08/24/2026
DENÚNCIA PÚBLICA: Colaboradores do ISP-Soyo Excluídos Injustamente nos Concursos de 2024 e 2026
Fonte :nsisareflexoes.org
SOYO, Zaire, ANGOLA – Um grupo de profissionais com mais de cinco anos de serviço contínuo no Instituto Superior Politécnico do Soyo vem a público denunciar uma grave situação de injustiça, exclusão e alegadas práticas ilegais que marcaram os concursos públicos de ingresso da instituição nos anos de 2024 e 2026.
O Histórico de Dedicação e a Dupla Exclusão
Os trabalhadores afetados dedicam as suas vidas ao ISP-Soyo há mais de cinco anos. São Docentes colaboradores que garantem o funcionamento diário da instituição, enfrentando dificuldades e mantendo as portas abertas com profissionalismo.
Muitas vezes, estes colaboradores trabalham mesmo com os subsídios em atraso, continuando a cumprir as suas responsabilidades e a dar o seu contributo para o funcionamento da instituição. A título de exemplo, até ao presente momento, a instituição ainda tem alguns meses de subsídios por pagar a alguns colaboradores. Mesmo perante essas dificuldades, os trabalhadores continuam a sofrer e a trabalhar dentro da mesma casa, na esperança de que o seu esforço, dedicação e experiência sejam reconhecidos.
Infelizmente, é precisamente nos momentos de realização dos concursos que, segundo os denunciantes, se pretende buscar profissionais de fora e esquecer aqueles que já trabalham na instituição, que enfrentam as mesmas dificuldades e que têm contribuído para manter a casa de pé. Questiona-se, por isso, como é possível deixar de valorizar os profissionais que há anos trabalham na instituição, inclusive em períodos de dificuldades e com subsídios em atraso, para dar lugar a pessoas vindas de fora.
Apesar da vasta experiência e do conhecimento profundo da rotina do Instituto, este grupo foi travado e chumbado de forma sistemática em dois concursos públicos consecutivos (2024 e 2026). O padrão de exclusão repetiu-se de forma idêntica, levantando fortes suspeitas sobre a transparência do processo.
Tráfico de Influência, Corrupção e Tribalismo
Segundo relatos recolhidos internamente, as vagas que deveriam servir para estabilizar e valorizar o pessoal da casa foram transformadas em moeda de troca. As acusações apontam para:
Tráfico de Influência: Candidatos externos sem qualquer ligação à instituição ou experiência na área foram admitidos deixando os de casa que passam dificuldades devido a ligações familiares ou de amizade com membros do júri e da direcção.
Indícios de Corrupção: Há suspeitas de favorecimento financeiro na atribuição de vagas e na alteração de notas das provas públicas, entrevistas.
Tribalismo e Regionalismo: O mérito académico e profissional foi preterido em função de critérios de discriminação regional e étnica, o que viola frontalmente a Constituição da República de Angola e o princípio da igualdade.
TRIBALISMO E EXCLUSÃO SUCESSIVA DOS NATURAIS DO SOYO
Um dos pontos mais graves levantados pelos denunciantes está relacionado com aquilo que consideram ser uma política de exclusão sucessiva dos naturais do Soyo nos processos de recrutamento e ingresso do Instituto Superior Politécnico do Soyo.
Segundo os colaboradores, existe uma tendência que consideram intencional de afastar sucessivamente profissionais naturais do Soyo, dando preferência à entrada de indivíduos provenientes de outras regiões do país, nomeadamente Cabinda, Uíge, Luanda e Lubango.
Os denunciantes questionam como é possível uma instituição localizada no Soyo, inserida numa comunidade que possui quadros formados e profissionais com experiência e conhecimento da realidade local, continuar a admitir pessoas de outras regiões enquanto os naturais do Soyo enfrentam sucessivos obstáculos para conseguir uma oportunidade na própria instituição.
A alegação é de que, apesar de a universidade estar localizada no Soyo, existe uma prática que impede, de forma sistemática, que os naturais do município tenham protagonismo e acesso às oportunidades profissionais existentes na instituição.
Os colaboradores denunciam ainda que essa situação não se limita a um concurso isolado, mas que se vem repetindo sucessivamente, criando a percepção de que existe uma orientação para afastar os naturais do Soyo e substituí-los progressivamente por profissionais oriundos de outras províncias.
Os denunciantes solicitam, por isso, que os órgãos competentes analisem cuidadosamente as listas de candidatos, os resultados dos concursos, a origem dos candidatos admitidos e os critérios utilizados nos processos de recrutamento, de modo a verif**ar se existe ou não qualquer padrão de discriminação regional ou étnica.
No que diz respeito à Presidente do ISP-Soyo, Massukininí Inês, os denunciantes levantam igualmente questões sobre a alegada existência de favorecimento de pessoas provenientes da sua região de origem, o Uíge, em detrimento dos naturais do Soyo. Esta alegação deve ser devidamente investigada pelas entidades competentes, através da análise dos factos, documentos e resultados dos concursos.
O que os colaboradores questionam é simples: se o Instituto Superior Politécnico está no Soyo, por que razão os naturais do Soyo são sucessivamente afastados das oportunidades existentes na própria instituição?
É precisamente para responder a esta e a outras questões que os denunciantes apelam a uma investigação séria, independente e transparente.
Apelo à Fiscalização do Estado
Diante desta evidente injustiça que desmotiva a classe trabalhadora e destrói o mérito na província do Zaire, o colectivo de colaboradores apela à intervenção urgente das seguintes entidades:
IGAE (Inspeção Geral da Administração do Estado): Para que realize uma auditoria profunda e transparente às provas, critérios de correção e listas de admissão dos concursos de 2024 e 2026.
Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI): Para que averigue a conduta da direcção do ISP-Soyo e trave o afastamento dos quadros que já servem o Estado há anos.
Os colaboradores reiteram que não pretendem privilégios, mas exigem o respeito pela legalidade, pela transparência e pela valorização do tempo de serviço que o próprio regime dos concursos públicos angolanos prevê.