bem hipnótico.

Com o espetáculo a caminhar para o final (já passava bem de 1h de duração), a poesia incomparável de Sophia de Mello Breyner Andresen estava guardada para o final através do poema "Passagem":

"O êxtase do ar e a palavra do vento
Povoaram de ti meu pensamento."
(Mar Novo, 1958)

Tendo como ponto de partida um diálogo entre voz e acordeão, juntando-se a secção rítmica numa quase bossa, libertando tempos vagos para as deambulações de SS, um tema que fez sobressair todos os seus recursos numa dicotomia entre graves/agudos.
JB ia pegando nas pontas soltas e a música debitada foi trilhando por caminhos alternativos a um jazz mais clássico, florescendo no quarteto uma identidade demarcada. Tempo ainda para JP "tirar alguns coelhos da bateria" antes do pano do 1º dia da Festa do Jazz encerrar.
Um agradecimento a toda a organização do evento e abraço especial ao seu máximo impulsionador, Carlos Martins.

Francisco M. Sousa
(Os putos do jazz)

Ficha Técnica:

Sara Serpa – Voz
João Barradas – Acordeão / Acordeão MIDI
André Rosinha - Contrabaixo
João Pereira - Bateria

Sexta, 19 de Novembro 2025 – 21h
Pequeno Auditório do CCB
Festa do Jazz 2025

📸.lume (Festa do Jazz)

Vila Real no seu Melhor:"Jazz, Interioridade e Paisagens...""Requiem for a Dragon" - a estreia discográfica em nome próp...
20/12/2025

Vila Real no seu Melhor:

"Jazz, Interioridade e Paisagens..."

"Requiem for a Dragon" - a estreia discográfica em nome próprio do saxofonista e compositor Fábio Almeida (), a sair via Dox Records no início de 2026.

"Forever Until it Lasts", é a primeira mostra sonoro-visual, numa viagem pela magia do Alto Douro Vinhateiro, ou simplesmente "o doiro sublimado" como escreveu o poeta maior de São Martinho de Anta, com realização de Ivo Magalhães.

Brevemente crítica do álbum por Francisco M. Sousa.










“Forever Until It Lasts” is a slow-burn reflection on inner growth, a homesick hymn for the person I used to be.Written during a Dutch winter in Tilburg, the...

ONOMA – ONOMA (Ed. Autor – 2025) “Música que encapsula identidade, autoridade e essência...numa estreia ONOMástica!” Tro...
06/12/2025

ONOMA – ONOMA (Ed. Autor – 2025)

“Música que encapsula identidade, autoridade e essência...numa estreia ONOMástica!”

Trompete: Vasco Silva
Sax. Alto: Lucas Oliveira
Sax. Tenor: Igor Cavaz
Piano e Teclados: Simão Raimundo
Contrabaixo: Duarte Julio
Bateria: Hugo Santos
Percussão: Iúri Oliveira (Músico Convidado)

Carta de Apresentação

Citando a biografia dos ONOMA - nome que provém do grego - "o projeto surgiu em 2023, a partir do encontro de estudantes da ESMAE - Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE Jazz), com o objetivo de se estabelecerem na cena jazzística atual, mostrando a frescura de uma nova geração do jazz português. Compondo e tocando apenas temas originais, a sua música ultrapassa as barreiras do jazz tradicional, cruzando vários géneros musicais e estabelecendo diversificadas paisagens sonoras."
Assim este vosso crítico irá dissertar um pouco sobre aquilo que ouviu, tema a tema, a partir do próximo parágrafo.

"Miráculo"

Entrada pianística de Simão Raimundo (SR) com espaço e tempo, evocando as últimas folhas de Outono, visto o álbum ter sido lançado mesmo na parte final desta estação do ano e por consequente, mesmo no raiar final de 2025. O tema vai subindo a ouvidos vistos com a entrada em crescendo do sax.alto a cargo de Lucas Oliveira (LO) - sendo que a última parte convida a junção dos restantes sopros e dá-se uma certa desorganização do tema, rapidamente recentrado com a percussão transcendental de Iúri Oliveira (IO) - um convidado de luxo para a estreia deste projeto, que promete agitar as águas do por si já bastante turbulento e criativo universo do jazz feito em costas e encostas lusitanas. Aquela dobragem final do tema em uníssono entre sax's e trompete é de uma subtileza tímbrica deveras assinalável, abrindo um bom prenúncio para a escuta deste "ONOMA".
A primeira associação que fiz ao nome/álbum do coletivo nortenho, remeteu-me ao icónico, selvático e "incatalogável" álbum de Max Roach - "M'Boom" (Columbia Records, 1979), uma vez que a sua primeira faixa tem o nome de "Onomatopoeia".

"Pueblo"

O sapiente contrabaixo de Duarte Júlio (DJ) dá-nos as boas-vindas a "Pueblo" e mesmo antes de a música começar a tocar vem-me à memória uma "referência" batida: Charlie Haden "Liberation Music Orchestra" (e que necessária é a sua música multicultural, libertária e agregadora nos dias de hoje!...). O tema é profuso e mais uma vez a percussão de IO acrescenta novas paisagens ao mesmo tempo que o solo inicial do trompetista Vasco Silva (VS) é denso, estruturado e quiçá "hubbardiano" mesmo. A bateria "quebrada" de Hugo Santos (HS) faz-se notar com a sua aptidão de aliar ao jazz mais convencional (swing e afins), também ritmos mais contemporâneos, recorrendo para isso a estilos como o funk ou drum'n'bass. É de salientar a parelha rítmica formada entre o baterista e o percussionista IO (que também participa neste tema, tal como no anterior, e em "SH - Hallucination" e "El Mosquito"), músico que fomenta várias colaborações (não apenas em territórios jazzísticos) e que recentemente lançou o seu primeiro álbum solo original, "Manifesto" - lançado precisamente no início deste ano de 2025.

"Viriato"

E por falar na forte secção rítmica deste coletivo, é HS que abre "Viriato" - um baterista muito novo, mas que do ponto de vista criativo, técnico e composicional apresenta já uma voz com relevo e substância. Constatamos isso ao vivo no último Guimarães Jazz (Centro Cultural Vila Flor / A Oficina • Guimarães), onde escutamos composições da sua pena, num 5TET em que constavam outros músicos deste mesmo projeto "ONOMA". O tema discorre com serenidade sendo que os sopros lhe imprimem um certo ar de nostalgia e boas recordações, começando como acaba, isto é - com a voz própria de HS a fazer-se sentir com diversidade rítmica e um groove muito bem patenteado.

"Olhos de Elefante"

Tema mais clássico onde um jogo de pratos dá o mote para uma abertura em "tutti" dos sopros numa toada mais lenta (lânguida até) e "ellingtoniana" a evocar os parâmetros da escrita para Big Band. Inspirado solo de sax.tenor e destaque para o piano de SR antes mesmo do regresso final ao tema. Nota de realce para a qualidade de gravação e mistura a cargo de Zé Nando Pimenta, nos Estúdios Arda Recorders.

“SH-Hallucination”

Tema com entrada tipo "jungle", mercê da junção entre a percussão de IO e a bateria de HS, uma simbiose rítmica irregular, numa mescla perfeita entre jazz e world music (com um piscar de olhos à eletrónica) muito bem conseguida e arrebatada num "copioso" solo de sax.tenor de Igor Cavaz (IC). Perguntas-respostas entre os 3 sopros numa evolução melódica, harmónica e sobretudo tímbrica/rítmica, sendo que para isso contribuíram também as explorações desenhadas pelo eletrónica de SR, aqui a trocar o piano pelos teclados. Uma "alucinação sonora" que sintetiza muito bem toda a toada desta estreia "ONOMÁstica".

"Letter to a Lost Traveller"

Momento de acalmia, explanado no som quente dos metais bem enquadrados pela palete harmónica do piano elétrico de SR, abrindo caminho para um curto mais incisivo solo de DJ em contrabaixo. Segue-se momento a solo no trompete de VS, a evocar nomes cimeiros da cena jazz europeia como Erik Truffaz ou Nils Petter Molvaer.

"El Mosquito"

Tempo para alguma arte circense, aparecendo de rompante "El Mosquito" a combinar uma certa ironia com paisagens sonoras recambolescas (estilo filme "western") onde os solos, ora de trompete, ora de saxofone vão desfilando em catadupa. Música repleta de groove e texturas harmónicas que levam o ouvinte a dar por si a mexer a cabeça, qual corpo que acaba de ser picado. Já na parte final um dos sax's imita na perfeição o zumbido deste inseto, que vive para nos atormentar o sistema nervoso devido ao som agudo e inquietante que reproduz.

"Hermenêutica"

Penúltimo ensaio sonoro do Sexteto, num piscar de olho ao universo ECM Records, através da exploração melódica de VS, amparado por uma atmosfera rica em silêncios e interrogações. Sendo o significado deste tema "a arte ou técnica de interpretar e explicar textos ou discursos", resta-me concluir que a música destes "ONOMA" serve como uma introdução exemplar ao universo jazzístico por parte de novos ouvintes deste tipo de música, que primeiro se estranha e depois se entranha.

"Cais das Colunas"

Faixa final mais "ortodoxa", ou seja, a apresentar um jazz mais convencional, mas nem por isso menos sonante, até pelos belos solos de LO no sax.alto e SR no piano - a cerrarem o pano em grande estilo deste álbum homónimo. O tema acaba num sopro de vento final em fade out.

Considerações Finais

Música com muito sumo e "vitamina J", é o que nos apresenta este Sexteto na sua estreia.
Segundo o Google, "em textos bíblicos, Onoma encapsula identidade, autoridade e essência de uma pessoa ou coisa", sendo que me apetece dizer que essa descrição assenta como uma luva para apresentar o som deste coletivo.
Um projeto para estar atento nos próximos anos, sendo que é de assinalar o facto de músicos tão jovens e talentosos apresentarem já uma estética muito bem maturada, com composições bem elaboradas, solos inspirados e uma excelente comunicação entre pares, fazendo sem dúvida, deste "ONOMA", um dos registos mais fulgurantes de 2025, do já de si "hiperativo" panorama jazzístico português.

Francisco M. Sousa
(Os putos do jazz)
Dez. 2025

01/12/2025
📸Excelentes momentos captados pela lente do João Lourenço, a retratar/sintetizar na perfeição e com grande nota artístic...
27/11/2025

📸Excelentes momentos captados pela lente do João Lourenço, a retratar/sintetizar na perfeição e com grande nota artística a 1ª Edição do "BôJAZZ! Vicente de Sousa FEST":

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