05/08/2026
DOENTES MENTAIS ABANDONADOS NA PSIQUIATRIA DO INFULENE
Pelo menos 78 pacientes, com idades entre os 23 e 70 anos, foram abandonados no Hospital Psiquiátrico do Infulene, na cidade de Maputo, apesar de apresentarem melhorias do seu estado clínico e reunirem condições para regressar ao convívio familiar.
Os utentes encontram-se internados há períodos que variam entre dois e 45 anos. Em alguns casos, a permanência prolongada resultou da perda da capacidade cognitiva, fazendo com que já não consigam se identificar, recordar a idade, proveniência ou reconhecer os próprios familiares.
Entre os abandonados constam pessoas deixadas à porta do hospital, transferidos das unidades sanitárias de outras províncias, bem como indivíduos rejeitados no seio familiar devido ao estigma associado às doenças mentais.
Estas situações dificultam ou inviabilizam a reunificação familiar, propiciando a institucionalização.
A directora do HPI, Serena Chachuáio, explicou que o número de casos de abandono tende a aumentar, agravado pelo facto de alguns familiares fornecerem contactos e endereços falsos, inviabilizando qualquer tentativa de localização.
“Há necessidade de reforçar as campanhas de educação e sensibilização nas comunidades para as pessoas compreenderem que as doenças mentais não são transmissíveis e podem ser tratadas e controladas como qualquer outra patologia. Infelizmente, a persistência de crenças associadas a causas sobrenaturais continua a alimentar o estigma e o abandono”, afirmou.
Com o objectivo de restituir os pacientes ao convívio familiar, o hospital trabalha em articulação com os serviços de Acção Social, estruturas comunitárias e líderes locais, recorrendo igualmente às redes sociais para localizar os parentes e, quando necessário, encaminha alguns aos lares de acolhimento da pessoa idosa. Contudo, a disponibilidade destas instituições é cada vez mais reduzida.