09/21/2026
Alucinação tinha tudo para ser uma série antológica.
Os dois primeiros episódios são cheios de vida, luz e inquietação. Há força, personalidade e uma pulsação muito bonita ali. E uma das grandes surpresas, para mim, foi Caian Zattar, que segura muito bem o Belchior jovem sem cair na caricatura.
Mas quem mais me pegou foi Luiz Carlos Vasconcelos. Ele faz um Belchior mais maduro de uma forma muito bonita, quase sempre deixando o silêncio falar. Tem olhar, tem peso, tem busca. É como se o personagem estivesse o tempo inteiro tentando arrancar do vazio alguma resposta para o seu porquê.
Achei linda a atuação dele.
Consegui perceber claramente o que os criadores queriam fazer: menos uma biografia convencional e mais um poema sobre identidade, inquietação e ausência.
Só que, para mim, a série perde força nos dois episódios finais.
A energia diminui, a montagem já não sustenta o mesmo impacto e a execução parece menor do que a ambição do projeto. F**a a sensação de que faltou fôlego justamente quando a obra mais precisava dele.
E é uma pena, porque Alucinação tem muita coisa boa.
No fim, ficou para mim como um belo poema, necessário, sensível, mas que se aguou um pouco perto da reta final.
Ainda assim, vale a pena conferir.
E depois faça uma coisa ainda mais importante: escute Belchior.
E você, assistiu Alucinação? Curtiu até o fim ou também sentiu essa queda nos episódios finais? Comenta aí. E segue o Cinetrama para mais cinema, séries e resenhas sem enrolação.