12/30/2025
♔📜♚ | 27 de Dezembro de 1703 - Assinatura do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra
Durante o reinado de D. Pedro II, Portugal experimentou um período de paz e estabilidade, pelo que o Rei é conhecido por ter sido um governante pacífico e por ter feito a paz com a Espanha através do Tratado de Lisboa em 1668, mas não sem antes se envolver militarmente na Guerra da Sucessão de Espanha.
O seu ministro mais eminente foi o Conde de Ericeira, D. Luís de Menezes, vedor da fazenda e responsável por significativo impulso verificado na indústria portuguesa, e assim, durante o reinado de D. P**o II, foi assinado o Tratado de Methuen, um tratado comercial entre Portugal e a Inglaterra.
O Tratado de Methuen, também conhecido como Tratado dos Panos e Vinhos, foi um tratado assinado entre Portugal e a Inglaterra, em 27 de Dezembro de 1703. Foi um acordo comercial que teve um impacto significativo nas economias e nas relações políticas dos dois países. O tratado foi negociado por John Methuen, diplomata inglês, juiz e Membro do Parlamento que detinha simultaneamente os cargos de Lorde Chanceler da Irlanda e Embaixador britânico em Portugal, e visava fortalecer a aliança anglo-portuguesa durante a Guerra da Sucessão Espanhola.
No início do século XVIII, Portugal enfrentava dificuldades económicas e procurava fortalecer as suas relações comerciais para garantir a estabilidade financeira. A Inglaterra, por sua vez, procurava aliados na Europa para combater a influência da França e da Espanha.
O Tratado de Methuen estabeleceu que:
1. Portugal permitiria a entrada de tecidos de lã ingleses com tarifas reduzidas.
2. Inglaterra aceitaria vinhos portugueses com tarifas mais baixas do que os vinhos franceses.
O tratado incentivou a produção e exportação de vinho, especialmente de Vinho do Porto, o Port que se tornou extremamente popular na Inglaterra. No entanto, a dependência de produtos manufacturados ingleses prejudicou o desenvolvimento da indústria têxtil portuguesa. Inglaterra beneficiou do acesso ao largo mercado colonial português para os seus tecidos de lã, fortalecendo a sua indústria têxtil.
O Tratado de Methuen consolidou a aliança entre Portugal e Inglaterra, mas também criou uma dependência económica.
O Tratado de Methuen de 1703 foi um marco nas relações anglo-portuguesas, com efeitos duradouros nas economias e nas políticas dos dois países. Assim, o acordo comercial entre os dois países, onde Portugal concordou em reduzir as tarifas sobre os tecidos ingleses em troca de uma redução nas tarifas sobre o vinho português na Inglaterra, foi benéfico para Portugal, pois permitiu que o país exportasse mais vinho para a Inglaterra, o que gerou mais empregos e dinheiro para o país. Para a Inglaterra, o tratado foi importante porque permitiu que o país importasse vinho de alta qualidade a preços mais baixos. Mas, embora tenha trazido benefícios imediatos, também criou dependências que moldaram o desenvolvimento económico de Portugal nos séculos seguintes.
O Tratado acima teve impacto na posição de Portugal na Guerra da Sucessão Espanhola, um conflito internacional que ocorreu entre 1701 e 1714, envolvendo diversas monarquias europeias por causa dos direitos de sucessão da coroa espanhola. Após a morte do rei Carlos II de Espanha, casado com a princesa francesa Maria Luísa, que não deixou herdeiros, e com o falecimento precoce do seu sobrinho, José Fernando de Wittelsbach, Príncipe-eleitor da Baviera, e herdeiro da coroa espanhola - posição ratificada no Tratado de Haia -, pois era filho de Maximiliano II Emanuel, Eleitor da Baviera e da sua primeira mulher Maria Antónia da Áustria, terminou a dinastia dos Áustria, ramo espanhol da Casa de Habsburgo.
O trono estava vacante, e sucedeu, então, ao trono espanhol Filipe de Anjou, neto de Luís XIV, dando início à dinastia de Bourbon em Espanha. Mas, apesar do rei de cujus ter indicado como sucessor o Duque de Anjou, neto de Luís XIV, como sucessor, e sendo ele, também, o potencial herdeiro do trono francês, já que era neto do então rei da França, isso acicatou a Áustria, os Países Baixos e a Inglaterra, igualmente com pretensões dinásticas ao trono de Espanha. Além do mais, e uma vez que os Bourbon teriam, além da França, poder sobre a Espanha e suas conquistas, as demais potências europeias recearam os efeitos da união de dois reinos tão poderosos sob a mesma dinastia. A preocupação vinha sobretudo por parte da Inglaterra, rival da França na disputa pela hegemonia europeia e nos espaços ultramarinos. O domínio espanhol dos Bourbon poderia alterar as dinâmicas e o balanço das relações tanto políticas quanto comerciais, o que dificultaria uma possível hegemonia inglesa. Ao mesmo tempo, a França temia uma união entre Espanha e Áustria sob as mãos de um mesmo monarca Habsburgo, como reivindicava o imperador Leopoldo I da Áustria, em favor de seu filho, o arquiduque Carlos. Assim, o conflito motivado pela crise sucessória da Espanha culminou numa guerra entre as diversas monarquias europeias.
Portugal desempenhou um papel importante na Guerra da Sucessão Espanhola ao apoiar o arquiduque Carlos da Áustria, que reivindicava o trono espanhol, enquanto a França e a Espanha apoiavam o neto de Luís XIV, Filipe V. Portugal juntou-se à aliança anti-francesa em 1703, que incluía a Inglaterra, a Holanda e a Áustria. As forças portuguesas lutaram em várias frentes, incluindo a Catalunha, a Itália e a Flandres.
A guerra terminou com a assinatura dos Tratados de Utrecht, Rastatt e Baden, em 1713 e 1714, que reconheceram Filipe V como Rei de Espanha e estabeleceram a paz na Europa.
O Tratado de Utrecht (1713-1715) foi, na verdade, não um mas dois acordos que puseram fim à Guerra de Sucessão Espanhola e mudaram o mapa da Europa e das Américas. No primeiro Tratado, em 1713, a Grã-Bretanha reconhecia como Rei de Espanha o francês Felipe de Anjou. Após 11 anos de guerra, Filipe de Anjou é Aclamado Felipe V Rei de Espanha, nas Cortes reunidas em Madrid e Barcelona.
Assim, o Tratado de Methuen criou uma dependência económica que influenciou as políticas internas e externas portuguesas e, a longo prazo, a falta de diversificação económica em Portugal, o que contribuiu para desafios económicos e sociais.
Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica