09/09/2026
O PERIGO DE LUTAR COM UM PORCO
Afinal, o que leva as pessoas que combateram o colonialismo em Moçambique e Africa a viverem e agirem hoje como autênticos colonialistas? Quando falo em colonialismo, falo do aspecto da exploração do homem pelo homem. Esqueçam as raças! O facto é interessante por causa da contradição aparente. Mas se analisarmos profundamente, podemos encontrar o seguinte:
Os antigos combatentes, embora combatentes, viveram grande parte das suas vidas dentro do sistema colonial, dentro do sistema de exploração. Quando a independência política chegou, tirou as pessoas do sistema colonial mas, infelizmente, não conseguiu tirar o sistema colonial de dentro das pessoas. Por isso, ainda hoje, existem os assimilados, os moçambicanos da cidade que "estranham" o moçambicano do subúrbio ou do campo porque não estudou, mal fala português ou não conhece os lugares da cidade.
Essa coisa de estranhar, que outras vezes se parece com descriminar, essa coisa transforma-se na visão que muitos têm sobre quem é que devia fazer o trabalho pesado, o trabalho sujo e escravo, o que pode trabalhar mais do que 8 horas por dia sem reclamar. Isso tudo é reprodução do sistema colonial!
As manifestações já todos conhecemos e reconhecemos na podridão que é hoje assistirmos moçambicanos a explorarem moçambicanos, mas o que eu quero dizer é o seguinte: a geração que lutou contra o sistema colonial venceu e perdeu!
Venceu porque efectivamente a independência aconteceu. Perdeu porque deixou-se contaminar pela sujeira do inimigo que combateu a ponto de hoje não saber viver de outra forma a não ser aquela que ele ensinou. Chegando ao ponto de ensinar aos filhos e aos netos essa maneira selvagem de estar.
Temos que nos expurgar dos vícios de 500 anos de dominação colonial. Antes era mais fácil porque o inimigo tinha cara. Hoje é complicado porque o inimigo pode ser qualquer um até aquele que é da nossa raça, tribo ou partido. A semente do mal está entre nós mas muitos não vão reconhecê-la por se deixarem levar pelas aparências.
A árvore conhece-se pelo fruto... e mais não digo!