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01/06/2026

— As chaves do apartamento dos meus pais, agora. — disse a cunhada, com calma, mas de forma firme.

Nadejda subia as escadas depois de um pesado dia de trabalho na contabilidade de um centro médico. A noite quente de julho fazia a blusa húmida colar-se-lhe às costas, e a pasta com documentos parecia mais pesada do que o normal. Os pais tinham partido para a casa de campo da tia há uma semana, deixando à filha as chaves do apartamento no segundo andar para que ela regasse as plantas e verificasse o correio.

No patamar entre o segundo e o terceiro andar, Nadejda parou. Do apartamento dos pais vinham vozes altas e gargalhadas. A música soava tão alto que fazia a porta vibrar. O coração dela começou a bater mais depressa — os pais só deveriam regressar dentro de três dias.

Nadejda encostou o ouvido à porta. Entre as vozes desconhecidas, reconheceu nitidamente a voz da sogra, Valentina Dmitrievna. A mulher contava alguma coisa, soltando risadas de vez em quando. Alguém brindava, outro aumentava ainda mais o volume da televisão.

As mãos de Nadejda tremiam quando ela tirou o telemóvel. Primeira chamada para o marido — ninguém atendeu. Segunda chamada, um minuto depois — silêncio. Terceira chamada — novamente o atendedor de chamadas. Uma onda de pânico começou a subir-lhe do estômago, mas ela cerrou os dentes. Oleg sabia perfeitamente onde estava a mãe.

Tirou do s**o o molho de chaves e, em silêncio, introduziu uma delas na fechadura. A porta abriu-se sem um som. O primeiro impacto foi o cheiro intenso de fumo de tabaco misturado com álcool e algo mais, doce e enjoativo. Os lírios preferidos da mãe, no parapeito da janela, murchavam com o calor abafado.

No hall, estavam espalhados sapatos alheios — botas masculinas, sandálias femininas, ténis infantis. Sobre o móvel dos sapatos havia uma garrafa de vodka vazia e um cinzeiro a transbordar. Nadejda tirou os próprios sapatos e entrou em bicos de pés na sala de estar.

A cena diante dela fez com que se apoiasse no batente da porta. A toalha branca da mãe, usada apenas em dias festivos, estava manchada com pingos vermelhos e cinzas. Na mesa, três garrafas de vodka vazias, várias de cerveja e os copos de cristal da mãe, onde flutuavam beatas.

As almofadas do sofá estavam no chão. Na mesa de centro, marcas circulares molhadas arruinavam o tampo polido. Um dos vasos de cristal da mãe jazia de lado, felizmente intacto.

À mesa, sentavam-se cinco pessoas. Valentina Dmitrievna estava à cabeceira, como se fosse a dona da casa. Ao lado dela, um homem de cerca de cinquenta anos com a camisa amarrotada, duas mulheres de idade aproximada à dela e um adolescente de uns dezasseis anos, que fumava apesar da pouca idade.

— E depois a minha nora vem dizer que vai passar as férias não connosco na casa de campo, mas com os pais dela! — contava Valentina Dmitrievna, agitando o copo de vodka. — Imaginam? Para ela, nós somos estranhos!
— Oh, Valya, a juventude agora é assim — respondeu uma das mulheres, acendendo outro cigarro. — A própria família é mais importante para eles.
— Que própria família? — indignou-se a sogra. — O meu filho é a família dela! E os pais? Esses não vão ajudar quando vierem as crianças!

A música tocava tão alto que ninguém notou Nadejda no vão da porta. Ela observava a forma como o grupo da sogra se comportava, sem pudor, no apartamento dos seus pais. O adolescente sacudia as cinzas diretamente no tapete. O homem de camisa amarrotada pousara as botas sujas na poltrona da mãe.

— E que apartamento bom — comentou a segunda mulher, olhando em volta. — No centro, renovado recentemente. Tiveram sorte.
— Pois é — concordou Valentina Dmitrievna. — Nós nunca teremos um assim. Mas a nora cresceu aqui, recebeu tudo prontinho.

Nadejda cerrou os punhos. Os pais privaram-se de tudo para poderem renovar aquele apartamento. O pai trabalhava em dois empregos, a mãe costurava em casa à noite. Cada rublo era conquistado com muito esforço.

Valentina Dmitrievna levantou-se e foi até ao aparador com a loiça. Nadejda viu-a pegar na estatueta de porcelana da mãe — presente da avó falecida.
— Que peça bonita — disse, rodando-a nas mãos. — Deve ser antiga.
— Valya, o que é isso? — riu-se o homem da camisa. — Não vais levá-la, pois não?
— E por que não? — a sogra encolheu os ombros. — Está só a apanhar pó. A nora não valoriza estas coisas, a juventude só olha para o telemóvel.

Nadejda já não conseguiu aguentar. Avançou do canto e bateu palmas com força. A música continuou, mas todas as conversas cessaram de imediato. Cinco pares de olhos fixaram-se nela.

Valentina Dmitrievna ficou imóvel com a estatueta nas mãos. No rosto dela passaram primeiro a surpresa, depois o medo e, finalmente, algo parecido com irritação.
— Nadya! — exclamou falsamente, pousando depressa a estatueta no lugar. — Como é que tu estás aqui?

Nadejda percorreu a sala com o olhar, registando cada detalhe da destruição. As manchas na toalha. As beatas nos copos de cristal. As marcas das botas na poltrona. As cinzas no tapete. Os círculos molhados na mesa polida.

— Eu moro um andar acima, — respondeu Nadejda calmamente. — E tenho as chaves deste apartamento porque os meus pais me pediram para cuidar dele enquanto eles não estão.

O grupo da sogra trocou olhares. O adolescente apagou rapidamente o cigarro no chão. O homem da camisa tirou os pés da poltrona.

— Só entrámos… — começou uma das mulheres.
— Por uma horinha, — interrompeu Valentina Dmitrievna. — Nada demais, só para conversar e recordar a juventude. Quase somos família, Nadejda.

— Quase família não fuma na casa dos outros nem deixa beatas nos copos de cristal, — respondeu Nadejda, sem elevar a voz.

Valentina Dmitrievna corou. O grupo começou a mexer-se nervosamente nos lugares.

— Nadejda, não sejas assim… — tentou justificar-se a sogra. — Somos família! Oleg não se importa, eu falei com ele.

— Se o Oleg não se importa, por que é que não atende as minhas chamadas? — Nadejda tirou o telemóvel e mostrou o ecrã com as chamadas perdidas.

Valentina Dmitrievna abriu a boca, mas não conseguiu responder. O homem da camisa começou a juntar as garrafas vazias, preparando-se claramente para sair.

— Vamos arrumar tudo agora — disse rapidamente uma das mulheres. — Não aconteceu nada de grave.

Nadejda aproximou-se da janela e abriu-a completamente, deixando entrar ar fresco. O fumo do tabaco começou a dissipar-se lentamente. Virou-se para o grupo, estendendo a mão com a palma para cima.

— As chaves do apartamento dos meus pais, agora.

Valentina Dmitrievna estremeceu como se tivesse levado um choque. O rosto da sogra ficou vermelho escuro.

— Que chaves? — fingiu não perceber Valentina Dmitrievna. — Do que estás a falar?

— Das chaves com que abriram este apartamento — respondeu Nadejda com calma. — Os meus pais só me deram chaves a mim. Logo, as chaves estão convosco, através do Oleg.

O grupo da sogra começou a sussurrar entre si. O adolescente levantou-se da mesa e dirigiu-se à saída.

— Para onde pensas que vais? — parou-o Nadejda. — Ninguém sai daqui sem arrumar tudo.

— Vamos, vamos arrumar, — apressou-se Valentina Dmitrievna. — E as chaves… que chaves… eu não sabia que estavas contra…

— Valentina Dmitrievna, — disse Nadejda calmamente. — Sabia perfeitamente que estavam a fazer uma festa num apartamento alheio sem permissão dos donos. Entreguem as chaves.

A mão de Nadejda continuava estendida. Ela não tinha intenção de recuar.

O homem da camisa amarrotada riu nervosamente e começou a juntar as garrafas vazias num s**o. Uma das mulheres levantou-se e começou a limpar as cinzas da toalha da mãe. O adolescente já estava no hall, calçando os ténis.

— Vá lá, Valya, — disse o homem, sem olhar para cima. — Está tarde, amanhã há trabalho.

Valentina Dmitrievna procurou as chaves na mala, o rosto cheio de vergonha e raiva. A mão tremia quando tirou o molho de chaves.

— Aqui estão as tuas chaves — atirou desafiadora Valentina Dmitrievna, deixando-as cair na palma da mão de Nadejda. — Espero que fiques satisfeita.

Nadejda apertou as chaves no punho, mas não respondeu. O controlo da situação passou definitivamente para ela. O grupo da sogra sentiu isso perfeitamente.

— Peço a todos que saiam do apartamento — disse Nadejda calmamente, apontando para a porta.

Os convidados começaram a arrumar-se apressadamente. As mulheres murmuravam desculpas, o homem bebia os restos de cerveja direto da garrafa. Valentina Dmitrievna silenciosamente guardava um maço de ci****os na mala.

— Nadejda, não queríamos causar problemas — tentou justificar-se uma das mulheres. — Só queríamos conversar.

— Num apartamento alheio, sem permissão dos donos — respondeu Nadejda. — Fumaram, beberam, estragaram as coisas… Continuação no primeiro c0mentári0 👇👇👇

A tigresa trouxe aos humanos os seus filhotes, pedindo ajuda, pois já não podia ajudá-los sozinha...Na aldeia de Taëzhny...
01/06/2026

A tigresa trouxe aos humanos os seus filhotes, pedindo ajuda, pois já não podia ajudá-los sozinha...
Na aldeia de Taëzhny, a tigresa trouxe às pessoas dois pequenos tigres. Os homens locais perceberam que, aparentemente, a tigresa não tinha leite para alimentar os filhotes e deixou-os aos cuidados das pessoas.
Aproximou-se deles o guarda-florestal Fedorovich, a quem os moradores recorreram, e ele decidiu levar os filhotes para casa, pois a sua cadela pastor-alemão Gina tinha recentemente tido crias e podia alimentar os pequenos com o seu leite. Fedorovich levou os filhotes para casa, onde foi recebido pela esposa Nastasia e pelo filho Kolia.
Apresentando os filhotes à sua família, Nicolau colocou-os ao lado de Gina, que… Continuação no primeiro c0mentári0 👇👇👇

31/05/2026

— Compraste o vestido sem perguntar? — perguntou o marido, olhando para o talão… O que se seguiu ele não esperava.
A Lena voltou a casa com um sorriso leve, quase infantil. Nas mãos segurava um volumoso s**o de papel com o logótipo de uma loja cara. Dentro do s**o, cuidadosamente embrulhado em papel fino, estava o vestido — elegante, sedoso, aquele que sonhara comprar nos últimos seis meses.
Ele estava na montra, atraente e inacessível, até que ontem surgiu um desconto e a Lena finalmente se decidiu. A compra não foi impulsiva: ela poupava dinheiro dos pequenos trabalhos extra e acumulou cashback. Era o seu pequeno segredo, a sua conquista pessoal.
O André, o marido, estava na sala, mergulhado no telemóvel. Ao vê-la, fez um aceno de cabeça sem levantar o olhar.
— Olá — murmurou. — O que compraste agora?
A Lena pousou o s**o no chão, tentando manter a calma. Sentia uma ligeira ansiedade. Queria partilhar a sua alegria, mostrar-lhe o vestido, mas algo lhe dizia que não era o momento. Foi para a cozinha pôr o bule de água a ferver.
Poucos minutos depois, o André entrou na cozinha segurando o talão da loja. O rosto estava vermelho, os olhos semicerrados.
— O que é isto, Lena? — a sua voz era baixa, quase a rosnar. — Sete mil por qualquer trapo?! Compraste o vestido sem perguntar?
A Lena estremeceu. O talão aparentemente tinha caído do s**o. Tentou explicar-se.
— André, isto é pessoal…
— Pessoal! — interrompeu ele, agitando o talão. — Então não temos dinheiro? Porque não falaste comigo? Eu trabalho para podermos viver! E tu gastas sem pensar!
A Lena ficou em silêncio. Sentia uma onda de mágoa e cansaço a subir dentro de si. Durante anos ouvira estas acusações. Durante anos justificou-se. Mas agora algo se partiu dentro dela. Levantou lentamente os olhos para ele.
— Estou cansada, André — disse friamente. — Muito cansada.
Na sua voz não havia histeria, apenas cansaço profundo. O André ficou boquiaberto. Não esperava tal reação.
O André estava no escritório, a contar ao colega, o Sasha, sobre a “ilógica feminina”.
— Imagina, Sanja? — abanou a cabeça, mostrando extremo desagrado. — A minha Lena! Comprou um vestido de sete mil! Sem perguntar! Eu disse, não gosto quando uma mulher gasta dinheiro sem pensar. É preciso poupar! Tudo tem de ser combinado, gastos grandes! E ela…
O Sasha acenava com compreensão, embora fosse solteiro e pouco entendido da vida familiar.
— Pois, mulheres… Que se há-de fazer — disse ele.
O André sinceramente se via como um exemplo de prudência e abordagem sensata às finanças familiares. Na sua opinião, cuidar da família significava controlar despesas, evitar gastos desnecessários e poupar para algo realmente importante — como a sua nova bicicleta de desporto ou um presente para a mãe no aniversário.
Ele estava convencido de que as suas ações eram motivadas apenas por preocupação. Pela preocupação com o bem-estar comum. Ele “não deixava” que ela gastasse dinheiro em “tolices” porque queria que vivessem confortavelmente.
No entanto, o André não percebia que ele próprio comprava regularmente sem consultar a esposa. Há apenas algumas semanas comprara novos auscultadores sem fios por dez mil rublos. E há um mês renovara o equipamento de desporto — novos halteres, aparelho de abdominais. E claro, todos os meses “ajudava” a mãe, enviando-lhe alguns milhares de rublos para “medicamentos” ou “comida”.
Nunca discutira estas despesas com a Lena. Achava que eram os seus próprios rendimentos. E o dinheiro dela, por algum motivo, automaticamente passava a ser “comum”, e gastar necessitava da sua aprovação.
Na cabeça dele, isto fazia sentido. Parecia-lhe que era o chefe da família, e a sua palavra devia ser decisiva em tudo o que tocava às finanças. A sua visão do orçamento familiar era unilateral e completamente egoísta.
À noite, em casa, a atmosfera estava tensa. A Lena estava na cozinha, a beber chá, enquanto o André tentava iniciar uma conversa, mas as palavras ficavam presas na garganta. Ele estava preparado para o silêncio dela, para as lágrimas, para as acusações, mas não para o que se seguiu.
A Lena pousou a chávena na mesa e, pela primeira vez em muitos anos, olhou para ele sem a habitual submissão, quase desafiadora.
— Queres falar sobre despesas, André? — a voz estava calma, mas firme. — Muito bem, vamos falar. Queres que eu preste contas de cada cashback que recebo?
O André abriu a boca para contestar, mas ela não lhe deu oportunidade.
— Eu poupei para mim durante anos, André. Durante anos. Cozinhava para ti, lavava as tuas roupas, passava as tuas camisas. Negava-me a ir a cafés com amigas, a tomar um café no trabalho, a comprar um batom novo. Não comprava nada acima de mil rublos. E tu achavas isso normal. Como algo devido. “Dona de casa poupada”, dizias. Mas eu estava cansada. Cansada de ter de ser prática, invisível e barata.
O André sentiu o sangue a afastar-se do rosto. Não esperava tal frontalidade.
— Agora vamos ver os teus gastos — disse a Lena, tirando um caderno do bolso. Tinha vindo a registar esta lista silenciosamente nos últimos meses, recolhendo provas. — No último mês: ci****os — quatro mil rublos; cerveja — cerca de cinco mil; jantares com amigos — dez mil; os teus novos auscultadores — dez mil; equipamento desportivo — oito mil; e a tua mãe, a quem envias dinheiro todos os meses sem me perguntar — mais cinco mil. Total… mais de quarenta mil rublos. Nos teus “caprichos”. Não em comida, rendas ou combustível. Nos teus divertimentos pessoais.
O André tentou dizer algo, mas as palavras ficaram presas. Olhava para ela como se a visse pela primeira vez.
— A partir de hoje, André — continuou a Lena, a voz cheia de determinação — tudo muda. Cada um gasta o seu, como quiser. E o comum — comida, contas, combustível — metade para cada um. Exatamente metade. Chega de “não gosto quando uma mulher gasta sem pensar”. O meu dinheiro, as minhas regras.
O marido ficou completamente desorientado. Não esperava tal resposta, tal revolta. Estava habituado à submissão dela, ao seu consentimento silencioso.
Mas agora, a sua Lena, estava à sua frente, orgulhosa e intransponível. Seguiu-se um escândalo. Palavras voavam como faíscas, mas a Lena não chorava nem se justificava. Protegia-se.
A Lena estava no quarto, abraçando o vestido novo. Lembrava-se de como tudo começou. Nos últimos seis meses, as críticas do André tornaram-se regulares, quase diárias.
“Para que precisas disto? Tens uma blusa parecida” — dizia ele quando ela queria comprar algo novo.
“Já te vês bem assim. Não precisas de gastar dinheiro extra em cremes” — resmungava ele se ela comprasse algo para si.
“Gasta menos nas tuas tolices, melhor poupa para a comida” — era a sua frase típica, embora a Lena sempre comprasse produtos conforme a lista e dentro do orçamento… Continuação no primeiro c0mentári0 👇👇👇

O meu filho trouxe para casa um psiquiatra para me declarar incapaz, 🤨 sem saber que aquele médico era o meu ex-marido e...
31/05/2026

O meu filho trouxe para casa um psiquiatra para me declarar incapaz, 🤨 sem saber que aquele médico era o meu ex-marido e pai dele.
— Mãe, abre. Sou eu. E não estou sozinho.
A voz de Kirill à porta soava estranhamente firme, quase oficial. Deixei o livro de lado e dirigi-me ao hall, arrumando os cabelos pelo caminho.
A ansiedade já tinha enraizado algures no plexo solar.
No limiar estava o meu filho, e atrás dele um homem alto, de sobretudo rigoroso. O desconhecido segurava uma pasta de couro cara e olhava para mim com um olhar calmo e avaliador.
O tipo de olhar que se dirige a um objeto que se vai ou comprar ou deitar fora.
— Podemos entrar? — perguntou Kirill, sem sequer tentar sorrir.
Entrou no apartamento como se fosse o dono, e pelo visto já se considerava tal. O desconhecido seguiu-o.
— Apresento-te o Igor Viktorovich — disse o meu filho, tirando o cas**o. — Ele é médico. Vamos apenas conversar. Preocupo-me contigo.
A palavra “preocupo-me” soou como uma sentença. Olhei para aquele “Igor Viktorovich”.
Cabelos grisalhos nas têmporas, lábios finos e comprimidos, olhos cansados por trás de óculos de armação moderna. E algo dolorosamente familiar na forma como inclinou ligeiramente a cabeça, estudando-me.
O meu coração deu um salto e caiu.
Igor.
Quarenta anos apagaram-lhe os traços, cobriram-no com a pátina da idade e de uma vida estranha, desconhecida para mim. Mas era ele.
O homem que eu amara loucamente e que expulsara da minha vida com igual fúria. O pai de Kirill, que nunca soube que tinha um filho.
— Bom dia, Anna Valeryevna — disse com voz calma, bem modulada de psiquiatra. Nos seus olhos nenhum músculo se mexeu. Ele não reconheceu-me. Ou fingiu que não.
Assenti silenciosamente, sentindo as pernas dormentes. O mundo estreitou-se a um ponto: o seu rosto calmo e profissional.
O meu filho trouxe alguém para me trancar num hospício e tomar o apartamento, e esse alguém era o próprio pai dele.
— Vamos para a sala — a minha voz soou surpreendentemente calma. Eu própria mal me reconheci.
Kirill começou imediatamente a expor o assunto, enquanto o “médico” examinava atentamente a divisão.
O filho falava da minha “apego inadequado às coisas”, da “recusa em aceitar a realidade”, e de como me seria difícil viver sozinha num apartamento tão grande.
— A Katya e eu queremos ajudar — dizia ele. — Compramos-te um estúdio confortável perto de nós. Vais estar sob supervisão. Com o dinheiro que sobra, poderás viver sem precisar de nada.
Falava de mim como se eu não existisse, como se fosse um velho armário a levar para o campo.
Igor, ou como agora o chamavam, Igor Viktorovich, ouvia, assentindo de vez em quando. Depois voltou-se para mim.
— Anna Valeryevna, fala frequentemente com o seu falecido marido? — a pergunta atingiu-me como um soco.
Kirill baixou os olhos. Então foi ele que contou. O meu hábito de, por vezes, comentar em voz alta, dirigindo-me a uma fotografia do pai, transformara-se nas suas mãos num sintoma.
Desviei o olhar do rosto assustado do filho para o rosto impenetrável do pai. Uma raiva fria substituiu o choque.
Ambos olhavam para mim, à espera de resposta. Um — com impaciência gananciosa, o outro — com curiosidade clínica.
Muito bem. Queriam jogar? Vamos jogar.
— Sim — respondi, olhando Igor nos olhos. — Falo. Às vezes até me responde, especialmente quando se trata de traição.
No rosto de Igor não se mexeu um único músculo. Apenas fez uma nota curta no seu bloco de notas.
O gesto dizia mais do que qualquer palavra: “A paciente reage agressivamente às questões, confirmando uma reação defensiva. Projeção de culpa”. Quase consegui ver a linha escrita com a sua caligrafia médica cuidada.
— Mãe, mas o que estás a dizer? — inquietou-se Kirill. — Igor Viktorovich quer ajudar. E tu és sarcástica.
— Ajudar em quê, filho? Ajudar a libertar o apartamento para ti?
Olhei para Kirill, e dois sentimentos lutavam em mim: mágoa ardente e desejo de o sacudir, gritar: “Acorda! Vê quem trouxeste!”. Mas mantive-me em silêncio. Revelar agora seria perder.
— Não é assim — corou ele, e essa cor de vergonha era a única prova de que ainda havia algo humano nele. — A Katya e eu preocupamo-nos. Estás sozinha. Trancaste-te aqui com as tuas… memórias.
Igor levantou a mão, interrompendo-o suavemente.
— Kirill, permita-me. Anna Valeryevna, diga-me, o que considera traição? É um sentimento importante. Vamos falar sobre ele.
Olhava para mim com o mesmo olhar examinador. Decidi arriscar. Testá-lo.
— A traição é diferente, doutor. Às vezes a pessoa apenas sai à padaria e não volta. Abandona. E outras vezes… volta passados muitos anos para te tirar o último que tens.
Observei atentamente a sua reação. Nada. Absolutamente nada. Apenas um leve interesse profissional.
Ou tinha uma disciplina de ferro, ou realmente não se lembrava de nada. A segunda hipótese parecia-me ainda mais horrível.
— Metáfora interessante — concluiu ele. — Ou seja, vê o cuidado do seu filho como uma tentativa de lhe tirar algo? Esse sentimento surgiu há muito tempo? Continuação no primeiro c0mentári0 👇👇👇

31/05/2026

— E por que não trouxeste o dinheiro hoje? — perguntou Igor à esposa, surpreso.
— Vais gostar, querido. É o melhor Transformer da loja — ouviu-se por trás da estante.

Ekaterina estava a colocar meias de criança no cesto quando ouviu uma voz familiar na fila ao lado. A voz do marido. Ela parou, a ouvir atentamente.

Através das prateleiras de brinquedos, Ekaterina viu Igor. Ele segurava nas mãos um robot caro — exatamente o que o filho deles de quatro anos, Anton, tanto queria. Ao lado de Igor estava uma mulher desconhecida, com cerca de trinta anos, com um menino de aproximadamente três anos.

— És tão bom para nós — disse a mulher, beijando Igor suavemente na face. — Obrigada.

O beijo durou demasiado tempo para ser apenas um agradecimento. Havia intimidade, hábito, proximidade.

— Tudo para ti e para o Dimon — respondeu Igor, acariciando a cabeça do menino.

Ekaterina recuou para a esquina, tentando não respirar. Na noite anterior, Igor tinha recusado a compra de botas novas a Anton, que ele pedia há um mês.

— O dinheiro não cresce nas árvores — dissera ao filho. — As velhas ainda dão para o gasto. Não há necessidade de birras.

E agora gastara facilmente oito mil numa brinquedo para outra criança. Sem hesitar, com um sorriso.

Ekaterina dirigiu-se rapidamente para a saída, deixando o cesto de meias. No bolso tinha um envelope com o salário — noventa mil rublos. Setenta por cento seriam entregues a Igor essa noite, como fazia nos últimos quatro anos. Era o acordo desde o casamento — Igor geria o orçamento familiar e distribuía as despesas. “O homem deve ser o chefe da família”, convencera-a ele na altura.

Igor voltou a casa à hora habitual. Beijou Ekaterina na testa, brincou cinco minutos com Anton e sentou-se à frente da televisão.

— Alguma novidade no trabalho? — perguntou Ekaterina, retirando o envelope.
— Nada de especial. A chefia anda a irritar com as exigências — respondeu ele, sem tirar os olhos do ecrã.

Ekaterina deu-lhe sessenta e três mil em vez dos habituais sessenta e cinco. Igor contou o dinheiro e franziu a testa.

— Faltam dois mil.
— Gastei em alimentos e vitaminas para o Anton. Ele precisa.
— Da próxima avisa — resmungou Igor, guardando o dinheiro na carteira. — Não gosto de surpresas no orçamento.

— Igor, e as botas do Anton? Já é outubro, as chuvas vêm aí.
— Vou comprar no fim de semana. Não te preocupes, vou comprar.
— E o cas**o? O do ano passado já está pequeno.
— Também vou comprar. Não te preocupes, tudo ficará bem. Sabes que não deito palavras ao vento.

Ekaterina acenou com a cabeça. O dinheiro já tinha sido gasto naquele menino na loja. No “Dimonzinho”.

— A propósito — acrescentou Igor, casualmente — o pessoal do escritório está a juntar dinheiro para oferecer um presente à Natalia Viktorovna. Mãe solteira, está a passar por dificuldades. O aniversário dela é em breve.

A palavra “Natalia” provocou dor no peito de Ekaterina. Lembrou-se do beijo delicado da mulher desconhecida. Não se parecia nada com juntar dinheiro para uma colega necessitada.

— Quanto é preciso? — perguntou com voz calma.
— Uns cinco a sete mil. Queremos comprar algo digno. Uma corrente ou uns brincos.

Sete mil para uma corrente para a “colega”, mas dois mil para vitaminas do próprio filho eram demais.

— Tira do dinheiro comum — disse Ekaterina.
— Já tirei ontem. Previamente, por assim dizer.

A noite inteira, Ekaterina ficou calada, observando Igor às escondidas. Ele reparou e afastou-se do telemóvel, onde escrevia mensagens.

— Hoje estás estranha — disse com ligeira irritação. — Aconteceu alguma coisa? Problemas no trabalho?
— Apenas estou cansada. A habitual melancolia de outono.
— Toma valeriana. Ou erva-cidreira. Estás mais carrancuda que uma nuvem.
— Obrigada pelo cuidado — não resistiu Ekaterina, com sarcasmo.
— De nada, querida — abanou a mão e voltou ao telemóvel.

No dia seguinte, Ekaterina tirou folga e dirigiu-se ao escritório de Igor. Sentou-se num banco do jardim em frente e esperou. Às seis, Igor saiu do edifício com aquela mulher. Dirigiram-se a um café do outro lado da rua, de mãos dadas.

Ekaterina observava-os pela janela enquanto jantavam. Natalia tocava várias vezes na mão de Igor e riam juntos. Igor mostrava algo no telemóvel e ela batia palmas de alegria. Quando saíram, Igor beijou-a demoradamente na boca, mesmo na rua.

Tudo ficou claro.

À noite, Ekaterina levou Anton à mãe, mentindo sobre um trabalho urgente.

— Ficas com a avó até amanhã, sol — disse ao filho. — A mãe vai a casa da tia Sveta tratar de um assunto importante.
— E o pai não vai sentir a tua falta? — perguntou Anton.
— O pai… nem vai notar — respondeu Ekaterina, com sinceridade.

Svetlana abriu a porta com olhos chorosos e cabelo despenteado.

— Entra depressa. Estou aqui a chorar pela minha vida estúpida — disse, abraçando a amiga. — Parece que ambas estamos lixadas.
— O que aconteceu contigo?
— Aquele Nikolai. Parece que tem um caso há meio ano. Hoje disse que vai para ela. Que ela o entende e eu só o critico.

Sentaram-se na cozinha, a beber chá forte com conhaque. Ekaterina contou detalhadamente o que tinha visto na loja e perto do escritório.

— Os homens… são uns completos idiotas — resumiu Svetlana, a servir mais conhaque. — Mas não faças movimentos bruscos, Katka. Pensa bem. Tens um filho, o trabalho não é grande coisa… Talvez valha a pena tentar resolver tudo? Conversar com ele?

— Por que raio é que eu deveria arranjar aquilo que ele destruiu? — perguntou Ekaterina. — Eu fiz alguma coisa de mal?

— Não deves, claro que não. Mas pensa no lado prático. O apartamento, o dinheiro, o futuro do Anton…

— Que futuro? Ver o pai gastar o salário da mãe numa outra tia e no filho dela?

— Bem… talvez seja um momento passageiro? Uma crise da meia-idade?

Ekaterina olhou para a amiga com compaixão:
— Sveta… Isto não é crise — é uma nova família.

Durante um mês, Ekaterina observou o marido e refletiu sobre a situação. Igor tornou-se mais cauteloso, ficava menos tempo no trabalho, mas os encontros com Natalia não cessaram. Apenas passaram para a pausa do almoço. Em casa, encenava o papel de pai e marido amoroso, embora de forma cada vez mais artificial.

— Como corre na escola? — perguntou uma vez ao Anton, durante o jantar.
— Pai, eu vou para o jardim-de-infância — respondeu o menino, surpreendido.
— Ah, claro. Para o jardim. E lá, como é que está?
— Normal. E vais comprar-me uma bicicleta?
— No inverno? Que bicicleta no inverno? Espera pelo verão.
— Mas tu prometeste no meu aniversário…
— Prometi, prometi. Lembro-me de tudo. Compramos, com certeza.

Ekaterina observava o diálogo em silêncio. O aniversário de Anton tinha sido há três meses.

O apartamento de dois quartos que alugavam consumia trinta mil por mês. Em quatro anos de casamento, não conseguiram poupar para o adiantamento de uma hipoteca — Igor gastava tudo o que ela trazia e respondia evasivamente a perguntas.

— Tenho um plano para aumentar o nosso bem-estar — dizia ele. — Não te preocupes com isso. Mulheres não percebem de finanças.

Ekaterina apenas mencionava de passagem os problemas do casamento à mãe, sem entrar em detalhes.

— Todos os casais têm desentendimentos, minha filha — dizia esta, como de costume. — O importante é a sabedoria feminina. O homem sempre acalma e volta para casa.

— E se não acalmar?

— Acalma. Para onde é que ele vai fugir? Tu não és daquelas que fazem escândalos, és boa dona de casa. Só é preciso esperar… Continuação no primeiro c0mentári0 👇👇👇

30/05/2026

— Vais ligar de imediato e recusar esse trabalho! — ele agarrou-lhe o braço. — Eu proíbo! Estás a ouvir-me? Proíbo!
Anna fechou a porta do armário de arquivos um pouco mais bruscamente do que o habitual. O telefone tocava pela terceira vez numa hora — a melodia soava como uma broca insistente.
— Onde é que te metes? — a voz de Mikhail rasgou o silêncio do arquivo. — Outra vez a brincar com os teus papéis?
— Estou a trabalhar — respondeu Anna, sem levantar os olhos dos documentos.
— A trabalhar! — ele riu-se, sarcástico. — Remexer em pastas empoeiradas por trocados. Quando é que percebes, finalmente, que isso não é carreira nenhuma, mas sim uma triste ocupação de fracassadas?
— Esses “papéis” guardam a história da nossa cidade — retorquiu Anna calmamente. — Talvez isso ultrapasse a tua compreensão de valores.
— Não me armes em sabichona! — rugiu Mikhail. — A tua “história” não nos vai dar dinheiro nenhum. Vives num mundo de ilusões!
Anna desligou o telefone em silêncio. Seis anos no arquivo local, o reconhecimento dos colegas, os agradecimentos de investigadores — para Mikhail, tudo isso não passava de uma “brincadeira com papéis”. O seu diploma em História com distinção era, para ele, apenas um enfeite de parede, e a tese de doutoramento — uma perda de tempo.
A porta do arquivo abriu-se. Entrou uma mulher desconhecida, de cerca de quarenta anos, elegante, confiante.
— Desculpe, é a Anna Viktorovna? Sou a Ekaterina. A ex-mulher do seu marido.
— Oh! — Anna ergueu as sobrancelhas. — Que surpresa. Entre, por favor. Espero que não seja para uma cena?
— Não. — Ekaterina olhou em volta. — Sinto-me embaraçada por aparecer assim, mas temos algo a discutir. Onde poderíamos falar?
— Há um café aqui perto. É sossegado. Peço apenas que evitemos emoções.
Ekaterina sentou-se à sua frente, no pequeno café ao lado do arquivo, e retirou as luvas com elegância.
— O Mikhail falou-lhe de mim? — perguntou ela, mexendo o açúcar na chávena.
— Sim, disse que vocês não se entenderam. Uma versão demasiado lacónica, quase insultuosa.
— “Não se entenderam”? — Ekaterina sorriu com amargura. — Bela formulação. Sou professora de Literatura. Fui durante seis anos. Quando conheci o Mikhail, ele deslumbrava-se com a minha erudição, com as citações dos clássicos, chamava-me “a sua musa”.
Anna pousou a colher, escutando atentamente.
— Um ano depois já me chamava de fracassada, incapaz de ganhar dinheiro a sério. “Para que te servem esses poetas mortos?”, dizia ele. “Arranja algo útil para fazer!”
— Soa-me familiar — comentou Anna, sarcástica. — Ele não tem grande repertório.
— Ele escolhe de propósito mulheres como nós — continuou Ekaterina. — Mulheres cultas, de profissões socialmente relevantes. Primeiro admira o intelecto, depois destrói sistematicamente a autoestima. Museólogas, bibliotecárias, professoras — para ele somos todas iguais. Inteligentes, mas “impráticas”.
— Porque me está a contar isto? — perguntou Anna, embora a resposta já se formasse na sua mente.
— Porque, depois do divórcio, voltei ao ensino. Agora sou chefe de departamento na universidade. Afinal, não sou nenhuma fracassada. Apenas vivia com alguém que me convencia do contrário.
— E o que mudou?
— Tudo. Quando a voz venenosa se cala, percebes de repente que podes respirar fundo — Ekaterina sorriu. — Os meus alunos ganham bolsas, os meus artigos são publicados em revistas de prestígio. E o Mikhail continua a achar que a literatura é uma brincadeira.
— Parece que a opinião dele sobre as ciências humanas é inabalável — Anna abanou a cabeça.
— Minha querida, ele tem medo de mulheres instruídas. Mas teme ainda mais a nossa independência. Por isso primeiro doma, depois quebra.
Após o almoço, Piotr Aleksandrovitch, o diretor do arquivo, entrou no gabinete com um envelope na mão e um ar solene.
— Anna Viktorovna, tenho uma proposta para si. A estação de televisão regional está a planear um ciclo documental sobre a história local. Precisam de uma consultora e autora dos guiões.
Anna abriu o envelope. O valor do honorário triplicava o seu salário mensal.
— Eles querem especificamente a senhora — continuou Piotr Aleksandrovitch, orgulhoso. — A sua capacidade de transformar documentos de arquivo em histórias vivas impressionou os produtores. O projeto está previsto para um ano, com possibilidade de prolongamento.
— É tentador — admitiu Anna. — Preciso de pensar.
— Anna, isto é uma oportunidade não só para si, mas para todo o arquivo. A história regional terá grande visibilidade. As pessoas vão descobrir os tesouros que se guardam nestas paredes.
— Tem razão. É uma chance de mostrar o valor do nosso trabalho.
— E de dissipar o mito de que a História é aborrecida. Nas suas mãos, ela ganha vida.
Em casa, Anna contou-lhe cuidadosamente sobre a proposta, já preparada para a tempestade. A reação de Mikhail foi previsível, mas superou as expectativas.
— Estás doida! — ele saltou do sofá, o rosto distorcido pela raiva. — Vais exibir-te para a região inteira? As pessoas vão pensar que eu não consigo sustentar a minha mulher! Que tenho uma gaja a trabalhar na televisão!
— Esta é a minha profissão, Mikhail. E bastante prestigiada, aliás.
— Profissão? Tu remexes em papéis por uma miséria! E agora queres envergonhar-me na televisão, a falar de mortos?!
— Envergonhar-te? — Anna olhou-o, surpresa. — Vou falar do património cultural da nossa região. Onde está aí a vergonha?... Continuação no primeiro c0mentári0 👇👇👇

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