23/06/2026
A Cidade do Cabo, no extremo sudoeste da África do Sul, guarda algumas páginas importantes da história geológica da Terra.
O substrato mais antigo da região é o Grupo Malsmebury, formado por rochas sedimentares depositadas há mais de 540 milhões de anos em um oceano antigo chamado de Adamastor, em referência ao gigante mitológico que toma conta da passagem do Cabo da Boa Esperança.
Este oceano foi consumido e transformado em montanha devido à colisão entre os paleocontinentes do Kalahari e do Rio de La Plata, culminando na formação do supercontinente Gondwana, há cerca de 540-500 milhões de anos. O calor gerado pela colisão levou à fusão das rochas na cadeia de montanhas e à geração da suíte de granitos do Cabo.
Após a formação do Gondwana, essas montanhas passaram a ser erodidas e estes detritos formaram as rochas sedimentares do Grupo Table Mountain, há cerca de 500-380 milhões de anos, incluindo arenitos depositados em antigos rios e outros ambientes continentais. Essas rochas correspondem à base da Bacia do Paraná no Brasil, que era a continuação dessa bacia sedimentar.
Há cerca de 260-230 milhões de anos, com o fechamento do oceano das Agulhas e a colisão da Patagônia ao sul do Gondwana, as rochas do Grupo Table Mountain foram dobradas e deformadas, gerando o cinturão de dobramentos do Cabo (Cape Fold Belt).
Finalmente, com a abertura do oceano Atlântico começando em torno de 130 milhões de anos, a África se separa da América do Sul e estes remanescentes da história geológica conjunta desses dois continentes ficam preservados na região da península do Cabo.
Essa é Nossa Terra!