10/06/2026
ESQUERDA BRASILEIRA COMETEU DOIS ERROS QUE A UNITA NÃO PODE REPETIR.
A esquerda brasileira, particularmente o PT, cometeu dois erros estratégicos que deveriam servir de alerta para a oposição angolana.
Uma pesquisa da Fundação Friedrich Ebert sobre a juventude brasileira revela um dado preocupante: 18% dos jovens identificam-se com a esquerda, 38% com a direita (dos quais 17% com a extrema-direita), enquanto 44% situam-se ao centro.
Por que razão a esquerda perdeu capacidade de atração entre os jovens?
1.º ERRO: DEPENDER DEMASIADO DE UMA ÚNICA LIDERANÇA OU FIGURA.
Lula é, sem dúvida, uma das maiores lideranças políticas da história do Brasil. No entanto, nenhum projeto político pode depender eternamente de uma única pessoa, por mais brilhante ela seja.
A esquerda passou demasiado tempo sem preparar, com a mesma força, uma nova geração de lideranças carismáticas e competentes capazes de ocupar espaço de disputa política. Haddad e Boulos têm o seu espaço e mérito, mas a esquerda demorou a renovar-se. Precisa de novos rostos, ideias, linguagens, conteúdos e energias.
Quando uma organização envelhece sem renovar os seus quadros, perde contacto com os cidadãos. A geração Z não se sente representada pelas velhas figuras; há um desgaste enorme. É preciso trazer lideranças jovens, acordar para as bases e chegar aos territórios afastados. Não basta ter história: é preciso construir futuro.
2.º ERRO: SUBESTIMAR O PODER DAS REDES SOCIAIS E DOS ALGORITMOS.
Enquanto parte da esquerda permanecia presa a linguagens tradicionais e concentrada na disputa ideológica dentro das universidades, nos sindicatos, jornais e movimentos sociais, a extrema-direita percebeu antes que a população e a juventude estavam a migrar para a internet no telemóvel, ocupando também o vazio deixado pela esquerda no meio evangélico.
E foi para lá que eles foram:
Domínio dos canais digitais: aprenderam a disputar a atenção através de vídeos curtos, memes, influenciadores, podcasts, grupos de WhatsApp, TikTok, Instagram e YouTube, sem precisarem de controlar universidades e sindicatos para moldar consciências.
Apropriação do discurso antissistema: Transformaram o descontentamento dos jovens numa narrativa política, identificando o STF e o "petismo" como os grandes problemas do Brasil. E deu certo.
Aproveitamento de pautas sensíveis: souberam explorar a insegurança, a imigração e os valores familiares. Aliaram-se à teologia da prosperidade e ao meio evangélico, que oferecem promessas de mudança individual imediata, através da fé, do esforço e do empreendedorismo, disputando os desejos do povo muito mais do que o discurso tradicional de políticas públicas de longo prazo.
Respostas fáceis para problemas complexos: reduziram dilemas sociais a culpados imediatos (o imigrante, as facções criminosas ou a classe política). De forma genial, inverteram a ideia de "sistema": em vez de apontarem o capital financeiro, os bancos e os bilionários, que na verdade os apoiam, redefiniram o "sistema" como sendo as instituições do Estado, o STF, a imprensa, as universidades e a cultura promovida pela esquerda progressista.
Na política contemporânea, quem controla a atenção consegue influenciar o debate público. A extrema-direita aprendeu a disputar a atenção; a esquerda precisa de voltar a disputar a imaginação e a esperança.
A esquerda precisa comunicar melhor as suas propostas de emprego digno, educação, saúde, habitação, desenvolvimento, soberania, democracia e justiça social, sem abandonar a profundidade das suas ideias.
E A UNITA?
A UNITA precisa de olhar seriamente para esta realidade. Não podemos continuar a fazer política no século XXI com ferramentas concebidas para o século XX.
Comícios, rádio, televisão e jornais são importantes, mas já não são suficientes. A política está no telemóvel. O eleitor está no TikTok, no Facebook, no Instagram, no YouTube e no WhatsApp. É aí que a disputa pela consciência política e de classe acontece.
Como é que a UNITA aproveita o descontentamento dos jovens para a construção de uma narrativa política em 2026/2027?
A UNITA precisa de uma verdadeira revolução na comunicação política:
Renovação e projeção de novos atores políticos oriundos das lideranças comunitárias e da sociedade civil capazes de conectar a geração Z a causa da mudança: abraçar e atrair vários nomes que estão a emergir, promover outras novas lideranças e dar espaço a novos rostos nas distintas províncias.
Cabe questionar: qual é a relação dos secretários provinciais com a sociedade civil e com as redes sociais? Até que ponto são ouvidos pela geração Z?
Estratégia digital permanente: investir seriamente na formação em comunicação digital e edição de vídeos, na produção profissional de conteúdos e em linguagens adequadas às diferentes gerações.
Comunicação eficiente: compreender que quem não sabe apresentar as suas ideias dificilmente conseguirá convencer a sociedade da necessidade de mudar.
Não basta ter razão, é preciso saber comunicar a razão. Não basta ter propostas, é preciso fazer com que as pessoas as conheçam, compreendam e acreditem nelas.
Não se trata de transformar a política num espetáculo, mas de compreender que a oposição angolana não pode esperar eleições para começar a comunicar: a disputa começa muito antes das urnas.
A era dos comícios não acabou. Mas começou a era dos algoritmos.
Quem não compreender isso hoje poderá descobrir amanhã que perdeu a batalha antes mesmo de chegar às urnas.
O MPLA transformou as instituições de ensino superiores em extensões e células de recrutamento da JMPLA. É necessário aprender com a extrema-direita a neutralizar essas estruturas “académicas”, que apenas mobilizam jovens ingénuos enganados pela comunicação social ao serviço do regime.
Para contornar este aparelho de propaganda, basta compreender a força das redes sociais para dialogar diretamente com o povo, restabelecer a verdade e combater a desinformação promovida pelos bajuladores deste partido.
Precisa-se de inovação e de renovação. Precisa-se perder o medo de actualizar as estratégias e abrir-se mais rapidamente a novas figuras, com discursos que se adequem às exigências da sociedade actual.
2027 É MAIS DE UM MILHÃO DE CIDADÃOS NA RUA. NÃO EXISTE OUTRA CONVERSA.
Dito Dalí.